A cidade do Rio de Janeiro no século dezesseis/Segunda metade

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Na década de 1550, os temiminós instalados na atual Ilha do Governador, no meio da Baía de Guanabara, pediram ajuda a uma nau portuguesa que passava pela região, pois estavam sendo dizimados pelos tupinambás. Como resultado, os temiminós, liderados por Maracajá-Guaçu, foram levados pelos portugueses para a Capitania do Espírito Santo.[1] Em 1553, o governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, visitou a baía de Guanabara em companhia do padre jesuíta Manoel da Nóbrega em sua viagem de inspeção pela costa brasileira. Tomé de Sousa havia assumido o cargo quatro anos antes. Após a visita à Baía de Guanabara, Tomé recomendou, em carta ao rei português dom João III, a criação de uma cidade no local.

Tomé de Sousa
Rei português dom João III, o Piedoso
Gravura do livro "História Verdadeira...", mostrando Staden presenciando um banquete canibal dos tupinambás

Em 31 de outubro de 1554, o aventureiro alemão Hans Staden, que havia passado nove meses preso em poder dos tupinambás do litoral oeste do atual estado do Rio de Janeiro, zarpou da Baía de Guanabara rumo à França, à bordo do navio francês Catherine de Vatteville. Chegando na Alemanha, Staden fez imprimir, em 1557, em Marburgo, o livro "História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com essa Impressão", narrando as suas aventuras no Brasil. No livro, Staden relata que o porto do Rio de Janeiro também era chamado de "Niterói" pelos índios.[2]

Os navegadores franceses eram presença constante na Baía de Guanabara, onde realizavam trocas comerciais com os tupinambás que dominavam a maior parte da baía. Em 1555, uma expedição francesa comandada por Nicolas Durand de Villegaignon partiu de Dieppe, na Normandia e chegou à Baía de Guanabara com o objetivo de fundar uma colônia, a França Antártica. Da expedição, fazia parte o monge capuchinho André Thévet, que escreveria a famosa obra Les Singularitez de la France Antarctique, autrement Nommeé Amérique, & de Plusieurs Terres et Isles Decouvertes de Nostre Temps (em língua portuguesa, "As Singularidades da França Antártica, também Nomeada América e de Mais Terras e Ilhas Descobertas de Nossos Tempos") descrevendo a colônia francesa na Baía de Guanabara. A colônia tinha, por objetivo, controlar o comércio com as Índias.

Rei Henrique III da França
Mapa francês de 1555 da Baía de Guanabara
Página de As Singularidades da França Antártica. A ilustração descreve o canibalismo dos tupinambás.
Em primeiro plano, a Ilha da Laje, em pintura de Leandro Joaquim do século XVIII
A atual Escola Naval ocupa a ilha onde Villegaignon construiu o Forte Coligny. Atualmente, a ilha denomina-se Villegaignon em homenagem ao militar francês que a ocupou inicialmente.
Retrato de André Thévet feito por Thomas de Leu em 1586

Ao contrário dos portugueses, que tinham uma relação hostil com os tupinambás senhores da região, os franceses conseguiram conquistar a confiança dos mesmos. Em grande parte, devido à intenção dos franceses de apenas comerciar com os indígenas, ao contrário dos portugueses, que procuravam escravizar os indígenas para utilizá-los nas plantações de cana-de-açúcar de São Vicente. Os franceses compravam pau-brasil, pimenta, algodão, macacos e papagaios dos tamoios, bem como se utilizavam de sua mão de obra na construção do forte francês. O pagamento dos franceses era feito com contas de vidro, panos, espelhos, roupas, chapéus, anzóis, machados e facas. Segundo o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, os franceses se uniram às índias locais, gerando mais de mil mestiços que povoaram toda a região da Baía de Guanabara.[3] Tal pode ser a origem do atual sotaque carioca, que é caracterizado pelo "erre"[4][5][6] típico do francês e inexistente no português de Portugal e dos demais estados brasileiros, nas línguas indígenas brasileiras e nas línguas dos negros africanos.

Villegaignon instalou-se inicialmente em um pequeno afloramento rochoso na entrada da Baía de Guanabara, a Ilha da Laje, chamada pelos franceses de ilha Ratoeira (Isle Ratier). Porém, rapidamente, os franceses constataram que, durante a maré alta, a ilha ficava completamente submersa. Isso fez com que os franceses se transferissem para uma ilha maior e mais no interior da baía: a ilha chamada pelos indígenas de Siri'ype ("Na Água de Siri", em tradução literal do tupi para o português), onde os franceses construíram o forte Coligny (nome em homenagem ao almirante francês responsável pela expedição de Villegaignon: Gaspard de Châtillon, o Conde de Coligny). Os franceses também começaram a construir uma cidade em Uruçumirim chamada de Henriville, em homenagem ao rei francês Henrique III.

