Estado do Rio de Janeiro/História

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Sambaqui
Cerâmica encontrada em sambaqui
Dois chefes tupinambás, tribo tupi que dominou a maior parte do atual litoral fluminense
Rio Carioca
Praia do Flamengo
Gravura do século XVI retratando a extração de pau-brasil no litoral brasileiro
Pau-brasil (Caesalpinia echinata)
Largo do Paço no século XIX em pintura de Franz Josef Frühbeck
Desenho representando ataque ao Forte Coligny pelos navios portugueses
Formas de pão de açúcar de engenho de açúcar
Engenho de açúcar
Pesca de baleia na Baía de Guanabara em pintura do século XVIII de Leandro Joaquim
Reconstituição da Vila da Rainha
Índios puris
Convento dos Anjos em Cabo Frio
Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói
Busto de dom João VI no Jardim Botânico
Parati
Enforcamento de Tiradentes em pintura de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo

O continente americano já era habitado desde pelo menos 10000 a.C. por povos provenientes de outros continentes[1]. Os primeiros vestígios de ocupação humana no território do estado do Rio de Janeiro são os sambaquis, termo que vem do tupi tamba (concha) e ki (depósito), ou seja, significa "depósito de conchas"[2]. Sambaquis são montes fossilizados de conchas, ossos, cinzas, cadáveres e utensílios datados de milhares de anos. Estudos indicam que são restos de uma cultura baseada na coleta de moluscos, pesca e caça[3]. Tal cultura foi destruída ou absorvida pelos povos tupis que invadiram a região por volta do ano 1000, provenientes da Amazônia. Os povos tupis, que já começavam a desenvolver a agricultura, conquistaram todo o atual litoral fluminense, com exceção da região da foz do Rio Paraíba do Sul. Essa área, bem como o interior do estado, permaneceu dominada pelos povos coletores mais antigos, falantes de línguas do tronco macro-jê, denominados goitacás (que habitavam a foz do Rio Paraíba do Sul) e puris (habitantes da região do interior do atual estado do Rio de Janeiro)[4].

Em 1º de janeiro de 1502, supostamente, acredita-se que uma expedição portuguesa liderada por Gonçalo Coelho penetrou na Baía de Guanabara, nomeando-a então como "Rio de Janeiro" por acreditar tratar-se da foz de um rio. Na época, a Baía de Guanabara era um paraíso ecológico, com cardumes de sardinhas, robalos, tainhas, xereletes, camarões, lagostas, golfinhos e baleias, as quais utilizavam suas águas quentes para parir seus filhos no inverno.[5]. O nome indígena do local, kûárana pará (mar semelhante a enseada)[6], que gerou o nome atual de Guanabara, é uma referência ao formato circular da baía. A entrada da baía era chamada, pelos índios, de 'yetéro'y, que significa "rio verdadeiro frio"[7][8].

A Baía de Guanabara era cercada por aldeias tamoias (também chamadas tupinambás). A única exceção a esse domínio era a atual Ilha do Governador, no meio da Baía de Guanabara, que era dominada pela tribo dos temiminós. Porém, por volta de 1550, os temiminós abandonaram a ilha a bordo um navio português que passava pelo local e se mudaram para a Capitania do Espírito Santo, fugindo aos ataques tupinambás[9]. Uma segunda expedição portuguesa, em 1503, teria erguido uma feitoria de comércio com 24 homens em Cabo Frio. Na mesma época, teria sido construída uma casa de pedra na foz do Rio Carioca, na atual Praia do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro[10][11]. Tal casa teria sido denominada pelos índios tamoios habitantes da região como akari oka, que significa "casa de cascudo". Os índios tamoios chamavam os portugueses de akari, "cascudo", pois as armaduras dos portugueses se assemelhavam à carapaça desse tipo de peixe[12]. Embora uma hipótese alternativa sobre a origem do termo aponte para a existência de uma aldeia indígena próxima a esse local (mais especificamente, no sopé do Outeiro da Glória, conhecida como Karioka (termo tupi que significa "casa de índio carijó")[13].

