Iniciação à Pesquisa Científica em Saúde/ REPOSITÓRIO DE EXERCÍCIOS RESOLVIDOS/ Exercício 67: Risco para hipertensão em crianças

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Questão 67 - Risco para hipertensão em crianças[editar | editar código-fonte]

Para resolver esse desafio você deve primeiro ler o artigo científico: Análise de indicadores de risco para hipertensão arterial em crianças e adolescentes*. Araújo et al. Acessível em: link

Main complications of persistent high blood pressure.png

Faça uma análise crítica da metodologia cientifica utilizada, seguindo o roteiro:

a) Qual foi a questão da pesquisa a ser respondida, ou seja, o objetivo do estudo?

b) Como os autores planejaram o estudo: delineamento da pesquisa e grupos de estudo. A amostra foi aleatória?

c) Quais foram os fatores de risco estudados (variáveis preditoras) e o(s) desfecho(s)?

d) Avalie a Tabela 3 - Correlação entre as pregas cutâneas, peso, altura, IMC, perímetro da cintura e do quadril, RCQ e idade,

com a PAS e a PAD (n=342) - Fortaleza - 2005. Qual foi o teste estatístico utilizado, a hipótese nula e a interpretação do p-valor nesta tabela?

Explique suas respostas e fundamente-as com referências bibliográficas.

Resposta da questão:[editar | editar código-fonte]

A) Por objetivo entende-se aquilo é pretendido com a pesquisa, ou seja, as metas que almejamos alcançar ao final da investigação (REIS & FROTA, 2012). Os objetivos podem ser categorizados em geral e específicos:

- Objetivo geral: dimensão mais ampla pretendida com a pesquisa.

- Objetivos específicos: define metas parciais e mais específicas da pesquisa que, ao serem alcançadas sucessivamente, possibilitam atingir o objetivo geral.

"Os objetivos específicos podem ser articulados em uma lista que se inicia com propostas cognitivas de cunho mais descritivo - como identificar, descrever, sistematizar, caracterizar, indicar, levantar - e se amplia com propostas cognitivas de cunho mais explicativo e interpretativo - como comparar, relacionar, analisar." (REIS & FROTA, 2012)

A partir da leitura do artigo Análise de indicadores de risco para hipertensão arterial em crianças e adolescentes (ARAÚJO et al., 2007), e a partir dos conceitos elucidados acima tem-se como objetivo único e geral da pesquisa em questão avaliar os indicadores de risco na hipertensão arterial em crianças e adolescentes.

B) Segundo GIL, 1999, por delineamento entende-se "o planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação quanto a previsão de analise e interpretação dos dados". Há uma grande diversidade de delineamentos que será ultimamente definido pelo objeto de investigação, pela dificuldade de obtenção de dados, pelo nível de precisão exigidos e pelos recursos materiais de que dispõe o pesquisador.

A pesquisa em questão trata-se de um estudo OBSERVACIONAL transversal, desenvolvido numa escola de ensino fundamental e médio da cidade de Fortaleza-Ceará / Brasil, nos períodos de outubro de 2004 a março de 2005 e junho a outubro de 2005. TRANSVERSAL PORQUE O PREDITOR E O DESFECHO FORAM AVALIADOS TEMPORALMENTE NO MESMO MOMENTO.

A população foi composta por crianças e adolescentes de 6 a 18 anos matriculados na escola nos turnos da manhã e da tarde, totalizando 342 crianças e adolescentes (385 totais menos uma perda de 43 escolares devido a não aceitação de participar do estudo ou a saída da escola no período da coleta de dados).

Neste caso a amostra não é aleatória. Trata-se de um tipo de amostra por conveniência  por considerar todos os alunos matriculados em uma determinada escola e um determinado período de tempo sem qualquer método de seleção ou exclusão de indivíduos (REIS, 2016).

C) Antes é preciso entender os seguintes conceitos, cujas definições foram tiradas de FONTELLES, 2012:

- Variáveis preditoras: São aquelas que, em uma pesquisa, são estudadas no sentido de explicar o comportamento de uma ou mais variáveis dependentes, cujos efeitos se querem medir. Ou seja, são aquelas que precedem ou, supostamente, que predizem um determinado desfecho. São, portanto, os fatores causais de um desfecho.

- Variáveis de desfecho: São aquelas que caracterizam o efeito que se estuda e se quer explicar, de acordo com a atuação das variáveis preditoras. Em uma pesquisa, essas variáveis se situam, habitualmente, no final do processo de verificação causa-efeito e são sempre definidas na hipótese ou na questão da pesquisa.

