A cidade do Rio de Janeiro no século XX/Segunda metade do século XX

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Cine Azteca
Complexo do Alemão: conjunto de favelas ao redor da Favela do Morro do Alemão
Igreja de São Pedro dos Clérigos em foto de Marc Ferrez do final do século XIX. A igreja foi demolida com a construção da Avenida Presidente Vargas.
Avenida Presidente Vargas. Ao fundo, a Igreja da Candelária.
Lanchonete Bob's
Pijama e revólver usados por Getúlio quando se suicidou
Paróquia dos Santos Anjos, na Cruzada São Sebastião, ao lado de foto de dom Hélder Câmara
Campus da Pontifícia Universidade Católica na Gávea
Estátua do capitão Bellini levantando a Taça Jules Rimet, em frente ao Estádio Jornalista Mário Filho
Garrincha, à esquerda, jogando pela seleção brasileira na Copa de 1962, no Chile

Em 1951, começou a operar o Cine Azteca, na Rua do Catete número 228. Era o primeiro prédio pré-fabricado no país, devido aos elementos decorativos que foram importados prontos do México, imitando um templo asteca. No mesmo ano, foi demolido o Hotel Central na Praia do Flamengo e construído, em seu lugar, o Edifício Conde de Nassau[1].

No início da década, o imigrante polonês Leonard Kaczmarkiewicz começou a vender porções de sua propriedade, na Zona Norte, para que as pessoas construíssem moradias nelas. Com o tempo, essa região passou a ser denominada de Morro do Alemão, em referência ao imigrante loiro e com sotaque que possuía as terras[2]. As obras da Avenida Getúlio Vargas foram finalizadas ao longo da década de 1950, após a demolição de uma grande quantidade de velhas construções, inclusive de uma das principais igrejas da cidade, a de São Pedro dos Clérigos. No entanto, a nova avenida preservou a monumental Igreja da Candelária, contornando-a. Também na década de 1950, foi demolido o Mercado Municipal para a abertura da Avenida Perimetral. Da grande estrutura metálica, somente permaneceu uma das cinco torres, sob a forma do Restaurante Albamar[3]. Ao longo da década de 1950, foi criada a Ilha do Fundão através do aterro e reunião de várias pequenas ilhas da Baía de Guanabara. A ilha artificial tinha por objetivo abrigar os novos prédios da Universidade Federal do Rio de Janeiro e recebeu o nome oficial de Cidade Universitária. Ainda ao longo da década de 1950, foi desmontado parcialmente o Morro de Santo Antônio para a abertura das avenidas República do Chile e República do Paraguai.

Preservou-se, no entanto, o trecho do morro que abrigava o Convento de Santo Antônio. Em 1952, foi aberto o Túnel do Pasmado sob o Morro do Pasmado no bairro de Botafogo. Para sua construção, teve que ser demolido o Pavilhão Mourisco. Após a construção do túnel, foi construída, no local, a sede de esportes olímpicos do Botafogo de Futebol e Regatas, também conhecida como sede do Mourisco[4]. No mesmo ano, o tenista estadunidense Robert Falkenburg criou a rede de lanchonetes Bob's, que inaugurou o setor de fast food no Brasil. Em 1953, Darcy Ribeiro criou o Museu do Índio num casarão da Rua Mata Machado, no bairro do Maracanã[5]. Em 1954, ocorreu um atentado na Rua Tonelero, em Copacabana, contra o político de oposição Carlos Lacerda, atentado este que acabou matando o major da força aérea Rubens Vaz, que acompanhava Lacerda. O mandante e os executores do crime eram ligados ao presidente Getúlio Vargas, que havia voltado ao poder em 1951. Diante da pressão da opinião pública, Getúlio se suicidou então no Palácio do Catete, comovendo o país. No mesmo ano, foi inaugurado o Cine Imperator, no Méier[6]. Em 1955, foi inaugurada a Cruzada São Sebastião, no Leblon, conjunto habitacional idealizado por dom Hélder Câmara visando a alojar os moradores da Favela da Praia do Pinto, na Lagoa[7]. No mesmo ano, a Pontifícia Universidade Católica se mudou para sua nova sede na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea[8]. Foi inaugurado o Bar Cervantes, na Rua Prado Júnior, em Copacabana. O bar se tornaria uma referência na gastronomia carioca[9]. Em 1956, foi inaugurado o primeiro prédio modernista da Avenida Rio Branco, no centro da cidade: o Edifício Marquês do Herval, no lugar que era ocupado pelo Palace Hotel[10].