Após verificarem que o litoral brasileiro não apresentava riquezas minerais, os portugueses desinteressaram-se pela região, o que permitiu a ação intensa de navegadores de outros países, especialmente franceses, na extração de pau-brasil. A madeira era cortada pelos índios do litoral, os quais trocavam-na por mercadorias baratas (espelhos, facas, chapéus, tecidos etc.) com os europeus. Tal tipo de associação gerou um forte vínculo entre tamoios e franceses no litoral fluminense. Temendo perder o território brasileiro para os franceses, o rei português dom João III, em 1532, decidiu dividi-lo em quinze lotes e ceder sua administração para nobres portugueses. Eram as chamadas "capitanias hereditárias"[14]. Desta forma, o sul do atual estado do Rio de Janeiro ficou pertencendo ao lote setentrional da capitania de São Vicente (que ia da atual cidade paulista de Caraguatatuba até a atual cidade fluminense de Macaé) e o norte, à capitania de São Tomé (que ia de Macaé até a atual cidade capixaba de Cachoeiro do Itapemirim). Porém o lote setentrional da Capitania de São Vicente foi ignorado pelo seu donatário, Martim Afonso de Souza, que preferiu concentrar seus esforços de colonização no outro lote da Capitania de São Vicente, que ficava no atual litoral do estado de São Paulo entre as cidades de Caraguatatuba e Cananeia.

Como resultado, em 1555, uma expedição francesa liderada por Nicolas Durand de Villegaignon iniciou um projeto de colonização na região da Baía de Guanabara chamado França Antártica. Os franceses, aliados aos tamoios, construíram o Forte Coligny na Ilha de Serigipe, na entrada da baía. Segundo o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, os franceses se uniram às índias locais, gerando mais de mil mestiços que povoaram toda a região da Baía de Guanabara[15]. Tal pode ser a origem do atual sotaque fluminense, que é caracterizado pelo "erre" típico do francês e inexistente no português de Portugal e dos demais estados brasileiros, nas línguas indígenas brasileiras e nas línguas dos negros africanos. Quanto à Capitania de São Tomé, apesar dos esforços do seu donatário, Pero de Góis, que construiu nela a Vila da Rainha (no local da atual cidade de São João da Barra), acabou devastada pelos índios goitacases[16].

Diante do fracasso de quase todas as capitanias hereditárias, o rei português dom João III resolveu enviar ao Brasil um governador-geral para comandar os esforços de colonização do território. O terceiro desses governadores, Mem de Sá, liderou uma expedição militar contra os franceses na Capitania do Rio de Janeiro em 1560, culminando na destruição do Forte Coligny. Porém os franceses sobreviventes continuaram na região, sendo necessária uma segunda expedição militar portuguesa, em 1565, liderada pelo sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá e uma terceira, em 1567, liderado por Mem de Sá, para expulsar definitivamente os franceses da região. No decorrer da luta, foi fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no sopé do Morro Cara de Cão em 1º de março de 1565 por Estácio de Sá, para servir como núcleo da resistência portuguesa.

Em 1567, em um combate em Uruçumirim (a atual Praia do Flamengo), Estácio de Sá foi mortalmente ferido com uma flecha envenenada. Durante todos os combates, os portugueses contaram com o apoio de índios temiminós e tupiniquins. Como recompensa pela ajuda indígena, Mem de Sá concedeu a posse da margem direita da entrada da Baía de Guanabara (a atual cidade de Niterói) ao líder temiminó Arariboia[17]. No mesmo ano de 1567, o lote setentrional da capitania de São Vicente foi renomeado como Capitania do Rio de Janeiro. Posteriormente, houve outras ações militares contra os tamoios, como a comandada pelo governador do Rio de Janeiro, Antônio de Salema, em 1575, na chamada Guerra de Cabo Frio, que destruiu o último reduto tamoio no estado[18]. Paralelamente, o território fluminense foi sendo dividido em sesmarias e sua posse foi sendo dada a colonos portugueses.

Os colonos dedicaram-se ao plantio de cana-de-açúcar, construção de engenhos de açúcar, criação de gado, extração de pau-brasil, pesca (inclusive de baleia na baía de Guanabara, que era um local de reprodução das baleias-francas-austrais), produção de gêneros de subsistência e comércio de escravos africanos, os quais começaram a chegar em grande número para executar o trabalho braçal. Diante das investidas militares dos portugueses, os índios goitacases tiveram de abandonar a foz do Rio Paraíba do Sul e se deslocar para o interior. Seus descendentes formaram as tribos denominadas puris, coroados e coropós. Visando a pacificar os índios e criar condições para a ocupação do território, os portugueses, com o auxílio dos jesuítas, reuniram os índios em aldeamentos, onde eram catequizados e aculturados. Estes aldeamentos deram origem a várias das atuais cidades do interior fluminense, como Niterói, Itaboraí, Itaguaí, Cabo Frio, Resende, Macaé, Conservatória, Cantagalo, Campos dos Goytacazes, Valença, Santo Antônio de Pádua, São Pedro da Aldeia etc.[19]. A produção de cachaça teve grande importância econômica no início da colonização portuguesa no estado do Rio de Janeiro.

