Audiodescrição de obras do Museu do Ipiranga/Q49903447

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Rua de S. Bento

Rua de S. Bento
 
Ficha catalográfica

Título: Rua de S. Bento
Identificador no Wikidata: Q49903447
Artigo na Wikipédia: Rua de S. Bento (Guilherme Gaensly)
Número de inventário: 1-18540-0000-0000
Criador(a): Guilherme Gaensly
Data: 1905
Coleção: Coleção Museu Paulista, Coleção Cartões Postais, Coleção Museu Paulista
Instância de: cartão postal, impressão, fototipia
Material utilizado: fototipia
Altura: 14,2 centímetros
Largura: 9 centímetros
Localização: Museu Paulista
País de origem: Brasil
Tema principal: Rua São Bento
Retrata: Rua São Bento, São Paulo, rua
Itaú Cultural ID: obra5724/hotel-do-rebechino

 
Audiodescrição

Edite a audiodescrição
= Rua de São Bento, de Guilherme Gaensly (1905) = Rua de São Bento, ou Largo de São Bento, é uma fotografia tirada por Guilherme Gaensly em 1905, retratando a Rua de São Bento, na cidade de São Paulo, no começo do século XX. A fotografia foi idealizada para cartões postais, e por isso foi feita através da fototipia, que permite que muitas cópias sejam extraídas de uma só matriz. Esta cópia, porém, está disponível no Museu do Ipiranga em um quadro de 14,9 por 9 centímetros, ou metade do tamanho de uma folha de papel.

O primeiro plano da foto em branco e preto é ocupado por um carro de bonde elétrico com o destino do bairro da Liberdade, segundo a placa no topo do carro. O bonde está saindo de uma rua cheia de pedestres, passando por uma esquina, e o fotógrafo se coloca à sua frente nos trilhos do bonde, de modo que estão retratados uma série de edifícios em ambos os lados da rua de onde emerge o carro. Os passageiros do carro estão cobertos pela sombra do teto, então só estão na luz alguns braços, vestindo paletós e camisas.

O lado esquerdo da fotografia é dominado por um edifício de estilo neoclássico paulistano, com janelas quase do tamanho de pessoas, e paredes claras cheias de decorações e detalhes nas colunas e bordas. O edifício tem três andares, e a porta se localiza na esquina, abaixo de um andar com uma janela na esquina, e outro, no topo, com duas janelas nesta área. Bem no topo da esquina do edifício o teto é decorado com um floreio arquitetônico em forma de triângulo, com motivos florais e abstratos gravados na pedra. Quase colado ao lado direito do edifício está um poste de luz só um pouco mais baixo que este floreio, e construído de madeira com uma parte de cima composta de tábuas em cruz, cada uma com oito pecinhas de cerâmica branca para os fios elétricos que conectam este posto à outros mais para trás, dos quais somente 3 aparecem na foto. Os fios se conectam também à uma espécie de garfo, conectado em vara de metal do tamanho de uma vassoura, que sai do carro de bonde para alimentá-lo de eletricidade.

O primeiro andar deste edifício é ocupado por uma farmácia, na frente da qual homens de paletó conversam e esperam. O estabelecimento tem duas placas: uma delas, na esquina diz simplesmente "Pharmácia" com PH, o que denota a idade da fotografia, e a outra está parcialmente fora da fotografia, mas a parte que está retratada diz “S. José”, ou São José.  

Entre o bonde e o edifício da Farmácia São José estão alguns pedestres: um homem branco de estatura média, vestindo fraque e chapéu, está na frente de uma carroça puxada por dois cavalos guiados por um homem de terno branco. A carroça, que está logo atrás e à esquerda do bonde, esconde quaisquer outros pedestres atrás, mas ainda do lado esquerdo homens de terno conversam em frente à esquina e uma mulher com um vestido e avental anda à frente de uma carroça de mão carregada de coisas.

Ocupando o canto direito da fotografia, que é mais reduzido pois a perspectiva está um pouco voltada à esquerda, está outro edifício, do qual a foto retrata parte da esquina e lateral voltada para o bonde. O edifício é da mesma altura do que o da esquerda, o que dá uma sensação de equilíbrio e proporção para a foto, mesmo que não sejam totalmente alinhados, e a esquina da direita esteja um pouco mais perto do fotógrafo.

Esta construção é ocupada pelo “Hotel do Rebechino”, segundo uma placa pendurada da pequena sacada na quina do segundo andar, porém uma inscrição menor no primeiro andar aponta para os escritórios de uma granja. O segundo e terceiro andares têm janelas mais finas e altas que do edifício correspondente do outro lado, mas as decorações neoclássicas e floreios gravados diretamente na pedra são semelhantes, se mais pronunciadas na construção que abriga o Hotel do Rebechino. O topo da quina, também diferente, é ocupado por um domo decorado em escamas de pedra, e angulado de maneira a ficar além da borda da fotografia por sua altura.

Na frente do Hotel e dos escritórios da granja alguns homens estão parados, com as mãos na cintura, olhando na direção do fotógrafo, e vestindo camisas, paletós ou jaquetas de trabalho, e chapéus de palha ou tecido. Um pneu de carro está jogado na frente da esquina, e alguns homens sentam-se perto dele, conversando.

Esta fotografia, tirada pelo suíço-brasileiro Gaensly, tinha a intenção de decorar cartões postais que mostrariam como a cidade havia crescido durante o fim do século XIX e começo do XX, período em que o crescimento econômico enorme e as ondas de imigrantes de diversos países transformaram a cidade. A ideia era demonstrar como a cidade de São Paulo era uma metrópole moderna, com edifícios neoclássicos como os que hoje podem ser encontrados no centro da cidade de São Paulo, e o bonde elétrico que transportava os cidadãos de forma muito mais moderna e sofisticada que uma carroça. A movimentação intensa de pessoas também serve para gerar esta impressão de uma metrópoles crescente, mas a presença da carroça atrás do bonde também indica que São Paulo ainda estava com um pé no passado, e um no futuro.