Civilizações da Antiguidade/Imprimir

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Ir para: navegação, pesquisa


Índice

Como se faz a História

A História é feita todos os dias
Queda da Bastilha.

Como se faz a história[editar | editar código-fonte]

História significa investigação e essa é uma palavra de origem grega.

Então o que investigar? Tudo.

Tudo o que acontece no universo, tudo o que muda e se transforma, isso é matéria para investigação e, na medida em que o universo está em constante mutação, temos matérias infinitas para estudo.

A história é uma ciência do presente, porque o presente é um reflexo (embora não direto) do passado. A relação entre o passado e o presente escreve a história.

A história é feita todos os dias, ela não para. Todos os dias nós fazemos a história.

Não é possível sentir que a história é algo que ocorre distante de nós, ela é o estudo de um passado vivo, o passado da humanidade, onde estamos incluídos. Muitas vezes é preciso buscar nos acontecimentos do passado a resposta para questões atuais.

Titanic afunda.

Ao começar um estudo sério da história poderemos entender como as sociedades se desenvolveram ao longo do tempo, quais foram os fatores determinantes para certas situações enfrentadas pelo mundo atual, sejam eles políticos, religiosos, étnicos, sociais, financeiros.

A história é feita por gente como nós, por gente em quem nós votamos e escolhemos como líderes. A história é feita de pequenos atos, de grandes feitos, de atrocidades e de heroísmo. A história é viva e está em ação!

Os antigos historiadores[editar | editar código-fonte]

As fontes para investigação são várias, mas, sem dúvida é complicado levantar a pré-história, ou seja, a história que existiu sem deixar nada além de vestígios. Mesmo assim, através de pinturas nas cavernas e outras pistas, podemos presumir um pouco da vida dos nossos ancestrais.

Alguns povos nos deixaram documentos de inestimável valor tanto em artes de modo geral, como, e principalmente, escritos. No Egito, na Mesopotâmia e em outras civilizações, os estudiosos coletaram mais do que um tesouro em ouro ou pedras preciosas. Eles coletaram informações, que são o maior tesouro para um estudioso da história.

As pessoas responsáveis pelos documentos escritos e pelas obras artísticas em geral, foram os historiadores anônimos que anotaram eventos que nos permitem conhecer melhor o desenvolvimento das culturas da época.

A partir daí temos os grandes legados de Heródoto, Tucídides, Plutarco e tantos outros que ajudaram a escrever a história.

Segunda guerra mundial.

Hoje, ao lermos os jornais e acompanharmos a política nacional, internacional, as disputas étnicas, a imigração ilegal, as guerras fratricidas, estamos lendo a história acontecendo na frente de nossos olhos. Mas, essas notícias só se tornam história depois de passado algum tempo. A história é lenta. Hoje são fatos, notícias, amanhã será história.

Marco zero, torres gêmeas, NY.

É possível fazer um paralelo com a vida humana. Olhando para a nossa infância vamos perceber uma série de mudanças ao longo da vida. Assim é a história da humanidade: desde que o homem engatinhava na pré-história ele deixou marcas que vão sendo estudadas. E assim através dos tempos, os homens vão deixando acontecimentos marcantes, para o bem ou para o mal.

O estudo desses fatos, desses acontecimentos, trazem informações para o crescimento e aprimoramento das sociedades.

Assim, vamos nós, todos, não apenas assistindo a história acontecer, mas também fazendo a nossa parte nas mudanças que desejamos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Origens do ser humano

A criação de Adão 1511 Michelangelo

O desejo de conhecer as origens do ser humano provavelmente já passou, ou irá passar pela cabeça de cada pessoa.

A busca por esse conhecimento pode começar em uma aula de história, em uma discussão filosófica, ou mesmo em uma pesquisa acadêmica.

No entanto, é bom lembrar que em qualquer investigação séria de tais origens sempre será preciso lidar com eventos ou registros de informações que datam de muito tempo atrás. Tendo isso em mente, é fácil entender porque há tantas teorias diferentes quando se fala das origens do universo, ou no presente contexto, do próprio ser humano, as informações se tornam cada vez mais escassas, ou imprecisas conforme remetem a fatos mais distantes da era atual.

evolução segundo Darwin

Quem nunca ouviu dizer, ou leu algum texto dizendo que o homem é descendente de espécies de hominídeos? Ou ainda, que fomos criados à imagem e semelhança de Deus?

Na falta de informações a respeito do passado, muitos simplesmente acreditam em uma ou outra teoria, por razões tão diversas quanto se possa imaginar.

A-DNA


A variedade de teorias, frequentemente contraditórias (e que por vezes colocam a Ciência como inimiga da Religião), pode gerar discussões enriquecedoras, tanto quanto desentendimentos sérios. Por isso, é sempre preciso muito cuidado (leia-se tato) ao falar, escrever, e até mesmo ao refletir sobre tais assuntos.


Essas primeiras considerações reforçam, no contexto deste capítulo, que o texto deste livro pretende ser neutro ao expor os diversos pontos de vista existentes sobre o assunto, citando tantas referências quantas forem necessárias, deixando claro que determinadas passagens são apresentadas com o único interesse de tornar mais completo o material aqui apresentado, sem torná-lo unilateral, nem favorecer uma teoria em relação às demais.

A evolução dos hominídeos


Visão geral da evolução dos seres humanos desde as raízes mais afastadas[editar | editar código-fonte]

Vale Malapa

Vamos nos basear aqui, na visão científica da evolução humana.

A descoberta de fósseis é a ferramenta que possibilita o estudo da evolução do Homem, o problema é a dificuldade de encontrar fósseis humanos.

Diversos fatores contribuíram para essa escassez, os Homens existiram em pequeno número, se reproduziam lentamente, não viviam em locais propícios como moluscos e ostras. Muitas vezes, os Homens viviam e morriam a céu aberto, o que tornava fácil que seus ossos fossem arrastados ou levados por animais.

Na foto a sua direita, temos o local chamado, hoje, de berço da humanidade, fica na África do Sul e em 2011 alí foram encontrados os fósseis das mais antigas espécies do australopithecus sediba.