No século XVII, chegou a haver uma Revolta da Cachaça, na qual produtores se revoltaram contra a decisão do governo português de começar a taxar a produção de cachaça e marcharam em armas de Niterói e São Gonçalo até a cidade do Rio de Janeiro e destituíram o governador. Em 1615, a Capitania de São Tomé foi renomeada como Capitania da Paraíba do Sul[20]. No final do século XVII, foi descoberto ouro nas Minas Gerais. Isto gerou a guerra dos Emboabas, entre 1707 e 1709, entre paulistas e portugueses, pelo controle das minas. A guerra ocasionou a separação jurídica da capitania de São Vicente em relação à capitania do Rio de Janeiro.

A descoberta das minas também aumentou a importância estratégica da cidade do Rio de Janeiro, que era o local natural para o escoamento do ouro até Portugal. Isto também despertou a cobiça de corsários franceses, que atacaram a cidade por duas vezes: em 1710, com Jean-François Duclerc[21] e, em 1711, com René Duguay-Trouin[22]. Em 1752, a Capitania da Paraíba do Sul foi reincorporada pelo governo português e, um ano depois, foi incorporada à Capitania do Espírito Santo[23]. Visando a ter mais controle sobre o escoamento do ouro das Minas Gerais, o governo português decidiu transferir a capital da colônia, até então localizada em Salvador, para a cidade do Rio de Janeiro, em 1763. A descoberta do ouro em Minas Gerais ainda provocou o desenvolvimento das ligações entre Minas Gerais e o litoral fluminense: ao Caminho Velho das Minas, ligando Vila Rica (a atual cidade de Ouro Preto) a Parati, veio juntar-se o Caminho Novo, que ligava Vila Rica diretamente ao Rio de Janeiro[24].

Ao Ciclo do Ouro, em Minas Gerais, se liga ainda a figura histórica de Tiradentes, um dos participantes do movimento da Inconfidência Mineira e que foi enforcado na cidade do Rio de Janeiro em 1792, por "conduzir os povos da Capitânia de Minas Gerais a uma rebelião"[25]. Em 1808, a expansão do Império Napoleônico francês atingiu Portugal, ocasionando a fuga de grande parte da corte portuguesa para o Brasil. Com isto, Dom João VI passou a governar o império Português a partir da cidade do Rio de Janeiro, convertendo-a efetivamente na capital do império. Isto trouxe grandes melhorias para a cidade, como a criação da Biblioteca Real, da Guarda Real, do Jardim Botânico, da Fábrica de Pólvora, da Academia da Marinha, da Academia Militar etc.

Em 1819, com o fim de povoar o Brasil e torná-lo mais europeu em termos étnicos e culturais, dom João autorizou a vinda de colonos suíços para a região de Nova Friburgo, na Serra Fluminense[26]. Treze anos após sua chegada, dom João VI voltou enfim para Lisboa, pressionado pelos portugueses, que há muito já haviam se livrado dos franceses. Deixou porém seu filho Pedro como regente do Brasil. Em 1821, as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, que haviam sido reconvocadas pela junta provisória que governava Portugal, decidiram descentralizar a administração do Brasil, transformando as capitanias em províncias e chamar de volta o príncipe dom Pedro. Com o apoio da população brasileira, dom Pedro decidiu, em 9 de janeiro do ano seguinte, no Paço Municipal, contrariar as determinações portuguesas e ficar no Brasil.

E, em 7 de setembro do mesmo ano, em uma viagem a São Paulo, rompeu definitivamente os laços do Brasil com Portugal[27]. Entrementes, o café, que havia sido introduzido na cidade do Rio de Janeiro no final do século XVIII, se expandia pela Serra do Mar, até atingir o Vale do Rio Paraíba do Sul, em 1825. Nessa região, o cultivo do café encontrou condições favoráveis e se tornou o principal item das exportações brasileiras, gerando uma nova elite social: a dos "barões do café" (os títulos de nobreza eram conferidos aos fazendeiros pelo imperador como forma de conquistar seu apoio político)[28].

