Islamismo/História

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Ilustração de um livro afegão de 1425 mostrando Maomé recebendo a visita do anjo Gabriel
Inscrição em árabe significando "Que a paz (salam) esteja com você"
Maomé em Medina
Gravura de 1315 mostrando Maomé colocando a Pedra Negra em seu lugar definitivo na Caaba
Carbala, no Iraque, durante a axura de 2008
Localização de Carbala no Iraque

O islamismo teve início quando Maomé, um comerciante da cidade de Meca, na Península Arábica, se retirou para uma caverna nos arredores da cidade para meditar no ano 610. Na caverna, situada no Monte Hira, Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe mandou recitar versos que lhe teriam sido enviados por Deus e lhe comunicou que ele, Maomé, fora escolhido para ser o último profeta enviado por Deus à humanidade. Os versos foram posteriormente redigidos, formando o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Maomé começou, então, a pregar, em sua cidade, os ensinamentos que recebera na caverna. As pessoas que aceitaram esses ensinamentos passaram a ser conhecidos como "muçulmanos", ou seja, "aqueles que se submetem à vontade de Deus, aqueles que estão em paz, aqueles que são puros, aqueles que obedecem à vontade de Deus", a partir da raiz etimológica árabe salam, que significa "paz, pureza, submissão, obediência". Esta mesma raiz etimológica originou o nome da comunidade de seguidores de Maomé, o Islã[1]. Porém os adeptos da nova religião foram hostilizados pela população e Maomé teve de fugir para a cidade próxima de Iatribe, a atual Medina, no ano 622. Essa fuga recebeu o nome de Hégira (Hijra) e deu início ao atual calendário muçulmano.

Em Medina, a pregação de Maomé foi melhor recebida. Formou-se uma comunidade muçulmana na cidade sob a liderança de Maomé. Medina começou então a ser atacada por Meca, que temia o crescimento da nova religião fundada por Maomé, a qual condenava o politeísmo praticado em Meca e que gerava grandes lucros para a elite local. Os confrontos se intensificaram até a vitória final de Medina.

Em Meca, Maomé destruiu os ídolos que ficavam no templo da Caaba, preservando somente a Pedra Negra, um meteorito negro de cinquenta centímetros de diâmetro. Maomé decretou que a Caaba, daí em diante, seria o centro da nova religião. Os muçulmanos não se deram satisfeitos com a conquista de Meca e continuaram sua expansão conquistando militarmente toda a Península Arábica, o Oriente Médio, o norte da África e a Pérsia.

Em 632, morreu Maomé, desencadeando uma disputa pela sua sucessão como líder dos muçulmanos, ou califa. Abu Bakr foi declarado oficialmente como seu sucessor, porém muitos muçulmanos preferiram apoiar Ali ibn Abu Talib, primo e genro de Maomé. Os que apoiaram Ali passaram a ser chamados de "xiitas", de Shiat Ali ("Partido de Ali"). Os demais muçulmanos passaram a ser conhecidos como "sunitas", de suna ("caminho trilhado"), pois eles seguem apenas aquilo que Maomé determinou ao longo de sua vida.

Em 680, morreu Hussein, filho de Ali, em Carbala, transformando esta atual cidade iraquiana em centro de peregrinação para os xiitas durante a festa chamada axura.

Com o apoio dos berberes do norte da África, o islamismo alcançou a Península Ibérica no século VIII. No mesmo século, surgiu uma dissidência dos xiitas: o ismaelismo. Os comerciantes árabes propagaram a religião muçulmana pela África Ocidental, África Oriental e os atuais territórios da Indonésia e Malásia, a partir do século II. Nesse século, surgiu uma dissidência do ismaelismo: os chamados drusos. Em 1058, nasceu Al-Ghazali, na Pérsia. Al-ghazali viria a desenvolver uma interpretação mais mística do islamismo, chamada sufismo, que dava mais valor à postura interior do que aos rituais exteriores da religião. Em 1207, nasceu, na então província persa de Balkh, atualmente no Tadjiquistão, o poeta Rumi, que também viria a se destacar dentro do sufismo. Após sua morte, seus seguidores fundaram, na cidade de Konya, na atual Turquia, a ordem sufi Mevlevi, conhecida pela prática de uma dança peculiar em que os seus praticantes, os dervixes, giram em torno de si com a finalidade de obter o êxtase e a comunhão com Deus.