Enfim, sempre estão surgindo novidades relacionadas à pesquisa da evolução dos seres humanos, o que permite sempre surpresas e discussões.


Há milhões de anos, a África era coberta por florestas densas e alí, um ser, meio homem, meio macaco, se desenvolveu. Com a modificação do relevo e do clima, mudou também a vegetação e assim, sobreviveram os mais aptos e de modo diferente se desenvolveram.

Sm12.jpg

Durante milhões de anos foram acumulando modificações. Acredita-se que a partir de um determinado ser que viveu entre 5 e 7 milhões de anos, surgiu a família humana. Entre esses seres e o ser humano atual, existiram as mais diversas espécies. Através dos fragmentos de fósseis encontrados, os estudiosos definiram que o volume do cérebro humano quase triplicou, e a estatura também aumentou.

Assim, ao longo de milhões de anos o ramo de onde se originam os macacos antropóides se tornou totalmente diferente da nova linhagem que se desenvolveu até atingir o nível humano.

Aqui temos um texto de Marcelo Szpilman que é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos:


Apresentação simplificada da ordem dos Primatas:

  • 1- Subordem dos Prosímios (lêmures, indris, gálagos e társios).
  • 2- Subordem dos Símios ou Antropóides
    • 2.1- Grupo dos Platirrinos (macacos com cauda do novo mundo, como os macacos-aranha, macacos-prego, bugios, sagüis e micos).
    • 2.2- Grupo dos Catarrinos
      • 2.2.1- Superfamília dos Cercopitecóides (macacos com cauda do velho mundo, como os babuínos, mandris e macacos colobos, langures e cercopitecos).
      • 2.2.2- Superfamília dos Hominóides (macacos sem cauda)
        • 2.2.2.1- Família dos Hilobatídeos (gibões).
        • 2.2.2.2- Família dos Pongídeos (orangotangos).
        • 2.2.2.3- Família dos Panídeos (gorilas e chimpanzés).
        • 2.2.2.4- Família dos Hominídeos (homens).

Cabe acrescentar que a vulgar denominação de macaco ou símio é utilizada para os macacos com rabo. Para os macacos sem rabo, como os orangotangos, chimpanzés e gorilas, utiliza-se a denominação antropóide.

O Homo erectus

O Homo Erectus[editar | editar código-fonte]

No Período Plioceno (5,5 Milhões a 1,6 Milhão), no fim da Era Terciária, surgem os Hominídeos.

Homo erectus

Muita história evolutiva vai se passar até que há 1,8 milhão de anos, na África, vão surgir os primeiros seres da espécie Homo erectus.

Esses indivíduos eram sem dúvida diferentes, foram moldados ao longo de constante evolução e conviveram com diversas espécies diferentes também.

O Homo erectus era mais forte e pesava cerca de 55 a 85 kg, tendo 1,50 a 1,70 m. de altura. A maior diferença está na capacidade endocraniana, de 800 a 1000 cc.

Dominando[editar | editar código-fonte]

O Homo erectus foi a espécie que predominou sobre os hominídeos.

Eram grandes caçadores e aprenderam a usar o fogo, isso já os coloca a frente de outras espécies e possibilitava que vivessem em grupos e mantivessem uma estrutura social.

No início da Era Quaternária, a Terra já se parecia com a disposição geográfica que conhecemos hoje. Com as glaciações várias espécies de mamíferos foram extintas, inclusive os hominídeos.

Quem domina então o cenário é o Homo erectus, que se espalha pela Ásia, Europa e Extremo Oriente.

É possível que aqueles que migraram para Europa tenham se adaptado ao frio ao longo dos milênios e deram origem ao Homo neanderthalensis.

Aqueles que permaneceram na África precisaram passar por diversas Eras Glaciais, as mutações necessárias para enfrentá-las deram origem ao Homo sapiens.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Partindo das pesquisas em Olduvai Gorge, no Vale do Grande Rift, África, local chamado de berço da humanidade, foram descobertos locais que parecem acampamentos. Isso indica que os Homens que viveram ali já viviam em grupos, eram sociáveis.

Olduvai Gorge

De forma lenta e gradual, eles aprenderam a partilhar a comida e dividir as tarefas. Já faziam suas ferramentas e armas para caçar. Os homens caçavam e as mulheres cuidavam da dieta de vegetais.

A descoberta do fogo constituiu um substancial avanço: passou a ser possível cozinhar alimentos, iluminar as cavernas, endurecer as pontas das lanças de madeira e manter os animais afastados.

Migração[editar | editar código-fonte]

A partir do momento em que domina o fogo e as armas para caçar, o Homo erectus já se sente apto a desbravar novas terras.

Foram encontrados vestígios do Homo erectus nas montanhas da Etiópia, na Síria, em Israel e na Europa. Não só fósseis de homens e animais mas, indícios da utilização de pigmentos de cor, como o ocre vermelho, que indica, talvez, que os caçadores usavam se pintar, ou pintavam as pedras.

Está evidente que o Homo erectus foi uma espécie muito bem sucedida e que conseguiu se espalhar e sobreviver em eras que demandavam muita habilidade e resistência.

O Homo neanderthalensis

reconstituição de um neandertal

Homo Neanderthalensis[editar | editar código-fonte]

Para aprender um pouco mais sobre o homo neanderthalensis, só mesmo muita pesquisa, escavações e estudos porque não há muitos fósseis a disposição.

Alguns pesquisadores consideram que o homo neanderthalensis é uma subespécie do homo sapiens, portanto ele seria homo sapiens neanderthalensis.

Outros afirmam que de acordo com o DNA mitocondrial, o homem de neandertal não pertence à linhagem humana. De qualquer maneira, é aceito pela ciência que tanto o homo sapiens sapiens como o neanderthalensis evoluíram de um ancestral comum.

Onde viviam[editar | editar código-fonte]

De acordo com os fósseis encontrados, eles viviam na Europa e parte da Ásia, estavam adaptados ao clima frio.

grupo de neandertais

O nome neandertal vem do Vale do Neander onde foram encontrados fósseis e o termo homem de neandertal foi criado pelo anatomista islandês William King.