Em 1831, o imperador dom Pedro I abdicou em favor de seu filho, Pedro de Alcântara e embarcou para a Europa, fugindo dos violentos conflitos entre as diferentes facções políticas brasileiras[29]. Como Pedro de Alcântara possuía apenas cinco anos, em seu lugar governaram vários regentes, até ser decretada sua maioridade, em 1840. Em 1832, a região da antiga Capitania da Paraíba do Sul, que havia sido anexada à Capitania do Espírito Santo, foi incorporada à Província do Rio de Janeiro[30].

Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro se separou da Província do Rio de Janeiro para se constituir no Município Neutro da Corte, ligado diretamente à administração imperial. Como gentílico do novo município, foi adotado o termo "carioca", o mesmo nome da casa de pedra construída pelos portugueses em 1503 e que havia sido o marco inicial da ocupação portuguesa na região. Ou então, o nome da aldeia tamoia que se localizava próxima ao núcleo inicial da cidade do Rio de Janeiro. Em 1837, mais colonos estrangeiros haviam chegado à província do Rio de Janeiro: desta vez, eram os alemães, que ocuparam terras em Petrópolis. Em 1854, foi inaugurada a primeira estrada de ferro no Brasil: era a Estrada de Ferro Mauá, que ligava Majé a Petrópolis.

Dom Pedro II reinou, com o apoio da aristocracia rural, até 1889, quando a monarquia foi substituída pela república. Um ano antes, a escravidão fora finalmente abolida, desestabilizando a economia fluminense, que era em grande parte dependente da mão de obra escrava. Como resultado da abolição da escravidão no Brasil, os escravos abandonaram as fazendas de café do interior fluminense, levando-as à ruína. Ao mesmo tempo, os escravos emigraram para a cidade do Rio de Janeiro, onde, sem instrução escolar, acabaram se dedicando a empregos de baixa remuneração ou mesmo ao crime, formando os bairros pobres atualmente conhecidos como "favelas"[31]. Termo este que foi cunhado ao fim da Guerra de Canudos (1896-1897), quando os soldados que haviam retornado da guerra na Baía acamparam no Morro da Providência, na Região Central da cidade do Rio de Janeiro e passaram a se referir ao acampamento como "favela", em referência a um homônimo morro em Canudos no qual abundava uma planta denominada "favela". Este Morro da Favela, posteriormente rebatizado como Morro da Providência, daria o nome a este tipo de comunidade, que proliferaria em todo o estado e mesmo em todo o país, daí em diante.

A capital brasileira continuou na cidade do Rio de Janeiro sob a república. As províncias transformaram-se em estados. Em 8 de abril de 1892, foi promulgada a primeira constituição do estado do Rio de Janeiro, o qual, como a antiga Província do Rio de Janeiro, tinha como capital a cidade de Niterói. A cidade do Rio de Janeiro, antigo Município Neutro da Corte, adquiriu o título de Distrito Federal. Entre 1893 e 1903, a capital do estado do Rio de Janeiro foi transferida para a cidade de Petrópolis, por causa da ameaça de invasão da cidade de Niterói pelos revoltosos da Revolta da Armada, em 1893.

Em 1917, foi gravada a música Pelo Telefone, que é considerada o primeiro registro gravado da história do samba. Na década de 1920, mais um fluxo de colonos europeus trouxe famílias finlandesas para Penedo, na região de Itatiaia[32]. Em 1922, a revolta do Forte de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, resultou na morte de quase todos os revoltosos. Tal movimento, que era contra a "política do café com leite" que dominava a política nacional, enfim chegaria ao poder com a revolução de 1930. Em 1926, foi inaugurada a Rodovia Rio-Petrópolis, dando início à era rodoviária no país[33].