Escultura no Centro do Rio de Janeiro homenageando o primeiro culto protestante nas Américas, realizado por huguenotes na atual ilha de Villegaignon

Em 1557, o sobrinho de Villegaignon, Bois-le-Compte, chegou à baía de Guanabara com o reforço de protestantes franceses, os chamados huguenotes. O grupo desembarcou no forte Coligny no dia 10 de março, e logo realizou um culto de ação de graças. A cerimônia ficou marcada como tendo sido o primeiro culto protestante nas Américas.[1]

Entre os recém-chegados huguenotes, fazia parte o sapateiro e cronista da viagem Jean de Léry, que escreveria, mais tarde, a famosa obra Histoire d'un Voyage Faict en la Terre du Brésil ("História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil") descrevendo a colônia francesa. Entre as observações de Léry sobre os nativos tupinambás, destaca-se o registro da existência de uma aldeia indígena no sopé do atual Outeiro da Glória, em uma das foz do Rio Carioca. Tal aldeia se chamava Karioka (traduzido da língua tupi, significa "casa de carijó". "Carijó" era o nome de uma etnia indígena que habitava o litoral do sul do Brasil) e, segundo alguns autores, teria dado origem ao atual gentílico da cidade do Rio de Janeiro, "carioca".[7]

No total, Léry contabilizou a existência de 32 aldeias tupinambás ao redor da baía de Guanabara, na época. Além da Karioka (ou Kariók ou Karióg), existiam a de Uruçumirim ou Abruçumirim, na outra foz do rio Carioca, na atual praia do Flamengo; a Kariane, na atual Lagoa Rodrigo de Freitas; e a Katiné, a Kiriri, a Anaraú e a Purumuré, nos morros de Santo Antônio e Santa Teresa. O navegador francês André Thevet, autor da obra Les singularitez de la France Antartique, contou 36 aldeias tupinambás na atual ilha do Governador: entre elas, Paranapucuhy, Pindó-usú, Koruké, Pirayijú e Coranguá. Na atual Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, existiam as aldeias Pavuna, Irajá, Catiú, Savigahy e Taly.[8]

Ilustração de "História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil" mostrando a saudação com choro típica dos índios brasileiros

Em 1559, Villegaignon foi obrigado a retornar para a França para defender-se de acusações de pastores protestantes que haviam vindo com a expedição de Bois-le-Compte. Os protestantes franceses sentiam-se discriminados e perseguidos por Villegaignon na França Antártica. Porém esse não era o único conflito no interior da colônia francesa: Villegaignon também desagradou aos católicos que se relacionavam com várias índias e que foram obrigados por Villegaignon a optar por apenas uma delas, com a qual deveriam se casar. A revolta levou a uma conspiração para assassinar Villegaignon, a qual porém não teve sucesso, levando ao enforcamento de seus líderes. Em 1560, uma expedição portuguesa comandada pelo terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá (1558-1572), atacou e destruiu o forte Coligny.[9]

Desenho representando o ataque português contra o forte Coligny ao centro, na ilha chamada pelos portugueses de ilha das Palmeiras

Mem de Sá havia sido alertado, em Salvador, sobre a presença francesa na Baía de Guanabara pelo fugitivo francês Jean de Cointa. Os franceses sobreviventes se refugiaram em Uruçumirim (o atual outeiro da Glória) e na Ilha de Paranapuam (a atual Ilha do Governador), chamada também de Ilha do Gato ou do Maracajá. Apesar da vitória, Mem de Sá não pôde deixar soldados tomando conta da Baía de Guanabara devido à falta de recursos e de soldados disponíveis. A vitória de Mem de Sá foi transformada em uma epopeia renascentista escrita em latim pelo padre jesuíta José de Anchieta, chamada De Gestis Mendi de Saa ("Os Feitos de Mem de Sá").[10]

Em 1 de março de 1565, o sobrinho do governador-geral Mem de Sá, Estácio de Sá, chegou à Baía de Guanabara chefiando uma expedição militar portuguesa que tinha por objetivo expulsar definitivamente os franceses da região. A expedição contava com índios aliados tupiniquins (provenientes da capitania de São Paulo) e temiminós (da capitania do Espírito Santo). Estes últimos, chefiados por Arariboia, o filho do líder temiminó Maracajá-Guaçu, que já havia morrido.

