Guia do Linux/Avançado/Apache/Restrições de Acesso

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Restrições de Acesso[editar | editar código-fonte]

A restrição de acesso do Apache é feita através de Autorização ([#s-s-apache-acesso-restr-autor Autorização, Seção 12.7.1]) e Autenticação ([#s-s-apache-acesso-restr-auth Autenticação, Seção 12.7.2]). Através da autorização, é checado se o endereço/rede especificada tem ou não permissão para acessar a página. A autenticação requer que seja passado nome e senha para garantir acesso a página. Os métodos de Autorização e Autenticação podem ser combinados como veremos mais adiante.

Autorização[editar | editar código-fonte]

A restrição de acesso por autorização (controlado pelo módulo mod_access), permite ou não o acesso ao cliente de acordo com o endereço/rede especificada. As restrições afetam também os sub-diretórios do diretório alvo. Abaixo um exemplo de restrição de acesso que bloqueia o acesso de qualquer host que faz parte do domínio .spammers.com.br a URL http://servidor/teste:

     <Location /teste>
      Option Indexes
      Order allow,deny
      allow from all
      deny from .spammers.com.br
     </Location>

A opção Option foi explicada acima, seguem as explicações das outras diretivas:

  • Order
    Especifica em que ordem as opções de acesso allow/deny serão pesquisadas. Caso não seja especificada, o padrão será deny/allow. Note que a ordem de pesquisa de allow e deny é a inversa da especificada. A diretiva Order aceita os seguintes valores:
    • deny,allow - Esta é a padrão, significa um servidor mais restritivo; a diretiva allow é processada primeiro e somente depois a diretiva deny. Caso nenhuma diretiva allow e deny forem especificadas ou não conferirem, PERMITE TUDO como padrão.
    • allow,deny - Significa um servidor mais permissivo, a opção deny é processada primeiro e somente depois a opção allow. Caso nenhuma diretiva allow e deny for especificadas ou não conferirem, BLOQUEIA TUDO como padrão.
    • mutual-failure - Somente permite o acesso se o usuário receber autorização através da opção allow e NÃO ser bloqueado pela opção deny, caso uma das checagens falhe, o acesso é imediatamente negado. É uma opção interessante quando você quer somente pessoas de um determinado endereço/rede acessando o seu sistema e não estejam em sua lista negra :-)

ATENÇÃO: É importante saber se a página será permissiva ou restritiva para escolher a ordem mais adequada ao seu caso, também leve em consideração a possibilidade do processamento cair na diretiva de acesso padrão, caso nem a diretiva allow e deny conferiram e estiver usando a ordem de acesso "allow,deny" ou "deny,allow". Um sistema mal configurado neste aspecto poderá trazer sérias consequências. É comum em páginas permissivas se definir a seguinte configuração:

     Order allow,deny
     allow from all

O motivo é que em um grande site, se forem adicionadas mais restrições nesta página (devido a alguns domínios que tem usuários mal comportados, bloqueio de acesso a rede do concorrente, potenciais atacantes, etc...), estas deverão ser lidas antes da diretiva "allow from all" e podem passar desapercebidas ao administrador e podem simplesmente não funcionar caso a opção Order não esteja ajustada corretamente (lembre-se, você é o administrador e a integridade do site depende de sua atenção na escolha da ordem correta das diretivas de acesso).

  • allow from
    Especifica o endereço que terá acesso ao recurso especificado. A diretiva allow from aceita os seguintes valores:
    • all - O acesso é permitido a todos.
    • um endereço de domínio completo (FQDN). Por exemplo www.debian.org.br.
    • um endereço de domínio parcial. Qualquer computador que confira com o inicio ou fim terá o acesso permitido. Por exemplo, .spammers.com.br, .debian.org.
    • um endereço IP completo, como 192.168.1.1
    • um endereço IP parcial como 192.168.1.
    • um par rede/máscara como 10.1.0.0/255.255.0.0 ou 10.1.0.0/16, uma faixa de acesso a máquinas de uma mesma rede pode ser definida facilmente através deste método.

