Utilizador:Miguel Anjos/rascunhos embalagem

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Função das embalagens[editar | editar código-fonte]

=Tipos de embalagem[editar | editar código-fonte]

É corrente distinguir cinco níveis da embalagem: primária, secundária e terciária ou de transporte, embalagem Quaternária e embalagem de quinto nível.

.A embalagem primária (por exemplo a lata, a garrafa ou o saco) está em contacto directo com o produto e é normalmente responsável pela conservação e contenção do produto. .A embalagem secundária (como é o caso das caixas de cartão ou cartolina) contém uma ou várias embalagens primárias e é normalmente responsável pela protecção físico-mecânica durante a distribuição. A embalagem secundária é, muitas vezes, também responsável pela comunicação, sendo o suporte da informação, principalmente nos casos em que contém apenas uma embalagem primária, como por exemplo as caixas de cereais pequeno-almoço que contêm um saco de cereais.

.A embalagem terciária agrupa diversas embalagens primárias ou secundárias para o transporte, como a caixa de cartão canelado ou a grade plástica para garrafas de bebidas. A escolha de embalagens deste tipo depende de: - natureza da embalagem individual (rígida, semi-rígida ou flexível); - esquema de paletização (dimensionamento da embalagem colectiva com vista a maximizar o aproveitamento da palete); - custos.

.A embalagem Quaternária, São embalagens que facilitam a movimentação e a armazenagem Exemplo: contentor

.A Embalagem de Quinto nível é a embalagem conteinerizada, ou embalagens especiais para envios de longa distância.

As embalagens primárias são agrupadas em cargas unitárias, em paletes de madeira ou plásticas, estabilizadas com filme estirável, termo retráctil ou com cintas.


Uma embalagem tem como obrigação cumprir 4 funções vitais que são a protecção, a conservação, a informação e a função associada ao serviço ou à conveniência na utilização.

FUNÇÃO DE PROTECÇÃO: A embalagem deve antes de tudo oferecer protecção contra danos físico-mecânicos que ocorrem no circuito de transporte e distribuição, como choques e impactos, vibração e compressão fruto do empilhamento das embalagens. Normalmente estes factores físicos põem em causa mais a qualidade do produto e não tanto a segurança, na medida em que quando a protecção que a embalagem oferece não é adequada, há perda parcial ou mesmo total de produto que não chega assim a ser consumido. A embalagem desempenha sim um papel fundamental na segurança do produto na medida em que previne ou evidencia a abertura ou intrusão, o que pode significar adulteração ou perda de integridade do produto. Esta perda de integridade pode ser acidental, fruto de erros ou defeitos considerados normais nos processos e embalagens, ou provocada pelas razões mais diversas como vingança em relação a uma loja, um produto ou uma pessoa, extorsão ou outra forma de ganho de dinheiro, publicidade, pura malvadez, etc. A adulteração provocada ou violação de produtos não é confinada a um grupo específico de produtos tendo-se registado casos em produtos de higiene e médico–farmaceuticos, como comprimidos analgésicos, gotas oftalmológicas, sprays nasais, pasta dos dentes, e produtos alimentares, como pacotes de açúcar, chocolates, “baby food”, snacks, bebidas refrigerantes, etc. A alteração provocada ou violação de produtos não é uma questão recente conhecendo-se casos desde os anos 20, mas o problema ganhou outra dimensão desde o caso ocorrido em 1982 nos USA em que várias pessoas morreram como consequência da ingestão de comprimidos Tylenol que tinham sido adulterados. A partir daí o número de casos registados, falsos alarmes e ameaças de adulteração/violação de produto não parou de aumentar e provocou uma mudança na forma como o consumidor vê a embalagem e na importância que lhe atribui. Hoje, a FDA requer que certos produtos, nomeadamente os medicamentos de venda livre, tenham um sistema de embalagem “à prova de intrusão” ou com “evidência de abertura”. No sector alimentar e de bebidas, há uma tendência para o uso generalizado de sistemas de embalagem com evidência de abertura para protecção da integridade do produto e da imagem do próprio produto e da empresa.

A FDA define sistema de embalagem com evidência da abertura da seguinte forma: “Packaging having an indicator or barrier to entry which, if breached or missing, can reasonably be expected to provide visible or audible evidence to consumers that tampering has occurred” (A embalagem deve ter um indicador ou barreira, que se quebrada ou estando em falta, deve se esperar de uma forma razoável deve alertar o consumidor que a embalagem já foi aberta). Encontram-se disponíveis diversos sistemas como as típicas bandas de plástico termo-retrácteis para garrafas e frascos, embalagens tipo “blister”, tampas metálicas com botão indicador de vácuo, bisnagas com orifício fechado, selos interiores para frascos de vidro e plásticos, fitas gomadas especiais para caixas de transporte, etc.


FUNÇÃO DE CONSERVAÇÃO: a embalagem deve manter a qualidade e a segurança do produtos, prolongando a sua vida-útil e minimizando as perdas de produto por deterioração. Para isso, a embalagem deve controlar factores como a humidade, o oxigénio, a luz e ser uma barreira aos microorganismos presentes na atmosfera envolvente e impedir o seu desenvolvimento no produto. A embalagem deve também sem constituída por materiais e substâncias que não migrem para o produto, em quantidades que possam por em risco a segurança dos consumidores ou alterar as características organolépticas do produto.


A embalagem faz muitas vezes parte integrante do processo de preparação e conservação do alimento. Ela é concebida e adaptada a uma certa tecnologia (função tecnológica e industrial) para a qual é completamente indispensável, desempenhando assim um papel activo, como no processamento térmico, no acondicionamento asséptico e na atmosfera modificada:

- PROCESSAMENTO TÉRMICO: as embalagens devem ser perfeitamente herméticas, resistir a temperatura do processo e permitir as variações de volume do produto durante o processo, sem perigo de deformação permanente e sem comprometer a recontaminação pós-processo.