Os mogóis afegãos conquistaram a Índia e disseminaram o islamismo nesse país e em toda a Ásia Central no século XIII. Sob a liderança dos turcos otomanos, o islamismo destruiu o Império Bizantino e invadiu a atual Turquia, a Grécia e todo o sudeste da Europa no século XV. Em 1517, o imperador otomano passou a deter também o título de califa.

Em 1924, o líder turco Kemal Atatürk aboliu unilateralmente a instituição do califado, visando a fortalecer o caráter secular do novo regime republicano turco que havia ocupado o lugar do Império Otomano derrotado na Primeira Guerra Mundial. Tal medida não foi aprovada pelos demais países muçulmanos, mas o cargo de califa, deixado vago com a perda dos poderes do califa otomano Abdülmecid II, não foi mais preenchido.

Em 1979, uma revolução popular derrubou o xá do Irã e transformou o país em uma república fundamentalista islâmica, baseada nos preceitos da charia (as leis islâmicas).

Em 26 de fevereiro de 1993, um grupo terrorista ligado à organização Alcaida (traduzido do árabe, significa "a base"), que luta contra a presença militar estadunidense na Arábia Saudita, explodiu um carro-bomba no estacionamento subterrâneo do edifício World Trade Center, em Nova Iorque. O ataque tinha por objetivo a queda das duas torres do complexo, objetivo este que não conseguiu ser atingido. Porém seis pessoas acabaram morrendo em consequência do atentado.

No mesmo ano, os indonésios Abu Bakar Bashir e Abdulah Sungkar fundaram o Jemaah Islamiyah ("Comunidade Islâmica"), organização que se propõe a criar um estado islâmico que englobe a Indonésia, Malásia, Singapura, Brunei, sul das Filipinas e sul da Tailândia[2].

Em 1996, o movimento fundamentalista dos talibãs (que, traduzido do persa e do pashtun, significa "estudantes") tomou o poder no Afeganistão, instaurando um regime semelhante ao iraniano.

Em 12 de outubro de 2000, o destróier estadunidense USS Cole sofreu um ataque terrorista reivindicado pela Alcaida, resultando na morte de dezessete marinheiros estadunidenses.

Os talibãs permaneceram no poder no Afeganistão até 2001, quando aviões de passageiros, sob o controle de terroristas, derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, nos Estados Unidos. No mesmo dia, o Pentágono (a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos) também foi atingido por um avião pilotado por terroristas. Os atentados foram atribuídos pelos estadunidenses à Alcaida. O líder da organização, o saudita Osama Bin Laden, se encontrava no Afeganistão, apoiado pelos talibãs. Isso levou a uma invasão estadunidense ao país com o objetivo de prender Bin Laden e retirar os talibãs do poder. O Talibã foi derrotado, porém Bin Laden não foi encontrado. Os Estados Unidos colocaram o afegão Hamid Karzai como administrador interino do Afeganistão. Karzai foi eleito em 2004 presidente do Afeganistão e reeleito em 2009.

Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista em Bali, na Indonésia, atribuído ao Jemaah Islamiyah, matou 202 pessoas[3].

Em 11 de março de 2004, um atentado reivindicado pelo grupo terrorista Brigadas de Abu Hafs Al Masri, em nome da Alcaida, explodiu quatro trens na capital espanhola Madri, matando 191 pessoas.

Em 7 de julho de 2005, um atentado terrorista explodiu três trens do metrô e um ônibus em Londres, matando 52 pessoas. O grupo "Organização Alcaida na Europa" assumiu a autoria do atentado, dizendo que o atentado seria uma retaliação ao envolvimento inglês nas invasões ao Afeganistão e ao Iraque[4].

Referências