Microeconomia/Oferta e demanda

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Este capítulo é um dos capítulos mais importantes que vão dar os conhecimentos necessários para a compreensão do modelo de procura e oferta que abordaremos nos próximos capítulos. Neste capítulo vamos abordar o conceito de valorização marginal (pegando em conceitos do capítulo 1), a partir deste conceito tiraremos várias conclusões que nos levarão inevitavelmente a definr a curva da procura. Estudaremos as suas características, determinantes e procura individual vs. de mercado. Analogamente faremos o mesmo para a curva da Oferta.

Note que por definição (ainda que não lhe faça muito sentido), no eixo do x é representada a quantidade e no do y os preços.

Com base nestes conceitos está tudo pronto para introduzir o modelo procura-oferta.

A Valorização Marginal[editar | editar código-fonte]

Da mesma forma como no capítulo anterior trabalhámos sempre com o mesmo exemplo (Ilha Selvagem e a Ilha Tórrida), vamos agora introduzir um novo exemplo para nos ajudar a compreender os conceitos destes novo capítulo.

Considere o seguinte:

O Sr. Silva vai de manhã a uma pastelaria comprar um bolo para o seu pequeno-almoço. O preço dos bolos é de 1€.

Este exemplo envolverá um raciocínio semelhante ao que utilizámos com o exemplo a gasolina no capítulo 1.

Como o Sr. Silva está cheio de fome, valoriza o consumo do bolo em 5€. Em relação ao consumo de um segundo bolo valoriza-o em 3€ (pois continua com fome). Continuando este raciocínio chegamos ao ponto em que valoriza o consumo de um terceiro bolo em apenas 2€, o quarto em 0,5€ e os seguintes em 0€ (pois mesmo que lhe fossem oferecidos o Sr. Silva não consumiria os bolos pois já estava satisfeito). Esta lógica reflete a valorização total que o sr. Silva faz do bem e que é representada pelo gráfico seguinte.


Valorização total.png


O Gráfico representa as valorizações totais. Ou seja o valor máximo que o Sr. Silva está disposto a pagar para consumir as diferentes unidades de bolos.

Este exemplo permite concluir que, há medida que aumenta a disponibilidade de um bem, o acréscimo de valor que estamos dispostos a pagar.

Falando em valorizações totais e em "acréscimo de valor", surge inevitavelmente a questão "Quanto estou no máximo disposto a pagar por mais uma unidade do bem?". Os mais perspicazes já perceberam que nos referimos precisamente ao pensamento na margem. Temos por isso que traduzir o gráfico da valorização total para o gráfico da valorização marginal. Este novo gráfico representa precisamente o acréscimo de valor que estamos dispostos a pagar. E o valor máximo dispostos a pagar será a área total debaixo da curva da valorização marginal.


Val marg.png


A área por baixo da curva de valorização marginal corresponde ao excedente bruto do consumidor (V). Se subtrairmos a V o valor efetivamente pago pelo consumidor (D), obtemos o excedente líquido do consumidor (S), que analisaremos no capítulo 3.

É importante compreender que a análise total é substituída em microeconomia pela análise marginal.

Desta seção, os aspectos importantes a reter são:

  • O gráfico da valorização marginal corresponde à derivada do gráfico da valorização total.
  • A curva da valorização marginal corresponde à curva da PROCURA, que analisaremos na próxima seção.

A Procura[editar | editar código-fonte]

A Curva da Procura[editar | editar código-fonte]

A Curva da Procura corresponde à valorização marginal que os consumidores fazem do bem. De novo aplica-se o conceito de pensamento na margem e na valorização de uma unidade adicional do bem. A curva da procura representa por isso o acréscimo de valor máximo que o consumidor está disposto a pagar para obter mais uma unidade do bem.

Normalmente a curva é decrescente uma vez que há medida que mais unidades do bem são disponibilizadas, menor a nossa valorização até ao ponto em que não necessitamos de mais unidades do bem. Nesse ponto (em que o acréscimo de valor é 0), a procura intersecta com o eixo do X, que representa as quantidades. Indicando por isso a quantidade máxima que o consumidor está disposto a adquirir quando o preço é igual a zero.

Parte-se também do princípio que o consumidor é price-taker. A sua decisão de comprar mais ou menos unidades não vai influenciar o preço do mercado.

Procura.png

A imagem de cima representa uma curva da procura. É senso comum (e a curva mostra precisamente isso) que se subirmos o preço a quantidade procurada diminui, e se baixarmos o preço a quantidade procurada aumenta. O ponto de equilíbrio será determinado a partir da intersecção com a curva da Oferta (algo que será analisado no capítulo 3). Neste caso, partindo que o equilíbrio é o representado no gráfico, a despesa do consumidor é representada pela área a azul.

Determinantes da Procura[editar | editar código-fonte]

São determinantes da procura os seguintes fatores:

  • Bens substituíveis
  • Bens complementares
  • Rendimento
  • Moda (alteração nas preferências do consumidor)
  • Expectativas.

