Civilizações da Antiguidade/Tribos do norte e leste

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Tribos do norte e leste


tribos bálticas

Dos povos listados nesse tópico, há uma grande dificuldade de se encontrar informações suficientes.

Com relação aos povos bálticos, sua localização primordial foi a região próxima ao mar Báltico e a Europa. Eles se espalharam até o Volga.

Os bálticos conviveram com vários grupos de povos que, em migração saíram da região do Dnieper e se fixaram as margens do mar Báltico.

Quanto aos fino-ugrianos, se acredita que viveram a oeste dos montes Urais, em algum momento entre 8000 a.C. e 4200 a.C.

Isso significa que eles estão entre os povos mais antigos que viviam de modo fixo na Europa.

Por volta de 3000 a.C. os grupos bálticos-finos migraram para oeste até as margens do mar Báltico.

Os magiares (que hoje são os húngaros) fizeram a mais longa e a mais recente jornada, saindo dos montes Urais até a Europa central em 896.

Os povos fino-ugrianos têm uma história que se entrelaça com a história dos eslavos indo-europeus que são povos diferentes dos primeiros.

Ávaros[editar | editar código-fonte]

De raça mongólica é dito que vieram da Sibéria Ocidental. Se conservaram sempre nômades e nunca se adaptaram a agricultura.

Eram inicialmente guerreiros.

Esse povo se espalhou pela Europa Meridional, atacando os outros povos que se encontravam no seu caminho.

sármatas, dácios, cítios

As autoridades bizantinas eram favoráveis aos ataques dos ávaros sobre outras tribos, porque assim livravam o império desse tipo de problema.

Assim os ávaros se tornaram seus aliados na luta contra os búlgaros.

Por volta de 560 os domínios ávaros iam do Volga até a foz do Danúbio.

Devastaram a Trácia mas também sofreram muitas derrotas.

Em 610 tentaram invadir a Itália, em 619 e 626 tentaram assaltar Constantinopla. Foram repelidos por uma coalizão entre sérvios, croatas, búlgaros e bizantinos.

Na época de Carlos Magno, a partir de 822, esse povo desapareceu da História.

Trácios[editar | editar código-fonte]

Povo indo-europeu que habitava a Trácia.

A Trácia era uma região específica a sudeste da Europa, mas o povo trácio ocupava também as regiões que hoje são Bulgária, Romênia, Moldávia, nordeste da Grécia, Turquia europeia e noroeste da Turquia asiática, leste da Sérvia e partes da Macedônia.

O povo trácio foi mencionado por Heródoto como o segundo povo mais numeroso do mundo conhecido.

O problema era que formavam tribos ou digamos, pequenos reinos. Falavam a mesma língua, o trácio, mas não deixaram nada escrito, eram guerreiros temíveis e hábeis cavaleiros.

tesouro trácio-Bulgária

Sendo em grande número, sem união entre si, eram pura confusão, atacavam os vizinhos, pilhavam seus reinos. Isso sempre resultava em revanche e assim os ataques eram uma constante.

As tribos ou reinos trácios só entraram nos eixos durante o tempo em que foram submetidos pelos persas, por Filipe e por Alexandre da Macedônia.

Os trácios eram apreciados como mercenários, intrépidos guerreiros serviram aos estados helenísticos.

De acordo com a Ilíada, lutaram contra os gregos na Guerra de Troia e deles a Grécia tomou alguns de seus deuses.

Ilírios[editar | editar código-fonte]

Grupo de tribos que vivia nos Balcãs ocidentais. Seu território, chamado de Ilíria era formado pelo que hoje é a Sérvia, Montenegro, norte da Albânia, Bósnia e Herzegovina e Croácia.

A palavra Ilíria significa terra dos livres em albanês.

Na verdade, as origens dos povos ilírios continua um mistério, é marcada no ano 1000 a.C. O fato é que as tribos que habitavam a Ilíria não se chamavam, a si mesmos de ilírios.


Essas tribos eram mais amistosas e conviviam bem com os romanos portanto se tornaram parte de uma província romana em 168 a.C.

O povo ilírio se romanizou rapidamente e só se rebelou depois de quase 200 anos de domínio romano. Quando da rebelião, eles não mais se pareciam com as tribos primitivas, eram retratos perfeitos dos legionários romanos.

A província que os povos ilírios habitavam no império romano era chamada de Illiricum e foi um importante centro de comércio ligando a Europa ocidental e oriental. Também foi da província dos ilírios que saíram vários dos imperadores romanos como Aureliano (270-275), Diocleciano (284-305) e Constantino (306-337).

A maior parte da área ocupada pelos ilírios no império romano foi conquistada, por volta do século VII por sérvios, búlgaros e outros.

Dácios[editar | editar código-fonte]

Povos que habitavam a Dácia, na região dos Cárpatos, onde hoje localizamos a Romênia, Moldávia e o sudeste da Europa, esse local era chamado Mésia.

capacete dos getas em detalhe

Os dácios eram também chamados getas, possivelmente eram aparentados com os trácios.