Em 1931, foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor, no alto do Morro do Corcovado, a qual viria a se tornar um dos principais símbolos da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil. Em 1932, ocorreu o primeiro desfile de escolas de samba na praça 11 de Junho, no Rio de Janeiro. Ao longo das décadas de 1930 e 1940, a cidade de São João Marcos, próxima a Mangaratiba, foi sendo abandonada em razão das obras da represa de Ribeirão das Lajes, que inundaria a cidade. A cidade havia sido uma das principais do estado no século XIX em razão da sua produção de café[34]. Em 1941, durante o regime ditatorial do Estado Novo, o presidente brasileiro Getúlio Vargas criou a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, a primeira usina siderúrgica brasileira.

Em meados do século, com a abertura da estrada Parati-Cunha e da Rodovia Rio-Santos, a histórica cidade de Parati foi redescoberta. A cidade, que havia estagnado com a crise da cultura cafeeira no Vale do Paraíba e com a abertura da estrada de ferro no Vale do Paraíba, no século anterior, havia mantido sua arquitetura colonial intocada. Isso motivou seu tombamento como patrimônio nacional e sua revitalização, desta vez como polo turístico[35].

Em 1953, a construção da Barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, implicou no desvio de dois terços da água do Rio Paraíba do Sul, de modo a aumentar a vazão de água do Rio Guandu e fornecer a maior parte da água consumida na região metropolitana do Rio de Janeiro[36]. A obra solucionou o problema do abastecimento de água da região metropolitana, porém gerou a diminuição da vazão de água na foz do Rio Paraíba do Sul, causando a invasão do mar no litoral da região[37].

No final da década de 1950, surgiu o estilo musical da bossa nova, na cidade do Rio de Janeiro. Na década de 1960, a indústria do sal atingiu seu apogeu na Região dos Lagos fluminense[38]. Em 1960, a capital brasileira foi transferida para a cidade planejada de Brasília. O antigo Distrito Federal tornou-se, então, o estado da Guanabara. Tal situação perdurou até 1975, quando o estado da Guanabara fundiu-se ao estado do Rio de Janeiro, que tinha como capital Niterói, desaparecendo a denominação de estado da Guanabara. A capital do Estado do Rio de Janeiro passou a ser a cidade do Rio de Janeiro. Porém a perda do status de capital federal, aliada à decadência da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, causou um declínio econômico do estado. Isto gerou um aumento da violência.

Em 1974, um ano antes da fusão, foi descoberto petróleo na Bacia de Campos, na plataforma continental na altura das cidades de Campos e Macaé. A região iria se converter na maior província petrolífera do país[39]. No mesmo ano, foi inaugurada a Ponte Presidente Costa e Silva, ligando as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Em 1979, foi inaugurado o metrô da cidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi inaugurada a nova catedral católica da cidade: a Catedral de São Sebastião, localizada na Avenida República do Chile.

Na década de 1980, começou a funcionar a primeira usina nuclear brasileira: a usina Angra 1, no município fluminense de Angra dos Reis. A localização era estratégica: Angra dos Reis fica entre os três principais centros de consumo de energia elétrica no Brasil (as cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte), bem como fica à beira-mar, o que facilita a captação de água para o resfriamento dos reatores e o transporte de peças através de navios. A usina faz parte do Centro Nuclear Almirante Álvaro Alberto, que, quando concluído, contará com mais duas usinas nucleares.

A partir do final do século XX, o estado voltou a ser ocupado por povos indígenas, o que não acontecia desde o extermínio dos povos indígenas nativos na época colonial. Em 1996, índios guaranis (que pertencem ao mesmo grupo linguístico dos antigos índios tamoios e temiminós que habitavam o sul do estado) procedentes do sul da América do Sul conseguiram legalizar territórios indígenas nos municípios fluminenses de Angra dos Reis e Parati[40]. Em 2007, a cidade do Rio de Janeiro sediou os Jogos Pan-Americanos.

O aumento dos índices de criminalidade no estado, principalmente os relacionados ao tráfico de drogas, no final do século XX e início do século XXI refletiu-se na produção de filmes brasileiros sobre o tema que alcançaram grande sucesso de público, como Cidade de Deus (2002), Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010). A partir de 2008, com a instalação da primeira unidade de polícia pacificadora no estado, na Favela Santa Marta, na cidade do Rio de Janeiro, o problema da segurança pública no estado começou a ser, aparentemente, controlado. As unidades procuravam implantar um policiamento permanente dentro das comunidades de baixa renda, ao invés de apenas realizar incursões policiais periódicas. Seguiu-se a instalação de vários outras unidades na cidade, inclusive com o apoio inédito das forças armadas (na ocupação policial do Complexo do Alemão, em 2010[41][42] e na das favelas da Rocinha e do Vidigal, em 2011[43]). Em 2011, foram abertas, à visitação pública, as ruínas da antiga cidade de São João Marcos, no sudoeste do estado[44].