Em 1958, a cidade comemorou a conquista do primeiro campeonato mundial de futebol pela seleção brasileira, na Suécia. A seleção desembarcou no Rio e desfilou em carro aberto, para delírio da multidão nas ruas. Da seleção, fazia parte o jogador que se tornaria o maior ídolo da história do time do Botafogo: Mané Garrincha. A Universidade do Distrito Federal foi rebatizada como Universidade do Rio de Janeiro[11].

Em 1959, foi demolido o prédio do Hotel Avenida e da Galeria Cruzeiro[12]. No mesmo ano, o filme "Orfeu negro", que transplantava o mito grego de Orfeu para uma favela carioca, ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, projetando mundialmente a imagem da cidade. A trilha sonora do filme compunha-se de músicas clássicas da bossa nova que surgia, como "Manhã de carnaval", de Luís Bonfá e Antônio Maria, assim como parcerias entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Foi inaugurado o Mercadão de Madureira pelo presidente brasileiro Juscelino Kubitschek[13].

Foi criado o Banco da Providência por dom Hélder Câmara, visando a arrecadar recursos para obras sociais[14]. Durante as décadas de 1950 e 1960, ocorreu o boom imobiliário dos bairros do Leblon, Ipanema, Gávea e Jardim Botânico. Os trabalhadores das obras, em grande parte procedentes da região nordeste brasileira, foram morar, em grande parte, na Favela da Rocinha, em São Conrado. A Rocinha tornou-se, a partir daí, uma das maiores favelas da cidade[15]. Na década de 1960, a propriedade da Família Lage ao lado do Jardim Botânico foi desapropriada e transformada em um parque público, o Parque Lage.

Em 1960, ocorreu um duro golpe para a cidade: o governo do presidente Juscelino Kubitschek transferiu a capital nacional para a cidade recém-construída de Brasília, no Planalto Central. A cidade, agora com o título não mais de Distrito Federal, mas de Estado da Guanabara, ainda continuou a realizar grandes obras, como o Museu de Arte Moderna (1958), o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra (1960) e o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes (1965), porém a perda do status (e dos recursos) de capital federal provocaram uma visível decadência econômica. As três obras acima citadas foram edificadas sobre um aterro sobre as águas da Baía de Guanabara feito com material proveniente do desmanche parcial do Morro de Santo Antônio, no Centro, o mesmo morro que ainda abriga o Convento de Santo Antônio. Ainda como consequência da transferência da capital federal para Brasília, a Universidade do Rio de Janeiro mudou sua denominação para Universidade do Estado da Guanabara[16].

Em 1960, a construção da Avenida Perimetral na orla do Centro da cidade provocou a transferência do chafariz de ferro da Praça 15 de Novembro para a Praça da Bandeira, na Tijuca[17]. Em 1961, foi concluído o Edifício Avenida Central, no lugar dos antigos Hotel Avenida e Galeria Cruzeiro[18]. Também foi criado o Parque Nacional da Tijuca[19]. Foi realizada a primeira Feira da Providência, evento anual que tem por objetivo arrecadar recursos para as obras assistenciais do Banco da Providência[20].

No mesmo ano, foi criado, no bairro de Olaria, um dos mais importantes blocos carnavalescos da cidade: o Cacique de Ramos. Em 1962, Tom Jobim e Vinícius de Moraes escreveram "Garota de Ipanema", que viria a ser uma das músicas mais interpretadas e gravadas na história mundial[21]. No mesmo ano, seguindo sugestão de dom Hélder Câmara, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, começou a construir um bairro planejado na zona oeste da cidade para abrigar funcionários do governo estadual chamado Cidade de Deus. Seguindo o nome do bairro, os seus logradouros tinham sempre referências religiosas[22][23].

