Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Quilombola (polo Palmeira das Missões)

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As Diretrizes Curriculares Nacionais são orientações para a Educação Básica dos sistemas de ensino para a organização, articulação e desenvolvimento das propostas pedagógicas nacionais.

O texto abaixo foi elaborado colaborativamente por professores participantes do Curso de Especialização na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para Gestores Escolares do Polo de Palmeira das Missões para a disciplina de Práticas e Espaços de Comunicação na Escola - PECE. Essa disciplina aborda estudos dos espaços e práticas de comunicação na e para a escola. Fazendo analise dos limites e das potencialidades que os diferentes ambientes comunicacionais oferecem no tocante à sociabilidade, à produção e circulação de informações e de conhecimentos e à gestão escolar. Também discute o papel das mídias na produção e circulação de informações para, por e com a comunidade escolar.

Índice[editar | editar código-fonte]

  1. DA ESCRAVIDÃO AOS QUILOMBOS: UMA HISTÓRIA A SER VALORIZADA: História da Escravidão: Introdução
  2. Definindo Quilombo
  3. Educação Quilombola
  4. Proposta da Educação Quilombola
  5. ORIGEM DOS QUILOMBOS URBANOS DO RIO GRANDE DO SUL

DA ESCRAVIDÃO AOS QUILOMBOS: UMA HISTÓRIA A SER VALORIZADA [editar | editar código-fonte]

História da Escravidão: Introdução[editar | editar código-fonte]

Ao falarmos em escravidão, é difícil não pensar nos comerciantes portugueses, espanhóis e ingleses que superlotavam os porões de seus navios de negros africanos, colocando-os a venda de forma desumana e cruel por toda a região da América.

Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos dos capitães-de-mato que perseguiam os negros que haviam fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este assunto.

Apesar de todas estas citações, a escravidão é bem mais antiga do que o tráfico do povo africano. Ela vem desde os primórdios de nossa história, quando os povos vencidos em batalhas eram escravizados por seus conquistadores. Podemos citar como exemplo os hebreus, que foram vendidos como escravos desde os começos da História.

Muitas civilizações usaram e dependeram do trabalho escravo para a execução de tarefas mais pesadas e rudimentares. Grécia e Roma foi uma delas, estas detinham um grande número de escravos; contudo, muitos de seus escravos eram bem tratados e tiveram a chance de comprar sua liberdade.

Escravidão no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.

O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar.

Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.

Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.

As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.

No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas.

O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.

Campanha Abolicionista e a Abolição da Escravatura[editar | editar código-fonte]

A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática.

Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de Queiróz que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.

Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.

A vida dos negros após a abolição da escravidão[editar | editar código-fonte]

Se a lei deu a liberdade jurídica aos escravos, a realidade foi cruel com muitos deles. Sem moradia, condições econômicas e assistência do Estado, muitos negros passaram por dificuldades após a liberdade. Muitos não conseguiam empregos e sofriam preconceito e discriminação racial. A grande maioria passou a viver em habitações de péssimas condições e a sobreviver de trabalhos informais e temporários.

DEFININDO QUILOMBO[editar | editar código-fonte]

Quilombo é o nome dado no Brasil aos locais de refúgio dos escravos que fugiam de engenhos, fazendas e casas de famílias durante o período colonial e imperial. Quilombo é um termo de origem angola. Os escravos iam para os quilombos para não serem encontrados, pois onde eles viviam eram sempre explorados e sofriam maus tratos. Nesses locais, os escravos passavam a viver em liberdade, criando novas relações sociais, essas aldeias ficavam escondidas nas matas, em lugares preferencialmente inacessíveis, como o alto das montanhas e grutas, e era onde então os escravos se reuniam e conseguiam levar uma vida livre. O que, na época, era encarado pela sociedade como uma perda econômica para os "donos" dos fugitivos que ousavam contrariar a lei da propriedade. A evolução na perspectiva de que o negro não é mera mercadoria faz com que hoje se busque combater os resquícios históricos dessa visão preconceituosa. Com esse intuito, políticas públicas educacionais objetivam romper a postura racista valorizando o empenho dos próprios negros na luta antiescravagista. Isto mostra o protagonismo da raça buscando corrigir a História oficial do passado a qual atribuía somente a brancos abnegados a conquista da liberdade - que ainda está em construção. Foi um passo importante da realidade histórica e cultural quilombola a inserção de questões curriculares das escolas da Educação Básica pública e privada de todo país, considerando que as comunidades quilombolas fazem parte inquestionável da história da sociedade brasileira.

Os quilombos no Brasil existem desde o século XVI, são uma demonstração de resistência sócio-política e cultural. A maioria das comunidades está situada em área rural de difícil acesso, muitas ainda sem energia elétrica e água tratada ou acesso à políticas públicas básicas como educação, saúde, transporte. Habitar e cultivar a terra nos interiores de todas as regiões do Brasil foi uma das estratégias de sobrevivência dos povos quilombolas. Viver em territórios longe dos centros políticos administrativos, “capital”, “província”, de modo a dar continuidade à sua existência. Conforme Carril (2006, p.158),a Constituição de 1988 através do Artigo 168, foi fruto de movimentos de luta pela terra, aliado a movimentos urbanos, os quais conquistaram a garantia de direito às terras dos quilombos e positivaram um passado de luta a fim de criar novos espaços políticos - além dos territoriais - na sociedade brasileira. A concretização da sua História e da sua cultura ligadas à territorialidade, no caso rural, torna possível essa conquista. Ainda hoje, principalmente em regiões do interior do Brasil, existem quilombos. Chamados de quilombos remanescentes, eles são habitados por descendentes de ex-escravos. Uma das principais lutas dos quilombolas atuais é pela posse da terra.