Se o preço de um bem substituto (bem com características semelhantes: ex: laranja e tangerina) baixar, os consumidores comprarão mais esse bem e diminuirão a compra do bem inicial.

Se o preço de um bem complementar (bem que complementa o nosso: carro e a gasolina) baixar, os consumidores irão comprar mais de ambos os bens, uma vez que só se encontra utilidade com os dois bens e não apenas com um.

Se o rendimento disponível das famílias diminuir a quantidade procurada dos bens irá diminuir.


Alterações no preço correspondem a alterações NA curva da procura.

Alterações num dos determinantes correspondem a alterações DA curva da procura: expansões ou contrações.

Procura alteraçoes.png

Procura de mercado[editar | editar código-fonte]

Até agora falámos na procura de um consumidor. Contudo, em economia para definir um preço não criamos um equilíbrio para cada consumidor mas sim um equilíbrio para cada mercado. Sendo que cada mercado é constituído por vários consumidores é necessário agregar as suas curvas da procura individuais de modo a obter uma curva da procura de mercado.

É muito importante ter noção de que as curvas da procura Agregam-se sempre pelas quantidades.

Se todos os consumidores tiverem preferências idênticas, teremos apenas que multiplicar as curvas da procura individuais pelo número de consumidores.

Exemplo: Numa cidade a curva da procura de cada habitante para o consumo de bolos é P=10-Q. A cidade tem 100 habitantes. Calcule a curva de procura de mercado.

Nesta situação temos primeiro que colocar a função em ordem às quantidades: Q=10-P.

Depois é apenas multiplicar esta expressão pelos 100 habitantes e iremos obter: Q=1000-100P.

Esta é a procura de mercado que será utilizada para o cálculo de equilíbrios.

Se os consumidores tiverem preferências diferentes é necessário dividir a procura em ramos. O primeiro ramo com a soma das procuras de todos os grupos que consomem até ao ponto X. (Q = Q1 + Q2). O outro ramo terá apenas o grupo que consome para lá do ponto X (Q = Q1).

Esta situação ocorre várias vezes em situações de preços não-lineares e valorizações diferentes num mesmo grupo de pessoas.

A Oferta[editar | editar código-fonte]

A Curva da Oferta[editar | editar código-fonte]

A Curva da Oferta corresponde ao valor mínimo que o vendedor está disposto a receber para vender determinada quantidade de um bem. bem. De novo aplica-se o conceito de pensamento na margem e do custo que tem vender de uma unidade adicional do bem. A curva da oferta representa por isso o acréscimo de valor mínimo que o vendedor está disposto a receber para abdicar de mais uma unidade do bem.

Normalmente a curva é crescente uma vez que há medida que o consumidor está disposto a pagar mais, o produtor irá colocar mais unidades à venda no mercado. Quando porém o preço diminui, o produtor coloca menos unidades no mercado, provocando desta forma alterações na curva da oferta.

O modelo aplica-se a um vendedor price-taker: não escolhe os preços. Através dos preços e dos custos de produção é determinada a quantidade que põe à venda. A quantidade que maximiza o seu excedente será a mesma que maximizará o seu lucro.

A área por baixo da curva da oferta representa os custos variáveis na produção de X unidades do bem. Esta curva permite responder à questão: "Produzo Q. Quanto tenho que receber para estar disposto a produzir um pouco mais?".

A resposta a esta questão é imediata. O produtor tem que receber no mínimo o valor que permita cobrir os seus custos adicionais na produção dessa unidade. Esses custos adicionais são retratados pelo custo marginal. Assim, conclui-se que a curva da oferta é igual ao custo marginal.

Oferta.png

Determinantes da Oferta são determinantes da procura os seguintes fatores:[editar | editar código-fonte]

  • Tecnologia
  • Bens substitutos
  • Bens complementares
  • Salários

Alterações no preço correspondem a alterações NA curva da oferta.

Alterações num dos determinantes correspondem a alterações DA curva da oferta: expansões ou contrações.

Oferta de mercado[editar | editar código-fonte]

Da mesma forma como agregámos as curvas da procura individuais é necessário fazer o mesmo para as curvas da oferta.

Num determinado mercado existem vários produtores. Cada produtor terá uma curva da oferta individual que indica o valor mínimo que permite cobrir os seus custos variáveis. A Oferta de mercado irá resultar na adição horizontal de todas as ofertas individuais.

Desta forma temos de novo que é importante ter noção de que as curvas da oferta também agregam-se sempre pelas quantidades.

A forma como se agrega a Oferta é idêntica à da procura.

Conclusão[editar | editar código-fonte]

Com base nestes conhecimentos sobre a curva da procura e da oferta será agora possível estudar os equilíbrios de mercado com o modelo de procura-oferta que iremos analisar no próximo capítulo.