Segundo: Edna Vaidosa
Diz que:
Infecçoes Vaginais(comichão da vagina)
Por vergonha ou preconceito, as mulheres
pouco falam de infecções vaginais. O
problema não chega sequer a sair das quatro
paredes do consultório médico, isto na
melhor das hipóteses, já que muitas insistem
em automedicar-se só para não partilharem
o assunto com ninguém.
Infecções vaginais
As infecções vaginais (ou vaginites) são um
tipo de infecção muito comum e que com
frequência conduz a aconselhamento junto
do farmacêutico e/ou consulta médica. A
maior parte das mulheres já teve ou irá ter
uma infecção vaginal pelo menos uma vez
na vida. Por isso é importante conhecer os
principais tipos de infecções vaginais e os
seus sintomas; perceber como se
desenvolvem, quais as possíveis causas e
assim algumas formas de as prevenir.
Porque elas podem prevenir-se! Contribuem
para isso alguns gestos simples da higiene
íntima feminina e a prática de relações
sexuais protegidas.
A vagina é uma mucosa cujo equilíbrio e
estrutura dependem, entre outros factores,
de um conjunto de microorganismos, uma
flora bacteriana, a chamada flora vaginal.
Esta flora, de presença natural na vagina,
confere-lhe algumas das suas propriedades
fundamentais e assegura a defesa “da sua
saúde”. Isto porque ela é a responsável pela
acidez característica da vagina, e este pH
ácido é a melhor defesa do órgão genital da
mulher contra a agressão dos vários agentes
patogénicos (fungos, bactérias, e outros).
A composição da flora vaginal e o seu
equilíbrio dependem de vários factores como
a idade da mulher, a fase do ciclo menstrual,
a actividade sexual, a higiene e a toma de
medicamentos (entre outros).
Quando madura a vagina é normalmente
colonizada por uma grande variedade de
espécies bacterianas, de entre as quais se
destacam as espécies Staphylococcus,
Lactobacillus, Streptococcus e Gardnerella
vaginalis. Mas o tipo e o número de espécies
que proliferam a nível vaginal são
condicionados por diversos factores,
nomeadamente o pH vaginal, a concentração
em glicogénio e o conteúdo em glicose
(estes dois últimos compostos são os
substratos da flora bacteriana).
O pH vaginal normal é de 3,8-4,2, ou seja, é
ácido. Este pH, que ajuda a manter
equilibrada a flora bacteriana está, por sua
vez, dependente dela. Isto porque ele é
mantido pelo ácido láctico que é produzido
pela flora bacteriana normal (isto explica que
este seja um composto presente em algumas
das formas farmacêuticas utilizadas para a
higiene íntima feminina durante períodos de
infecção vaginal, e também para prevenção).
Compreende-se assim que factores que
modifiquem a acidez e/ou a flora vaginal,
são factores capazes de enfraquecer as
defesas da vagina. São exemplos a toma da
pílula, a gravidez, a menopausa, ou uma
higiene íntima deficiente ou excessiva.
Na gravidez por exemplo, há uma discreta
elevação do pH da vagina o que a torna
mais predisposta a infecções. O mesmo
acontece durante a menstruação.
A flora bacteriana é também responsável
pela limpeza da vagina, eliminando as
células mortas e outros resíduos. Assim,
estes elementos juntamente com o muco
endocervical originam um corrimento natural
e necessário, que é inodoro e claro ou
branco (descarga vaginal designada por
leucorreia).
As características deste corrimento (cor e
espessura) alteram-se ao longo do ciclo
menstrual, mas é importante que a mulher
fique atenta a essas alterações porque
algumas não são naturais: se o corrimento
for excessivo, adquirir uma cor e/ou
espessura diferentes e um odor intenso, ou é
acompanhado de ardor e comichão, isso são
sinais de que houve uma alteração da flora
vaginal, e de que pode ter-se desenvolvido
uma infecção.
Os sintomas habituais das infecções
vaginais (independentemente do tipo
específico de infecção ou microorganismo
causador) são:
- corrimento;
- prurido;
- irritação;
- disúria (dor ao urinar);
- dispareunia (dor nas relações sexuais);
- sensibilidade, inflamação ou ferida.
São três os principais tipos de infecções
vaginais responsáveis pela maioria dos
casos:
- Vaginite ou vaginose bacteriana;
- Vulvovaginite fúngica ou candidíase
vulvovaginal;
- Tricomoníase.
Enquanto as duas primeiras não são
doenças sexualmente transmitidas, a última
é transmitida por via sexual.
Com alguma frequência ocorrem também
infecções mistas, ou seja, causadas por
vários microorganismos.