OBS1: É necessário reiniciar o Apache depois de qualquer modificação em seu arquivo de configuração (executando apachectl restart), ou recarregar os arquivos de configuração (apachectl graceful). OBS2: Mais de um host pode ser especificado separando com um espaço:

     allow from 192.168. .debian.org.br

Permitirá o acesso de qualquer máquina que o endereço IP confira com 192.168.*.* e qualquer computador do domínio debian.org.br OBS3: Regras baseadas em nomes simples de hosts (como www) não conferirão! Deverá ser usado o FQDN ou IP: www.dominio.com.br OBS4: Caso Order não seja especificado, deny,allow será usado como padrão (ou seja, permitirá tudo como padrão).

  • deny from
    Especifica os endereços que NÃO terão acesso ao recurso especificado. As explicações referentes a esta diretiva de acesso são idêntica as de allow from.

É recomendável o uso de endereços IP ao invés de endereços DNS e um mecanismo anti-spoofing no firewall ou código de roteamento, pois ficará mais difícil um ataque baseado em DNS spoofing, aumentando consideravelmente a segurança de seu servidor web. ATENÇÃO: Caso receba erros 403 (acesso negado) sem bloquear a URL nas diretivas de acesso, uma dos seguintes problemas pode ser a causa:

    • O servidor Web não tem permissões para acessar/abrir o diretório da página. Certifique-se que o dono e grupo do processo Apache (especificado pela diretiva User e Group) possuem permissões de acesso à quele diretório.
    • Quando quer fazer uma listagem de arquivos do diretório e não especifica a opção Option Indexes como opção de listagem.
    • Quando não está usando Option Indexes para impedir a listagem de conteúdo do diretório e o não foi encontrado um arquivo de índice válido dentre os existentes na diretiva DirectoryIndex no diretório atual.

Abaixo alguns exemplos de permissões de acesso:

     <Directory /var/www>
      Options SymLinksIfOwnerMatch Indexes MultiViews
      Order allow,deny
      allow from all
     </Directory>

Permite o acesso a de qualquer usuário de qualquer lugar (allow from all), permite também a visualização da listagem formatada de arquivos caso nenhum arquivo especificado na diretiva DirectoryIndex seja encontrado (Indexes), permite negociação de conteúdo (MultiViews) e seguir links caso o dono do arquivo confira com o nome do link (SymLinksIfOwnerMatch).

     <Directory /var/www>
      Options SymLinksIfOwnerMatch Indexes MultiViews
     </Directory>

Tem o mesmo significado da diretiva acima por métodos diferentes; quando nenhuma opção Order é especificada, deny,allow é definido como padrão, e como nenhuma opção de acesso allow/deny foi especificada, o padrão "Order deny,allow" é usado e permite TUDO como padrão.

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      Order deny,allow
      deny from all
     </Directory>

Esta regra acima não tem muita lógica pois restringe o acesso de todos os usuários ao diretório /var/www, ao menos se esta for sua intenção...

     <Location /focalinux>
      Options All
      Order allow,deny
      allow from all
     </Location>

A regra acima permite o acesso a URL http://www.servidor.org/focalinux de qualquer host na Internet

     <Files .htaccess>
      Order deny,allow
      deny from all
     </Files>

Bloqueia o acesso a qualquer arquivo .htaccess do sistema

     <Files ~ "leiame-(arm|alpha|m68k|sparc|powerpc)\.txt">
      Order deny,allow
      deny from all
     </Files>

Bloqueia o acesso a qualquer arquivo leiame-arm.txt, leiame-alpha.txt, leiame-m68k.txt, leiame-sparc.txt e leiame-powerpc.txt fazendo uso de expressões regulares.

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      Order mutual-failure
      allow from .dominio.com.br
      deny from lammer.dominio.com.br
     </Directory>

A diretiva acima somente permite acesso ao diretório /var/www de máquinas pertencentes ao domínio .dominio.com.br desde que não seja lammer.dominio.com.br.

