Cuba/História

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Reconstrução de uma aldeia taina em Cuba. À esquerda, uma típica cabana taina e, à direita, uma estátua representando dois índios tainos praticando o jogo da bola.
Estátua de Cristóvão Colombo perto de Guardalavaca, em Cuba
Retrato de Diego Velázquez de Cuéllar
Rua Maceo, em Baracoa

Por volta de 4000 a.C., os índios siboneys e guanahatabeys ocuparam o território cubano. No início da era cristã, o território foi invadido por povos de língua aruaque, os tainos, que empurraram os ocupantes originais para o oeste da ilha de Cuba. Os tainos praticavam a caça, a pesca, a coleta e a agricultura.

Em 1492, o navegador genovês a serviço da Espanha Cristóvão Colombo aportou em Cuba, após passar pelas Bahamas. Em 1511, o governador espanhol Diego Velázquez de Cuéllar fundou a primeira cidade espanhola na ilha, Baracoa. Em 1514, foi fundada a cidade de São Cristóvão de Havana. Os índios locais foram escravizados pelos espanhóis e passaram a trabalhar nas minas de ouro locais. Em meados do século, as minas já haviam se esgotado. As populações indígenas locais também praticamente se extinguiram, devido às matanças, às doenças trazidas pelos espanhóis (sarampo, rubéola, gripe e varíola) e ao trabalho extenuante sob o regime da escravidão. No entanto, muito dos índios locais permaneceu, seja sob a forma genética (os colonizadores espanhóis não possuíam mulheres brancas, o que os fez contrair matrimônio com as índias), seja sob a forma da cultura tradicional cubana.

Ao longo do século XVII, Cuba se tornou alvo de várias incursões de piratas franceses e ingleses.

No século XVIII, desenvolveu-se o plantio da cana-de-açúcar no país. Para servir de mão de obra, foram trazidos escravos africanos em grande número. No final do século XIX, começaram os primeiros movimentos a favor da independência cubana. O primeiro levante de vulto foi a guerra dos Dez Anos, entre 1868 e 1878, liderado por Carlos Manuel de Céspedes. Em 1886, ocorreu a abolição da escravidão em Cuba. Foi o penúltimo país americano a abolir a escravidão, atrás apenas do Brasil[1]. Para substituir a mão de obra escrava, foram trazidos grandes contingentes de imigrantes chineses. O levante seguinte foi liderado por um ex-participante da Guerra dos Dez Anos, José Martí, que, em 1895, iniciou o levante contra o domínio espanhol na ilha. O movimento conseguiu finalmente a vitória quando os Estados Unidos passaram a apoiá-lo, após um suposto atentado espanhol contra o navio estadunidense USS Maine que estava ancorado no porto de Havana em 1898.

No entanto, a independência conseguida não era total: através da emenda Platt, que foi adicionada à recém-escrita constituição cubana, os Estados Unidos se reservaram o direito de intervir em Cuba sempre que seus interesses estivessem ameaçados. Em termos práticos, isto deu a Cuba a condição de protetorado estadunidense, inclusive com a instalação de uma base militar estadunidense em Guantánamo, no leste da ilha. A este domínio político-militar, somava-se a dependência econômica, pois os Estados Unidos era o maior importador do principal item de exportação cubano: o açúcar.

Em seguida, ocorreu uma sucessão de eleições democráticas e golpes militares até que, em 1959, os guerrilheiros comunistas liderados por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos depuseram o ditador Fulgencio Batista e instauraram um regime socialista no país, com estatização das empresas, reforma agrária nas grandes propriedades rurais e aproximação com os países do bloco socialista. Isto conduziu, em 1961, à invasão de rebeldes cubanos anticastristas à baía dos Porcos com apoio estadunidense. Os invasores foram derrotados pelo exército cubano. No ano seguinte, os Estados Unidos iniciaram um bloqueio econômico impondo restrições ao comércio com Cuba. No mesmo ano, ocorreu a crise dos Mísseis, quando a União Soviética instalou mísseis em Cuba apontados para os Estados Unidos. Na sequência, os Estados Unidos exigiram e conseguiram a retirada dos mísseis.

Cuba passou a apoiar os movimentos revolucionários socialistas em várias partes do mundo, como na Bolívia, onde Che Guevara veio a falecer, assassinado pelo exército local em 1967 e em Angola, onde o exército cubano atuou de 1975 a 1988. Em 1980, houve o êxodo em massa de 125 000 refugiados cubanos que partiram do porto de Mariel com destino à Flórida, com a permissão dos governos cubano e estadunidense.

Com o colapso da União Soviética, em 1990, Cuba perdeu o maior comprador do açúcar cubano, obrigando o governo a pensar em novas alternativas econômicas para o país.

Na década de 1990, com o sucesso mundial do disco e do filme Buena Vista Social Club, que mostrava velhos músicos cubanos em ação, a música cubana passou a despertar interesse em todo o mundo.

Em 2008, devido a sua avançada idade e à fragilidade de sua saúde, Fidel Castro passou o cargo de presidente do país para seu irmão, Raúl Castro.

Em 23 de fevereiro de 2010, o preso político cubano Orlando Zapata morreu após uma greve de fome de 85 dias, na qual protestava contra a falta de respeito aos direitos humanos em Cuba[2].

Referências