Os quilombolas no Sul do Brasil não eram muito lembrados, quando o assunto é escravidão, um dos últimos lugares lembrados é o Rio Grande do Sul, uma vez que o Sul do país é visto como reduto de imigração europeia e de pouca miscigenação. Os hábitos, as festas, as características físicas dos gaúchos costumam ser considerados herança exclusiva do branco europeu, em especial, da cultura alemã e da cultura italiana. Pouco se fala da herança indígena e negra.

A presença negra no Rio Grande do Sul permaneceu por muito tempo ignorada. No entanto, a região contou com a presença de escravos negros desde o início de sua ocupação pelos portugueses no fim do século XVII. Entre os anos de 1874 e 1884, a então Província de São Pedro era a sexta com maior número absoluto de escravos (RUBERT, 2005: 34)

A comunidade quilombola, como mantenedora de uma cultura de resistência possui uma participação da cultura afrodescendente na identidade nacional brasileira que nos faz refletir sobre a quebra do mito de que os povos de origem africana são minorias étnicas no Brasil torna-se responsável pela exposição de problemas culturais marcantes, como a falta de visibilidade social e o silêncio da historiografia oficial diante de uma parcela significativa de nossa população.

Todavia, percebemos que os quilombos, não se perderam no passado. Eles se mantêm vivos, na atualidade, por meio da presença ativa das várias comunidades quilombolas existentes nas diferentes regiões do país. O direito a uma educação escolar que respeite e reconheça sua história, memória, tecnologias, territórios e conhecimentos culturais de valorização dos antepassados são contemplados pela Educação Quilombola tratada a seguir.

Diretrizes Curriculares para a Educação Quilombola[editar | editar código-fonte]

A partir das Diretrizes Curriculares para a Educação Quilombola -Resolução de nº 08 do MEC de 20 de novembro de 2012, que estabelece os fundamentos da educação quilombola, a saber: memória coletiva, língua reminiscente , marcos civilizatórios, práticas culturais, tecnologias e formas de produção do trabalho, acervos e repertórios orais, festejos ,usos e tradições e demais elementos que formam o patrimônio cultural, bem como a territorialidade - é preciso colocar em debate a formação de professores para atender a essas comunidades. Para além do conhecimento teórico, é preciso que a experiência acumulada com os trabalhos nestas comunidades, bem como o respeito pela cultura local. De outra forma é possível que haja um processo de aculturação - da nossa educação europeia, branca, ocidental, sobre a construção cultural das comunidades quilombolas. Assim, sugiro leitura do documento que estabelece as Diretrizes Curriculares para Educação Quilombola, a partir do endereço eletrônico: http://www.educacao.rs.gov.br/dados/dp_cga_diretrizes_quilombola.pdf

O CNE disponibilizou no seu site, no período de junho a dezembro de 2011,o documento: Texto-Referência para a elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola”, o qual subsidiou as audiências, tornou público o debate e recebeu críticas e sugestões. As contribuições recebidas foram enviadas ao e-mail institucional audienciaquilombola@mec.gov.br. Esse mesmo texto foi encaminhado às redes sociais e circulou nos fóruns dedicados à questão quilombola no Brasil.

As audiências públicas realizadas tiveram como tema “A Educação Escolar Quilombola que temos e a que queremos” e contaram com a participação significativa de representantes das comunidades quilombolas, gestores, docentes, estudantes, movimentos sociais, ONGs, fóruns estaduais e municipais de educação e diversidade étnico-racial, pesquisadores e demais interessados no tema.

Para reforçar o respeito à cultura das comunidades quilombolas, sugiro a leitura do texto de Tomás Tadeu da Silva "A Produção Social da Identidade e da Diferenças", cujo endereço eletrônico é: http://www.diversidadeducainfantil.org.br/PDF/A%20produ%C3%A7%C3%A3o%20social%20da%20identidade%20e%20da%20diferen%C3%A7a%20-%20Tomaz%20Tadeu%20da%20Silva.pdf

EDUCAÇÃO QUILOMBOLA[editar | editar código-fonte]

A Resolução nº 4 em 13 de julho de 2010 institucionaliza a Educação Escolar Quilombola como modalidade de educação, cuja definição, se encontra em seu artigo. 41 que menciona ser “A Educação Escolar Quilombola desenvolvida em unidades educacionais inscritas em suas terras e cultura, requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural de cada comunidade e formação específica de seu quadro docente, observados os princípios constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a Educação Básica brasileira.” E, em seu parágrafo único enfatiza que em sua estruturação e no seu funcionamento ser reconhecida e valorizadas a diversidade cultural (Seção VII, Resolução nº 4, CEB/CNE, 2010).

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, a educação escolar quilombola se constitui das seguintes perspectivas:

A Educação Escolar Quilombola é desenvolvida em unidades educacionais inscritas em suas terras e cultura, requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural de cada comunidade e formação específica de seu quadro docente, observados os princípios constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a educação Básica brasileira. Na estruturação e no funcionamento das escolas quilombolas, deve ser reconhecida e valorizada sua diversidade cultural.(p. 42) A educação nas escolas dos Quilombos é valorizada pela comunidade recebe nomes simbólicos, típico da cultura Quilombola. Entretanto, ainda existe um distanciamento entre o ambiente escolar e a vivência da comunidade. Mas a busca entre escola e comunidade permanece viva no cerne da comunidade quilombola a qual agrega à educação formal suas danças, músicas, costumes e crenças.

