Reflexões sobre Swedenborg: A luz do entendimento/1. Fundamentos Ontológicos: Amor e Sabedoria
O Amor como Ser
[editar | editar código]A obra de Emanuel Swedenborg estabelece que o Amor constitui o próprio Ser em sua forma mais essencial. Essa afirmação não se refere ao amor como uma emoção subjetiva ou experiência psicológica, mas como o princípio ontológico fundamental que torna possível a existência de todas as coisas. O Amor é apresentado como a realidade primária, da qual tudo procede e pela qual tudo subsiste.
O texto afirma que o Divino Amor é o Ser mesmo, enquanto a Divina Sabedoria é o Existir que procede desse Ser. Essa distinção revela que o Amor é o princípio interior, essencial e originário, enquanto a Sabedoria é sua manifestação exterior e inteligível. O Ser, nesse sentido, não é algo abstrato ou estático, mas uma realidade viva, cuja natureza consiste em existir e em se manifestar.
O Amor é descrito como o princípio que possui em si a capacidade de produzir, sustentar e ordenar todas as coisas. Ele é a fonte da vida, pois tudo o que vive participa, em algum grau, desse princípio originário. Nada pode existir independentemente do Amor, porque a própria existência é uma expressão desse fundamento essencial.
Além disso, o Amor não existe isoladamente, mas sempre em união com a Sabedoria. Essa união é necessária porque o Amor, por si só, constitui o impulso e a essência, enquanto a Sabedoria constitui a forma e a manifestação desse impulso. Assim, o Amor é o que é, e a Sabedoria é o que torna esse ser compreensível e operante.
O texto também indica que o Amor é ativo por natureza. Ele não é um princípio passivo, mas possui uma tendência intrínseca de se manifestar e de se comunicar. Essa característica demonstra que o Amor é a causa primeira de toda atividade e de toda existência. A realidade não é estática, mas dinâmica, porque sua origem é o Amor, que é essencialmente ativo.
No ser humano, essa estrutura também está presente. A vida humana não é autônoma, mas depende da recepção desse princípio. O Amor constitui o fundamento da vontade, enquanto a Sabedoria constitui o fundamento do entendimento. A união entre vontade e entendimento reflete, em nível humano, a união entre Amor e Sabedoria em nível ontológico.
Dessa forma, compreender o Amor como Ser significa reconhecer que ele é o fundamento essencial da realidade. O Amor não é apenas uma qualidade do ser, mas o próprio princípio pelo qual o ser existe. Tudo o que existe participa desse fundamento, e toda existência é uma manifestação, em diferentes graus, desse princípio originário.
Essa concepção estabelece que o Amor é a base ontológica da vida, da ordem e da inteligibilidade. Ele é o princípio que dá origem ao ser e que torna possível sua manifestação por meio da Sabedoria. Portanto, o Amor não é apenas um atributo do ser, mas o próprio Ser em sua essência mais profunda.
A Sabedoria como Existir
[editar | editar código]Se o Amor constitui o Ser em sua essência, a Sabedoria constitui o Existir que procede desse Ser. Essa relação expressa uma distinção ontológica fundamental entre aquilo que é em si e aquilo que se manifesta. O Ser refere-se ao princípio interior e originário, enquanto o Existir refere-se à forma pela qual esse princípio se torna presente, manifesto e inteligível.
A Sabedoria é, portanto, a manifestação do Amor. Ela não existe de forma independente, mas procede diretamente dele, como sua expressão. Isso significa que tudo o que existe de forma ordenada e inteligível é uma manifestação da Sabedoria, que torna o Amor perceptível e operante. Sem a Sabedoria, o Amor permaneceria como um princípio interior não manifestado; e sem o Amor, a Sabedoria não possuiria fundamento nem vida.
O Existir, nesse sentido, não é apenas o fato de estar presente, mas o processo pelo qual o Ser se torna compreensível. A Sabedoria é o meio pelo qual o Ser se revela. Ela organiza, estrutura e dá forma àquilo que procede do Amor. Assim, a Sabedoria constitui o princípio da ordem, da forma e da inteligibilidade de tudo o que existe.
Essa relação pode ser compreendida pela distinção entre essência e forma. O Amor é a essência, enquanto a Sabedoria é a forma dessa essência. A essência contém o princípio interior da existência, enquanto a forma permite que esse princípio se manifeste de modo definido e inteligível. Não há forma sem essência, nem essência plenamente existente sem forma.
A Sabedoria também é apresentada como luz, não no sentido físico, mas como princípio de clareza e compreensão. Por meio dela, aquilo que existe pode ser compreendido. A luz, nesse contexto, representa a capacidade de tornar algo visível ao entendimento. Assim como a luz física permite que os objetos sejam vistos, a Sabedoria permite que a realidade seja compreendida.
No ser humano, a Sabedoria corresponde à faculdade do entendimento. O entendimento é o meio pelo qual o indivíduo pode perceber, organizar e compreender a realidade. Essa capacidade não é autônoma, mas depende da recepção da Sabedoria como princípio ontológico. Quanto maior a ordem e a clareza no entendimento, maior é a manifestação da Sabedoria no indivíduo.
Além disso, a Sabedoria permite a existência da ordem universal. O universo não é uma realidade caótica, mas estruturada de forma coerente. Essa estrutura procede da Sabedoria, que organiza todas as coisas segundo relações definidas. A existência ordenada do universo reflete, portanto, a presença da Sabedoria como princípio do Existir.
A Sabedoria é também inseparável do Amor em sua operação. O Amor é o que dá origem, e a Sabedoria é o que dá forma. O Amor é o princípio que é, e a Sabedoria é o princípio pelo qual aquilo que é se torna existente de forma manifesta. Essa unidade constitui o fundamento de toda realidade.
Assim, compreender a Sabedoria como Existir significa reconhecer que ela é o princípio pelo qual o Ser se manifesta, se organiza e se torna inteligível. A Sabedoria é a expressão do Amor, e por meio dela o Ser se torna presente de forma ordenada e compreensível.
Dessa forma, o Existir não é independente do Ser, mas sua manifestação. A Sabedoria constitui o processo pelo qual o Ser se torna realidade manifesta. Ela é o princípio que torna possível a ordem, a clareza e a compreensão de tudo o que existe.