Quadro de Benedito Calixto retratando a partida de Estácio de Sá de São Vicente para a baía de Guanabara, em 1565. Em São Vicente, Estácio de Sá recrutou portugueses e índios tupiniquins para reforçar suas tropas compostas por portugueses e índios temiminós da Capitania do Espírito Santo.
Estátua de Arariboia em Niterói

Nesse dia, Estácio fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no sopé do Morro Cara de Cão, na entrada da baía de Guanabara. O nome era uma homenagem ao rei de Portugal, dom Sebastião I.

Retrato de dom Sebastião I feita por Cristóvão de Morais em 1565
Igreja dos Capuchinhos, no Rio de Janeiro, onde se encontram os restos mortais de Estácio de Sá. Na fachada da igreja, o desenho retrata a fundação da cidade por Estácio de Sá em 1565.
Brasão da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro instituído por Estácio de Sá em 1565. As flechas são uma alusão às flechas disparadas contra são Sebastião e às quais o santo teria conseguido miraculosamente sobreviver. Ao centro, está representada uma esfera armilar, que era um instrumento astronômico utilizado pelos navegadores para orientação.
A atual Fortaleza de São João ocupa o lugar onde Estácio de Sá fundou a cidade em 1565
Desenho na Igreja de São Sebastião, na Tijuca, retratando a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no sopé do Morro Cara de Cão. O morro da esquerda é o Pão de Açúcar.

Ao mesmo tempo em que era fundada a cidade, Estácio de Sá iniciou a construção de uma estrutura militar para defendê-la: o reduto de São Martinho. O qual, três meses depois, resistiu ao primeiro ataque terrestre e naval dos índios tupinambás que dominavam a Baía de Guanabara. Um mês depois, ao demarcar os limites da cidade, Estácio doou a região da enseada que ficava em frente ao Morro Cara de Cão (a atual Enseada de Botafogo) a seu companheiro Antônio Francisco Velho.

Em primeiro plano, a enseada de Botafogo. O pequeno morro verde ao centro é o morro Cara de Cão, no sopé do qual foi fundada a cidade por Estácio de Sá.

As escaramuças entre portugueses, temiminós e tupiniquins, de um lado e tupinambás e franceses, de outro, se prolongaram pelos dois anos seguintes. Em 1566, o jesuíta José de Anchieta, que havia fundado a cidade de São Paulo de Piratininga em 1554, foi enviado a Salvador, então capital do Brasil, para informar a Mem de Sá sobre a situação dos confrontos na Baía de Guanabara.

José de Anchieta

Em uma dessas batalhas, ocorrida em julho de 1566, soldados portugueses relataram ter visto São Sebastião, o padroeiro da cidade recém-fundada, auxiliando-os. Foi a célebre Batalha das Canoas.[11]

Estátua de são Sebastião construída em 1965 no sopé do outeiro da Glória, no local onde o santo teria ajudado os portugueses em 1566 a vencer a batalha das Canoas[12]

Em 20 de janeiro de 1567, ocorreu uma vitória decisiva das forças portuguesas, em uma batalha na paliçada tupinambá de Uruçumirim (no atual outeiro da Glória). Na ocasião, Estácio de Sá foi ferido com uma flecha no olho, vindo a falecer um mês depois.

Monumento a Estácio de Sá erigido em 1973

A esta altura, as forças portuguesas já contavam com os reforços de Mem de Sá, de Cristóvão de Barros (navegador português que viria a fundar a cidade de São Cristóvão, em Sergipe, em 1590, e que era filho de Antônio Cardoso de Barros, que havia sido devorado pelos índios caetés no litoral de Alagoas, juntamente com o bispo Pero Fernandes Sardinha, em 1556) e dos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.[13]

Gravura do século XVI de Theodor de Bry retratando o ataque de portugueses e tupiniquins às aldeias tupinambás que se localizavam às margens da Baía de Guanabara