- ACONDICIONAMENTO ASSÉPTICO: o produto é esterilizado separadamente e introduzido assepticamente numa embalagem também estéril. A embalagem deve ser adequada ao processo de esterilização e permitir o enchimento do produto processado e o fecho em condições perfeitamente assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas.


- EMBALAGEM EM ATMOSFERA MODIFICADA: consiste no acondicionamento sob uma atmosfera cuja composição é diferente da do ar normal, usando-se normalmente uma mistura de oxigénio, dióxido de carbono e azoto, ou em alguns casos, apenas azoto como gás inerte. Na maioria dos produtos a conservação é também feita sob refrigeração. Esta tecnologia de processamento requer máquinas de acondicionamento eficientes e materiais de embalagem com permeabilidade selectiva e controlada, que permitem manter na atmosfera gasosa interna da embalagem, proporções constantes ou dentro de determinados limites dos diferentes gases, não obstante o metabolismo activo dos produtos embalados.


-FUNÇÃO DE INFORMAÇÃO:A embalagem é o principal suporte de informação sobre o produto quer a nível da distribuição e venda, quer a nível do consumidor. No primeiro caso a informação incide sobre a gestão de stocks, preço, identificação e rastreabilidade do produto e instruções de armazenamento e manuseamento. A nível do consumidor é incluída a informação requerida pela legislação da rotulagem alimentar, como a designação e tipo do produto, o responsável pela colocação no mercado, a lista de ingredientes e a quantidade líquida, a data de consumo, a identificação do lote, as condições de conservação e de preparação ou utilização.

A nível da segurança alimentar é importante salientar os aspectos da informação sobre as condições de armazenamento, conservação e emprego que contribuem para a utilização do produto no prazo e em condições onde a sua qualidade e segurança é em princípio garantida. Há também a ter em conta a informação incluída na embalagem para rastreabilidade do produto (como o nº do lote) que permite, no caso de ocorrência de problemas com matérias-primas, processo, ou outros, localizar, limitar e recolher produto defeituoso ou que possa pôr em risco a segurança do consumidor.

Mais recentemente, a embalagem pode adicionalmente fornecer informação sobre as condições de temperatura (perfil de temperatura e tempo) que ocorreram no percurso para distribuição do produto se tiver associado um indicador/integrador de tempo/temperatura (TTI). Estes indicadores são particularmente úteis nos produtos distribuídos e comercializados sob refrigeração ou congelação, e consistem em sensores que evidenciam uma mudança física (normalmente de cor ou de forma) como resposta à história de temperatura a que o sensor esteve sujeito. O sensor pode ter a forma de etiqueta ou ser incorporado na própria embalagem de forma a monitorar as condições de temperatura a que o produto acondicionado está sujeito durante o transporte, distribuição e armazenamento. Os TTI´s podem ser classificados em três grandes grupos de acordo com o tipo de resposta que exibem à temperatura:

- história total: quando respondem à temperatura em função do tempo logo após activação, - história parcial: quando respondem à temperatura em função do tempo mas só a partir do ponto em que determinada temperatura é atingida - abuso: quando respondem só à temperatura, exibindo resposta quando determinado valor é atingido independentemente do tempo que o produto permanece a essa temperatura.

O princípio de funcionamento dos TTI´s baseia-se em mecanismos de natureza físico-química como reacções de fusão ou de polimerização, de natureza enzimática ou microbiológica. A Figura B.3 mostra alguns exemplos de TTI´s comercialmente disponíveis. Os principais requisitos dos TTI´s são os seguintes:

- facilidade de activação; - resposta exacta, rápida e irreversível à temperatura ou ao efeito cumulativo e combinado do tempo e da temperatura; - resposta correlacionada com o mecanismo de deterioração do alimento; - resposta correlacionada com o perfil tempo/temperatura da cadeia de distribuição e condições de armazenamento


Estes sensores podem, efectivamente, constituir uma ferramenta ao serviço da segurança dos produtos, na medida em que ao exibir uma mudança visível quando determinada temperatura foi atingida, ou quando determinada temperatura se manteve durante um determinado período de tempo, o consumidor é informado do estado do produto. Apesar das vantagens e benefícios que o uso dos TTI´s podem trazer, há aspectos que ainda não se encontram solucionados e que de alguma forma têm impedido a sua utilização mais generalizada, como o custo e a relação entre a informação que o indicador dá com a indicação legal da data de consumo.


-FUNÇÃO DE CONVENIÊNCIA OU SERVIÇO: A embalagem é também muito importante na perspectiva da utilização e consumo final do produto. Neste aspecto, no entanto, além de contribuir para a segurança do produto, a embalagem deve ser concebida de forma a não ser ela própria um risco para o consumidor. Exemplos de questões ligadas à função de serviço da embalagem são:

-a abertura-fácil (como os tampos metálicos das latas de conservas);

- o fecho entre utilizações (que permite uma melhor conservação do produto quando ele não é consumido de uma vez só);

- a possibilidade de aquecer ou mesmo cozinhar o produto na própria embalagem e a utilização em fornos microondas (que levanta questões adicionais a nível dos materiais em contacto com os produtos, dado as elevadas temperaturas);

- a eventual ruptura de uma embalagem com a elevada pressão interna (como as garrafas em vidro de bebidas carbonatadas) podendo provocar ferimentos no utilizador (a este respeito importa referir a importância dos rótulos tipo manga plástica que são usados em algumas garrafas também para protecção em caso de quebra com propagação de estilhaços);

- a reutilização de embalagens (com os problemas potenciais de contaminação química e microbiológica das embalagens usadas);

- etc.