Na verdade, houve uma descoberta anterior de fósseis, feita numa pedreira em Gibraltar, mas não deixou o nome para a posteridade.

Fósseis desses hominídeos aparecem em maior quantidade na França, Itália e Bélgica mas, aparecem desde a costa atlântica de Portugal a oeste, até a Rússia a leste, há inclusive vestígios até o Oriente Médio.

Pesquisadores do Instituto Max-Planck de Leipzig (Alemanha)fizeram pesquisas de dados genéticos de neandertais usando fósseis da caverna de Vibndija na Croácia, Sidrón nas Astúrias, Espanha, e de Mezmaiskaya na Rússia. Também usaram um esqueleto de mais de 40 mil anos encontrado no vale de Neander.

Aparência[editar | editar código-fonte]

Estamos aqui no campo das suposições, não existem tantos vestígios a serem estudados, até mesmo pelo tempo decorrido e pela falta de escrita embora as pinturas e certas obras em pedra sejam extremamente curiosas.

Os primeiros vestígios encontrados, foram confundidos com restos de ursos, nos estudos passados os cientistas viam uma criatura muito distante dos homens como conhecemos.

erguendo uma pesada rocha

Hoje a visão é outra, de fato ele era diferente, mas tinha características que nos fazem presumir ser inteligente, vivendo em sociedade, construindo abrigos e, inclusive possuindo capacidade de falar.

Sua altura variava entre 1,50 e 1,70, eles eram fortes, musculosos e compactos. Caminhavam como nós, eram bípedes e tinham bastante habilidade manual.

A cabeça dos neandertais era diferente, por causa do nariz largo e comprido, sobrancelhas espessas e salientes. O crânio era volumoso e não possuíam queixo talvez porque os dentes ficassem muito a frente.

Museu de História Natural de Lausanne

As pesquisas atuais do Instituto Smithsoniam estudando dentes fossilizados de neandertais, chegaram à conclusão de que eles comiam legumes, raízes e tubérculos.

É provável que eles também tivessem uma linguagem ainda que rudimentar. Em 1983 na gruta de Kebara em Israel, foi encontrado, num fóssil de neandertal de 60 mil anos, um osso hióide intacto. Isso prova que podiam falar assim como nós, pois esse osso fica atrás da língua e nele ficam suspensas nossas cordas vocais. Não há nada que diferencie o osso hióide desse Neandertal do nosso.

Vida difícil[editar | editar código-fonte]

Era complicada a vida para esses hominídeos. A esperança de vida era curta e, embora fossem muito mais inteligentes e capazes do que antes se presumia, o ambiente era extremamente hostil.

Pelo que se sabe eles viviam em pequenos grupos organizados. Alguns cuidavam da caça, outros das crianças, dos doentes, etc. É possível que tenham praticado o canibalismo, mas também enterravam seus mortos, em sepulturas preparadas e com oferendas.

Artisticamente, existem muitas provas da habilidade dos Neandertais. Faziam armas de quartzo ou sílex, construíam abrigos e com certeza faziam desenhos artísticos. Os últimos achados na caverna de El Castillo, no Norte da Espanha, mostram as marcas das mãos do artista, que viveu há mais de 40 mil anos. Veja em

Assim cada vez se descobrem novos legados dos homens que viveram e deixaram seus rastros na Terra.

São considerados sítios neolíticos Çatal Huyuk na Turquia, Gobleki Tepe na Turquia e Stonehenge na Inglaterra.

comparação entre o neandertal e o homem moderno

Como desapareceram[editar | editar código-fonte]

Difícil dizer, há muitas teorias e nada ainda comprovado. Imagina-se que numa determinada altura os neandertais e os homens modernos coexistiram. Assim, as teorias são:

- os neandertais se isolaram procriando entre si, o que levou ao enfraquecimento e consequente extinção da espécie.

- um surto de doenças, devido às baixas temperaturas os dizimaram.

Pesquisas atuais defendem que eles não foram extintos simplesmente, mas que conviveram com os homens modernos e tiveram descendentes.

Comparando o genoma dos neandertais com o do homem atual, os estudiosos descobriram que, parte da genética dos homens de neandertal permanece no homo sapiens.

Um dos pesquisadores do Instituto Max-Planck de Leipzig (Alemanha), Gerd Schmitz afirma que – é certo que tivemos filhos com os neandertais.

Se é esse o caso, temos até hoje os genes dos neandertais que se perpetuaram através dos tempos.

O Homo sapiens


fósseis

Homo Sapiens[editar | editar código-fonte]

Tendo ou não se misturado ao homem de Neandertal, o homo sapiens sapiens acabou dominando o ambiente em que vivia.

Na verdade, todo o longo período, desde o surgimento da espécie humana, traz consigo muita discussão acadêmica. Em especial, as datas são motivo de constantes reavaliações.

Cada fóssil encontrado, conta coisas novas. Usando as mais modernas máquinas para examinar artefatos ou fósseis mais antigos, cabe sempre uma nova teoria.

Os primeiros fósseis que chamaram atenção para as diferenças foram encontrados no sul da França.

Os estudiosos perceberam que estavam frente a uma nova espécie porque eram mais altos, tinham o crânio alongado, a fronte ampla e o queixo arredondado. Definitivamente, esses não eram Neandertais.

Comparação entre os crânios do Neandertal e do homem moderno

É muito difícil demarcar exatamente onde fica uma espécie e porque é tão igual, mas separada de outra.

A maior parte dos cientistas acredita que os humanos modernos têm uma origem única e o local é a África.

Assim sendo, eles migraram para a Europa e Ásia talvez dando fim ao homem de Neandertal.

Alguns outros estudiosos acreditam que eles evoluíram em regiões separadas geograficamente.

O homo sapiens já não precisava mais ser tão robusto, tão pesado, ao contrário, ele se locomovia melhor.

Seus dentes já não eram usados apenas para comer carne crua, portanto diminuíram de tamanho.

crânios em comparação no museu da USP

O volume do crânio aumentou e as mãos se tornaram mais bem coordenadas.

Tudo isso ocorreu através do tempo, sendo uma adaptação às novas necessidades.