Com a expulsão dos franceses e a derrota dos tupinambás, os portugueses puderam ocupar toda a região da Baía de Guanabara. A cidade de São Sebastião foi transferida para Uruçumirim (no atual outeiro da Glória), que se localizava em um terreno mais apropriado para a expansão da cidade que o sopé do morro Cara de Cão. Logo em seguida, no entanto, a cidade foi novamente transferida. Desta vez, para o morro de São Januário, que oferecia uma melhor capacidade de defesa, por estar em uma posição mais elevada, ser cercada por pântanos e oferecer vista privilegiada tanto para a entrada quanto para o interior da baía. Foi transladado, para o morro de São Januário, o marco de pedra da fundação da cidade, porém os restos mortais de Estácio de Sá permaneceram no núcleo inicial da cidade no morro Cara de Cão. Alguns moradores também permaneceram nesse núcleo, que passou a ser chamado de Cidade Velha. Aos temiminós do cacique Arariboia, que haviam auxiliado os portugueses na luta, foi concedida, inicialmente, a posse da região do atual bairro de São Cristóvão (embora os temiminós reivindicassem a ilha do Governador, que era seu território ancestral e da qual haviam sido expulsos pelos tupinambás).

A primeira via de acesso para o morro de São Januário foi a ladeira da Misericórdia, que ainda existe e que é a única parte do morro que permaneceu após este ser destruído na preparação para a Exposição de 1922.

Ladeira da Misericórdia, ao lado da igreja de Nossa Senhora da Misericórdia

Ainda no ano de 1567, os padres jesuítas fundaram uma escola no morro de São Januário e o governador Mem de Sá começou a construir a fortaleza de São Sebastião, os muros da cidade ao redor do morro, a câmara, a cadeia, a casa do governador, os armazéns-gerais e a Bateria de Santiago, esta última localizada na ponta que avançava sobre o mar entre as praias da Piaçaba e de Santa Luzia.[14]

Em 1568, Mem de Sá retornou a Salvador e deixou, como governador da Capitania do Rio de Janeiro (o novo nome do lote setentrional da Capitania de São Vicente), o seu sobrinho Salvador de Sá, que iniciou a construção da Igreja Matriz de São Sebastião.[15] Salvador de Sá possuía um engenho de açúcar na Ilha de Paranapuã. Por esse motivo, a ilha passou a chamar-se Ilha do Governador.[16]

Salvador de Sá, em litografia de 1841 de Manuel Luís
Brasão da ilha do Governador, com a efígie de Salvador de Sá

Ainda em 1568, foi criada a rua Desvio do Mar, que saía da rua Direita (atual rua 1º de Março), acompanhando o litoral da época. Tal rua foi renomeada, em 1590, como rua de Aleixo Manuel. Posteriormente, a rua ganharia sua atual denominação: rua do Ouvidor.[17]

De 1570 a 1573, o colégio dos Jesuítas na cidade foi dirigido por José de Anchieta. Em 1572, o reduto de São Martinho, no morro Cara de Cão, recebeu o reforço do reduto de São Teodósio. Em 1573, os temiminós, que ocupavam a região do atual bairro de São Cristóvão, foram transferidos para a região da atual cidade de Niterói, no outro lado da entrada da baía de Guanabara, com a finalidade de proteger a entrada da baía.[18][19] Em 1576, foi criado o engenho do Rei, no local do atual bairro do Jardim Botânico,[20] pelo governador Antônio Salema. Para expulsar os índios tupinambás que ocupavam o local, Salema espalhou roupas infectadas com o vírus da varíola no local, dizimando os índios. Na mesma época, Salema tentou construir, sem sucesso, um engenho de cana-de-açúcar na região do atual largo do Machado. Visando a facilitar o transporte para o engenho do Rei, foi construída uma ponte sobre o rio Carioca na região da atual praça José de Alencar.

Em 1578, foi concluído o reduto de São José, no morro Cara de Cão, localizado bem na entrada da baía de Guanabara. Em 1582, Aleixo Manuel, o Velho, construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição no alto de um morro, o que fez com que o morro passasse a ser chamado de Morro da Conceição, denominação que conserva até hoje. No mesmo ano, foi fundado o hospital da Misericórdia, uma construção em taipa (barro com armação de madeira) no sopé do morro de São Januário. O átrio da Igreja da Misericórdia, que era anexa ao hospital, serviu de cenário para a encenação de peças do padre jesuíta José de Anchieta.[21]

Em 1585, foi concluída a Igreja Matriz de São Sebastião, no Morro de São Januário. A igreja passou a ser a catedral da cidade. Devido ao aspecto militar que o morro começava a assumir, o morro passou a ser chamado de Morro do Castelo. Em outubro de 1589, chegaram, na cidade, os monges beneditinos Pedro Ferraz e João Porcalho. Eles eram procedentes do Mosteiro de São Bento de Salvador, na Capitania da Baía de Todos os Santos e haviam vindo para a cidade a convite dos moradores locais. Em março do ano seguinte, os monges receberam, por doação dos nobres portugueses Manoel de Brito e seu filho Diogo de Brito de Lacerda, um vasto terreno na cidade. O terreno incluía o atual Morro de São Bento, no topo do qual os monges começaram a edificar o atual Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.[22]

Em 1590, João de Souza Pereira, apelidado de Botafogo por ter sido o chefe da artilharia do galeão português Botafogo (na época, o mais poderoso navio de guerra do mundo), comprou a Praia de Francisco Velho, que passou a ser chamada de Praia de Botafogo. Em 1592, foi construída uma capela na Praia de Santa Luzia que daria origem à atual Igreja de Santa Luzia.

