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Reflexões sobre Swedenborg: A luz do entendimento/2. Estrutura Metafísica do Divino

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A estrutura metafísica do Divino, conforme exposta em Sabedoria Angélica, de Emanuel Swedenborg, constitui o fundamento ontológico que explica como o Ser absoluto existe em si mesmo e como dele procede toda a realidade criada. Esta estrutura não deve ser compreendida em termos materiais ou espaciais, mas em termos de princípios espirituais, substanciais e formais, que transcendem as categorias sensíveis e pertencem à ordem do ser em sua essência.

De acordo com esta concepção, o Divino é simultaneamente substância e forma, essência e manifestação, amor e sabedoria em unidade perfeita. Esta unidade constitui a estrutura interna do próprio Deus e é também o princípio pelo qual todas as coisas existem, subsistem e operam.

2.1 O Divino como substância em si mesma

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O primeiro elemento da estrutura metafísica do Divino é sua condição de substância em si mesma (substantia in se). Isso significa que o Divino não deriva sua existência de qualquer outra realidade. Ele é o Ser em si (Esse in se), a fonte absoluta de toda existência.

No pensamento apresentado na obra base, substância não deve ser entendida como matéria, mas como realidade essencial. O Divino é substância espiritual absoluta, infinita e não criada. Todas as demais substâncias, tanto espirituais quanto naturais, existem por derivação e dependência desta substância primordial.

Portanto, o Divino não é apenas um ser entre outros, mas o próprio fundamento do ser. Ele é a realidade que existe por si mesma e da qual todas as demais realidades recebem sua possibilidade de existência.

2.2 O Divino como forma em si mesma

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Além de ser substância, o Divino é também forma em si mesma (forma in se). A forma, neste contexto, não se refere à aparência externa, mas à estrutura interna que organiza, determina e torna inteligível o ser.

O amor constitui a substância essencial do Divino, enquanto a sabedoria constitui sua forma. A sabedoria é a expressão ordenada do amor; ela dá direção, estrutura e inteligibilidade ao amor. Assim, o Divino não é uma essência amorfa ou indeterminada, mas uma realidade perfeitamente ordenada e inteligível.

Esta união de substância e forma no Divino estabelece o modelo de toda estrutura existente. Toda realidade criada possui, em grau finito, uma relação entre essência e forma, refletindo o princípio absoluto presente no Divino.

2.3 A unidade indivisível do Amor e da Sabedoria

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Um aspecto central da estrutura metafísica do Divino é a unidade absoluta entre amor e sabedoria. No Divino, não há separação, conflito ou distinção funcional entre estes dois princípios. Eles constituem uma única realidade.

O amor é o princípio do ser, enquanto a sabedoria é o princípio da manifestação. O amor deseja existir e comunicar-se, e a sabedoria determina como essa comunicação ocorre de forma ordenada e perfeita.

Esta unidade é essencial porque garante que toda criação seja expressão de um propósito e de uma ordem. Nada procede do Divino de maneira arbitrária ou caótica; tudo procede segundo uma ordem que reflete a união perfeita entre vontade e entendimento.

2.4 O Divino como fonte de todos os graus de realidade

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A estrutura metafísica do Divino também inclui o princípio dos graus de existência. Toda realidade criada existe em graus distintos, que derivam do Divino sem que o Divino seja dividido ou diminuído.

Esses graus constituem níveis de proximidade ontológica em relação à fonte divina. O mundo espiritual existe em um grau mais próximo do Divino, enquanto o mundo natural existe em um grau mais externo e derivado.

Importante destacar que esses graus não são separações espaciais, mas distinções de ordem e perfeição. O Divino permanece presente em todos os graus como sua causa sustentadora.

2.5 O Divino como origem contínua da existência

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A estrutura metafísica do Divino implica que a criação não é apenas um evento passado, mas um processo contínuo de sustentação. Toda existência depende, a cada instante, da presença ativa do Divino.

Isso significa que o ser criado não possui existência independente em sentido absoluto. Sua existência é participativa, derivada e sustentada continuamente pela fonte divina.

Este princípio estabelece uma relação ontológica permanente entre o Criador e a criação. O Divino está presente como causa interior e sustentadora de todas as coisas, sem, contudo, confundir-se com elas.

2.6 A ordem como expressão da estrutura divina

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A ordem universal é uma expressão direta da estrutura metafísica do Divino. Porque o Divino é perfeitamente ordenado em si mesmo, tudo o que procede dele reflete essa ordem.

A ordem não é uma imposição externa à realidade, mas uma consequência natural da natureza divina. A estrutura do universo, em seus diferentes níveis, manifesta a racionalidade e a harmonia que têm sua origem na união entre amor e sabedoria.

Assim, a ordem do ser é, em última análise, uma expressão da própria estrutura interna do Divino.

2.7 Implicações ontológicas da estrutura metafísica divina

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A compreensão da estrutura metafísica do Divino permite estabelecer vários princípios fundamentais:

  • O Divino é o único ser que existe em si mesmo.
  • Todas as coisas existem por derivação do Divino.
  • A estrutura do universo reflete a estrutura do próprio Divino.
  • O amor e a sabedoria constituem os princípios fundamentais do ser e da ordem.
  • A existência é sustentada continuamente pela presença divina.

Este modelo metafísico fornece uma base coerente para compreender a relação entre Deus, o ser e a criação, estabelecendo uma ontologia espiritual na qual o Divino é simultaneamente origem, estrutura e sustentação de toda realidade.