     <Directory /var/www>
      Options Indexes MultiViews
      Order allow,deny
      deny from .com .com.br
      allow from all
     </Directory>

Bloqueia o acesso ao diretório /var/www de computadores pertencentes aos domínios .com e .com.br.

     <Directory /var/www>
      Options None
      Order deny,allow
      allow from 192.168.1. .guiafoca.org .debian.org
      deny from 200.200.123.
     </Directory>

A regra acima permite o acesso de máquinas da rede 192.168.1.*, do domínio *.guiafoca.org e *.debian.org, o acesso de máquinas da rede 200.200.123.* é bloqueado (nada contra, peguei nesse número ao acaso :-). Note que a máquina 192.168.4.10 terá acesso LIVRE a regra acima, pois não conferirá nem com allow nem com deny, então o processamento cairá na diretiva padrão de deny,allow, que neste caso permite o acesso caso nem allow e deny conferiram com o padrão.

     <Directory /var/www>
      Options None
      Order allow,deny
      allow from 192.168.1. .cipsga.org.br .debian.org
      deny from 200.200.123.
     </Directory>

A regra acima é idêntica a anterior somente com a mudança da opção Order. Bloqueia o acesso de máquinas da rede 200.200.123.* e permite o acesso de máquinas da rede 192.168.1.*, do domínio *.cipsga.org.br e *.debian.org. Note que a máquina 192.168.4.10 terá acesso BLOQUEADO a regra acima, pois não conferirá nem com allow nem com deny, então o processamento cairá na diretiva padrão de allow,deny que neste caso bloqueia o acesso.

Autenticação[editar | editar código-fonte]

Através da autenticação (controlado pelo módulo mod_auth) é possível especificar um nome e senha para acesso ao recurso solicitado. As senhas são gravadas em formato criptografado usando Crypto ou MD5 (conforme desejado). O arquivo de senhas pode ser centralizado ou especificado individualmente por usuário, diretório ou até mesmo por arquivo acessado.


Criando um arquivo de Senhas[editar | editar código-fonte]

O arquivo de senhas pode ser criado e mantido através do uso de 3 utilitários: htpasswd, htdigest e dbmmanage:

.1 htpasswd[editar | editar código-fonte]

Este é usado para criar o arquivo de senhas. Para criar um banco de dados com o nome senhas para o usuário convidado, é usada a seguinte sintaxe: htpasswd -c -m senhas convidado Você será perguntado por uma senha para o usuário convidado e para redigita-la. A opção "-c" indica que deverá ser criado um arquivo, a opção "-m" indica a utilização de senhas criptografadas usando o algoritmo MD5, que garante maior segurança que o método Crypto. A senha pode ser especificada diretamente na linha de comando através da opção "-b" (isto é um ótimo recurso para utilização em shell scripts ou programas CGI de integração com o navegador). htpasswd -b -d senhas chefe abcdef No exemplo acima, uma senha de alta segurança será introduzida no banco de dados senhas tornando impossível o acesso a página do usuário :-) Note que esta senha foi cadastrada usando o algoritmo de criptografia Crypto (opção -d). O algoritmo SHA também pode ser usado como alternativa, através da opção "-s". Para modificar a senha do usuário convidado, basta usar a mesma sintaxe (sem a opção "-c" que é usada para criar um novo arquivo): htpasswd -m senhas convidado ou htpasswd -b -m senhas convidado nova_senha Opcionalmente você pode especificar a opção "-d" para atualizar também o formato da senha para Crypto. Podem existir senhas de criptografias mistas (SHA, Crypto, MD5) no mesmo arquivo sem nenhum problema. A mudança do formato de senhas é útil quando se deseja aumentar o nível de segurança oferecido por um melhor sistema ou para manter a compatibilidade com alguns scripts/programas que compartilhem o arquivo de senhas.