Não se sabe quando o homem começou a trabalhar os metais, mas sem dúvida, ele criou novas ferramentas, aumentou a produtividade das suas plantações.

Suas mãos criaram esculturas e belíssimas pinturas nas cavernas.

Portanto, imaginamos que, o homo sapiens, de acordo com o seu desenvolvimento, já usa o idioma falado com fluência.

Atenção para notícia de 2012

As primeiras conquistas do Homem

Os Seres Humanos não apareceram na Terra num momento que possa ser marcado cronologicamente de forma exata. Pelo contrário: a espécie humana é o resultado duma evolução constante, de caráter físico e intelectual, que se prolongou por milhões de anos. Dessa evolução possuímos apenas alguns dados arqueológicos que nos permitem apresentar teorias e chegar a algumas conclusões.

arte pré histórica em pedra

Os temas que abordaremos a seguir retratam algumas das primeiras grandes conquistas do homem, conquistas fundamentais para a sua sobrevivência e progresso.

A produção de instrumentos[editar | editar código-fonte]

O período de evolução dos primeiros seres humanos designa-se por humanização (transição de hominídeo para homem) e foi um processo lento e gradual. A primeira grande característica que o diferenciou dos restantes primatas foi a sua capacidade para se erguer numa posição vertical - a bipedia.

restauração baseada no homem de Daka, Etiópia

Esta passagem de quadúpede a bípede foi fundamental no seu processo de evolução, pois libertou-lhe as mãos da função locomotora, e passou a poder dispor das mãos - agora livres - para outros fins: apanhar alimentos, segurar, lançar, agarrar,, partir pedras e outros objetos.

Estas atividades possibilitaram que o polegar se tornasse oponível aos restantes dedos e a mão ganhou uma maior agilidade.

A agilidade manual possibilitou ao Homem o fabrico e a utilização de instrumentos. Passou a designar-se, assim, Homo Habilis.

A verticalização, a libertação das mãos e a utilização destas em atividades que estimulam os processos mentais provocaram um aumento da caixa craniana e massa cerebral. No cérebro desenvolvido iria situar-se o centro da inteligência.

pontas de lanças


A partir da pedra, osso e marfim: primeiros instrumentos[editar | editar código-fonte]

Através de estudos efetuados pela arqueologia pudemos chegar à conclusão de que a madeira, o osso, os chifres e os dentes de certos animais, como, por exemplo, da rena e do mamute, serviram de matérias primas para o fabrico dos primeiros instrumentos.

Mas foram essencialmente os instrumentos de pedra, sobretudo de sílex ou seixo, que chegaram até nós em maior quantidade e variedade (devido à sua maior resistência relativamente aos outros materiais referidos).

Os mais antigos instrumentos de pedra conhecidos eram os rudimentares seixos partidos. Estes instrumentos de pedra lascada foram sendo gradualmente aperfeiçoados pelo homem cada vez mais capaz, ao longo do Paleolítico pelo meio de técnicas de corte de pedra.

Foram assim produzidos os primeiros bifaces que serviam para rasgar a pele e a carne dos animais, e processar plantas comestíveis.

Domínio do fogo[editar | editar código-fonte]

em volta do fogo

Coube ao Homo erectus, sucessor do Homo habilis, o domínio da primeira fonte de energia: o fogo. A sua utilização provocou profundas alterações na vida do homem:

  • Os alimentos passaram a ser cozinhados, tornando-se mais saborosos e fáceis de digerir;
  • Iluminação e aquecimento dos locais frios e escuros tornou mais fácil a permanência nas cavernas;
  • A defesa face aos animais ferozes tornou-se mais eficaz, pois estes temiam o fogo;
  • O fabrico dos instrumentos aperfeiçoou-se com o endurecimento, pelo fogo, das pontas das lanças, tornando-as mais resistentes.

A utilização do fogo provocou ainda alterações físicas, demográficas e sociais na vida das primeiras comunidades.

Assim, a ingestão de alimentos cozidos conduziu a alteração da nutrição e, consequentemente do formato do rosto. Uma melhor e mais variada alimentação proporcionou uma maior resistência às doenças e à morte, o que contribuiu para um aumento populacional.

Por último, o convívio à volta da fogueira teria conduzido à um forte sentimento de união entre os elementos do grupo, contribuindo para o desenvolvimento da própria linguagem.

Os grandes caçadores

Por volta de 8.500 a.C., os grandes caçadores, usando o sílex, no fabrico manufaturado de armas de caça como lanças e arpões, caçavam cavalos ,renas, mamutes e bisões.

Com o aprimoramento dos utensílios feitos a partir de ossos e chifres desses animais, a civilização de caçadores se expande, dando lugar aos primeiros povoamentos primitivos, deixando as cavernas para se fixar em um determinado lugar.

caçada por Emmanuel Benner

Os grandes caçadores, de mamutes, rinocerontes, bisões, passam a domesticar o cavalo e adquirem maior mobilidade.

Com o aprimoramento dos utensílios feitos a partir de ossos e chifres desses animais, a civilização de caçadores se expande, dando lugar aos primeiros povoamentos primitivos, deixando as cavernas para se fixar em um determinado lugar.

Os grandes caçadores, de mamutes, rinocerontes, bisões, passam a domesticar o cavalo e adquirem maior mobilidade.

Artistas[editar | editar código-fonte]

Há cerca de 40000 anos atrás, os homens já eram parecidos anatomicamente com os homens atuais.

colaboração de Mercy from Wikimedia Commons

Eles já viviam em grupos e sabiam fazer uma grande variedade de ferramentas. Afinal para sobreviver era preciso além de força, muita inteligencia e criatividade.

Dessa forma, os homens se uniram em grupos de modo que a vida ficava mais fácil para todos. Eles se abrigavam em cavernas e depois de aprender a lidar com o fogo, se reuniam em volta das fogueiras.

Nas cavernas esses homens deixaram manifestações artísticas que, hoje em dia, encantam quem as vê. Com os materiais de que dispunham, pintaram nas paredes das cavernas, cenas do seu dia a dia. Um dos temas preferidos eram os animais e as caçadas. Se imagina que as cenas seriam feitas para que, de maneira mágica, a caçada fosse um sucesso.

desenhando

Talvez eles achassem que dominando a figura do animal na pintura, também poderiam dominar o animal com facilidade.

