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Guia dos Trouxas para Harry Potter/Livros/A Câmara Secreta/Capítulo 14

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.


Aviso: Seguem detalhes do enredo.

Harry, Ron e Hermione discutem sem parar a última revelação; nenhum deles quer acreditar que Hagrid tenha algo a ver com o monstro. E mesmo assim, ele foi expulso de Hogwarts, e ele tem um carinho especial por criaturas grandes e aterrorizantes, como Norbert, o dragão e Fofo o cão gigante de três cabeças que guardava a Pedra Filosofal, no ano anterior. Os ataques devem ter parado depois que Tom Riddle entregou Hagrid. De outra maneira, Tom não teria recebido o troféu por Serviços Especiais. Eles decidem não fazer nada a menos que aconteçam outros ataques. A escola parece ter voltado ao normal, e as Mandrágoras estão amadurecendo e quase prontas para serem usadas no tratamento das vítimas petrificadas.

Ao começar o terceiro ano, os alunos de Hogwarts podem escolher matérias opcionais, portanto após os feriados de Páscoa, os segundanistas devem escolher as matérias que farão no terceiro ano. Hermione afinal escolhe fazer todas. Harry pede o conselho de Percy, que fala todo afetado, para ele escolher aquelas onde é melhor. Harry acha que ele só é melhor mesmo no Quadribol então decide fazer as mesmas que Ron, de modo que eles possam se ajudar mutuamente.

Retornando do treino de Quadribol, Harry descobre que seu dormitório foi invadido e revistado e o Diário de Riddle sumiu. Harry deduz que alguém da Gryffindor fez aquilo e levou o Diário; mais ninguém sabe a senha para entrar na Torre.

Quando está se dirigindo para o campo de Quadribol para o jogo contra a Hufflepuff, Harry ouve novamente a voz. Ron e Hermione nada escutam, mas algo ocorre subitamente a Hermione e ela corre para a biblioteca, enquanto Harry e Ron vão para o campo. Um pouco antes do jogo começar, a Professora McGonagall avisa que o jogo foi cancelado e ordena que todos se dirijam à Sala Comunal de suas Casas. Ela chama Harry e Ron para a seguirem até a enfermaria. Houve um duplo ataque: Penelope Clearwater uma aluna da Ravenclaw que é Monitora, e Hermione foram petrificadas. Ambas foram encontradas perto da biblioteca, Hermione está segurando um pequeno espelho. Percy está em choque porque Penelope foi atacada, aparentemente ele acreditava que os monitores estavam imunes aos ataques.

Numa tentativa de proteger os alunos do monstro, diversas restrições foram anunciadas. Entre elas a de se recolher ás 6 horas da tarde, o que implicou no fim das atividades noturnas fora dos dormitórios das Casas. Também, os alunos deveriam ser acompanhados de aula em aula pelos professores. Caso o monstro não seja encontrado e exterminado, a escola poderá ficar fechada permanentemente.

Escondidos sob a Capa da Invisibilidade, Harry e Ron saem de fininho e vão até a cabana de Hagrid para perguntar a ele sobre a Câmara Secreta. Antes que ele possa revelar qualquer coisa, os meninos ouvem uma batida na porta e se escondem sob a Capa; o Professor Dumbledore e o Ministro da Magia, Cornelius Fudge entram na cabana. Fudge, que acredita que foi Hagrid quem abriu a Câmara pela primeira vez, e ignorando os protestos de Dumbledore, resolve mandar Hagrid para Azkaban, a prisão dos bruxos, apenas por precaução. Lucius Malfoy chega, de repente, com uma Ordem assinada pelos Conselheiros de Hogwarts pedindo a retirada de Dumbledore como Diretor. Fudge é contra a saída de Dumbledore, assim como Hagrid, mas Malfoy insiste em que esse é problema interno e não compete ao Ministério. No momento em que está saindo, Dumbledore olha na direção onde Harry e Ron estão escondidos sob a Capa e diz, “Eu só terei deixado realmente a escola, quando mais ninguém aqui for leal a mim. Você também vai descobrir que Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem.” Conforme Hagrid é levado embora por Fudge, ele grita que se alguém quer achar as respostas, deve seguir as aranhas, e também que alguém precisa alimentar Canino.