Em 1963, foi criada a marca carioca de cachorros-quentes Geneal, que se tornou um ícone dos anos 1960 e 1970 na cidade[24]. Também foi criada a SAARA (Sociedade dos amigos das adjacências da rua da Alfândega), um imenso shopping a céu aberto abrangendo onze ruas do Centro do Rio com casario histórico. O nome é uma homenagem aos imigrantes árabes que colonizaram a região[25].

Foi inaugurado o Shopping do Méier, um dos primeiros shopping centers do Brasil. Em 1964, foi inaugurado o Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, por iniciativa do empresário Raymundo Ottoni de Castro Maya, com o objetivo de expor ao público sua coleção pessoal de arte[26]. No mesmo ano, foi instalada a estátua do político indiano Mahatma Gandhi na praça homônima no Centro[27]. Foi criada a Banda de Ipanema, um dos mais importantes blocos carnavalescos da cidade. Durante a década de 1960, os bondes foram paulatinamente perdendo o espaço para os carros e ônibus, diante do surgimento da indústria automobilística nacional sob o governo do presidente Juscelino Kubitschek. Foram construídas importantes vias rodoviárias na cidade, como o Túnel Rebouças e a Avenida Infante Dom Henrique[28].

Ainda na década de 1960, o golpe militar de 1964 e a criação do Ato Institucional Número Cinco, em 1968, que reprimia a liberdade de expressão, geraram grandes marchas populares, repressão policial e a eclosão de inúmeras organizações guerrilheiras que praticaram atos ousados, como os sequestros dos embaixadores alemão e estadunidense[29][30]. Em 1962, foi inaugurado o Pavilhão de São Cristóvão: uma obra do arquiteto Sérgio Bernardes destinada a abrigar a Exposição Internacional de Indústria e Comércio. Na época, era uma das maiores estruturas cobertas sem viga do mundo. Em 1964, a sede da UNE na Praia do Flamengo foi incendiada em represália por suas posições ideológicas de esquerda[31].

O aumento no fluxo de ônibus já sobrecarregava o Terminal Rodoviário Mariano Procópio, na Praça Mauá. Construiu-se, então, a Rodoviária Novo Rio em 1965[32]. No mesmo ano, foi inaugurado o Museu da Imagem e do Som, no prédio em estilo eclético da exposição de 1922 que havia sido preservado no bairro do Castelo[33]. No mesmo ano, foram concluídas as obras do bairro planejado Cidade de Deus. Em consonância com o seu nome, o bairro continha referência religiosas no nome de seus logradouros: Praça da Bíblia, ruas Salomão e Moisés etc. Em janeiro de 1966, chuvas torrenciais causaram grande estrago na cidade e mataram mais de cem pessoas. A tevê Globo, que havia sido inaugurada no ano anterior, realizou uma cobertura jornalística antológica e se firmou como uma das principais emissoras de televisão brasileiras[34].

Muitos dos desabrigados pelas chuvas foram instalados na Cidade de Deus, desvirtuando o projeto original de abrigar apenas funcionários públicos estaduais[35]. Em junho de 1967, foi inaugurada a casa de espetáculos Canecão, em Botafogo, casa esta que se tornaria uma referência nacional em matéria de shows[36]. Em 1968, foi inaugurado o prédio da Bloch Editores na Rua do Russel, na Glória: um projeto de Oscar Niemeyer[37].

Em 1969, foi criado o Parque Estadual da Chacrinha, em Copacabana. No final da década, uma reforma urbanística no Largo da Lapa determinou a demolição do tradicional Restaurante Capela, que se transferiu para a Rua Mem de Sá, no mesmo bairro. O nome do restaurante mudou, então, para "Nova Capela"[38].

Durante todas as décadas de 1960 e 1970, o poder público implementou uma grande campanha de remoção de favelas, deslocando a população desses locais para conjuntos habitacionais na Zona Oeste (Cidade de Deus) e na Zona Norte (Penha). Como resultado dessa campanha, foram extintas favelas como a do Pasmado, em Botafogo, a da Praia do Pinto e a da Catacumba, ambas na Lagoa e a do Esqueleto, em Vila Izabel, surgindo, em seu lugar, parques (Parque da Catacumba, na Lagoa), universidades (a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no local da antiga Favela do Esqueleto) ou edifícios luxuosos (como o condomínio Selva de Pedra, batizado com este nome inspirado pela novela homônima da tevê Globo que fazia sucesso na época, no Leblon)[39]. Ao longo da década de 1970, foi ainda construída a Autoestrada Lagoa-Barra.