Refeições[editar | editar código-fonte]

Como sabemos, a densidade populacional era baixa. As terras eram uma imensidão e havia muitos animais para fornecer alimento para as famílias.

Os homens já tinham as ferramentas e fogo então, partiam para a caçada e a carne era preparada para o consumo imediato. A carne era cortada com facas e talhadores lascados em pedras.

A pele era matéria prima para roupas e se necessário cobrir cabanas.

Não se sabe se ou quando eles aprenderam a temperar a carne para que não estragasse e assim pudessem estocar alimentos. Provavelmente parte do animal abatido virava carne seca para quando necessário.

Museu em Ulaanbaatar, Mongolia

Coleta[editar | editar código-fonte]

Os estudos presumem que enquanto os homens caçavam, as mulheres e crianças faziam a coleta. Em geral a natureza oferecia os alimentos, na forma de frutos, sementes e raízes. Podemos imaginar que depois do fogo, as refeições ficaram mais saborosas, mas, nem sempre a mãe natureza colaborava. Havia plantas que desapareciam em algumas épocas e nas estações mais frias era difícil conseguir bons alimentos.

A vantagem era poder estocar alimentos que demoravam a estragar e podiam servir para matar a fome mais tarde. Como veremos, mais tarde, deixando de ser nômade, fica muito mais fácil a vida e a subsistência.

O homem sedentário

Pastores nômades acampando perto de Namtso, lago do Tibete, em 2005

Em um dado momento de sua história o homem começa a se sedentarizar. Mas porque isso aconteceu?

A resposta é a agricultura. Quando o homem percebe que pode controlar a natureza ele se fixa em um lugar. E a partir daí o homem começa a desenvolver inicialmente pequenas vilas, que com o tempo podem ou não se transformar em grandes cidades. Mas, da onde surgiram as classes sociais? A resposta é: excedente de produção.

Provavelmente a agricultura começou quando as mulheres que colhiam as frutas começaram a perceber que onde jogavam as sementes, posteriormente nascia no local um pé do mesmo fruto. Estudiosos acreditam que elas começaram a armazenar as sementes para plantá-las, iniciando-se assim os primeiros passos da agricultura como conhecemos hoje.

Surgimento da agricultura[editar | editar código-fonte]

O homem caçador também era coletor e observava a natureza. Na medida em que demorava mais tempo numa determinada região e consumia os frutos ou plantas, reparava que um caroço dava origem a uma plantinha.

Assim, passando mais tempo em determinado local, com um clima bom e caça abundante, inclusive peixes, o homem conseguiu um tempo para plantar e colher.

Com o decorrer do tempo, não havia mais motivos para abandonar as terras onde estavam vivendo. As plantas nasciam, o clima era bom, a caça satisfatória, a pesca era bastante então, valia a pena construir um abrigo. Era o fim da vida nômade.

Avanço da tecnologia no Neolítico[editar | editar código-fonte]

A descoberta da agricultura, foi lenta e gradual, porque, o homem descobriu que as sementes geravam outras plantas mas para isso era preciso um novo tipo de trabalho.

ferramentas

Aqui temos o homem sedentário, que precisa adaptar seus instrumentos, armas ou ferramentas e que com isso, vai se sofisticando.

Para construir uma cabana de barro, pedra ou madeira era necessário também, criar novas ferramentas e uma técnica inovadora.

Para plantar, de modo a ter uma lavoura razoável, que alimentasse o grupo de pessoas reunido naquela região, os homens descobriram que era preciso arar a terra. Isso era feito com ferramentas primitivas que foram ficando cada vez mais bem adaptadas às necessidades do momento.

Era preciso controlar as águas das chuvas e dos rios próximos, criando formas de irrigar as plantações, o que demandou praticamente um trabalho de engenharia.

Tudo isso se transformou num imenso desafio que possibilitou o surgimento de tecnologias impensáveis para o antigo nômade, mas que possibilitaram o surgimento das comunidades primitivas.

Agricultores/Pastores[editar | editar código-fonte]

Nessa altura, já temos o homem primitivo vivendo em comunidades. Ele já não precisa mais se arriscar em caçadas ou em movimentos dos grupos rumo a terras desconhecidas.

As comunidades tinham a terra para uso comum e criaram formas de se proteger, assim como proteger suas lavouras.

história da dieta

Nesse estágio começou a domesticação de animais, que deve ter surgido espontaneamente.

Primeiro foi o cão, amigo e companheiro do homem desde os primórdios. Depois vieram o carneiro, o boi e o cavalo, na verdade, os dois últimos fizeram parte da força de trabalho desde sempre.

E assim, o homem se tornou também pastor, cuidando dos seus rebanhos que lhe garantiam comida e conforto.

Cultos agrários[editar | editar código-fonte]

Vênus pré histórica

O homem sempre temeu os fenômenos da natureza, forças inexplicáveis, os relâmpagos que cortavam o céu, os trovões, a chuva... Com certeza deveria ser aterrorizante a natureza selvagem e o homem começou a analisar que espécie de deuses comandavam aqueles espetáculos naturais que podiam destruir tudo em um piscar de olhos.

Assim, ligaram certas figuras à fertilidade da terra, boas colheitas e para elas fizeram imagens. Dessa forma, de acordo com os ciclos da colheita, havia festas e cultos aos deuses que propiciavam tanta fartura. Assim se originaram os ritos que visavam pedir proteção ou agradecer e aí está o início dos cultos agrários.


Novas formas artísticas[editar | editar código-fonte]

casa sobre palafitas

Primeiro foram os desenhos nas paredes das cavernas. Os animais e a natureza, as caçadas, eram desenhadas de uma maneira realista. Era assim que o homem via o mundo e o retratava com perfeição.

Depois, como falamos acima, nos cultos agrários, o homem passou a fazer a representação de figuras femininas, chamadas Vênus. Criam pequenas figuras, com linhas femininas exageradas, que se acredita funcionavam como ídolos num culto de fertilidade.