Nesse entendimento, são variáveis preditoras da pesquisa em questão:

Categóricas: Sexo (Masculino/Feminino); Tipo e frequência de atividades físicas (adequado/inadequado); Hábito de fumar ou existência de familiares fumantes (S/N);  Consumo bebidas alcoólicas (S/N);

Numéricas: Idade; Altura; Peso corporal; Pregas cutâneas (tricipital e subscapular); Circunferência da cintura e quadril e razão entre ambas; IMC.

As variáveis de desfecho são a Pressão Arterial Sistólica (PAS) e a Pressão Arterial Diastólica (PAD), ambas numéricas.

D) A tabela 3 apresenta a correlação entre as variáveis preditoras cutâneas, peso, altura, IMC, perímetro da cintura e do quadril, RCQ e idade com as variáveis de desfecho PAS e PAD.

Como se pretende correlacionar duas variáveis quantitativas/numéricas, de modo a observar se existe, de fato, relação linear, seja direta, inversa, ou nula, o teste de hipótese mais adequado é o de correlação linear de Pearson (no caso de pelo menos uma das variáveis possuir distribuição normal) ou o de correlação de Spearman (no caso de ambas variáveis não apresentarem distribuição normal). (FONTELLES, 2012)

Para as variáveis idade, prega tricipital, prega subescapular, perímetro da cintura, razão cintura/quadril, altura e IMC foi utilizado o teste de correlação de Pearson. Para perímetro do quadril e peso, correlação de Spearman.

A hipótese nula dos testes de correlação é sempre a negação da existência de correlação estatisticamente relevante entre as variáveis. Por exemplo, para a linha 1 x coluna 1 da tabela temos H0: Não há correlação entre Idade e PAS.

A tabela nos fornece dois valores resultantes dos testes de correlação:

R: chamado de coeficiente de correlação DE PEARSON. O valor DO COEFICIENTE R=0 indica inexistência de correlação; |R| entre 0 e 0,3 uma correlação fraca; |R| entre 0,3 e 0,7 uma correlação razoável; e, finalmente, |R| maior que 0,7 uma forte correlação. O valor máximo de |R| é 1,0 quando uma indica uma proporção perfeita, representável por uma equação de primeiro grau.

P: caracteriza a validade externa dos resultados obtidos no estudo. Indica, quando menor que 0,05 que há 95% de probabilidade dos resultados obtidos no estudo se repetirem em novos estudos com diferentes amostras dentro da população. Assim, P<0,05 rejeita a hipótese nula.

No estudo pela análise de correlação entre a pressão arterial e as medidas antropométricas, a pressão arterial sistólica apresentou correlação positiva estatisticamente significante com a idade (p<0,001), a prega subescapular (p=0,003), os perímetros da cintura (p<0,001) e do quadril (p<0,001), o peso (p<0,001), a altura (p<0,001) e o IMC (p<0,001).

A pressão arterial diastólica apresentou correlacionada positiva estatisticamente significante com idade (p<0,001), perímetros da cintura (p=0,028) e do quadril (p=0,001), peso (p=0,002) e altura (p<0,001). A RCQ apresentou correlação negativa com a pressão arterial sistólica (p=0,011) e a pressão arterial diastólica (p=0,001).

Para as demais variáveis encontrou-se p>0,05 não podendo se considerar a existência se correlação estatisticamente significante das mesmas com os valores de PAS e PAD.

Indexadores do tema deste exercício[editar | editar código-fonte]

Comparação entre grupos amostrais em saúde

Teste de correlação linear simples

Testes de hipóteses

Bioestatística computacional

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

FONTELLES, Mauro José. Bioestatística aplicada à pesquisa experimental: volume 1. São Paulo:  Editora Livraria da Física, 2012.

FONTELLES, Mauro José. Bioestatística aplicada à pesquisa experimental: volume 2. São Paulo:  Editora Livraria da Física, 2012.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5a Edição. São Paulo: Editora Atlas, 1999.

REIS, Alcenir Soares dos; FROTA, Maria Guiomar da Cunha. Guia básico para a elaboração do projeto de pesquisa. Material complementar do projeto Educação científica e cidadania: abordagens teóricas e metodológicas para a formação de pesquisadores juvenis. Maria Aparecida Moura (Org.). Belo Horizonte: UFMG / PROEX, 2012.

REIS, Marcelo Menezes. Estatística para administradores I: Notas de Aula. Apostila para disciplina INE 7001, da graduação em Administração da UFSC. Santa Catarina: UFSC, 2016.

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