.2 htdigest e dbmmanage[editar | editar código-fonte]

Estes são idênticos ao htpasswd, a diferença é que o htdigest permite criar/manter um arquivo de senhas usando a autenticação Digest, enquanto o dbmmanage permite manter o banco de dados de senhas em um arquivo DB, DBM, GDBM e NDBM, formatos conhecidos pelo Perl.

Autenticação através de usuários[editar | editar código-fonte]

Através deste método é possível especificar que usuários terão acesso ao recurso definido, usando senhas de acesso individuais criptografadas usando um dos utilitários da seção anterior. Para restringir o acesso ao endereço http://servidor.org/teste:

     <Location /teste>
      AuthName "Acesso a página do Foca Linux"
      AuthType basic
      AuthUserFile /home/gleydson/SenhaUsuario
     # AuthGroupFile /home/users/SenhaGrupo
      Require valid-user
     </Location>

Ao tentar acessar o endereço http://servidor/teste, será aberta uma janela no navegador com o título Enter username for Acesso a página do Foca Linux at servidor.org, a diretiva Require valid-user definem que o usuário e senha digitados devem existir no arquivo especificado por AuthUserFile para que o acesso seja garantido. Uma explicação de cada opção de acesso usado na autenticação:

  • AuthName
    Será o nome que aparecerá na janela de autenticação do seu navegador indicando qual área restrita está solicitando senha (podem existir várias no servidor, bastando especificar várias diretivas de restrições).
    AuthType
    Especifica o método de que o nome e senha serão passados ao servidor. Este método de autenticação pode ser Basic ou Digest
    • Basic - Utiliza a codificação base64 para encodificação de nome e senha, enviando o resultado ao servidor. Este é um método muito usado e pouco seguro, pois qualquer sniffer instalado em um roteador pode capturar e descobrir facilmente seu nome e senha.
    • Digest - Transmite os dados de uma maneira que não pode ser facilmente decodificada, incluindo a codificação da área protegida (especificada pela diretiva AuthName) que possui a sequencia de login/senha válida. A diferença deste método é que você precisará de arquivos de senhas diferentes para cada área protegida especificada por AuthName (também chamada de Realm).
    AuthUserFile
    É o arquivo gerado pelo utilitário htpasswd que contém a senha correspondente ao usuário
    AuthGroupFile
    É um arquivo texto que contém o nome do grupo, dois pontos (":") e o nome dos usuários que podem ter acesso ao recurso, separados por vírgulas. No exemplo acima ele se encontra comentado, mas a seguir encontrará exemplos que explicam em detalhes o funcionamento desta diretiva.
    Require
    Especifica que usuários podem ter acesso ao diretório. Podem ser usadas uma das 3 sintaxes:
    • Require user usuário1 usuário2 usuário3 - Somente os usuários especificados são considerados válidos para ter acesso ao diretório.
    • Require group grupo1 grupo2 grupo3 - Somente os usuários dos grupos especificados são considerados válidos para terem acesso ao diretório. Esta diretiva é útil quando deseja que somente alguns usuários de determinado grupo tenham acesso ao recurso (por exemplo, usuários do grupo admins).
    • Require valid-user - Qualquer usuário válido no banco de dados de senhas pode acessar o diretório. É bem útil quando as opções de acesso especificadas por Require user são muito longas.

A opção Require deve ser acompanhado das diretivas AuthName, AuthType e as diretivas AuthUserFile e AuthGroupFile para funcionar adequadamente. OBS: É necessário reiniciar o Apache depois de qualquer modificação em seu arquivo de configuração (apachectl restart), ou recarregar os arquivos de configuração (apachectl graceful). Note que o apachectl é somente um shell script para interação mais amigável com o servidor web apache, retornando mensagens indicando o sucesso/falha no comando ao invés de códigos de saída. Alguns exemplos para melhor assimilação:

     <Location /teste>
      AuthName "Acesso a página do Foca Linux"
      AuthType basic
      AuthUserFile /home/gleydson/SenhaUsuario
      Require user gleydson
     </Location>

As explicações são idênticas a anterior, mas somente permite o acesso do usuário gleydson a URL http://servidor.org/teste, bloqueando o acesso de outros usuários contidos no arquivo AuthUserFile.