Sua linguagem era o dácio e sofreram a influência dos citas e dos celtas.

Na verdade, os dácios podiam ser belicosos mas também as vezes se comportavam de modo pacífico, e isso fazia com que suas relações com outras tribos fossem variadas.

Existia um reino dácio, por volta de 82 a.C. , cuja capital, era Sarmizegetuza (hoje na Romênia).

O povo dácio, governado ao longo do tempo, por reis formidáveis, foi aumentando seu poder e seu território. Sendo assim, já estava se tornando conhecido na região.

Júlio César havia pensado em atacá-los mas foi morto antes de ter a oportunidade.

Em seu território, os dácios eram atacados pelos germanos ao norte e pelos sármatas a leste e a oeste.

Portanto, uma boa saída era se expandirem para o sul e entrar pelo império romano.

Depois de alguns ataques escaramuças e saques, sua capital Sarmizegetusa foi destruída pelos romanos e os dácios foram obrigados a reconhecer a supremacia romana.

calendário solar em Sarmizegetusa, Romênia

Mas, é claro, não foram tão facilmente subjugados e ainda deram muito trabalho aos romanos, até que em 89 fizeram um acordo de paz.

Assimilaram os romanos linguística e culturalmente e respeitaram o acordo.

Hunos[editar | editar código-fonte]

conjunto de arreios de cavalo dos hunos

São naturais da Ásia meridional, mas não se sabe o motivo que os fez abandonarem as estepes asiáticas e abrirem caminho até a Europa.

O que se sabe é que, em torno de 300, os hunos vinham a caminho da Rússia.

Eles só desistiram quando, ao chegar às portas da China encontraram os mongóis. Isso ia ser um enfrentamento muito violento, afinal eram ambos povos muito ferozes.

Destruíram o império dos alanos (uns membros da tribo se submeteram e outros fugiram) e depois foi a vez do império dos godos, já na Ucrânia.

Assim, as planícies do Ural até os Cárpatos passaram a ser domínio huno.

Depois de 435 já é Átila o governante do povo huno.

império huno sob Átila

No ano 450 depois de fazer diversas incursões e devastações, Átila decide atacar o ocidente.

A invasão dos hunos pela Europa, os levou até a França.

As tribos que ficavam em seu caminho, procuravam abrigo dentro das fronteiras do império romano.

Por volta de 452, Átila não chegou a atacar Roma e não se sabe porque, talvez por estar doente ou seu exército estar extenuado das campanhas, o fato é que ele desistiu e retornou.

celtas no século III a.C.

Átila morre em 453. O chamado Flagelo de Deus deixou 2 filhos que ficaram no comando, mas não eram sucessores a altura e assim os hunos entraram em decadência.

Celtas[editar | editar código-fonte]

O povo celta tem como local de origem a Europa Central entre 900 a.C. e 700 a.C.

Não se pode falar em raça e nem em império ao estudar os celtas.

Na verdade houve civilizações que foram envolvidas por uma elite guerreira e intelectual (os celtas).

Essa elite era formada por tribos autônomas, muito cultas que habitavam a região do Harz (hoje Alemanha).

É quase impossível explicar o que seria uma civilização céltica porque, se eles eram indo-europeus, isso é muito relativo.

jovem gaulês – Louvre

Um grande irlandês ruivo, um pequeno bretão atarracado e um francês moreno da região do Auvergne são todos celtas, de acordo com o professor Jean Markale, especialista em Mundo Céltico autor de uma centena de livros sobre os celtas.

Usamos o termo celta para designar todos os povos que falam ou falaram uma língua céltica.

Boadiceia lidera revolução contra os romanos

Podemos abarcar assim, os gauleses (habitantes da Gália), os belgas, que foram o povo mais poderoso da Gália em 57 a.C. Os bretões (os celtas da Grã Bretanha) que viviam na Bretania ao se estabelecerem na Armórica, a chamaram de Bretanha.

Descendentes dos bretões, os galeses que vivem no País de Gales. Os gaélicos celtas, que falam gaélico, da Irlanda, Ilha de Man e norte da Escócia. Os gálatas na Ásia menor, valons na Bélgica e os galícios na Espanha.

Assim temos a presença celta, espalhada por toda Europa.

A ilha da Bretanha jamais foi romanizada, as revoltas eram constantes e uma poderosa rainha chamada Boadiceia ou Boudicca, deu muito trabalho aos romanos ao liderar um grande levante.

Os habitantes do País de Gales permaneceram ligados à herança celta e independentes até o século XIV. Tradicionalmente o herdeiro do rei da Inglaterra recebe o título de príncipe de Gales.

Atualmente a República da Irlanda é o único estado celta do mundo e o gaélico é sua língua oficial.

Os celtas nos legaram toda uma cultura, tradição, mitologia, seus deuses, os druidas, seus cultos, as lendas e mitos que, até hoje despertam curiosidade e encantamento, seja nos belos romances de cavalaria, seja nas histórias em quadrinhos de Asterix que retratam de maneira deliciosa a ocupação romana e a resistência gaulesa.