Mecânica Newtoniana/Trajetórias e Geometria Diferencial

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[editar] Elementos de geometria diferencial de curvas.

Trajetórias são curvas no espaço tridimensional. Para melhorar nosso arsenal de terminologia e objetos matemáticos à disposição para tratar trajetórias, vamos fazer uma incursão brevíssima sobre os capítulos introdutórios da geometria diferencial. Imagine que, a partir de certa posição inicial \vec{x}_0 deixemos transcorrer um intervalo de tempo infinitesimal dt. Neste intervalo de tempo, a variação no vetor posição será dada por:


d\vec{x} = \frac{d\vec{x}}{dt} dt = \vec{v}dt

A distância percorrida neste pequeno intervalo de tempo será então dada por:


ds^2 = d\vec{x}\cdot d\vec{x} = |\vec{v}|^2 dt^2

Logo, a distância entre dois pontos separados por uma distância finita na trajetória de um corpo puntual é dada por:


s(\vec{x}_1, \vec{x}_2) =\int_{t_1}^{t_2} ds = \int_{t_1}^{t_2} \left| \frac{d\vec{x}}{dt} \right| dt = \int_{t_!}^{t_2} |\vec{v}| dt

Podemos usar para para parametrizar a trajetória a função s(t) = s(\vec{x}(t),\vec{x}_0) com \vec{x}_0 um certo ponto inicial sobre a trajetória. Dessa forma podemos escrever a trajetória da forma:


\vec{x} = \vec{x}(s)

Vamos definir então o vetor \vec{\tau} como:


\vec{\tau} = \frac{d\vec{x}}{ds}

Este vetor aponta sempre na direção tangente à trajetória, e será denominado simplesmente vetor tangente. O vetor tangente tem módulo unitário:


\vec{\tau}\cdot\vec{\tau} = \frac{d\vec{x} \cdot d\vec{x}}{ds^2} = \frac{ds^2}{ds^2} = 1

Repare que o vetor \vec{\tau} varia ao longo da trajetória e é, portanto, um função do tempo. Note que a velocidade é dada por:


\vec{v} = \frac{d\vec{x}}{dt} = \frac{d\vec{v}}{ds}\frac{ds}{dt} = v(t)\vec{\tau}

e portante é sempre paralela ao vetor tangente. A quantidade:


v(t) = \frac{ds}{dt}

é a distância percorrida por unidade de tempo sobre a trajetória, comumente denominada nos livros de Física do Ensino Médio de velocidade escalar instantânea. A partir desse resultado podemos escrever então:


\vec{a} = \frac{d\vec{v}}{dt} =\frac{d}{dt}\left(v(t)\vec{\tau}\right) = \frac{dv}{dt}\vec{\tau}+ v^2\frac{d\vec{\tau}}{ds}.

Vamos definir neste ponto o que denominaremos vetor de curvatura:


\vec{k} = \frac{d\vec{\tau}}{ds}.

O vetor de curvatura é perpendicular ao vetor tangente, como podemos facilmente deduzir da expressão para o módulo de \vec{\tau}:


\frac{d(\vec{\tau}\cdot\vec{\tau})}{ds} = 0 \implies \vec{\tau}\cdot\frac{d\vec{\tau}}{ds} = 0.

Definimos a função curvatura k(s) de uma curva espacial como o módulo do vetor de curvatura \vec{k}. A razão dessa definição é que o inverso da curvatura é exatamente igual ao inverso do raio do círculo osculante à curva no ponto \vec{x}(s), ou seja, do círculo que melhor aproxima o trecho infinitesimal da curva em torno deste ponto. Escrevendo de forma explícita:


k(s) = \frac{1}{R(s)}.

R(s) também é denominado raio de curvatura no ponto \vec{x}(s). O vetor unitário associado a \vec{k} é perpendicular à tangente da trajetória e é denominado vetor normal:


\vec{n} = \frac{1}{k} \vec{k}.

Este vetor é unitário, perpendicular à tangente da curva e aponta sempre na direção do centro do círculo osculante.

[editar] Acelerações centrípeta e tangencial.

A expressão para a aceleração pode ser escrita na forma:


\vec{a} = \frac{dv}{dt}\vec{\tau}+ v^2\frac{d\vec{\tau}}{ds} = \frac{dv}{dt}\vec{\tau}+ v^2 \frac{1}{R} \vec{n}

A aceleração pode ser, portanto, separada em duas contribuições, a aceleração tangencial:


\vec{a}_t =  \frac{dv}{dt}\vec{\tau},

e a aceleração centrípeta:


\vec{a}_c =  \frac{v^2}{R} \vec{n}