O diálogo entre os diferentes saberes é uma premissa nas escolas, inclusive nas situadas em quilombos. As comunidades quilombolas possuem a consciência da importância do ensino oferecido pela escola formal, sobretudo na construção da autonomia do indivíduo na sociedade. Isso significa reconhecer a capacidade do povo quilombola na tomada de decisões conscientes em todos os campos de sua vida e, sobretudo, nas relações estabelecidas com as pessoas de fora da comunidade.

Embora ainda sejam pouco conhecidas, as comunidades quilombolas foram reconhecidas pela Constituição de 1988 as quais foi assegurado o direito a terras. No entanto, foi com o decreto 4887/03 que essas comunidades passaram a ter assegurado o direito à saúde, á educação e ao saneamento básico.

Diante desse direito, o Ministério da Educação, passou a assegurar ao povo quilombola uma educação de qualidade que abrange desde a formação dos professores para a área de remanescentes de quilombos, como A educação quilombola é compreendida como um processo amplo – que inclui a família, a convivência com os outros, as relações de trabalho e com o sagrado e as vivências nas escolas, nos movimentos sociais e em outras organizações da comunidade.

No que tange a educação, é importante compreender que ela é um processo que faz parte da humanidade e está presente em toda e qualquer sociedade, sendo a escolarização um recorte do processo educativo mais amplo. Na perspectiva da escolarização quilombola existe pouca informação oficial sobre as taxas de escolaridade, evasão e aproveitamento, ou seja, indicadores sobre a educação em comunidades quilombolas. Porém é possível afirmar - a partir da relação com as organizações quilombolas -, que na maioria das comunidades falta escola, e as que existem funcionam precariamente. Considerando que a educação é um dos direitos humanos básicos para a formação da pessoa, os quilombolas estão lutando para conquistar não só o direito ao acesso, mas principalmente as condições de permanência e bom aproveitamento e poder atuar para a construção de uma escolarização que contemple sua identidade, sua cultura, seus valores.

Nesse sentido os quilombos eram locais de refúgio dos escravos africanos e afrodescendentes. Hoje, os quilombos são constituídos por grupos que desenvolveram práticas cotidianas de moradia em prol da conservação de seus hábitos culturais, com o intuito de compartilhar a identidade de seu povo às demais culturas. ampliação da rede escolar e a produção e aquisição de material didático adequado. Resgatar no espaço escolar a memória tem grande relevância para as comunidades negras, pois preservar seus valores, práticas religiosas, técnicas e outras expressões culturais, é uma herança passada pelos antepassados pela tradição da oralidade e que se mantem viva no espaço de construção dos saberes: a escola.

As comunidades quilombolas descobrem cada vez mais seus direitos, sua atuação política afirmando sua negritude, se reconhecem como cidadãos e passam a exercerem a cidadania, a exigir cumprimento da mesma e a ter responsabilidade consigo e com a coletividade. Diante disso a luta social nas comunidades quilombolas se torna um processo pedagógico por ser um espaço de troca de saberes, respeito a diferença, construção de cidadania por meio da ocupação do território e do espaço geográfico.

Desta forma o respeito à diversidade cultural que compõe a sociedade brasileira está sendo contemplado. Para tanto, é fundamental que se conheça suas ideosincrasias, mesmo quem não faz parte dessas comunidades. Desse modo, cumpre-se também o que dispõe a Lei 10.639/03 que destaca a importância da cultura negra na formação cultural do Brasil. É a ignorância histórico-antropológica a principal motivadora de preconceito racial que, embora muitas vezes latente, ainda se faz sentir na realidade brasileira.

Assim, no campo político é importante lembrar uma conquista histórica para as populações negras no Brasil, as políticas de ações afirmativas, em especial, as cotas nas universidades. Nesta perspectiva, é preciso entender também que muitas são as resistências às políticas públicas educacionais dirigidas para a população afro-brasileira. Assim, o processo de formação continuada de gestores e docentes é importante para a promoção da igualdade étnico-racial, bem como, no trato dos problemas sociais brasileiros e, em especial, aqueles relacionados com os chamados excluídos sociais como é o caso das populações negras, quilombolas, mulheres, indígenas, deficientes físicos, pessoas com orientações sexuais diferenciadas e outros, para que uma efetiva equidade racial e de gênero estejam de fato corporificadas e interseccionadas em nossa sociedade.

As políticas públicas e seus programas aproximam o Estado das comunidades quilombolas e ocupam o lugar fundamental no processo de reconhecimento e inserção das comunidades nas redes sociais, econômicas, educacionais e culturais locais.

É preciso que se estabeleçam diálogos nas nossas escolas com o objetivo de verificar ser a diversidade cultural está inclusa e como ela vem sendo trabalhada pelos professores e pela escola. Mas o objetivo é evidenciar a Educação Escolar Quilombola, então, faz-se necessário, conhecer a resolução nº 8, de 20 de novembro de 2012 que Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica e que no TÍTULO VII trata do Projeto Político-pedagógico das escolas quilombolas.

Nas comunidades quilombola, há presente uma luta para manter vivo os conhecimentos tradicionais da cultura que perpassa a escola quilombola e constrói a identidade desse povo. Por esse viés é importante destacar a existência de quilombos tanto na zona urbana quanto na zona rural. Embora estejam situadas em vários cidades do estado do Rio Grande do Sul e em outros estados brasileiros. No passado os quilombos urbanos serviam de dormitório dos negros fugitivos enquanto que os quilombos rurais eram campos de trabalho árduo e de mão de obra barata.