Que Hagrid está envolvido com a abertura da Câmara é uma dura revelação para Harry. Mas a prova parece indiscutível, e na lembrança, Harry de fato viu Hagrid sendo descoberto. A confiança de Harry em Hagrid foi mexida, mas não definitivamente; é só depois que os ataques recomeçam que Harry sente necessidade de perguntar a Hagrid sobre sua expulsão de Hogwarts.

Enquanto isso, o Diário foi roubado; Harry acredita que foi um roubo específico, uma vez que nada mais foi levado. Harry e Ron também concluem que foi alguém da Gryffindor que roubou, porque outra pessoa precisaria da senha para entrar no dormitório. Ambos os fatos são importantes. Uma coisa é certa: Harry não vai poder saber mais sobre a expulsão de Hagrid da escola. Se Harry tivesse apertado mais Hagrid para saber do ocorrido, quase que certamente ele teria que explicar de maneira tinha visto tudo, e a autora teria revelado a trama do Diário muito cedo, o que teria deixado a história mais fraca. De fato, a prisão de Hagrid, ou praticamente isso, tornam a trama mais forte, deixar Hagrid fora da história é importante nessa altura. Inclusive, a prisão de Hagrid nos apresenta Azkaban e descobrimos o quanto os bruxos temem a prisão.

Através do título do próximo livro O Prisioneiro de Azkaban, podemos supor que Azkaban será um local importante; e como é mencionada agora nesse livro e no próximo, a prisão também reaparecerá nos livros futuros.

Lucius Malfoy é raramente, ou nunca, honesto naquilo que pretende. Nesse caso, ele afirma que o Conselho de Hogwarts está suspendendo Dumbledore, por falhar ao proteger os alunos dos ataques. Sabemos muito bem que os motivos de Malfoy são, em geral, algo bem diferente do que parece e suas maquinações são vastas. Podemos supor corretamente, que ele forçou o conselho a suspender Dumbledore; sua satisfação presunçosa, ao entregar o documento fala por si. No entanto, ficamos imaginando o que, exatamente, ele ganha com isso. A raiva que ele tem de Dumbledore será razão suficiente para esse tipo de atitude? Ou teremos mais a descobri?

Hagrid é cuidadoso ao falar com Harry e Ron sobre as aranhas, embora não tenhamos idéia ainda de por que. As aranhas próximas ao banheiro da Murta Que Geme, no entanto, estão agindo de modo estranho.

Os leitores devem prestar atenção que, quando Hermione ambiciosamente resolve escolher todas as matérias para o terceiro ano, vai dar a partida a acontecimentos futuros, como também é um bom exemplo de “seja cuidadoso com aquilo que deseja”.

  1. Antes de ir embora, Dumbledore parece olhar diretamente para Harry e Ron, embora eles estejam sob a Capa da Invisibilidade. Será que Dumbledore pode vê-los? Se pode, como?
  2. Por que Hermione corre, de repente, para a biblioteca?
  3. É justo Hagrid ser mandado para Azkaban?

Estudos Adicionais

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  1. Quem pode ter pegado o Diário? Como alguém sabe sobre ele, e por que o levaram?
  2. Qual é a evidência de que Hagrid abriu a Câmara Secreta? Isso é conclusivo ou não? Explique.
  3. Harry pode acreditar naquilo que vê no Diário? Explique porque sim ou porque não.
  4. Quando Harry e Ron vão procurar Hagrid para saber sobre a Câmara Secreta, eles acham que ele irá contar? Explique.
  5. Por que Hagrid falou para Harry seguir as aranhas? Para onde será que elas vão?
  6. Por que Hermione estava segurando um pequeno espelho quando foi petrificada?
  7. É justo retirarem Dumbledore do cargo de Diretor ou existe algum outro motivo por trás disso? Explique.
  8. Quando está saindo da cabana de Hagrid, o que significam as palavras de Dumbledore para Harry?

