Experiência religiosa/Descrições de experiências religiosas

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Capítulo 7 - Descrições de experiências religiosas[editar | editar código-fonte]

A gravura de Flammarion é usada pelos gnósticos para ilustrar a experiência religiosa , utiizada para driblar as limitações do materialismo.

As características comuns em experiências religiosas são:

  • Inefabilidade: A experiência não pode ser adequadamente colocada em palavras.
  • Noético: o fenômeno se passa num nível exclusivamente mental, não físico. O indivíduo sente que ele aprendeu alguma coisa de valor da experiência.
  • União: sentimento de união com tudo no universo, como todos os seres vivos ou união com Deus. [1]
  • Alterações de espaço e tempo: a experiência causa a sensação de inexistência tempo e espaço ou alargamento.
  • Sagrado: a experiência cria a sensação de que tudo é sagrado e divino.
  • Realidade superior: sentimento de que uma nova realidade, uma realidade superior ou a realidade definitiva foi revelada a ele. Mostrando que a realidade que vivemos é uma realidade inferior ou falsa e ilusória.
    • Consciência do absoluto
    • Realidade divina
  • Sensações positivas: a experiência causa sentimento profundamente positivo é prazeroso.
  • Efemeridade: a experiência é temporária. O indivíduo volta ao estado normal da mente após algum tempo.
  • Passiva: Dependendo da causa da experiência ela pode acontece para o indivíduo quase sem o seu controle.

Descrições famosas e relevantes para a história[editar | editar código-fonte]

Ramakrishna[editar | editar código-fonte]

Ramakrishna em êxtase

O célebre guru indiano Ramakrishna (1836-1886) descreveu muitos êxtases religiosos que experimentou. Em suas palavras:

...O sofrimento me dilacerava. Ao pensar que não teria na vida a graça desta visão divina, fui tomado de uma ansiedade terrível. Pensei: se isto deve ser assim, estou farto desta vida!... A grande espada estava pendurada no santuário de Kali. Meu olhar caiu sobre ela e um clarão atravessou-me a mente. - Ela!... Ela me ajudará a pôr fim... Precipitei-me em direção à espada. Segurei-a como um louco... E eis que a sala, com todas as suas portas e janelas, o templo, tudo desapareceu da minha vista. Parecia-me que nada mais existia. Em lugar disto, enxerguei um oceano do espírito, sem limites, resplandecente. Para qualquer ponto que voltasse os olhos, por mais longe que fosse, avistava as vagas enormes deste oceano brilhante. As ondas precipitavam-se furiosamente sobre mim, com um ruído medonho, como se fossem me engolir. Num instante estavam em cima de mim, arrebentaram, engoliram-me. Enrolado por elas, perdi a respiração. Perdi a consciência e caí no chão... Não sei como passei aquele dia e o seguinte. Dentro de mim rolava um oceano de alegria inefável. E até o fundo tinha consciência da presença da Mãe Divina...

[2]

Yogananda[editar | editar código-fonte]

Yogananda

Outro célebre guru indiano, Yogananda (1893-1952), também descreveu suas experiências místicas:

... Meu corpo tornou-se imóvel como se tivesse raízes; o alento saiu de meus pulmões como se um ímã enorme o extraísse. Instantaneamente o espírito e a mente romperam com sua escravidão ao físico e jorraram de cada um de meus poros como luz perfurante e fluida. A carne parecia morta e, contudo, em minha intensa lucidez, eu percebia que nunca antes estivera tão plenamente vivo. Meu senso de identidade já não se achava confinado à estreiteza de um corpo, mas abarcava os átomos circundantes. Pessoas em ruas distantes pareciam mover-se suavemente em minha própria e remota periferia. Raízes de plantas e árvores eram percebidas através de uma tênue transparência do solo; e eu distinguia a interna circulação da seiva.

[3]

Juan Diego[editar | editar código-fonte]

Dentro da tradição católica, uma descrição marcante de experiência religiosa foi a aparição de Nossa Senhora de Guadalupe ao índio mexicano Juan Diego, em 1531.

Juan Diego

...Era sábado de madrugada, pouco antes do amanhecer, ele estava em seu caminho, a seguir seu culto divino e empenhado em sua tarefa. Ao chegar no topo da montanha conhecida como Tepeyacac, o dia amanhecia e ele ouviu cantos acima da montanha, assemelhando-se a cantos de vários lindos pássaros. De vez em quando, as vozes cessavam e parecia que o monte lhes respondia. O som, muito suave e deleitoso, sobrepassava do "coyoltototl" e do "tzinizcan" e de outros pássaros lindos que cantam. Juan Diego parou, olhou e disse para si mesmo: “Porventura, sou digno do que ouço? Será um sonho? Estou dormindo em pé? Onde estou? Será que estou agora em um paraíso terrestre de que os mais velhos nos falam a respeito? Ou quem sabe estou no céu?". Ele estava olhando para o oriente, acima da montanha, de onde vinha o precioso canto celestial e então de repente houve um silêncio. Então, ouviu uma voz por cima da montanha dizendo-o: "Juanito, Juan Dieguito.". Ele com coragem foi onde o estavam chamando, não teve o mínimo de medo, pelo contrário, encorajou-se e subiu a montanha para ver. Quando alcançou o topo, viu uma Senhora, que estava parada e disse-lhe para se aproximar. Em Sua presença, ele maravilhou-se pela Sua grandeza sobrehumana. Seu vestido era radiante como o sol, o penhasco onde estavam Seus pés, penetrado com o brilho, assemelhava-se a uma pulseira de pedras preciosas e a terra cintilava como o arco-íris. As "mezquites", "nopales", e outras ervas daninhas que ali estavam, pareciam como esmeraldas, sua folhagem como turquesas e seus ramos e espinhos brilhavam como ouro. Ele inclinou-se diante Dela e ouviu Sua palavra, suave e cortês, como alguém que encanta e cativa muito.

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Referências

  1. What it's about : Religious Experience and spirituality today. http://www.lamp.ac.uk/aht/What_it_s_About/what_it_s_about.html. Site acessado em 11 de julho de 2006.
  2. Edições de Planeta - Ramakrishna, o louco de Deus. São Paulo: Três, 1973. p.16
  3. YOGANANDA, P. Autobiografia de um iogue. São Paulo: Summus, 1981. p. 144
  4. http://www.sancta.org/nican_p.html site acessado em 27 de junho de 2009