Civilização Aruaque/História: diferenças entre revisões

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No entanto, no século XV, estavam sendo afetados pela expansão dos povos de línguas caribes, que já dominavam as pequenas ilhas do sul do Caribe. Neste contexto, em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou nas Bahamas, tomando posse do território em nome dos reis espanhóis e travando contato com os iucateianos, um povo de língua aruaque. Os primeiros contatos dos europeus com os povos locais foram amistosos. Porém, um século após este encontro inicial, os povos aruaques do Caribe estavam praticamente dizimados pelas doenças trazidas pelos europeus (principalmente a varíola e o sarampo) e pela violência e trabalhos forçados a que foram submetidos pelos colonos espanhóis, obcecados por metais preciosos ou qualquer outra riqueza que pudessem extrair das terras americanas, incluindo algodão e outros produtos agrícolas, os quais deveriam ser pagos aos espanhóis a título de tributo. Muitos líderes aruaques se rebelaram contra os espanhóis: Hatuey, que partiu do Haiti para Cuba para alertar sobre a violência, a crueldade e as armaduras de ferro dos espanhóis; Anacaona, uma grande líder taino haitiana que tentou negociar a paz com os espanhóis, mas acabou morta por estes; e Enriquillo, neto de Anacaona, criado por religiosos espanhóis em Santo Domingo, que, após ter sua mulher estuprada por um espanhol, liderou uma bem-sucedida revolta contra os espanhóis na República Dominicana.
No entanto, no século XV, estavam sendo afetados pela expansão dos povos de línguas caribes, que já dominavam as pequenas ilhas do sul do Caribe. Neste contexto, em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou nas Bahamas, tomando posse do território em nome dos reis espanhóis e travando contato com os iucateianos, um povo de língua aruaque. Os primeiros contatos dos europeus com os povos locais foram amistosos. Porém, um século após este encontro inicial, os povos aruaques do Caribe estavam praticamente dizimados pelas doenças trazidas pelos europeus (principalmente a varíola e o sarampo) e pela violência e trabalhos forçados a que foram submetidos pelos colonos espanhóis, obcecados por metais preciosos ou qualquer outra riqueza que pudessem extrair das terras americanas, incluindo algodão e outros produtos agrícolas, os quais deveriam ser pagos aos espanhóis a título de tributo. Muitos líderes aruaques se rebelaram contra os espanhóis: Hatuey, que partiu do Haiti para Cuba para alertar sobre a violência, a crueldade e as armaduras de ferro dos espanhóis; Anacaona, uma grande líder taino haitiana que tentou negociar a paz com os espanhóis, mas acabou morta por estes; e Enriquillo, neto de Anacaona, criado por religiosos espanhóis em Santo Domingo, que, após ter sua mulher estuprada por um espanhol, liderou uma bem-sucedida revolta contra os espanhóis na República Dominicana.
[[File:Hatuey.jpg|center|160px|thumb|Baixorrelevo no parlamento cubano mostrando a morte de Hatuey, líder taino que incitou seu povo na luta contra os espanhóis]]
[[File:Hatuey.jpg|center|160px|thumb|Baixorrelevo no parlamento cubano mostrando a morte de Hatuey, líder taino que incitou seu povo na luta contra os espanhóis]]
Melhor sorte tiveram os povos aruaques da América do Sul, protegidos pelas florestas. Alguns desses grupos conseguiram chegar até os dias de hoje com sua cultura praticamente intacta, como os tariana da Colômbia e do noroeste do estado brasileiro do Amazonas, os palicure da Guiana Francesa e do norte do estado brasileiro do Amapá, os yawalapiti do Parque Indígena do Xingu, no Brasil, os baniwa da fronteira tríplice entre Brasil, Colômbia e Venezuela, os kulina e os kampa do estado brasileiro do Acre e do Peru, os enaunê-nauê, pareci, uaurá e meinaco do estado brasileiro de Mato Grosso, os apurinã, deni, uarequena e kuripako do estado brasileiro do Amazonas, os terena do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul e os uapixana do estado brasileiro de Roraima<ref>http://www.suapesquisa.com/musicacultura/povos_indigenas.htm</ref>. Os baré e os werekena, do estado brasileiro do Amazonas e da Venezuela, conseguiram preservar sua identidade, embora tenham substituído sua língua original aruaque pelo nheengatu, a língua geral amazônica, de origem tupi e introduzida pelos padres carmelitas.
Melhor sorte tiveram os povos aruaques da América do Sul, protegidos pelas florestas. Alguns desses grupos conseguiram chegar até os dias de hoje com sua cultura praticamente intacta, como os tariana da Colômbia e do noroeste do estado brasileiro do Amazonas, os palicure da Guiana Francesa e do norte do estado brasileiro do Amapá, os yawalapiti do Parque Indígena do Xingu, no Brasil, os baniwa da fronteira tríplice entre Brasil, Colômbia e Venezuela, os kulina e os kampa do estado brasileiro do Acre e do Peru, os enaunê-nauê, pareci, uaurá e meinaco do estado brasileiro de Mato Grosso, os apurinã, deni, uarequena e kuripako do estado brasileiro do Amazonas, os terena do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul e os uapixana do estado brasileiro de Roraima<ref>http://www.suapesquisa.com/musicacultura/povos_indigenas.htm</ref>. Os baré e os werekena, do estado brasileiro do Amazonas e da Venezuela, conseguiram preservar sua identidade, embora tenham substituído sua língua original aruaque pelo nheengatu, a língua geral amazônica, de origem tupi e introduzida pelos padres carmelitas<ref>http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare</ref>.
[[File:Baré people in Cuieiras river.jpg|center|200px|thumb|Índios baré no Rio Cuieiras]]
[[File:Baré people in Cuieiras river.jpg|center|260px|thumb|Índios baré da Comunidade Nova Esperança no Rio Cuieiras, um afluente do Rio Negro, na Amazônia]]
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[[Categoria:Civilização Aruaque|H]]
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Revisão das 15h25min de 3 de março de 2010