     <Location /teste>
      AuthName "Acesso a página do Foca Linux"
      AuthType basic
      AuthUserFile /home/gleydson/SenhaUsuario
      Require user gleydson usuario1 usuario2
     </Location>

     <Location /teste>
      AuthName "Acesso a página do Foca Linux"
      AuthType basic
      AuthUserFile /home/gleydson/SenhaUsuario
      Require user gleydson
      Require user usuario1
      Require user usuario2
     </Location>

As 2 especificações acima são equivalentes e permite o acesso aos usuários gleydson, usuario1 e usuario2 a página http://servidor.org/teste.

Autenticação usando grupos[editar | editar código-fonte]

Há casos onde existem usuários de um arquivo de senhas que devem ter acesso a um diretório e outros não, neste caso a diretiva valid-user não pode ser especificada (porque permitiria o acesso de todos os usuários do arquivo de senha ao diretório) e uma grande lista de usuários ficaria bastante complicada de ser gerenciada com vários usuários na diretiva Require user. Quando existe esta situação, é recomendado o uso de grupos de usuários. Para fazer uso desse recurso, primeiro deverá ser criado um arquivo quer armazenará o nome do grupo e dos usuários pertencente à quele grupo usando a seguinte sintaxe (vamos chamar este arquivo de SenhaGrupo):

     admins: gleydson usuario2
     usuarios: usuario1 usuario2 usuario3 gleydson

Agora adaptamos o exemplo anterior para que somente os usuários especificados no grupo admins do arquivo criado acima:

     <Location /teste>
      AuthName "Acesso a página do Foca Linux"
      AuthType basic
      AuthUserFile /home/gleydson/SenhaUsuario
      AuthGroupFile /home/gleydson/SenhaGrupo
      Require group admins
     </Location>

Agora somente os usuários pertencentes ao grupo admins (gleydson e usuario2) poderão ter acesso ao diretório /teste. OBS1: Verifique se o servidor Web possui acesso a leitura no arquivo de senhas de usuários e grupos, caso contrário será retornado um código "500 - Internal Server Error". Este tipo de erro é caracterizado por tudo estar OK na sintaxe dos arquivos de configuração após checagem com "apache -t" e todas as diretivas de controle de acesso apontam para os diretórios e arquivos corretos. OBS2:: Sempre use espaços para separar os nomes de usuários pertencentes a um grupo. OBS3: NUNCA coloque os arquivos que contém senhas e grupos em diretórios de acesso público onde usuários podem ter acesso via o servidor Web. Tais localizações são /var/www, /home/"usuario"/public_html e qualquer outro diretório de acesso público que defina em seu sistema. É recomendável também ocultar estes arquivos através da diretiva <Files> evitando possíveis riscos de segurança com usuários acessando os arquivos de senha e grupo. Na distribuição Debian, qualquer arquivo iniciando com .ht* será automaticamente ocultado pelo sistema, pois já existe uma diretiva <Files ~ "\.ht">. Tal diretiva pode também ser especificada no arquivo de acesso .htaccess. Assim um arquivo .htsenha e .htgroup são bons nomes se estiver desejando ocultar dados de olhos curiosos...

Usando autorização e autenticação juntos[editar | editar código-fonte]

Os métodos de autorização e autenticação podem ser usados ao mesmo tempo dentro de qualquer uma das diretivas de controle de acesso. As diretivas de autorização são processadas primeiro (mod_access) e depois as diretivas de autenticação (mod_auth). Segue um exemplo:

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      Order deny,allow
      allow from .dominiolocal.com.br
      deny from all
      AuthName "Acesso ao diretório do servidor Web"
      AuthType basic
      AuthUserFile /var/cache/apache/senhas
      Require valid-user
     </Directory>

Para ter acesso ao diretório /var/www, primeiro o computador deve fazer parte do domínio .dominiolocal.com.br, assim ela passa pelo teste de autorização, depois disso será necessário fornecer o login e senha para acesso a página, digitando o login e senha corretos, o teste de autenticação será completado com sucesso e o acesso ao diretório /var/www autorizado.