A educação quilombola deve considerar as vivências, realidades e histórias das comunidades quilombolas do país, de forma a considerar suas especificidades étnico-culturais. As populações africanas não vieram ao Brasil porque quiseram. Foram aprisionadas, feitas cativas nas mãos de europeus que diziam-se civilizados e donos de uma cultura que julgavam ser superior. Por séculos estes europeus e seus descendentes fizeram questão de anular os costumes nativos africanos. Os subjugaram, os escravizaram, os obrigaram as seguir moldes e padrões europeus no que se refere à língua, religiosidade e tantos outros hábitos que eram incomuns para os africanos. Nos preocupamos hoje em ensinar nas nossas salas de aula a história dos antepassados e dos remanescentes que integram comunidades quilombolas, tentamos reacender uma chama que foi incessantemente sufocada.

A educação quilombola é compreendida como um processo amplo – que inclui a família, a convivência com os outros, as relações de trabalho e com o sagrado e as vivências nas escolas, nos movimentos sociais e em outras organizações da comunidade.

Assim, compreende-se a educação como um processo que faz parte da humanidade e está presente em toda e qualquer sociedade, e a escolarização é um recorte do processo educativo mais amplo. Na perspectiva da escolarização quilombola existe pouca informação oficial sobre as taxas de escolaridade, evasão e aproveitamento, ou seja, indicadores sobre a educação em comunidades quilombolas. Porém é possível afirmar - a partir da relação com as organizações quilombolas -, que na maioria das comunidades falta escola, e as que existem funcionam precariamente. Considerando que a educação é um dos direitos humanos básicos para a formação da pessoa, os quilombolas estão lutando para conquistar não só o direito ao acesso, mas principalmente as condições de permanência e bom aproveitamento e poder atuar para a construção de uma escolarização que contemple sua identidade, sua cultura, seus valores.

Desse modo, considerar que a Educação é um processo que faz parte da humanidade e está presente em toda e qualquer sociedade, podemos assim dizer que a Educação Quilombola é aquela própria de um povo, diversa e vinculada a uma especificidade cultural. Embora com algumas semelhanças entre comunidades, em suas maneiras de estabelecer processos educativos, cada uma tem sua dinâmica influenciada pelas formas tradicionais de organização social. Na maioria destas comunidades, a socialização dos conhecimentos, das tradições, do “ser quilombola”, se dá a partir da convivência e observação dos mais velhos, tendo a tradição oral como o mais importante meio de transmissão do conhecimento. É um processo amplo de relações que inclui família, membros da comunidade, relações de trabalho, relações com o sagrado e as vivências inclusive nas escolas, nos movimentos sociais ou em outras organizações. (CASTILHO, 2008; SILVA, 2005 e OLIVEIRA, 2009).

Os cidadãos que construíram uma identidade sociocultural significativa na região Noroeste significativa na região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul e que mantem especificidades no modo dos outros munícipes. È o quilombo Corrêa, comunidade rural organizada no distrito de São Paulo das Tunas, no município de Giruá, fica a 20 quilômetros da sede, a família de origem habita o local desde 1910.

PROPOSTA DA EDUCAÇÃO QUILOMBOLA[editar | editar código-fonte]

A escola deve-se construir como um espaço de diálogo entre o conhecimento e a realidade local, portanto o Projeto Pedagógico Participativo é um instrumento de luta por um ideal sócio cultural, a partir disso, é necessário reconhecer a importância de incluir a Cultura Indígena, Africana e Afro-brasileira no currículo, não apenas pela necessidade de cumprir a Lei 10.639, mas como estratégia da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e includente, reconhecendo esses povos como alguns dos formadores da sociedade e cultura brasileira.

A educação quilombola é compreendida como um processo amplo – que inclui a família, a convivência com os outros, as relações de trabalho e com o sagrado e as vivências nas escolas, nos movimentos sociais e em outras organizações da comunidade.

Então, compreender a educação como um processo que faz parte da humanidade e está presente em toda e qualquer sociedade, e a escolarização é um recorte do processo educativo mais amplo. Na perspectiva da escolarização quilombola existe pouca informação oficial sobre as taxas de escolaridade, evasão e aproveitamento, ou seja, indicadores sobre a educação em comunidades quilombolas.

No entanto é possível afirmar - a partir da relação com as organizações quilombolas -, que na maioria das comunidades falta escola, e as que existem funcionam precariamente. Considerando que a educação é um dos direitos humanos básicos para a formação da pessoa, os quilombolas estão lutando para conquistar não só o direito ao acesso, mas principalmente as condições de permanência e bom aproveitamento e poder atuar para a construção de uma escolarização que contemple sua identidade, sua cultura, seus valores.

Diante disso, percebe-se que a educação quilombola segue a proposta política de um currículo construído, baseado nos saberes, conhecimentos e respeito a suas matrizes culturais. Trata-se de uma educação diferenciada em que se trabalha a realidade a partir da luta e resistência desses povos bem como dos seus valores civilizatórios. A educação escolar quilombola está fundamentada na vivência e organização coletiva, valores ancestrais, relação da terra e com o sagrado, dos quais precisam ser incorporados no espaço escolar das escolas quilombolas e das escolas que atendem estudantes quilombolas.

A Lei 10.639/2003 institui no Brasil um marco legal para que se inclua no currículo oficial das redes de ensino a obrigatoriedade da História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena. Esta Lei, apesar de não ser específica para Quilombos, apresenta a possibilidade de se construir propostas de escolarização para quilombolas, pois não se pode falar de História e Cultura Afro-Brasileira sem abordar a formação dos Quilombos.

A formação educacional quilombola deve contribuir para que as pessoas do grupo continuem nos seus territórios, pensar a educação quilombola implica relacionar a dimensão da identidade com outros temas, como a relação existente no dia-a-dia das pessoas com a terra, o sagrado, a cultura, a história, a memória, as diversas formas de organização desse povo entre as gerações e com o meio ambiente do território.

