Engenharia sanitária/Emissários submarinos

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Aparecimento em Inglaterra no século XIX. Resolução de problemas de ordem estética (gorduras e sólidos flutuantes).

A relação entre o aumento da mobilidade dos banhistas e as zonas de descargas de esgotos levou à construção de emissários mais longos. Estes passaram a ser encarados como uma resposta para problemas de ordem sanitária (contaminação microbiana das águas).

Aproveitava a capacidade depuradora do meio para degradar a matéria orgânica e destruir os organismos patogênicos que existiam nas águas residuais urbanas. Era também a forma mais eficaz de resolver o problema da deposição dessas águas em grandes aglomerados populacionais.

Com o advento da industrialização, as águas residuais foram contaminadas com outros compostos que vieram alterar a sua qualidade de uma forma significativa e persistente. Estes novos poluentes (por exemplo, metais pesados) são conservativos e criam problemas mutagênicos na fauna e flora em torno do difusor do emissário devido à deposição nos sedimentos e à sua difícil ou impossível biodegradibilidade.

Forma de tratamento ou destino final[editar | editar código-fonte]

A designação (emissário submarino) refere-se à descarga no mar de águas residuais que já sofreram um determinado grau de tratamento numa ETAR. Uma vez descarregadas, essas águas residuais são submetidas aos processos naturais do meio receptor de diluição e degradação.

O mar tem uma grande capacidade de assimilação de poluentes biodegradáveis. Os constituintes do efluente além de serem diluídos após a descarga são degradados e gradualmente desaparecem do meio.

Os constituintes conservativos do efluente não são degradados e a sua concentração no meio líquido diminui apenas por efeito de diluição. Porém, e uma vez que não desaparecem, estes compostos acumulam-se no sedimento marinho aumentando aqui a sua concentração ao longo do tempo. São já bem conhecidos os efeitos negativos deste processo sobre a flora e a fauna marinhas.

Após a descarga os teores bacteriológicos diminuem por diluição e morte dos microrganismos. A sua morte é devido a (Mitchel, 1974) :

  • Ação bactericída da radiação UV do espectro solar;
  • Fatores físico-químicos (efeitos osmóticos, pH , temperatura, item toxicidade química do meio);
  • Sedimentação;
  • Deficiência de Nutrientes;
  • Toxinas algais e bacterianas;
  • Predação por microrganismos do meio receptor.

Apenas os constituintes não conservativos e bacteriológicos da água residual, diminuem após a descarga no mar através de um emissário submarino.

Se considerarmos que uma {forma de tratamento} é um processo que promove a diminuição da carga poluente de uma água pode dizer-se que um emissário é uma forma de tratamento apenas em relação a estes dois tipos de contaminantes.

No que diz respeito às espécies conservativas, o emissário não exerce nenhum tratamento e constitui somente um modo de deposição final no oceano.

O futuro[editar | editar código-fonte]

Os emissários submarinos não terão futuro nas seguintes situações:

  • Em zonas onde a gestão dos recursos hídricos apontar como indispensável proceder à reutilização da água e essa recuperação for possível;
  • Em zonas sensíveis (baixa capacidade de depuração) onde sejam descarregados efluentes com elevada carga poluente pois provavelmente tem maior viabilidade econômica o tratamento total em terra uma vez que mesmo com o emissário o grau de pré-tratamento tem já que ser elevado;
  • Se são descarregados efluentes industriais ou domésticos com mistura de industriais e não forem impostas regras que impliquem o tratamento adequado do efluente.
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Emissário submarino