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      Order mutual-failure
      allow from .dominiolocal.com.br
      deny from lammer.dominiolocal.com.br
      AuthName "Acesso ao diretório do servidor Web"
      AuthType basic
      AuthUserFile /var/cache/apache/senhas
      AuthGroupFile /var/cache/apache/grupos
      Require group admins
     </Directory>

No exemplo acima, é usado o método de autorização com a opção Order mutual-failure e o método de autenticação através de grupos. Primeiro é verificado se o usuário pertence ao domínio .dominiolocal.com.br e se ele não está acessando da máquina lammer.dominiolocal.com.br, neste caso ele passa pelo teste de autorização. Depois disso ele precisará fornecer o nome e senha válidos, com o login pertencente ao AuthGroupFile, passando pelo processo de autenticação e obtendo acesso ao diretório /var/www.

Acesso diferenciado em uma mesma diretiva[editar | editar código-fonte]

É interessante permitir usuários fazendo conexões de locais confiáveis terem acesso direto sem precisar fornecer nome e senha e de locais inseguros acessarem somente após comprovarem quem realmente são. Como é o caso de permitir usuários de uma rede privada terem acesso completo aos recursos e permitir o acesso externo ao mesmo recurso somente através de senha. Isto pode ser feito com o uso da diretiva Satisfy junto ao bloco de autorização/autenticação. Vamos tomar como base o exemplo anterior:

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      Order mutual-failure
      allow from .dominiolocal.com.br
      deny from lammer.dominiolocal.com.br
      AuthName "Acesso ao diretório do servidor Web"
      AuthType basic
      AuthUserFile /var/cache/apache/senhas
      AuthGroupFile /var/cache/apache/grupos
      Require group admins
      Satisfy any
     </Directory>

Note que o exemplo é o mesmo com a adição da diretiva Satisfy any no final do bloco do arquivo. Quando a opção Satisfy não é especificada, ela assumirá "all" como padrão, ou seja, o usuário deverá passar no teste de autorização e autenticação para ter acesso. A diferença do exemplo acima em relação ao da seção anterior é se a máquina passar no teste de autorização ela já terá acesso garantido. Caso falhe no teste de autorização, ainda terá a chance de ter acesso a página passando na checagem de autenticação. Isto garante acesso livre aos usuários do domínio .dominiolocal.com.br. Já os outros usuários, incluindo acessos vindos de lammer.dominiolocal.com.br que pode ser uma máquina com muito uso, poderá ter acesso ao recurso caso tenha fornecido um nome e senha válidos para passar pelo processo de autenticação. Tenha isto em mente... este tipo de problema é comum e depende mais de uma política de segurança e conduta interna, o sistema de segurança não pode fazer nada a não ser permitir acesso a um nome e senha válidos. Tenha cuidado com o uso da opção Satisfy em diretivas que especificam somente o método de autenticação:

     <Directory /var/www>
      Options Indexes
      AuthName "Acesso ao diretório do servidor Web"
      AuthType basic
      AuthUserFile /var/cache/apache/senhas
      AuthGroupFile /var/cache/apache/grupos
      Require group admins
      Satisfy any
     </Directory>

ATENÇÃO PARA O DESCUIDO ACIMA!: Como o método de autorização NÃO é especificado, é assumido deny,allow como padrão, que permite o acesso a TODOS os usuários. O bloco acima NUNCA executará o método de autenticação por este motivo. A melhor coisa é NÃO usar a opção Satisfy em casos que só requerem autenticação ou usar Satisfy all (que terá o mesmo efeito de não usa-la, hehehe). A falta de atenção nisto pode comprometer silenciosamente a segurança de seu sistema.