Tricomoníase
É causada por um protozoário (Trichomonas
vaginalis) e é uma infecção sexualmente
transmissível. Surge geralmente na mulher
jovem. São factores predisponentes, a
actividade sexual, a existência de vários
parceiros sexuais, a gravidez e a
menopausa. Quanto aos sintomas,
normalmente há um corrimento vaginal
profuso ou espuma vaginal, isto é, um
corrimento amarelo-esverdeado espumoso
com odor desagradável e que é normalmente
acompanhado de comichão. O tratamento
deve ser feito pela mulher e parceiro, e
durante a infecção é fundamental usar
preservativo nas relações sexuais. O
tratamento passa pela administração de
antibióticos.
Vaginite bacteriana
A vaginite bacteriana é a infecção mais
comum na mulher em período fértil. É muitas
vezes assintomática (cerca de metade das
mulheres com vaginite bacteriana são
assintomáticas). Os sintomas, quando
surgem, são um corrimento acinzentado ou
amarelado com cheiro desagradável a peixe.
Podem ocorrer ardor e vermelhidão locais.
Normalmente os sintomas agravam-se após
as relações sexuais. Alguns dos factores
predisponentes a esta infecção são a
gravidez, o DIU (dispositivo intra-uterino), a
lactação e a actividade sexual. O tratamento
passa pela administração de antibióticos.
Vulvovaginite a cândida ou Candidíase
vulvovaginal
A candidíase é uma das infecções vaginais
mais comuns. Estima-se que cerca de 75%
das mulheres sofrem, pelo menos de uma
infecção a Candida, durante a sua vida fértil.
Esta infecção é provocada, na maioria dos
casos, pelo Candida albicans. Este é um
fungo que existe naturalmente no corpo
humano, habitando a boca, a vagina, o
aparelho gastrointestinal e a pele – locais
onde existem condições de humidade
favoráveis ao seu desenvolvimento. Ele
mantém-se nestes tecidos em quantidades
reduzidas, sendo inofensivo para a saúde.
Contudo, sempre que surgem desequilíbrios
que permitam o seu desenvolvimento, a
infecção desenvolve-se, e os sintomas
manifestam-se. Alguns dos factores de risco
que podem causar este desequilíbrio, ou
seja, predisponentes a candidíase são:
- gravidez;
- contraceptivos com estrogénios;
- Diabetes mellitus;
- terapêutica com antibióticos de largo
espectro (para tratar outras infecções, como
por exemplo, as urinárias);
- infecção por vírus de imunodeficiência
adquirida (HIV);
- quimioterapia;
- roupa justa;
- colonização gastrointestinal;
- actividade sexual.
A candidíase vulvovaginal, apesar de
envolver o aparelho genital, não é uma
doença sexualmente transmissível. Contudo,
e apesar disso, o homem não está imune,
isto é, na verdade o contacto sexual com
uma mulher infectada pode colocá-lo em
risco, podendo haver migração da infecção e
podendo o homem manifestar sintomas,
sendo os mais frequentes a comichão e
vermelhidão no pénis. Isto justifica que em
muitas situações o tratamento seja feito pelo
casal (apesar de que a terapêutica da
candidíase na mulher não obriga ao
tratamento do parceiro sexual). Por outro
lado, as relações sexuais, ao aumentarem o
movimento do fungo e a ocorrência de
traumatismos mínimos, podem predispor
para esta infecção, e além disto o sémen é
um promotor do desenvolvimento e
virulência do fungo.
Quanto à sintomatologia, a candidíase
manifesta-se como uma descarga vaginal,
ou seja, um corrimento esbranquiçado e
espesso, semelhante a leite/queijo coalhado,
e acompanhado por inflamação na pele
vulvar (com vermelhidão e comichão no
exterior da vagina e na vulva), e também por
dor durante o acto sexual e ao urinar.
O tratamento envolve a administração de
medicamentos anti-fúngicos de aplicação
tópica ou toma sistémica. Com o tratamento
adequado, os sintomas desaparecem
completamente. Contudo, se o tratamento
não for cumprido há o risco de a infecção
voltar, podendo tornar-se recorrente.
As infecções vaginais são bastante comuns,
mas podem ser prevenidas, o que exige que
a mulher tome alguns cuidados, e faça uma
higiene íntima adequada (mas não
excessiva, porque lavagens demasiado
frequentes podem deixar a mulher mais
vulnerável).
Assim, aqui ficam algumas dicas:
- a higiene íntima deve ser feita apenas com
água e um sabão suave;
- no máximo, devem fazer-se duas lavagens
íntimas por dia;
- não são aconselhados os duches vaginais
porque irritam a vagina;
-os toalhetes e os desodorizantes secam a
região vaginal pelo que devem ser
reservados para situações excepcionais,
como viagens;
- o sentido correcto da lavagem e limpeza é
da vagina para o ânus, já que assim se evita
que a flora intestinal entre em contacto com
a região genital;
- deve dar-se preferência a roupa interior de
algodão;
- devem evitar-se as roupas apertadas
porque favorecem o desenvolvimento de
infecções;
- os produtos de higiene íntima devem ser
utilizados pontualmente, mediante indicação
médica ou aconselhamento farmacêutico.
Com estes cuidados simples podem
prevenir-se as infecções vaginais.