Civilização karib/História

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Mapa mostrando a distribuição dos povos indígenas no Caribe na época da chegada dos colonizadores espanhóis, no século XVI. Em verde, a área caribe.
Desenho retratando casal de índios caribes
Índios cuicuros
Crianças garifunas em Punta Gorda, no Belize
Território caribe em Dominica
Foto de 1936 mostrando o escritor Mário de Andrade, de óculos
Mapa mostrando a trajetória da última expedição de Percy Fawcett, no Brasil

As hipóteses mais aceitas sobre a origem das línguas caribes indicam que elas surgiram no Planalto das Guianas entre 3 000 e 2 000 anos atrás[1]. Dessa região, grupos falantes de línguas caribes se expandiram para a atual Colômbia, para o Planalto Central Brasileiro e para as ilhas menores do Caribe. No sul da Floresta Amazônica, povos caribes chegaram a formar grandes cidades de barro com milhares de habitantes, muralhas, fossos, pontes e vias fluviais correndo paralelas a estradas que conectavam as cidades entre si[2]. Nas ilhas do Caribe, os povos caribes venceram militarmente e escravizaram os habitantes anteriores, que falavam línguas do grupo aruaque[3]. Quando começavam a ocupar as ilhas maiores do Caribe (Espanhola, Cuba, Jamaica, Porto Rico e Bahamas), tiveram seu avanço interrompido pela chegada dos espanhóis, no século XVI.

Os colonizadores europeus causaram um grande decréscimo populacional nos povos caribes por causa de guerras e doenças. No sul da Floresta Amazônica, as cidades caribes de barro foram abandonadas nessa época, possivelmente devido ao decréscimo populacional causado pelas novas doenças trazidas pelos invasores europeus. A Floresta Amazônica ocupou o lugar das cidades. Os remanescentes dessa população vieram a se constituir nos atuais índios cuicuros[4][5].

Na Ilha de São Vicente, no Caribe, os índios de fala caribe se casaram com escravos negros fugidos e passaram a ser chamados de caribes negros ou garifunas. Em 1795, os garifunas se rebelaram contra a dominação britânica, mas foram derrotados e deportados para a Ilha de Roatan, na costa de Honduras. Na ilha, se multiplicaram e passaram a colonizar o continente. Hoje, os garifunas formam um contingente de mais de 100 000 pessoas em Belize, na Nicarágua e em Honduras.

Na ilha caribenha de Dominica, existe, hoje, uma reserva indígena com quatrocentos índios falantes de língua caribe.

No continente, os caribes também tiveram que enfrentar o avanço dos colonizadores de origem europeia. Porém, algumas vezes, os caribes procuraram tirar proveito da situação: os caribes da região do atual estado brasileiro de Roraima costumavam, no século XVIII, vender escravos indígenas capturados de tribos inimigas para os colonizadores neerlandeses instalados na região das Guianas[6].

No início do século XX, o avanço da pecuária nos campos de cerrado do estado brasileiro de Roraima começou a ameaçar o território tradicional dos taurepangs[7].

Em 1910, foi criado o primeiro órgão do governo brasileiro voltado para a questão indígena: o Serviço de Proteção ao Índio.

Em 1928, o escritor brasileiro Mário de Andrade lançou o livro "Macunaíma", um marco da literatura modernista brasileira. O livro é baseado em mitos caribes do norte do estado brasileiro de Roraima. A palavra "macunaíma" vem dos termos caribes maku ("mau") e ima ("grande")[8][9].

Em 19 de abril de 1940, índios de todo o continente americano se reuniram na cidade mexicana de Pátzcuaro para debater a situação dos povos indígenas americanos. Desde então, a data passou a ser comemorada como o "dia do índio"[10].

Os uaimiri-atroaris, habitantes dos estados brasileiros do Amazonas e de Roraima, sofreram um grande decréscimo populacional na segunda metade do século XX com a abertura da Estrada BR-174, com o início da exploração de cassiterita na região e com a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina[11][12][13][14]. Em 1961, os índios de fala caribe do Planalto Central Brasileiro (os calapalos, os cuicuros, os matipus, os naruvotus e os naucuás) tiveram seu território protegido através da criação do Parque Indígena do Xingu pelo presidente brasileiro Jânio Quadros, por iniciativa dos irmãos Villas Bôas[15][16][17].