Para combater o racismo e a discriminação na sociedade brasileira é necessário atuar em diversos campos e a educação é um campo extremamente importante, porque ela influencia no modo de pensar e de se relacionar com os outros, convivendo e respeitando as identidades e multiplicidades culturais, que é constituinte da condição do ser humano, estando no Brasil ou em outra parte do mundo.

É importante considerar que a sociedade brasileira é formada por pessoas que pertencem a grupos étnicos diferentes entre si, que possuem cultura e história próprias e valiosas, e em conjunto constroem a nação brasileira.

Para elevar a qualidade da educação oferecida às comunidades quilombolas, o Ministério da Educação oferece, anualmente, apoio financeiro aos sistemas de ensino. Os recursos são destinados para a formação continuada de professores para áreas remanescentes de quilombos, ampliação e melhoria da rede física escolar e produção e aquisição de material didático. Levantamento feito pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura, aponta a existência de 1.209 comunidades remanescentes de quilombos certificadas e 143 áreas com terras já tituladas.

As comunidades quilombolas no Brasil são múltiplas e variadas e se encontram distribuídas em todo o território nacional. Em algumas regiões elas são mais numerosas e em outras não. Existem comunidades remanescentes de quilombos em quase todos os estados, exceto no Acre, Roraima e no Distrito Federal. Os que possuem o maior número de comunidades remanescentes de quilombos são Bahia (229), Maranhão (112), Minas Gerais (89) e Pará (81). Há comunidades que ficam no campo (rurais) e outras que ficam nas cidades (urbanas); que se constituem por meio de fortes laços de parentesco e herança familiar ou não; que receberam as terras como doação e que se organizaram coletivamente e adquiriram a terra. Para os quilombolas, pensar em território é considerar um pedaço de terra como algo de uso de todos da comunidade (é uma terra de uso coletivo) e algo que faz parte deles mesmos, uma necessidade cultural e política da comunidade que está ligada ao direito que possuem de se distinguirem e se diferenciarem das outras comunidades e de decidirem seu próprio destino. Eles vivem em territórios que podemos chamar de tradicionais: “Os territórios tradicionais são espaços necessários à reprodução cultural, social e econômica dos povos e comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou temporária(...)”. (Artigo 3, da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituída pelo Decreto 6.040 de 07 de fevereiro de 2007).

Educação Quilombola na atualidade[editar | editar código-fonte]

A história da população quilombola tem se construído por meio de lutas, principalmente contra o racismo, pelo território, pela a vida, pela sua cultura, pelos direitos do cidadão como saúde, moradia, trabalho e educação. Logo, no Brasil, a garantia mínima desses direitos deu-se por meio de lutas antirracistas tal como os demais negros. Assim, a discriminação e o preconceito raciais são elementos muito marcantes em situações de violência e de luta por direitos pela cidadania, tanto dos povos quilombolas, negros, indígenas e população do campo. Essa condição de luta constante possibilitou maior aproximação entre os movimentos e organizações, entre esses povos marginalizados na sociedade.

Fruto dessa união de forças, muitos direitos foram conquistados constitucionalmente por esses povos, principalmente o direito à educação. Para os quilombolas, esta deve ser preferencialmente nas comunidades onde os alunos estão inseridos com direito ao saber comum bem como o saber diversificado segundo a sua realidade e, sobretudo com a valorização de sua cultura, além de, poder contar com profissionais oriundos dessa comunidade e com formação adequada para atuar. No entanto, o que se percebe é uma prática muito diferente da teoria para muitas realidades quilombolas.

O fato de escolas estarem localizadas em uma comunidade quilombola ou atender crianças, adolescentes, jovens e adultos nesses territórios não garante que o ensino, o currículo e o Projeto Político Pedagógico dialoguem com a realidade local desses povos, nem que os profissionais que ali atuam conheçam a história dos quilombos, dos avanços e dos desafios das suas lutas antirracistas no Brasil. Além disso, muitos estudantes quilombolas estudam fora de sua comunidade de origem, frequentando escolas públicas e privadas que não conhecem, tão pouco cultivam a história de seu povo. Os materiais didáticos e pedagógicos enviados pelo Ministério da Educação a essas escolas são engavetados e o currículo segue com uma única cultura predominante e hegemônica na sociedade, a dos brancos.

Dessa forma, os aspectos relevantes quando se pensa em Diretrizes do Currículo Nacional quanto à tradição cultural de valorização dos antepassados calcada numa Dessa história identitária comum sob regras de pertencimento e consciência de luta pela terra de que usufruem, baseada em experiências vividas compartilhadas de uma trajetória coletiva, dando referência a “quilombos contemporâneos” tornam-se insignificantes. Sendo assim, não há uma aprendizagem significativa, uma vez que toda a consciência política formada através das lutas pelos seus territórios, marca de sua identidade, é ignorada nos âmbitos educacionais.

Outros fatos que mostram que as conquistas dos direitos educacionais nas teorias constitucionais dos povos quilombolas, mas que não se confirmam na prática são a falta de infraestrutura das escolas e as péssimas condições de transporte. Segundo Hage (in Diretrizes Curriculares, 2013, p. 455), as escolas das áreas rurais são descaracterizadas como prédio escolar sendo improvisadas em igrejas, salões, barracões em condições precárias para que aulas sejam ministradas. Isso subestima a cultura desses povos além de colocar ainda mais os estudantes e suas famílias em situação de desestímulo, discriminação e preconceito. Tal descaso se reflete ainda na falta de transporte escolar para os estudantes rurais e de nucleações, onde as condições de moradias no que confere estradas, energia elétrica, telefonia, saneamento básico, saúde e emprego são tão precárias que a frequência mínima nas escolas e desenvolvimento educacional sofrem consequências alarmantes de insucesso, a começar pelo fato de que as rodovias de acesso não permitem que o transporte escolar consiga chegar até os estudantes onde moram, em condições subumanas, e levá-los aos bancos escolares.