Em termos de arquitetura, por necessidade, as povoações que viviam na beira de rios, criaram as palafitas. Habitação construída sobre pilotis ou estacas resistentes de modo que no caso de inundação a água não atinja a casa. Até hoje podemos ver exemplos de palafitas nas margens dos rios do norte do Brasil.

Os homens também construíram monumentos imensos de pedra, chamados megalíticos, talvez com fins religiosos ou funerários. Exemplo disso é Stonehenge na Inglaterra.

Já temos então escultores que produziam armas de alta qualidade, facas, pontas de flechas, machados, eles as trocavam por outros bens.

A metalurgia

Metalurgia


A pré história como a estudamos tem sua última fase na chamada idade dos metais.

Conhecer as técnicas de trabalhar os metais, mudou de maneira radical a vida do homem primitivo.

idade dos metais

Precisamos sempre ter em mente que os indícios em que os estudiosos se baseiam são muito poucos. O tempo trabalha contra, os artefatos degradam e não havendo nada escrito, o trabalho de pesquisa é imenso e complicado.

A idade dos metais é assim dividida:

  • idade do cobre – acredita-se que as fogueiras não seriam quentes o suficiente para derreter o cobre.

Talvez isso tenha acontecido em fornos para cerâmica.

Com o cobre o homem moldou belas esculturas e trabalhos de joalheria. O ouro, que também é um metal pouco duro foi bem trabalhado nessa fase.

ídolo de cobre

O cobre só não substituiu as armas e ferramentas feitas com a pedra, porque seu corte era de qualidade inferior. A pedra era mais dura e resistente.

  • idade do bronze – esse metal é uma mistura do cobre com estanho. Dois metais difíceis de encontrar, principalmente o estanho.

Como muitas outras descobertas antigas, é um mistério como o homem encontrou a maneira de fazer o bronze. Como misturou e a que temperatura conseguiu preparar a liga.

reconstituição de um forno da idade do bronze – museu em Salzburgo

Embora o bronze tenha sido ótimo para fazer armas e armaduras, isso ficava muito caro e seu uso constante acabou por esgotar as minas de estanho.

Assim, os homens tiveram que procurar esse metal em outros locais abrindo novos caminhos e conhecendo novas terras.

  • idade do ferro – dentro dos estudos arqueológicos, esse é mais um tópico de difícil explicação.

Como os homens da época conseguiram misturar os minérios a uma temperatura absurdamente alta (talvez com o uso do carvão) de modo a conseguir fundir o ferro.

punhal de classe alta – Espanha

Quando isso se deu, é outra das questões.

Enfim, o fato é que com o ferro foi possível fazer mais armas e especialmente ferramentas de trabalho, como enxadas e arados, aumentando a produção agrícola.

Também de ferro foram feitas panelas, facas e até enfeites.

As armas em geral tinham lâminas de ferro e cabos de bronze ou ouro.

As mudanças[editar | editar código-fonte]

A partir do momento em que o homem dominou o fogo, se tornou mais fácil fazer experiências com os metais no calor.

O homem, já sedentário criando animais, trabalhando nas plantações, ganhou um enorme desenvolvimento com ferramentas e armas feitas de diversos metais.

moedas da era do ferro

Agora, até havia excedentes nas plantações e uma nova forma de representar figuras, as esculturas em metal.

Trabalhos de ourivesaria e armas sofisticadas dignas de reis.

Esse é o fim da idade da pedra e o início de uma nova fase.

A busca pelos minérios empurrou os homens através de rotas marítimas e terrestres, descobrindo coisas novas, acrescentando conhecimento.

Assim a metalurgia abriu as portas e a escrita marca o nascimento da história, que, sendo documentada passa a facilitar o estudo e a reconstrução das eras.

As primeiras civilizações

As Primeiras Civilizações
ruínas de Ur


Em primeiro lugar precisamos saber o que se entende por civilização. Como a civilização começou?

Vamos considerar algumas palavras como:

Civilização – civis = cidadão (latim)

Urbano – urbes = cidade (latim)

Político – polis = cidade (grego)

Então vamos definir que a civilização é a vida nas cidades.

Portanto vamos estudar as primeiras civilizações baseados nos povos que construíram e viveram em cidades, modificando o ambiente e criando pontes entre o próprio homem e a natureza.

Nos períodos Paleolítico e Neolítico certamente o homem construía seus abrigos, suas casas, mas ao que se sabe, nada de parecido com uma cidade.

As primeiras cidades tal como as conhecemos surgiram no Oriente e podemos dizer que a primeira delas foi Uruk, por volta de 4500 e 3750 a.C. na região chamada Mesopotâmia. Hoje essa cidade é Warka e fica no Iraque.

Portanto podemos chamar a primeira civilização conhecida de Suméria e localizá-la no sul da Mesopotâmia, atual Iraque.

Babilonia

Essa afirmação provêm de estudos e pesquisas que provam que a civilização suméria era composta por diversas cidades e possivelmente Uruk era a maior delas, mas todas eram bastante desenvolvidas.

As cidades eram muradas e possuíam ruas, casas, prédios públicos, templos e palácios. Temos então, o homem causando modificações no entorno natural, que podem ter sido intencionais ou não.

Assim como na Suméria, na Assíria, na Babilônia e no Egito que serão focalizados em outros módulos, esses povos viveram em cidades, das quais sobraram ruínas para contar sua história.

Uma cidade surpreendente e que talvez seja um exemplo único é Amarna, no Egito. Construída pelo faraó Akhenaton, que rompeu com a religião formal do seu país, a cidade ficou ocupada por menos de vinte anos, talvez. O grande interesse na cidade de Amarna é o fato de que não houve construções gigantescas em pedra, como nas outras cidades e também nada foi construído sobre o que existia.

Praticamente era tudo construído em tijolos de barro que não resistiram ao tempo, mas deixaram um testemunho da vida das pessoas comuns no Egito da época.

ruínas de Abu Mena, Egito

As fundações permitem um estudo das casas dos ricos e dos pobres, suas divisões ficaram preservadas de modo que se pode saber que o centro da cidade era dedicado ao complexo real. Templos, palácios, residências dos nobres e sacerdotes. Longe do centro, ficavam os subúrbios onde havia casas pobres e ricas e mais distante ainda ficavam os bairros dos trabalhadores.