Em 1964, os índios iquipenguis (também chamados ticãos), que habitavam as margens do Rio Jatobá, no centro do estado brasileiro de Mato Grosso, estavam à beira da extinção (contavam com apenas cinquenta indivíduos), devido à guerra com a etnia indígena rival dos uaurás (que fala uma língua do grupo linguístico aruaque[18]) e às doenças trazidas pelos não índios, como a gripe. Nesse momento, os sertanistas irmãos Villas-Boas contactaram o grupo e os convenceram a se transferir para o Parque Indígena do Xingu, a nordeste de seu território[19].

Em 1967, o Serviço de Proteção ao Índio, devido a irregularidades administrativas, foi substituído pela Fundação Nacional do Índio.

Em 1990, o escritor brasileiro Marcelo Rubens Paiva, seguindo as pegadas de seu conterrâneo Mário de Andrade, lançou um livro de ficção baseado em um mito caribe. No caso, o livro era "Ua:brari" e se baseava no antigo mito macuxi de um homem chamado "Ua:brari" que conheceria a passagem para o outro lado do mundo[20].

No início do século XXI, o antropólogo estadunidense Michael Heckenberger divulgou no meio científico a descoberta das cidades de barro caribes no sul da Amazônia Brasileira, desafiando a tese científica predominante de que não houve avançadas civilizações amazônicas pré-colombianas[21]. Curiosamente, as cidades encontradas ficavam na mesma região em que o explorador britânico Percy Fawcett (1867-1925?) havia desaparecido em 1925, enquanto procurava uma lendária cidade desaparecida, apelidada por ele de "Z". Atualmente, uma tribo de índios do Mato Grosso, os calapalos (de fala do grupo caribe), possuem relatos contando como seus antepassados teriam assassinado e enterrado Fawcett.

Em 2005, ocorreu uma vitória para a causa indígena: o presidente brasileiro Lula homologou a Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, no nordeste do estado de Roraima, habitada principalmente pela etnia caribe dos macuxis, não obstante a forte oposição dos plantadores de arroz que almejavam a posse da região.

Em 2012, estreou o filme brasileiro "Xingu", narrando a história da criação do Parque do Xingu. No filme, tiveram participação destacada, na história, os índios calapalos[22]

Referências

  1. http://books.google.com.br/books?id=3cOI6I_9YHoC&pg=PA94&lpg=PA94&dq=origem+dos+karib&source=bl&ots=N8QDendWUQ&sig=AmS9Mv0F9ORXGh4paSjlYDHauyc&hl=pt-BR&ei=UI0CTfL-H4P-8Aao1JDnAg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBoQ6AEwAA#v=onepage&q=origem%20dos%20karib&f=false
  2. http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=92373&id_pov=232
  3. http://books.google.com.br/books?id=175c4xOpLtYC&pg=PA183&dq=arawak+carib+karib&hl=pt-BR&ei=WJMCTbH9HIPGlQf-sPnhCQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CCkQ6AEwAQ#v=onepage&q=arawak%20carib%20karib&f=false
  4. http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=92373&id_pov=232
  5. http://www.ianmunroe.ca/2010/01/amazon-revolution/
  6. http://www.juliomelatti.pro.br/ias-az1/txguoci.htm
  7. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/taurepang
  8. http://books.google.com.br/books?id=--QWq2BuMYUC&pg=PA11&lpg=PA11&dq=macuna%C3%ADma+karib&source=bl&ots=YZ_UFofWgu&sig=_eVxYFIOpkxYUuVJVquO5nUKYoU&hl=pt-BR&ei=CsEETeO3OMOAlAe_88CzCQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBcQ6AEwAA#v=onepage&q=macuna%C3%ADma%20karib&f=false
  9. http://www.angelfire.com/mn/macunaima/
  10. http://brincandocomarte.blogspot.com/2011/04/surgimento-do-dia-do-indio.html
  11. http://br.monografias.com/trabalhos/deslocamento-compulsorio-waimiri-atroari-usina/deslocamento-compulsorio-waimiri-atroari-usina.shtml
  12. http://www.waimiriatroari.org.br/info_waimiri.htm
  13. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waimiri-atroari
  14. http://praticaradical.blogspot.com/2008/05/construo-da-br-174-para-entender-melhor.html
  15. http://www.arara.fr/BBTRIBOS.html#Matipu
  16. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xingu
  17. http://www.xinguofilme.com.br/
  18. http://www.arara.fr/BBTRIBOWAURA.html
  19. http://www.estadao.com.br/especiais/ikpeng-os-exilados-do-parque-do-xingu,127994.htm
  20. http://www.screamyell.com.br/secoes/marcelopaiva.html
  21. http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=94104997
  22. http://www.xinguofilme.com.br/