Marcas nas fotografias de Werner Haberkorn/Vista parcial do centro. São Paulo-SP 2

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Vista parcial do centro. São Paulo-SP (metadados).

Lista de marcas identificadas[editar | editar código-fonte]

  • Claridge Hotel
  • Companhia Paulista de Seguros
  • Gulf Oil

Pesquisa sobre marcas[editar | editar código-fonte]

Claridge Hotel[editar | editar código-fonte]

O Claridge Hotel, construído no ano de 1951 e inaugurado em 1953, no centro da cidade de São Paulo, foi um dos maiores e mais respeitados hotéis de seu tempo. Concebido pelo empresário Alexandre Maluf e projetado pelo arquiteto Francisco Beck, o hotel figurou como um elegante e refinado espaço, por onde passavam diversas pessoas e que chegou até a receber figuras importantes como Nat King Cole, Dick Farney, Marisa Gata Mansa, Claudete Soares e outros.

Não se sabe ao certo em qual determinado período o Claridge Hotel passou a se chamar Cambridge Hotel, mas acredita-se que tenha sido em algum momento no fim da década de 1950 e início da década de 1960, por volta de 1962. Tal fato comprova-se por conta da etiqueta de ambos os hotéis serem exatamente iguais, com apenas o nome (Claridge e Cambridge Hotel) e as cores diferindo entre si.

Assim como quando foi inaugurado, o Bar do Hotel, um dos bares mais frequentados dos anos 50, que recebeu celebridades nacionais e internacionais, famoso por suas poltronas de veludo, continua sendo uma das principais atrações do hotel. Hoje, chamado de Bar D’Hotel Cambridge, ainda mantém todo o charme e estilo original da década de 50, com as mesmas características originais, apesar de ter adquirido a estrutura de um clube.

Entretanto, ainda que abrigue um dos bares mais famosos do centro de São Paulo, o Cambridge Hotel encontra-se ocupado, desde 2012, por famílias integrantes do Movimento Sem Terra do Centro (MSTC). Adquirido recentemente pela Cury Empreendimentos, a promessa é transformar o hotel em um edifício residencial onde 120 apartamentos serão transformados em 154 unidades de habitação social.

O Hotel Cambridge ainda serviu de inspiração para a produção do filme “Era o Hotel Cambridge” (2016), dirigido por Elaine Caffé, que relata o cotidiano de refugiados estrangeiros que buscaram abrigo num prédio de São Paulo onde antes funcionava a instituição do título. Foi eleito o melhor filme pelo público e pela Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema) no Festival do Rio do ano de 2016, além de ter sido premiado na cidade espanhola de San Sebastián, em setembro do mesmo ano.

Referências

BLOG PSEUDOPAPEL. O Claridge Hotel de São Paulo. Disponível em: <http://blog.pittsburgh.com.br/2011/08/claridge-hotel-sao-paulo/> Acesso em: 31 de outubro de 2018.

BRACONI, Julio César. A disputa pela moradia na região central de São Paulo: uma análise das ocupações Prestes Maia, Mauá e Cambridge. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100134/tde-17022017-133017/pt-br.php> Acesso em: 31 de outubro de 2018.

CLUB HOTEL CAMBRIDGE. Casas. Disponível em: <http://noitesdocentro.com.br/wp/casas/> Acesso em: 2 de novembro de 2018.

MONTEIRO, Ana Carla de Castro Alves. OS HOTÉIS DA METRÓPOLE: O CONTEXTO HISTÓRICO E URBANO DA CIDADE DE SÃO PAULO ATRAVÉS DA PRODUÇÃO ARQUITETÔNICA HOTELEIRA (1940-1960). Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-16052007-151541/en.php> Acesso em: 31 de outubro de 2018.

O GLOBO WEBSITE. ‘Era o Hotel Cambridge’ mistura ficção e realidade no drama de refugiados. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/era-hotel-cambridge-mistura-ficcao-realidade-no-drama-de-refugiados-21100869> Acesso em: 2 de novembro de 2018.

Companhia Paulista de Seguros[editar | editar código-fonte]

A Companhia Paulista de Seguros, conhecida atualmente como Liberty Seguros, é uma das empresas pioneiras do ramo de seguradoras no Brasil. Fundada no começo do século XX (1906), na cidade de São Paulo, sob o nome de Companhia Paulista de Seguros Marítimos e Terrestres, desde seu início tem apresentado imenso crescimento. Historicamente, este crescimento pode ser justificado por conta da grande expansão feita nos primeiros cinquenta anos da empresa.