Portanto, tudo o que está garantido em lei para o sistema de ensino aos povos quilombolas com material didático voltado à realidade dessas comunidades, com a alimentação escolar com uma política de prática agrícola com técnicas de plantio, colheita e conservação de alimentos voltada ao conhecimento tradicional dessa população, com um currículo flexível as peculiaridades e as características próprias desses estudantes, com um calendário escolar que inclua comemorações locais como fonte de sua história de lutas e conquistas que sejam pedagogicamente relevantes para estudo e significativas para a sua cultura e, principalmente, com um PPP que dialogue com as especificidades históricas, sociais, culturais, econômicas e étnico-raciais da comunidade quilombola com os conflitos com a questão do racismo, com relação à terra, a importância do território, a cultura, o trabalho, a memória e a oralidade é de fundamental importância que se efetive na prática de ensino para que esses povos se recuperem como indivíduos, que se sintam verdadeiramente parte integrante da sociedade, como cidadãos úteis e necessários em todos os âmbitos da mesma.

Observa-se ainda, que embora as situações de conflito e violência contra as comunidades quilombolas não seja tão evidente na contemporaneidade, torna-se preocupante perceber o aumento significativo do descomprometimento governamental e social com esses povos, sobretudo com a falta de políticas públicas. Essa violência que deturpa a identificação quilombola é também reforçada pela depreciação do poder da mídia. Diante disso, percebe-se que o caminho de vida, de força, de identidade cultural, de luta dos povos quilombolas é tão verdadeiro e lícito quanto a todas as outras comunidades e culturas, portanto, o que se atribui é valorizar e manter a história identitária dos quilombos, preservar sua cultura com respeito aos seus diferentes modos de agir, de viver e, sobretudo, de desenvolver as ciências e as artes nas escolas. Ressalta-se então, a importância de os profissionais educadores conhecerem a formação histórica desses povos, especialmente nos âmbitos educacionais onde há estudantes oriundos dos quilombolas, para que esses aprendizes não se sintam arrancados de sua cultura, mas que a veja como parte formadora das multiculturas que integram a sociedade brasileira.

De acordo com o Censo Escolar de 2007, o Brasil tem aproximadamente 151 mil alunos matriculados em 1.253 escolas localizadas em comunidades quilombolas, estando quase 75% delas concentradas na região Nordeste. A maioria dos professores não tem capacitação adequada e são em número insuficiente para atender à demanda. Poucas comunidades têm unidade educacional com o ensino fundamental completo.

Cultura Quilombola[editar | editar código-fonte]

A maior riqueza cultural afro-descendente na identidade nacional brasileira é mantenedora de uma cultura de resistência que precisa lutar pela garantia da preservação de sua próprias raízes étnicas, é sem dúvida desafiador para aqueles que insistem em tratar a herança cultural africana no Brasil como elemento distante da realidade nacional compartilhada.

Os quilombos da atualidade se esforçam para preservar ou mesmo recriar a cultura de seus antepassados e desenvolver a economia de suas comunidades em especial a agricultura, para ganharem a dignidade de uma vida.

O povo quilombola possui uma cultura centrada em diversos costumes típicos que envolvem desde a alimentação até estilos de dança, que são ricos em cultura pulsante. Para compreendermos melhor cada parte dessa cultura é preciso conhecê-la.

Comidas Típicas[editar | editar código-fonte]

Uma das grandes influencias no Brasil é a maneira que os negros utilizavam os alimentos. Eles introduziram ingredientes diferentes com o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, a pimenta malagueta.Com eles descobrimos o feijão preto, aprendemos a fazer acarajé, vatapá, caruru, mungunzá, angu, pamonha e conquistar não só o direito ao acesso, mas principalmente as condições de permanência e bom aproveitamento e poder atuar para a construção de uma escolarização que contemple sua identidade, sua cultura, seus valores. muito mais! Os portugueses traziam da Europa os ingredientes para fazerem suas comidas. A comida reservada para os escravos era pouca. Eles se alimentavam dos restos que sobravam dos senhores. Mas, com criatividade, faziam comidas gostosas. Enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores, os escravos ficavam com as sobras. Pés, orelhas, carne seca, rabos, costelinhas e outras partes do porco, misturadas ao feijão preto, deram origem à nossa tradicional feijoada. A culinária africana para a nossa cultura é tão importante que o acarajé virou patrimônio nacional. Desta forma podemos citar alguns pratos, tais como:

  • Abará: Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água.
  • Acaçá: Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira.
  • Ado: Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel.
  • Aluá: Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.
  • Quibebe: Prato típico do Nordeste, de origem africana, feito de carne-de-sol ou com charque, refogado e cozido com abóbora.
  • Acarajé: Bolo de feijão temperado e moído com camarão seco, sal e cebola, frito com azeite de dendê.
  • Mungunzá: Feito de milho em grão e servido doce (com leite de coco) ou salgado com leite.
  • Vatapá: Papa de farinha-de-mandioca com azeite de dendê e pimenta, servida com peixe e frutos do mar.

Para terminar, não se pode deixar de mencionar um dos pratos favoritos do país: a feijoada, que também se originou nas senzalas. Enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores, os escravos ficavam com as sobras: pés e orelhas de porco, linguiça, carne-seca etc., eram misturados com feijão preto ou mulatinho e cozidos num grande caldeirão.