O arquivo .htaccess[editar | editar código-fonte]

O arquivo .htaccess deve ser colocado no diretório da página que deverá ter suas permissões de acesso/listagem controladas. A vantagem em relação a inclusão direta de diretivas de acesso dentro do arquivo de configuração do Apache, é que o controle de acesso poderá ser definido pelo próprio webmaster da página, sem precisar ter acesso direto a configuração do Apache, que requerem privilégios de root. Outro ponto fundamental é que não há necessidade de reiniciar o servidor Web, pois este arquivo é lido no momento de cada acesso ao diretório que controla. O nome do arquivo OverRide pode ser definido através da diretiva AccessFileName no arquivo de configuração do Apache, .htaccess é usado como padrão. O controle de que opções estarão disponíveis no .htaccess são definidas na diretiva AllowOverride que pode conter o seguintes parâmetros:

    • None - O servidor não buscará o arquivo .htaccess nos diretórios
    • All - O servidor utilizará todas as opções abaixo no arquivo .htaccess
    • AuthConfig - Permite o uso de diretivas de autenticação (AuthDBMGroupFile, AuthDBMUserFile, AuthGroupFile, AuthName, AuthType, AuthUserFile, Require, etc.).
    • FileInfo - Permite o uso de diretivas controlando o tipo de documento (AddEncoding, AddLanguage, AddType, DefaultType, ErrorDocument, LanguagePriority, etc.).
    • Indexes - Permite o uso de diretivas controlando a indexação de diretório (AddDescription, AddIcon, AddIconByEncoding, AddIconByType, DefaultIcon, DirectoryIndex, FancyIndexing, HeaderName, IndexIgnore, IndexOptions, ReadmeName, etc.).
    • Limit - Permite o uso de diretivas controlando o acesso ao computador (allow, deny e order).
    • Options - Permite o uso de diretivas controlando características específicas do diretório (Options e XBitHack).

OBS: Não tem sentido usar a opção AllowOverride dentro da diretiva <Location>, ela será simplesmente ignorada. Para acesso ao arquivo .htaccess do diretório /var/www/focalinux, o Apache buscará os arquivos .htaccess na sequencia: /.htaccess, /var/.htaccess, /var/www/.htaccess, /var/www/focalinux/.htaccess, qualquer diretiva que não exista no .htaccess do diretório /var/www/focalinux terá seu valor definido pela diretiva dos arquivos .htaccess dos diretórios anteriores. Somente após esta sequencia de checagens o acesso ao documento é permitido (ou negado). Por este motivo, muitos administradores decidem desativar completamente o uso de arquivos .htaccess no diretório raíz e habilitar somente nos diretórios especificados pela diretiva <Directory> no arquivo de configuração do Apache, evitando brechas de segurança na manipulação destes arquivos (esta é uma boa idéia a não ser que se dedique 24 horas somente na administração do seu servidor Web e conheça toda sua estrutura hierárquica de segurança:

     <Directory />
      AllowOverride none
     </Directory>

     <Directory /var/www>
      AllowOverride limit authconfig indexes
     </Directory>

Na especificação acima, o arquivo .htaccess será procurado no diretório /var/www e seus sub-diretórios, usando somente opções que controlam a autorização de acesso (limit), autenticação e opções (authconfig) e de indexação de documentos (indexes). Alguns exemplos do uso do arquivo .htaccess: Para permitir o acesso direto de usuários da rede 192.168.1.* diretamente, e requerer senha de acesso para outros usuários, o seguinte arquivo .htaccess deve ser criado no diretório /var/www:

     Order deny,allow
     allow from 192.168.1.0/24
     deny from all
     AuthName "Acesso a página Web principal da Empresa"
     AuthType basic
     AuthUserFile /var/cache/apache/senhas
     Require valid-user
     Satisfy any

Note que a sintaxe é exatamente a mesma das usadas na diretivas de acesso, por este motivo vou dispensar explicações detalhadas a respeito. ATENÇÃO: A diretiva Options Indexes deverá ser especificada no AllowOverRide e não no arquivo .htaccess. Agora você já sabe o que fazer se estiver recebendo erros 500 ao tentar acessar a página (Erro interno no servidor)...