Um dos subúrbios era habitado pelas pessoas que trabalhavam na necrópole, eram os pintores, os pedreiros, todos os que tinham funções relacionadas com a construção das tumbas. Suas casas eram pequenas mas tinham vários aposentos e eram separadas por ruelas estreitas.

Com o fim do reinado de Akhenaton, a cidade foi abandonada mas permanece como uma oportunidade única de estudo.

Civilização Suméria

Civilização Suméria


Estandarte de guerra de Ur, 2600-2400 a.C.

A Descoberta[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, mesmo os grandes estudiosos da região que pesquisavam as tabuinhas assírias e babilônicas, não conheciam o povo Sumério. Com a publicação, em 1905, da obra do grande assiriólogo francês François Thureau-Dangin, não restou dúvida alguma de que houve de fato uma brilhante civilização no local, que era desconhecida até então, e tomou o nome de Suméria. Essa descoberta veio confirmar a influência dessa civilização nos póvos que tiveram contáto com eles, nas áreas da escrita, religiões, artes, cultura, ciências,comércio, agricultura, arquitetura, leis e esses póvos copiaram o que os Sumérios tinham de melhor,pois foi a pimeira e a mais brilhante ciilização da antiguidade.

Origem[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que antes dos Sumérios chegarem, a baixa Mesopotâmia foi ocupada pelos Ubaidas, um povo que não pertencia ao grupo semita.

Para quem tem interesse em pesquisar, esse povo ubaidiano foi muito importante e com certeza foi responsável pelo alicerce da civilização Suméria.

O povo conhecido como Sumério, veio provavelmente da Anatólia, mas também pode ter vindo da Pérsia, e chegou à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C. Deveriam ser nômades vagando pelo planalto do Irã e pelos Montes Zagros. Fatos mais recentes como utensílios encontrados apontam para a existência deles na área por volta de 20.000 A.C

Suméria.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A área da Mesopotâmia, sendo cercada por cadeias montanhosas ao norte e a oeste, pelo Golfo Pérsico ao sudoeste e pelo deserto da Síria ao sul e a leste, se tornava um local protegido contra a invasão de outros povos. Os rios Tigre e Eufrates tornavam a terra fértil sem depender de chuvas.

Distribuída em territórios a região de Sumer possuía diversas cidades-estado. As distâncias entre as cidades eram pequenas, separadas por faixas de terras cultivadas. Vamos dizer que a Suméria não era maior do que a Bélgica atual.

Idioma e escrita[editar | editar código-fonte]

Não se conhece relação entre o idioma Sumério e qualquer outro. O nome Suméria, é derivado do nome babilônico para o sul da Babilônia. Em seu idioma, os Sumérios se denominavam cabeças escuras e chamavam seu país de terra civilizada.

Se não foram os Sumérios que inventaram a escrita, porque é a língua mais antiga de que se tem testemunhos gráficos, pelo menos foram eles os responsáveis pela sua difusão.

Tablete com escrita cuneiforme 2050 a.C.

Na cidade de Nipur, que fica 150 km ao sul de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira. Lá havia mais de 50 000 tabuinhas com inscrições cuneiformes feitas no Terceiro Milênio a.C. e uma biblioteca com 20 000 volumes, que incluem obras sobre direito, ciência, religião.

O alfabeto sumério só foi decifrado no século 19, o principal dialeto Sumério foi o emergir ou língua principesca, embora outros tipos fossem usados pelas mulheres e pelos eunucos.

Lista dos reis sumérios[editar | editar código-fonte]

Existe um documento, escrito quase mil anos após a morte do rei Etana (3º Milênio a.C.) que registra o nome da maioria dos governantes da Suméria. Desta lista também consta o nome de Gilgamesh, herói mitológico, como o quinto rei da primeira dinastia a ter o poder em Uruk, depois do dilúvio.

Reis sumérios[editar | editar código-fonte]

Na região de Sumer, por volta do terceiro milênio, havia pelo menos doze importantes cidades-estado, cada qual murada e com seus deuses e seu rei. As mais conhecidas são Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Nipur, Larsa.

A realeza surgiu da necessidade de enfrentar o inimigo, ou seja, cada cidade escolhia o homem mais destemido e corajoso para comandá-los. Esse homem era chamado lugal, que significa grande homem, essa é a palavra Suméria para rei.

Puzur Ishtar, governador de Mari, entre 2100-2000 a.C.

No início a função de lugal era passageira, ele apenas liderava sua cidade num determinado momento, quando acabasse o conflito, voltava para a vida de cidadão comum. Acontece, que os conflitos foram se tornando constantes e o lugal passou a ocupar o poder de maneira permanente e hereditária. Isso ocorreu por volta de 3000 a.C.

Foi uma fase de lutas sem fim na história da Suméria, reis guerreiros comandando seus exércitos, cidades contra cidades.

Entre essas lutas, a Suméria se viu subjugada pelo domínio estrangeiro, por diversas vezes.

O primeiro rei ou lugal a estabelecer controle sobre a totalidade da Suméria foi Etana da cidade de Kish (suas ruínas ficam a 90 km. da atual Bagdá), de acordo com a Lista dos Reis Sumerianos. A Lista cita Etana como, aquele que estabilizou todas as terras.

Depois de Etana, temos Meskiaggasher da cidade de Uruk, a Lista diz que ele invadiu o mar, galgou as montanhas. Ainda na cidade de Uruk, temos Dumuzi, que foi deificado na Mesopotâmia como o deus da fertilidade.

Detalhe da Estela dos Abutres.

Mas, o mais famoso rei de Uruk foi Gilgamesh. Ele é praticamente um mito, seus feitos foram narrados em diversas línguas e talvez tenha sido ele o inspirador da figura de Héracles, o herói grego. Não há descobertas conclusivas sobre ele, mas é citado na Lista e documentos atestam sua vitória sobre as cidades de Kish e Ur.

Depois disso, a Suméria se tornou vassala dos elamitas, povo que habitava o que hoje é o sudoeste do Irã.