Visão Completa

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Aviso aos leitores de nível intermediário: Seguem detalhes que vocês podem não querer ler em seu nível atual de leitura.

Devemos notar que um novo ataque ocorre imediatamente após o Diário ser roubado. Com certeza o Diário foi jogado fora deliberadamente; levar alguma coisa para um banheiro que não é usado e jogar na privada, puxando a descarga, certamente não é acidental. O que parece é que o Diário, nas mãos de seu original proprietário, estava de alguma forma ligado aos ataques. Agora, os ataques recomeçaram logo depois do Diário ser roubado, isso significa que seu proprietário original pegou ele de volta. Harry, embora não entenda porque o Diário foi roubado, suspeita que o ladrão é aluno da Gryffindor. Isso provavelmente leva Harry a imaginar, até de modo surpreendente, que, ao invés de ser alguém ligado à Slytherin, o Herdeiro é sim, alguém da Gryffindor. Vamos descobrir nos capítulos finais, que o Diário está diretamente associado aos ataques e que um aluno da Gryffindor está envolvido, embora essa pessoa não seja o Herdeiro de Slytherin.

Os comentários dos gêmeos nos levam a supor que Percy está nervoso apenas porque um monitor foi atacado. Percy com certeza acreditava que os monitores eram invulneráveis. Mesmo assim, sua reação parece exagerada, até que descobrimos, no final do livro, que Ginny o viu beijando Penelope Clearwater. Essa revelação romântica torna o choque de Percy mais compreensível. O fato de Hermione correr para a biblioteca tão logo Harry ouve “a voz” novamente, talvez seja a pista que ela precisava: ela faz a ligação entre Harry e o fato dele ser a única pessoa que pode ouvir a voz dentro das paredes. A menina conclui, corretamente, que o monstro é um Basilisco. Harry pode ouvi-lo porque ele é ofidioglota, possui a rara habilidade de falar com as cobras. O olhar do Basilisco é letal para qualquer um que olhe diretamente em seus olhos. Ninguém morreu até agora porque cada um viu o monstro indiretamente: Mrs. Norris o viu refletido na água do lado de fora do banheiro da Murta, Colin o viu através de sua câmera. Justin o viu através de Nick Quase Sem Cabeça (que o viu diretamente, mas já está morto mesmo, não pode morrer de novo), e Hermione e Penélope o viram refletido no espelho que Hermione levava. Hermione também adivinha corretamente, que o Basilisco usa os encanamentos para se movimentar através das paredes da escola sem ser perturbado.

Os motivos de Lucius para querer a suspensão de Dumbledore nunca serão completamente explicados, mas talvez seja, porque Lucius imagina que Dumbledore certamente sabe que foi ele quem planejou os ataques, mesmo não tendo certeza de como isso foi feito. Sabendo que Lucius forneceu a arma, logo percebemos que preparar a suspensão de Dumbledore é uma maneira de deixar essa arma livre para dominar. Apenas três professores de Hogwarts parecem acreditar numa Câmara Secreta contendo um monstro: Dumbledore, que estava em Hogwarts quando ela foi aberta a primeira vez; McGonagall que aceita a palavra de Dumbledore; e Lockhart com quem não podemos contar. Removendo Dumbledore Lucius enfraquece a luta contra o monstro.

As últimas palavras de Hagrid, quando ele está sendo levado embora, nos fazem acreditar que ele sabe muito mais do que pensávamos, sobre o que está ocorrendo. O que vamos descobrir é que as aranhas, com medo do monstro, estão procurando um local seguro, a Floresta Proibida, casa de Aragogue, a Acromântula. A sugestão de Hagrid para Harry e Ron fazerem o mesmo, nos faz imaginar que Hagrid já conversou com Aragogue sobre o monstro, e que Hagrid acredita que Aragogue pode explicar o que está acontecendo. Analisando o fato, não parece surpreendente; o monstro esteve ativo pela última vez em Hogwarts, quando Hagrid cuidava de Aragogue (então jovenzinho) e a gente imagina que ele discuta os acontecimentos da escola com Aragogue. Se Aragogue não conseguir dizer o nome do monstro para Harry e Ron, acreditamos que ele também não soube dizer o nome para Hagrid e, portanto Hagrid pode não saber que tipo de monstro é, mas sabe que Aragogue conhece o monstro e aparentemente acredita que ele poderá ajudar a Harry a identificá-lo.