Referências

  1. http://fotolog.terra.com.br/luizd:102
  2. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/conheca+a+origem+dos+nomes+de+algumas+favelas+do+rio/n1237967511709.html
  3. http://gororobasdobrasil.blogspot.com/2008/05/o-mercado-municipal-do-rio-de-janeiro.html
  4. http://www.amabotafogo.org.br/2006/mourisco.asp
  5. http://www.museudoindio.gov.br/template_01/default.asp?ID_S=49
  6. http://fotolog.terra.com.br/znorte:161
  7. http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cidade/2005/06/11/jorcid20050611001.html
  8. JORNAL DA PUC. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ano XXII, nº 236, 11 de novembro de 2010. p. 5
  9. http://www.restaurantecervantes.com.br/
  10. http://livrariaselivreiros.blogspot.com/2008/05/marqus-do-herval-patrimnio-da-histria.html
  11. http://www.uerj.br/institucional/
  12. http://www.light.com.br/web/institucional/cultura/ccl/memoria/hotel_avenida/tehavenida.asp?mid=86879428723472307231
  13. http://www.mercadaodemadureira.com/historia.php
  14. http://www.feiradaprovidencia.org.br/feira_historia.aspx
  15. http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=36&sid=3
  16. http://www.uerj.br/institucional/
  17. http://www.passeiopublico.com/janela/00chafamonroe.htm
  18. http://www.light.com.br/web/institucional/cultura/ccl/memoria/hotel_avenida/tehavenida.asp?mid=86879428723472307231
  19. http://www.tijuca-rj.com.br/v02/pracas-e-jardins/parque-nacional-da-tijuca/
  20. http://www.feiradaprovidencia.org.br/feira_historia.aspx
  21. Brasil. Madrid: Santillana, 2009. p. 79
  22. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/conheca+a+origem+dos+nomes+de+algumas+favelas+do+rio/n1237967511709.html
  23. http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/f_luminosos/index.asp?op=2&idn=39
  24. http://www.geneal.com.br/site/a-empresa-geneal
  25. http://www.rioguiaoficial.com.br/passeios/o+saara+carioca/03+09+2010/383/
  26. http://marcusmorais.blog.terra.com.br/2010/01/
  27. http://www.passeiopublico.com/htm/info.asp
  28. http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:k5o1RDOsnx0J:zrak7.ifrance.com/rio-urb-06.pdf+inaugura%C3%A7%C3%A3o+auto+estrada+lagoa+barra&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESi-m_Z5Lc0O8YmXvKXoXqtBCimxF6uxHelrycKXKGFhF3L2-id7egVvkysFqBI86N98qR3Sa9Xua65nr2z1xOQA5WBgcFssxgAjoH678-jT2E1lOCbEtRl-5Pyx7oJD52_FAzbw&sig=AHIEtbR4T7CeuNLQi_ub-gr7O3vOPh5-0A
  29. GABEIRA, F.O que é isso, companheiro?. Sexta edição. Rio de Janeiro: Codecri, 1979.
  30. SIRKIS, A.Os carbonários. 14ª edição. Rio de Janeiro: Record, 1998.
  31. http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=lula_vai_reparar_une_por_incendio_na_ditadura&cod_Post=118963&a=111
  32. http://classicalbuses.fotopages.com/?entry=1246592
  33. http://www.mis.rj.gov.br/museu_hist.asp
  34. http://www.youtube.com/watch?v=5tnOBoMKrfA
  35. http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/f_luminosos/index.asp?op=2&idn=39
  36. http://www.canecao.com.br/memopage.php
  37. http://midiaclipping.blogspot.com/2010/07/predio-da-manchete-no-rio-e-vendido-por.html
  38. http://www.lanalapa.com.br/estabelecimentoDetalhe.asp?qiNuEstab=51
  39. http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=4&infoid=84
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