Referências

  1. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 12-15.
  2. http://www.historiamais.com/sambaquis.htm
  3. http://www.forumeja.org.br/rj/?q=node/143
  4. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  5. O DIA. Um Mergulho na Baía de Guanabara. Rio de Janeiro, 03/10/2010. p. 34
  6. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
  7. STADEN, H. Duas viagens ao Brasil. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 119
  8. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
  9. http://www.caminhodearariboia.kit.net/cogitacoes.htm
  10. http://www.marcillio.com/rio/hidescob.html
  11. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. pp 38-40
  12. http://ihja.blogspot.com/2010/11/por-que-se-chama-carioca-quem-nasce-no.html
  13. NAVARRO, E. A. Método Moderno de Tupi Antigo. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 187
  14. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. p.42
  15. RIBEIRO, D. O povo brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo. Companhia das Letras. 1995. p. 85.
  16. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo : Ática, 2003. p.44
  17. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. pp.79-80
  18. http://www.cabofrio.rj.gov.br/guerradecabofrio.aspx
  19. http://www.governo.rj.gov.br/historia02.asp
  20. http://www.uenf.br/Uenf/Pages/CBB/PosBiociencia/?&modelo=1&cod_pag=2282&tabela=&np=Hist%F3ria+da+Cidade&nc=Campos+dos+Goytacazes&buscaEdicao=&grupo=PGBB&p=
  21. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. p. 80
  22. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. p.81
  23. http://www.uenf.br/Uenf/Pages/CBB/PosBiociencia/?&modelo=1&cod_pag=2282&tabela=&np=Hist%F3ria+da+Cidade&nc=Campos+dos+Goytacazes&buscaEdicao=&grupo=PGBB&p=
  24. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. p. 103
  25. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. p. 125 e p.130
  26. http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u4410.shtml
  27. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo: Ática, 2003. pp. 171-174
  28. http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=3903
  29. http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=294554
  30. http://www.uenf.br/Uenf/Pages/CBB/PosBiociencia/?&modelo=1&cod_pag=2282&tabela=&np=Hist%F3ria+da+Cidade&nc=Campos+dos+Goytacazes&buscaEdicao=&grupo=PGBB&p=
  31. http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/transicao-do-trabalho-escravo-para-o-trabalho-assalariado/25098/
  32. http://www.viajantesmaduros.jex.com.br/itatiaia/penedo+realizara+festival+finlandia+
  33. http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:5yXle7ip_ssJ:zrak7.ifrance.com/rodovia.pdf+constru%C3%A7%C3%A3o+da+rodovia+amaral+peixoto&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEEShQ4Nxs7-rGGpSPUg1wG4hqWta4DBJxUuYc9oR0fMb5fpnhpkUpLf_TcZPvm_F8iwoRxkv_45bS0C9LBcAcEigycx-wfG731LVm7Gf4TL1XCQacqe1DSfcgVzUNQdeJBB26Dhbp&sig=AHIEtbRwZvvPTKsk0soiKlXAll_5wD4Eow
  34. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/submersa+ha+70+anos+cidade+historica+do+rio+volta+a+tona/n1597016160036.html
  35. http://www.sampabikers.com.br/?ver=roteiros/cunha.html
  36. http://www.agoravale.com.br/agoravale/noticias.asp?id=16992&cod=1
  37. http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/pag/1/na_terra3.htm
  38. http://guiarioregiaodoslagos.com/cabofrio/index.html
  39. http://www.clickmacae.com.br/?sec=109&pag=pagina&cod=141
  40. http://www.historiamais.com/sambaquis.htm
  41. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-ocupacao-do-complexo-do-alemao-e-as-analises-sobre-a-guerra-ao-trafico-no-rio
  42. http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/03/governo-antecipa-instalacao-de-upp-baiana-em-bairro-violento-de-salvador.html
  43. http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/apos-ocupacao-rocinha-e-vidigal-retomam-a-rotina-20111114.html
  44. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/submersa+ha+70+anos+cidade+historica+do+rio+volta+a+tona/n1597016160036.html