Em menos de quatro anos depois de sua fundação (1909), a Companhia Paulista de Seguros já apresentava filiais nas cidades do Rio de Janeiro, Campinas e Santos, o que certamente a ajudou a se consolidar fortemente no cenário brasileiro. Além disso, no início dos anos 1950, a sede da empresa, localizada na rua Libero Badaró, São Paulo, era finalmente inaugurada, mostrando o quão longe a companhia já havia caminhado e sua grande importância econômica. Tornando-se uma peça essencial da paisagem paulista, o prédio de 22 andares representava o poder e a força que a companhia tinha, poder e forças que ainda perdurariam por muito tempo.

No aniversário de cinquenta anos da Companhia Paulista de Seguros, a empresa já ramificara-se para as mais diversas partes do Brasil, possuindo negócios em vários estados. Ainda que, nessa época, o país estivesse passando por uma fase onde muitos bancos nacionais começavam a se aventurar no ramo de seguros, a companhia conseguiu se manter tão forte e independente quanto sempre foi, o que certamente a ajudou a superar os tempos difíceis que assolariam a economia nacional.

Nas últimas duas décadas do Regime Militar (1970 e 1980) e anos 1990, a empresa, após conseguir superar os impasses financeiros e econômicos, entra em uma era de modernização, com intensificação dos investimentos em tecnologia, além do desenvolvimento de novas estratégias de atuação no mercado nacional. Graças a isso, no ano de 1996, a então Companhia Paulista de Seguros é adquirida pelo Grupo Liberty Mutual, um dos maiores grupos de seguradoras do mundo, permitindo que a empresa alçasse novos voos e se tornasse ainda mais forte do que antes, agora com o respaldo de uma companhia reconhecida e respeitada internacionalmente. Fundado em 1912, em Boston, o Grupo Liberty Mutual é especializado em seguros e serviços financeiros, sendo a 5ª maior seguradora americana e ocupando a 71º posição no ranking da Fortune 500.

Um ano depois da incorporação das duas empresas, em 1997, dez novas filiais, no Sul e Sudeste brasileiros, foram abertas, permitindo uma exposição e expansão ainda maior no cenário nacional. Com a chegada do novo milênio, no ano 2000, a companhia adota o nome Liberty Paulista de Seguros, recebendo investimentos em tecnologia, treinamento de profissionais bem como desenvolvimento de novos serviços e produtos, diferenciando-a ainda mais de sua concorrência. Apesar de ter mudado de nome em um curto período de tempo, em 2006, a empresa, mais próxima às estratégias e práticas do Grupo Liberty Mutual, volta a repensar sua denominação e dessa vez passa a ser chamada de Liberty Seguros S/A, como é conhecida até hoje. Dois após sua última atualização de nome, em 2008, a Liberty Seguros, como forma de consolidar sua estratégia multimarca e multicanal, adquire mais uma companhia, dessa vez a Indiana Seguros, garantindo presença expressiva no canal de concessionárias.

Finalmente, nos últimos anos, a Liberty Seguros tem se destacado por conta de sua forte presença no mercado nacional bem como por conta do firme caminho que segue até a liderança de mercado. Para tanto, a criação de uma nova divisão dentro da empresa, a Liberty International Underwriters (divisão de riscos especiais), em 2009, o aumento sólido das carteiras de varejo e o lançamento da primeira campanha publicitária no país, em abril de 2010, se caracterizam como as ferramentas usadas pela companhia para atingir seus principais objetivos. Por conta disso, em 2010, a Liberty Seguros se torna a maior operação internacional do Grupo Liberty Mutual, além de ser a 5ª maior seguradora de automóveis do país, com mais 1 milhão de veículos segurados, demonstrando o quão forte e poderosa a presença da companhia no país é.

Referências

BIDU WEBSITE. Saiba mais sobre a Liberty Seguros. Disponível em: <https://www.bidu.com.br/seguradoras/liberty-seguros/> Acesso em: 21 de setembro de 2018.

LIBERTY SEGUROS WEBSITE. Sobre a Liberty. Disponível em: <http://www.libertyseguros.com.br/Pages/sobre-a-liberty.aspx> Acesso em: 21 de setembro de 2018.

Gulf Oil[editar | editar código-fonte]

A Gulf Oil, marca referência sobre petróleo no século XX, foi uma das maiores companhias presentes no cenário brasileiro nos últimos cem anos. Atuante no mercado nacional entre os anos de 1936 e 1959, apesar de ter sido extinta, ainda continua fresca na memória e lembranças de milhões de brasileiros.

Em 1937, a Companhia Brasileira de Petróleo Gulf inicia suas operações no território brasileiro, sendo este o ano em que chegariam no Brasil outras empresas do mesmo ramo, como Texaco, Shell e Atlantic. Concentrando suas atividades nas partes Sul e Sudeste, a Gulf chegou a possuir cerca de 400 postos bandeirados em todo o país, o que permitiu a solidificação da imagem da empresa como uma companhia de tradição automobilística internacional e que estimava a paixão dos brasileiros por automóveis.

