Aquisição e Desenvolvimento da Leitura e da Escrita/Principais Aspectos do Desenvolvimento da Leitura

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Principais Aspectos do Desenvolvimento da Leitura

No século passado, muitos educadores consideravam que o ensino formal da leitura tinha início na primeira série do Ensino Fundamental, fase este em que a Educação Infantil já preparou o aluno para a futura escolaridade. Hoje, porém, o enfoque denominado leitura emergente, valoriza as atividades típicas da noção de preparação como, por exemplo, o desenvolvimento das funções básicas. Tal enfoque supõe que a aprendizagem da leitura não tem uma sequência definitiva, assim como não possui um ponto real de partida (ALLIENDE & CONDEMARÍN, 2005).

Considerações iniciais: objetivos e fatores que influenciam o desenvolvimento da leitura

Alliende & Condemarín (2005) elencam as principais proposições da leitura emergente:

  • O conceito do letramento evolutivo é mais apropriado para descrever o que tradicionalmente se denominou preparação para a leitura, já que a criança não se envolve meramente como leitor, mas como leitor/escritor;
  • A leitura se desenvolve no contexto das atividades da realidade;
  • As crianças aprendem a linguagem escrita através de atividades que o comprometem com seu mundo;
  • As crianças se tornam letradas por um nível muito amplo de conhecimentos, de disposições e de estratégias;
  • Mesmo que a aquisição da leitura possa ser descrita através de etapas gerais, as crianças adquirem a leitura e a escrita com diferentes ritmos e mediante uma variedade de caminhos (ALLIENDE, 2005, apud GAIARDO, 2014, p. 11).

Alliende & Condemarín (2005) afirmam ser importante envolver as crianças, desde cedo, em um ambiente letrado, oportunizando a criança a possibilidade de abstrair a linguagem escrita de seu contexto. Assim a leitura tem melhor desenvolvimento quando ocorre numa sala de aula com variedade de estímulos para a linguagem oral e escrita, que possibilite experiências informativas que permitam às crianças escutar, olhar e descrever, expressando sentimentos e pensamentos.

Também a utilização de textos autênticos da sala de aula e do ambiente próximo, estimula sensivelmente a habilidade natural das crianças de formular perguntas relacionadas ao mundo que a cerca. Sendo assim, é recomendável o uso de catálogos, cartazes, anúncios comerciais, receitas, embalagens, cartas, entre outros.

Já o trabalho do professor pode ser enriquecido com o uso de livros, manuais, cadernos para as crianças ou softwares educativos que, normalmente, vêm acompanhados de sugestões metodológicas.

A aprendizagem da leitura pode ser entendida como sendo um processo integrado por quatro fases, determinadas pela necessidade de sistematizar a informação, sendo: emergente, inicial, das séries intermediárias e avançada (ALLIENDE, 2005, apud GAIARDO, 2014, p. 11).

É importante frisar que os alunos precisam de um espaço para a seleção de suas leituras, considerando suas necessidades pessoais, interesses e o nível de leitura. Além disso, eles devem dispor de um horário onde possam realizar suas leituras sem serem interrompidos.

Betts apud Alliende & Condemarín (2005) classificam a competência na leitura do aluno em três níveis, com seus correspondentes critérios:

  1. Nível independente, onde a criança pode ler o material de forma independente com fluência, precisão e compreensão;
  2. Nível instrucional, onde a criança pode ler o material com leitura guiada ou apoiada;
  3. Nível de frustração, onde a criança não está pronta para ler o material e mostra um padrão de frustração quando tenta fazê-lo.

Na visão de Alliende & Condemarín (2005), o principal objetivo da leitura é conduzir à compreensão da linguagem escrita, implicando um processo de pensamento multidimensional existente na interação entre leitor, texto e contexto. É essencial que o leitor interligue seus conhecimentos prévios com as novas informações fornecidas pelo texto. É primordial que a criança tenha consciência das interações que ela faz em sua comunicação com a linguagem escrita, assim como é importante desenvolver estratégias naturais para trabalhar com informações gráficas, fonética, semântica e sintática.

A prática docente diária permite afirmar que, o professor deve ter consciência da necessidade de conhecer os interesses de leitura de seus alunos, com o objetivo de programá-los com materiais a ela relacionados. Outro fato importante é a integração da comunidade, principalmente da família, na promoção da leitura para crianças e adolescentes.

Joilbert et al. (1994), ao discorrer sobre a atuação dos pais no aprendizado da leitura de seus filhos, orientam que modificar profundamente as práticas pedagógicas nunca torna simples as relações com os pais de alunos. Ao lado de alguns pais informados, disponíveis para as mudanças e de pais que confiam na escola para possível promoção para seus filhos, a maioria dos pais mostra-se angustiados frente à incerteza das perspectivas de futuro escolar e profissional de seus filhos, embaraçados em relação aos "métodos modernos" para os quais não têm mais os critérios de seu próprio passado escolar, preocupados ante o que eles vivenciam amiúde como a tolerância excessiva dessa nova escola na qual "as crianças só fazem o que querem", onde "só brincam", etc.

Não é por acaso que o processo de aprendizado da leitura constitui-se dos pontos de cristalização dessas preocupações: os pais sabem muito bem que o domínio do ler/escrever é um dos fatores determinantes do sucesso ou do fracasso escolar. Além disso, muitos consideram como sendo em simultâneo, sua obrigação e seu prazer "fazer ler" seus filhos, à noite, em casa. Paralelamente, é preciso reconhecer que os docentes que tentam transformar suas práticas às vezes não têm segurança e hesitam ao enfrentarem o que eles vivem primeiramente como sendo as críticas dos pais, adotando posturas tensas ou defensivas.

Joilbert et al. (1994) instruem que muito significativo é o ato de os pais lerem histórias para seus filhos, levando-os a dizerem o que imaginam que irá acontecer na página seguinte.

Entretanto, sabe-se que nem todos os pais participam da mesma forma na escola e no sucesso escolar de seus filhos, cabendo aos professores procurar métodos que permitam que cada um encontre um lugar onde se sinta à vontade e envolvido.

Bamberger (1987) orienta que nos primeiros anos de leitura todos os livros devem ser impressos em letras grandes, o que garante movimentos fáceis e corretos dos olhos. De forma semelhante, um espaçamento maior entre as linhas e as divisões do texto exerce efeito positivo sobre o desejo de ler.

Segundo Bamberger (1987, p. 50) as ilustrações nos livros infantis exercem atração redobrada sobre os principiantes e os maus leitores: "elas ornamentam o texto, estimulam o interesse e dividem o livro de modo que a criança possa virar as páginas com frequência e ter a impressão de estar lendo depressa".