Segundo registra o folclorista Câmara Cascudo, as receitas são incontáveis e, com elas, variam tanto as carnes quanto as verduras usadas. A feijoada chegou a servir de inspiração para escritores como Pedro Nava, em um de seus livros de memórias, e para o compositor Chico Buarque de Holanda, que tem uma música onde dá a receita de uma "Feijoada Completa".

Observando a alimentação em geral dos quilombolas há o consumo de uma dieta variada, composta de cereais, leguminosas, tubérculos, frutas e verduras de diversos tipos, além dos produtos de origem animal, sendo que a maior parte destes alimentos provém da agricultura e pecuária local e, em menor proporção, adquirida em mercados.

As práticas de agricultura não condizem com aquelas praticadas pelos seus ancestrais, caracterizada hoje pela diminuição da diversidade de produtos cultivados e pela insuficiência no autoconsumo. Apesar desta prática encontrar-se ameaçada por vários motivos, a começar pela falta de acesso aos meios e bens-de-produção, como terra, água, sementes e mudas, que dificultam o manejo do solo, o modo como produzem alimentos ainda apresenta reduzido impacto ambiental, porque na maioria das roças não há uso de agroquímicos. As roças, como costumam dizer, são de propriedade familiar, onde tanto homens, mulheres e seus filhos trabalham, para cultivo dos produtos/alimentos.

Expressões Culturais[editar | editar código-fonte]

Dança: o fato do povo que vive nos quilombos ser alegre eles gostam de música e de dança. O canto está sempre presente na vida cotidiana desse povo. É pela música e com a dança que relatam a vida, a luta e a esperança de seu povo.

As danças consideradas como parte da tradição quilombola estão o lundum, a valsa e a mazurca que são acompanhadas pelo violino. Outra tradição é a da desfeiteira. Os vários casais vão dançando pelo salão e, quando a música para, um dos casais deve recitar um verso. Assim segue até que todos tenham recitado. O rap e hip hop são elementos que fazem parte do cotidiano do povo negro.

- Música: o povo quilombola adora o samba, que é bem marcante na cultura brasileira e uma herança dos afro-brasileiros.

- Cabelo: sabe-se que os negros trouxeram estilos diferentes no quesito de moda e estilo. Sempre baseado nas culturas dos ancestrais, aderem penteados interessantes, como os dreadlocks, da cultura rastafári; o cabelo black power; os trançados; com balangandãs.

- Religião: no que se refere a crenças, o povo quilombola vale-se do candomblé, da umbanda, da macumba e o omoloko, que foi uma herança deixada pelos escravos que adotavam o sincretismo para preservação desse culto. Na época do trabalho escravo, para que a adoração aos deuses africanos não cessassem, os negros usavam os santos da igreja católica, como forma de despistar a mão de ferro portuguesa. Por isso, se vê a mistura do candomblé com o catolicismo. Embora o candomblé tenha sido mal visto pela sociedade comparando-o com uma prática pecadora e desrespeitosa a Deus, e ainda hoje exista um pouco dessa discriminação, a maioria das comunidades quilombolas é adepta a essa religião.

Os quilombolas pouco conhecidos dentro da esfera educacional pode por vezes ser confundidos com os indígenas que são diferentes em todas as suas características.

O termo “quilombo” vem das palavras “kilombo” da língua Quimbundo e “ochilombo” da língua Umbundo. Há ainda outras línguas africanas com palavras similares que designam a mesma coisa. Em alguns lugares do nosso país, os quilombos também recebiam o nome de “mocambos”.

Um dos principais motivos para a manutenção dos quilombolas na pobreza é a dificuldade de acesso a programas de incentivo à agricultura familiar, devido à falta do título da terra, que garante a posse das famílias. Segundo o relatório, das 2.197 comunidades reconhecidas oficialmente, apenas 207 são tituladas. Apesar das dificuldades, 82,2% viviam da agricultura familiar no começo deste ano.

Segundo dados oficiais da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgãos responsáveis pela identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos quilombolas, existem atualmente mais de setecentas comunidades oficialmente registradas pela Fundação Palmares, do Ministério da Cultura e mais de duzentos processos de regularização fundiária em andamento, envolvendo mais de trezentas comunidades espalhadas por 24 estados brasileiros.

A partir da Constituição Federal de 1988, devido à mobilização do movimento negro no País, a questão quilombola passou a fazer parte das políticas públicas brasileiras. O Artigo 68, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz que: Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.

A Declaração de Durban, África do Sul, elaborada na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata realizada em 2001, reconheceu que os afrodescendentes das Américas são vítimas de racismo e discriminação racial, levantando questões dos direitos dessa população às suas terras ancestrais. A Declaração foi a base para a criação, no Brasil, da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, instituída pelo Decreto 4886/2003, com programas de políticas públicas voltadas para a igualdade racial e ao combate à discriminação étnica, entre os quais se encontra o Programa Brasil Quilombola (PBQ), que atua no apoio às comunidades quilombolas, por meio de ações de regularização da posse da terra, infraestrutura e serviços, desenvolvimento econômico e social, controle e participação social.

O Decreto 4887/2003, concedeu aos quilombolas o direito à autoatribuição como único critério para identificação das suas comunidades, fundamentando-se na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê o direito de autodeterminação dos povos indígenas e tribais, regulamentando o procedimento da regularização fundiária: São terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural.

De acordo com o Censo Escolar de 2007, o Brasil tem aproximadamente 151 mil alunos matriculados em 1.253 escolas localizadas em comunidades quilombolas, estando quase 75% delas concentradas na região Nordeste. A maioria dos professores não tem capacitação adequada e são em número insuficiente para atender à demanda. Poucas comunidades têm unidade educacional com o ensino fundamental completo.