No ano de 1959, é tomada a decisão, por parte da administração internacional da Gulf, de finalizar as atividades da empresa no Brasil, sendo a maior parte de seus ativos comprados pela Ipiranga, compra essa que foi o ponto-chave de transformação da empresa em um conglomerado nacional de petróleo e combustíveis. Hoje em dia, a Gulf ainda atua em vários países, principalmente na área de combustíveis quanto de lubrificantes, produzindo mais de 400 lubrificantes e combustíveis de alta performance além de outros produtos automotivos e industriais. Possui fábricas localizadas em cada um dos continentes, sendo que, de forma a garantir a constante evolução e melhoria dos produtos que oferece, seus centros de pesquisa e desenvolvimento na Ásia e Europa estão sempre um passo a frente quando se trata de inovações e alternativas viáveis, como combustíveis alternativos/sustentáveis e investimentos em mercados não tradicionais.

Referências

GULF DO BRASIL WEBSITE. Gulf no Brasil: Deixou Saudades. Disponível em: <http://www.gulfdobrasil.com.br/conheca/gulf-no-brasil-deixou-saudades/> Acesso em: 15 de outubro de 2018.

GULF DO BRASIL WEBSITE. Presença mundial absoluta. Disponível em: <http://www.gulfdobrasil.com.br/conheca/presenca-mundial-absoluta/> Acesso em: 15 de outubro de 2018.

Comentários sobre a fotografia[editar | editar código-fonte]

Sabe-se que, na época, as três marcas identificadas eram extremamente relevantes no âmbito nacional e, principalmente, no cenário paulista. Por conta disso, entende-se a motivação de Werner Haberkorn ao escolher como recorte para esta fotografia um ângulo que mostrasse as três e, ao mesmo tempo, permitisse ao observador se localizar no mapa da cidade. Apesar de somente o Claridge Hotel possuir seu anúncio voltado diretamente para a lente da câmera, a intenção do fotógrafo ao capturar o retrato era a de mostrar que, ainda que de costas ou de lado, tanto a Gulf Oil quanto a Companhia Paulista de Seguros possuíam tanta importância que poderiam ser reconhecidas de longe, ressaltando novamente o quão importantes todas eram para a capital paulista.

Além disso, o momento vivido por São Paulo era o de expansão da malha automobilística, com o alargamento de ruas e avenidas para comportar o crescente fluxo de automóveis que passaram a tomar conta da capital paulista, algo exaustivamente registrado por Haberkorn em sua coleção de fotos sobre a cidade. Dessa maneira, percebe-se que, as marcas presentes na foto, principalmente a Gulf Oil, produtora e distribuidora de petróleo, item essencial tanto para o funcionamento quanto para a construção dos automóveis, e a Companhia Paulista de Seguros, empresa vendedora de seguros, que certamente possuía assegurados proprietários desse tipo de veículo, levam, sutilmente, o espectador a pensar sobre o que se passava no Brasil no ano em que a foto foi tirada e como aqueles acontecimentos eram importantes para o país.

Aliado a isso, ao mesmo tempo em que expõe todo o poder dos prédios e como a verticalização expandiu-se no curto período de tempo entre as décadas de 1950 e 1960, Haberkorn ainda mostra, segundo o texto “A cultura metropolitana nas fotografias de Werner Haberkorn”, de Solange Ferraz de Lima, “a intensificação da verticalização, a expansão para periferia e uma reestruturação da centralidade”. Na foto, percebe-se este fato claramente, uma vez que a rua, antes dominada por casas e edificações térreas, cede lugar aos altos e enormes edifícios, que passaram a figurar, desde aquela época, como as estrelas principais da terra da garoa.

Finalmente, a imagem registrada por Haberkorn ainda desperta no espectador a curiosidade de procurar saber mais sobre o período em que foi produzida e o leva a interagir com ela, exatamente como o livro “Como pensam as imagens”, de Etienne Samain, explicita “[…] Ela é a eclosão de significações, num fluxo contínuo de pensamentos. É por essa razão que a imagem pode-se tornar, então, uma fulgurância numa noite profunda, um clarão, a aparição de uma espécie fantasmal esquecida, mas que, de repente, se desvela por um curto instante, se revela, nos lembra o tempo das existências humanas e de suas memórias, o tempo das sociedades e de suas culturas. O tempo das imagens é um pouco como o tempo dos rios e das nuvens: rola, corre, murmura, quando não se cala”. A imagem, portanto, é tanto um portal para o passado quanto uma carona para o futuro.

Referências

LIMA, Solange Ferraz de. A cultura metropolitana nas fotografias de Werner Haberkorn. Disponível em: <http://www.producao.usp.br/handle/BDPI/44502> Acesso em: 18 de novembro de 2018.

SAMAIN, Etienne. Como pensam as imagens. 1 ed. São Paulo: Editora Unicamp, 2012.