Atenção ao fato de Hermione afirmar que ela quer fazer “todas” as matérias do terceiro ano. Isso parece uma infantilidade, um exagero, mas ela está falando muito sério. Ela vai arranjar um jeito com McGonagall de fazer o que deseja, e a maneira que ela arranja será uma façanha que vai ser muito importante no próximo livro. O resultado para Hermione será doloroso porque ela vai descobrir que, para obter uma grande quantidade de conhecimento é preciso fazer grandes sacrifícios, e existem limites para se adquirir conhecimento. No entanto, ela vai tornar esse vacilo numa vantagem.

  • Embora Harry e Ron já tivessem notado que as aranhas estão se comportando de modo estranho nesse livro, essa é a primeira menção concreta de que isso tem a ver com o monstro. As aranhas é claro, vão levar-nos até Aragogue. E Aragogue não será mais visto até O Enigma do Príncipe capitulo 22 no seu próprio funeral. No entanto, seus descendentes vão aparecer em O Cálice de Fogo capitulo 31, e em As Relíquias da Morte capitulo 32.
  • A idéia de Hermione em se matricular para todas as matérias do terceiro ano, resulta em ela conseguir um Vira-Tempo, que ela carrega durante o próximo livro. Esse instrumento vai se mostrar muito útil na batalha final e será destruído antes do fim da série. Isso ocorre em A Ordem da Fênix capitulo 35, mas não descobrimos toda a sua importância até O Enigma do Príncipe capitulo 11.
  • A escolha de Hermione em estudar Runas Antigas, em especial, está ligada à trama principal do livro As Reliquias da Morte. Dumbledore deixa um livro para ela em seu testamento, “Os Contos de Beedle o Bardo”, escrito em runas antigas. Hermione vai ficar tão perplexa com as runas complicadas, e em especial com um determinado símbolo que não reconhece. Isso vai direcionar Harry para compreender pouco a pouco a importância das Relíquias da Morte. O símbolo que Hermione não consegue compreender não é de fato uma runa, é um símbolo mágico das Relíquias, e é para decifrar o significado desse símbolo que o Trio visita Xeno Lovegood. Xeno vai explicar o Conto dos Três Irmãos e como isso se relaciona às Relíquias. O fato do livro ser escrito em runas, e porque Hermione foi excepcional nessa matéria durante os anos de estudo, é que levou Dumbledore a deixar o livro para Hermione; e os seus esforços constantes para decifrar as runas são essenciais no momento de visitar Xeno Lovegood.
  • A afirmação de Dumbledore em que diz: “eu só terei deixado realmente a escola, quando mais ninguém aqui for leal a mim.” vai repercutir nesse mesmo livro no capitulo 17 e em O Enigma do Príncipe capitulo 29. Uma variante dessa frase é quando Harry concorda que ele “é e sempre será um homem de Dumbledore”, isso aparece em O Enigma do Príncipe capitulo 16 e novamente no capitulo 30.
  • Queremos mencionar aqui, que o caráter de Cornelius Fudge é consistente durante toda a série. Nesse momento, veremos que ele toma uma atitude no sentido de evitar uma possível ameaça; a atitude, nós acreditamos, é errada, mas Fudge sente que tem que fazer algo para acalmar seus eleitores. Nós veremos sua natureza política novamente, em todas as ocasiões em que ele aparecer, em O Prisioneiro de Azkaban capitulo 3, no mesmo livro capitulo 10 e novamente em O Cálice de Fogo capitulo 36. Olhando para trás as atitudes de Fudge, desde o fim da série, podemos ver que ele é um consumado político, agindo sempre no sentido de manter o poder, fazendo o melhor para ele, ao invés de determinar o que será melhor para todos.