Usando a diretiva SetEnvIf com Allow e Deny[editar | editar código-fonte]

É possível especificar o acesso baseado em variáveis de ambiente usando a diretiva SetEnvIf, isto lhe permite controlar o acesso de acordo com o conteúdo de cabeçalhos HTTP. A sintaxe é a seguinte: SetEnvIf [atributo] [expressão] [variável] Isto poder ser facilmente interpretado como: Se o "atributo" especificado conter a "expressão", a "variável" será criada e armazenará o valor verdadeiro. Veja abaixo:

     SetEnvIf User-Agent ".*MSIE*." EXPLODER
     <Directory /var/www>
      Order deny,allow
      allow from all
      deny from env=EXPLODER
     </Directory>

Se o Navegador (campo User-Agent do cabeçalho http) usado para acessar a página for o Internet Explorer, a variável EXPLODER será criada e terá o valor verdadeiro (porque a expressão de SetEnvIf conferiu com a expressão). Note o uso de "deny from env=VARIÁVEL". Neste caso se o navegador for o Internet Explorer, o acesso será bloqueado (pois o navegador conferiu, assim a variável EXPLODER recebeu o valor verdadeiro). É permitido especificar as diretivas de acesso normais junto com especificação de variáveis de ambiente, basta separa-los com espaços. Uma descrição completa dos cabeçalhos HTTP, conteúdo e parâmetros aceitos por cada um são descritos na RFC 2068.

A diretiva <Limit>[editar | editar código-fonte]

Esta diretiva é semelhante a <Directory> mas trabalha com métodos HTTP (como GET, PUT, POST, etc) ao invés de diretórios. A diretiva <Limit> pode ser usada dentro da diretiva de acesso <Directory>, <Location>, mas nenhuma diretiva de controle de acesso pode ser colocada dentro de <Limit>. Os métodos HTTP válidos são: GET, POST, PUT DELETE, CONNECT, OPTIONS, TRACE, PATCH, PROPFIND, PROPPATCH, MKCOL, COPY, MOVE, LOCK e UNLOCK. Note que os métodos são case-sensitive. Por exemplo:

     <Directory /var/www>
      Option Indexes
       <Limit POST PUT DELETE>
          Order deny,allow
          allow from 192.168.1.0/24
          deny from all
        </Limit>
     </Directory>

Somente permitem o uso dos métodos POST, PUT, DELETE de máquinas da rede interna. OBS1: Se o método GET é bloqueado, o cabeçalho HTTP também será bloqueado. OBS2: A diretiva de acesso <Limit> somente terá efeito na diretiva <Location> se for especificada no arquivo de configuração do servidor web. A diretiva <Location> simplesmente é ignorada nos arquivos .htaccess... Este abaixo é usado por padrão na distribuição Debian para restringir para somente leitura o acesso aos diretórios de usuários acessados via módulo mod_userdir:

     <Directory /home/*/public_html>
         AllowOverride FileInfo AuthConfig Limit
         Options MultiViews Indexes SymLinksIfOwnerMatch IncludesNoExec
         <Limit GET POST OPTIONS PROPFIND>
             Order allow,deny
             Allow from all
         </Limit>
         <Limit PUT DELETE PATCH PROPPATCH MKCOL COPY MOVE LOCK UNLOCK>
             Order deny,allow
             Deny from all
         </Limit>
     </Directory>

Diretiva <LimitExcept>[editar | editar código-fonte]

Esta diretiva é semelhante a <Limit>, mas atinge todos os métodos HTTP, menos os especificados.