Pintura retratando a Igreja de Santa Luzia em 1844

Em 1593, os monges beneditinos do Morro de São Bento compraram, através de leilão, a ilha localizada em frente ao morro, chamada de Ilha das Cobras.[23] Em 1599, invasores neerlandeses sob o comando de Van Noort desembarcaram na praia da Aguada dos Marinheiros, antigamente chamada de Uruçumirim, mas foram repelidos pela população. Desde então, a praia começou a ser chamada de "praia do Flamengo", termo que se mantém até hoje. Na época, todos os falantes de língua neerlandesa, incluindo os naturais dos atuais Países Baixos, como era o caso de Van Noort, eram chamados de flamengos, termo que, atualmente, é reservado apenas aos naturais da região belga de Flandres.

Olivier van Noort, o navegador neerlandês que, entre 1598 e 1601, atacou diversas colônias espanholas na América e na Ásia, incluindo o Rio de Janeiro, que pertencia à Espanha na época devido à União Ibérica
Praia do Flamengo

Referências

  1. http://www.caminhodearariboia.kit.net/cogitacoes.htm
  2. STADEN, H. Duas Viagens ao Brasil. Tradução de Angel Bojadsen. Porto Alegre/RS. L&PM. 2010. pp. 8-9, 119-123
  3. RIBEIRO, D. O povo brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo. Companhia das Letras. 1995. p. 85.
  4. DERIEL. Dúvida sobre a questão do R retroflexo. 9 de outubro de 2003. Disponível em http://forum.valinor.com.br/archive/index.php/t-16408.html. Acesso em 22 de julho de 2012.
  5. BUENO, E. P. (In)Tolerância linguística e cultural no Brasil. Revista Espaço Acadêmico número 31. Dezembro de 2003. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/031/31bueno.htm. Acesso em 22 de julho de 2012.
  6. MARTINS, L. O "padrão Globo" muda o jeito de falar de alguns jornalistas. 16 de maio de 2011. Disponível em http://leandrojornalista.blogspot.com.br/2011/05/o-padrao-globo-muda-o-jeito-de-falar-de.html. Acesso em 22 de julho de 2012.
  7. NAVARRO, E. A. Método Moderno de Tupi Antigo. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 187
  8. PERES, G. Ocupações indígenas na baía de Guanabara: primeiros ocupantes. Disponível em http://historiasdabaixadafluminense.blogspot.com.br/2010/08/ocupacoes-indigenas-na-baia-de.html. Acesso em 26 de julho de 2012.
  9. http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/hrsxvi.htm
  10. http://www.ipahb.com.br/generali.php
  11. BUENO, E. A. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 80.
  12. Tour das estátuas. Disponível em http://www.sindegtur.org.br/2010/arquivos/b10.pdf. Acesso em 22 de janeiro de 2014.
  13. folheto do centro de visitantes do monumento à Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. 2011
  14. http://www.museuhistoriconacional.com.br/
  15. http://www.marcillio.com/rio/enceesca.html
  16. http://www.almacarioca.com.br/historia.htm
  17. http://pt.wikisource.org/wiki/Mem%C3%B3rias_da_Rua_do_Ouvidor/I
  18. SANT'ANNA, C. J. B. Martim Afonso Arariboia: cobra feroz das tempestades. Disponível em http://www.clerioborges.com.br/temiminosarariboia.html. Acesso em 22 de julho de 2012.
  19. Mural - Arariboia. Boa Viagem Flat Service. Disponível em http://boaviagemflat.com.br/arariboia. Acesso em 22 de julho de 2012.
  20. http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/hrsxvi.htm
  21. http://www.marcillio.com/rio/encemaib.html
  22. ROCHA, M. R. The Church of the Monastery of Saint Benedict of Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992. pp.8,14,28
  23. ROCHA, M. R. The Church of the Monastery of Saint Benedict of Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992. p.8