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Os povos de línguas aruaques são originários da região da atual fronteira entre Brasil e Venezuela. Dessa região, se expandiram em todas as direções, atingindo regiões como a atual Flórida, a Bolívia, a ilha brasileira de Marajó e o noroeste argentino. No início da era cristã[1], ocuparam as ilhas do Caribe, submetendo à escravidão os habitantes originais, chamados siboney ou guanahatabey.

Distribuição de povos aruaques taino no Caribe, no século XV
Ficheiro:Arawak-Languages2.png
Distribuição atual dos povos de língua aruaque na América do Sul
Cayo Largo, Cuba. "Cuba" vem do termo taino cubanacan, que significa "lugar central"

No entanto, no século XV, estavam sendo afetados pela expansão dos povos de línguas caribes, que já dominavam as pequenas ilhas do sul do Caribe. Neste contexto, em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou nas Bahamas, tomando posse do território em nome dos reis espanhóis e travando contato com os iucateianos, um povo de língua aruaque. Os primeiros contatos dos europeus com os povos locais foram amistosos. Porém, um século após este encontro inicial, os povos aruaques do Caribe estavam praticamente dizimados pelas doenças trazidas pelos europeus (principalmente a varíola e o sarampo) e pela violência e trabalhos forçados a que foram submetidos pelos colonos espanhóis, obcecados por metais preciosos ou qualquer outra riqueza que pudessem extrair das terras americanas, incluindo algodão e outros produtos agrícolas, os quais deveriam ser pagos aos espanhóis a título de tributo. Muitos líderes aruaques se rebelaram contra os espanhóis: Hatuey, que partiu do Haiti para Cuba para alertar sobre a violência, a crueldade e as armaduras de ferro dos espanhóis; Anacaona, uma grande líder taino haitiana que tentou negociar a paz com os espanhóis, mas acabou morta por estes; e Enriquillo, neto de Anacaona, criado por religiosos espanhóis em Santo Domingo, que, após ter sua mulher estuprada por um espanhol, liderou uma bem-sucedida revolta contra os espanhóis na República Dominicana.

Baixorrelevo no parlamento cubano mostrando a morte de Hatuey, líder taino que incitou seu povo na luta contra os espanhóis

Melhor sorte tiveram os povos aruaques da América do Sul, protegidos pelas florestas. Alguns desses grupos conseguiram chegar até os dias de hoje com sua cultura praticamente intacta, como os tariana da Colômbia e do noroeste do estado brasileiro do Amazonas, os palicure da Guiana Francesa e do norte do estado brasileiro do Amapá, os yawalapiti do Parque Indígena do Xingu, no Brasil, os baniwa da fronteira tríplice entre Brasil, Colômbia e Venezuela, os kulina e os kampa do estado brasileiro do Acre e do Peru, os enaunê-nauê, pareci, uaurá e meinaco do estado brasileiro de Mato Grosso, os apurinã, deni, uarequena e kuripako do estado brasileiro do Amazonas, os terena do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul e os uapixana do estado brasileiro de Roraima[2]. Os baré e os werekena, do estado brasileiro do Amazonas e da Venezuela, conseguiram preservar sua identidade, embora tenham substituído sua língua original aruaque pelo nheengatu, a língua geral amazônica, de origem tupi e introduzida pelos padres carmelitas[3].

Índios baré da Comunidade Nova Esperança no Rio Cuieiras, um afluente do Rio Negro, na Amazônia

Referências