ORIGEM DOS QUILOMBOS URBANOS DO RIO GRANDE DO SUL[editar | editar código-fonte]

As cidades sulinas contavam com uma grande concentração de escravos africanos. Muitos deles, ao fugir da opressão de seus senhores, escolhiam não abandonar o espaço urbano, já que estavam pouco habituado são modo de vida rural. Assim, muitos dos escravos fugidos se faziam passar por libertos, contando com a colaboração de ex-escravos alforriados, cativos e também alguns senhores, que eram cúmplices desses agrupamentos (MAESTRI, 2005: 298). Eles sobreviviam de maneira precária por meio da rapinagem, da prestação de serviços e de pequenas atividades mercantis.

Uma das comunidades negras urbanas mais conhecidas do período escravista é o quilombo do Negro Lucas. O quilombo encontrou abrigo na Ilha dos Marinheiros, um lugar de terras férteis e parcialmente coberto por mata. A ilha localizava-se bem diante de Rio Grande, um importante centro urbano do período. De acordo com dados de 1833, os seis homens e as quatro mulheres que formavam o quilombo haviam fugido fazia mais de dez anos (MAESTRI, 2005: 300).

Como viviam muito próximos da cidade, inclusive de seus antigos senhores e das forças repressivas, os escravos do quilombo do Negro Lucas andavam armados e escondidos pela mata da ilha. Os quilombolas resistiram por um longo período até que, em 1833, a guarda nacional realizou uma emboscada e assassinou o Negro Lucas, líder da comunidade. Os demais membros do agrupamento conseguiram fugir e se dispersar, abandonando o local.

Quilombolas no Sul do Brasil[editar | editar código-fonte]

Quando o assunto é escravidão, um dos últimos lugares lembrados é o Rio Grande do Sul, uma vez que o Sul do país é visto como reduto de imigração européia e de pouca miscigenação. Os hábitos, as festas, as características físicas dos gaúchos costumam ser considerados herança exclusiva do branco europeu, em especial, do alemão e do italiano. Pouco se fala da herança indígena e negra.

A presença negra no Rio Grande do Sul permaneceu por muito tempo ignorada. No entanto, a região contou com a presença de escravos negros desde o início de sua ocupação pelos portugueses no fim do século XVII. Em 1814, cerca de 39% da população da província era formada por escravos ou ex-escravos (MAESTRI, 2005: 295). Entre os anos de 1874 e 1884, a então Província de São Pedro era a sexta com maior número absoluto de escravos (RUBERT, 2005: 34).

Quilombo na Região Noroeste do Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

A maioria das pessoas associa a região noroeste do Rio Grande do Sul apenas com descendentes de europeus (italianos, alemães, poloneses, entre outros), pois a História oficial não faz alusão á escravidão nesta parte do Rio Grande do Sul. Poucos sabem que no interior do município de Giruá, na localidade de São Paulo das Tunas, está a Comunidade Quilombola Correa.

No Rio Grande do Sul, os quilombos mais reconhecidos são:

  • Serra Geral
  • Serra dos Tapes
  • Camizão

=== Histórico da Comunidade Correa === 

O Quilombo dos Corrêa é uma comunidade quilombola que fica a 20 quilômetros da sede do município de Giruá-RS. A família Corrêa que deu origem ao quilombo habita o local desde 1910. A comunidade é formada pelos descendentes do patriarca Alzemiro Batista Correa que comprou uma pequena área de terra com recursos provenientes do trabalho que realizava a um fazendeiro como peão e agregado.

Acredita-se que o senhor Alzimiro Batista Corrêa tenha vindo de alguma fazenda de Cruz Alta na época posterior a instalação dos trilhos de trem na região para “trabalhar no conserto dos batentes da estrada de ferro” (FERREIRA;FUCKS, BONFADA). Alzimiro Batista Corrêa nasceu em 1918 e faleceu em1987. Era casado com Eloína Luiz Corrêa nascida em 1927 e falecida em1964.

Ferreira e Fucks (2014) afirmam que este lugar onde habita a comunidade rural Quilombo Correa é conhecido como a “casa dos morenos” “pela concentração singular de famílias afrodescendentes em meio a um contexto no qual predominam moradores de descendência europeia, em sua maioria com origem na imigração alemã e polonesa”

Fontes Consultadas:

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL . Disponível em <http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/escravidao.htm>

CARRIL, Lourdes De Fátima Bezerra. Quilombo, Território e Geografia. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/agraria/article/download/92/91

RESOLUÇÃO Nº 8, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2012. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=11963-rceb008-12-pdf&category_slug=novembro-2012-pdf&Itemid=30192

_______. Resolução nº 7, 14 de dezembro. Conselho Nacional de Educação. Câmara da Educação Básica, 2010.

_______. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília: Conselho Nacional de Educação, 2010.

RUBERT, Rosane. Comunidades Negras Rurais do RS: Um levantamento sócio antropológico preliminar. Porto Alegre: Secretaria de Agricultura e abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul/RS RURAL; Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA, 2005. Disponível em: http://www.cpisp.org.br/comunidades/html/i_brasil_rs.html

FERREIRA, Letícia de Faria, FUCKS, Patrícia Marasca, BONFADA, Elcio Bilibio. O Mate e o Tacho: aprestos da vida no Quilombo Corrêa. Disponível em < http://www.unicruz.edu.br>

FERREIRA, Letícia de Faria; FUKS, Patrícia Marasca. Na “Casa dos Moreno”: Relações Interétnicas ou Solidão Negra em Terra de Alemão? Cadernos do LEPAARQ Vol. XI | n°22 | 2014

Quilombos. Disponível em: http://www.historiadobrasil.net/quilombos/