Só um século depois de Gilgamesh é que os Sumérios voltaram a ser livres. O grande responsável por isso foi Lugalannemundu, rei da cidade de Adab, descrito como aquele que obrigou todas as terras estrangeiras a lhe pagarem pesado tributo.

Nova fase de guerras entre as cidades.

Hegemonia de Lagash sob Eannatum, Subjugador das Terras Inimigas, terceiro rei da primeira dinastia da cidade. Derrotou Umma, com quem lutava por direitos de irrigação e mandou erguer a Estela dos Abutres entre as duas cidades. Esse é o mais antigo tratado diplomático conhecido, pois ali estão escritos os termos da paz.

Gudea de Lagash.

Depois dele podemos citar Urukagina, Lugalzaggesi e finalmente Sargão, o Grande. Sargão reuniu a Suméria e a metade setentrional da Mesopotâmia numa única nação.

Após a morte de Sargão, temos seu neto Naram-Sin, ainda governando até a invasão dos gutianos. Sob os gutianos aparece apenas um governante sumeriano, de Lagash, que foi Gudea.

Depois de um século de opressão, surge novamente um libertador, Utuhegal, em Uruk. Ele foi deposto por Ur-Nammu da cidade de Ur.

Este foi um rei usurpador, mas forte e capaz e ficou famoso como o primeiro legislador da História, ele morreu em batalha. Seu filho Shulgi então passou a reinar e foi registrado como sábio, guerreiro, construtor de templos, diplomata e patrono das artes. Durante seu longo reinado, a Suméria voltou a ser um grande império.

Quando o quinto e último rei da dinastia de Ur-Nammu, subiu ao trono em Ur, o império já estava ameaçado. Esse rei, Ibbi-Sin foi abandonado por seus generais e o poder foi dividido.

Por volta do ano 2000 a.C. os elamitas voltaram a atacar, destruíram Ur e prenderam o rei. A queda de Ur assinalou o fim da Sumeria.

Localização dos povos.

Economia[editar | editar código-fonte]

A agricultura era a base da economia do país, a cevada sua principal cultura. Além dela, havia o cultivo de cebola, nabo e tâmaras. Criavam animais, fabricavam queijo e manteiga. A pesca também era importante, tanto nos canais, como no Golfo Pérsico.

Nos mercados havia o comércio de cereais, frutas, licores e vinhos, tecidos e outros. O comércio com outros locais era feito sempre em caravanas por causa dos perigos nos caminhos. Navegando pelos rios Tigre e Eufrates, eles comerciavam com a costa mediterrânea e no Golfo Pérsico, principalmente armas, feitas de cobre e bronze.

Todo o tipo de comércio era muito bem documentado, desde que a mercadoria deixava o local de origem até que chegasse ao destinatário. Um exemplo disso é um contrato de transporte de prata, que Dadaya confiou a Kukkulanum e deveria ser entregue a Enlil-bani, feito em presença de testemunhas citadas.

As artes[editar | editar código-fonte]

Entre os Sumérios assim como entre os Egípcios, as artes foram inspiradas pela religião. Os templos foram basicamente o traço principal da arquitetura sumeriana. Os zigurates (torres em degraus) foram construídos para que o deus habitasse com seu povo. Em Ur, o deus-lua, Nanna, era o patrono, ainda hoje as ruínas de seu zigurate se elevam a uns vinte metros de altura. A seus pés havia um templo para a deusa Nigal, esposa do deus-lua, um entreposto, talvez um palácio e tumbas reais.

Contrato de venda de terras e uma casa, 2600 a.C.

Infelizmente, as construções Sumérias, feitas de tijolo cru ou cozido, não se conservaram e foram destruídas pelo tempo.

Hoje, as ruínas de Uruk atestam que havia na Suméria cidades com grandes edifícios mas, dela são conhecidas apenas as edificações centrais, não se sabe seu tamanho e nem o número de habitantes.

Outras manifestações artísticas foram as estátuas e o mobiliário refinado encontrado nos túmulos. As estátuas mais antigas são de cerca de 2400 a.C. No Museu do Louvre existe um conjunto de estátuas e fragmentos delas, inclusive algumas feitas de pedra negra. Desta pedra, não se conhece a fonte, uma inscrição na estátua do rei Manishtusu, diz, que ele trouxe a pedra negra de uma campanha vitoriosa das montanhas do outro lado do mar inferior.

Os Sumérios trabalhavam o ouro, o cobre, o bronze e a prata. A arte da marchetaria nasceu na metade do 3º Milênio, na Suméria. Esses mosaicos eram feitos de pedras coloridas e preciosas, como o lápis-lázuli e a cornalina (ambas originarias da Índia). O povo Sumério também usava o nácar das conchas encontradas no Golfo Pérsico, do Mar Vermelho e até do Mediterrâneo.

Até hoje se encontra, nas portas das mesquitas de peregrinação, rosários de cornalina e nácar de conchas do oceano Índico e madeira de sândalo importado do Extremo Oriente.

As ciências[editar | editar código-fonte]

Pelo fato da região ter sido habitada por grandes culturas e haver uma ligação e às vezes, continuidade entre elas, vamos citar apenas algumas invenções creditadas aos Sumérios.

Esse povo criou um sistema completo de medidas de capacidade, superfície e peso. Eles inventaram o sistema sexagesimal, usado com a numeração decimal. Possuíam réguas graduadas e tábuas de cálculo. Dividiam o dia em 24 horas iguais.

Zigurate de Ur.

Talvez o sistema de astronomia tenha se originado na Suméria, porque eles reconheciam três paralelos principais: equatorial ou caminho das estrelas de Anu; tropicais, caminhos de Enlil (Câncer) e de Ea (Capricórnio).

Acredita-se que também a medicina era bem desenvolvida, há documentos que mencionam cirurgias, além disso eles preparavam drogas medicinais.

Literatura e Direito[editar | editar código-fonte]

Na Suméria havia um sistema de ensino freqüentado por escribas. Eles compunham e copiavam obras de interesse histórico, hinos religiosos, contos, códigos de leis, fábulas, poesia e outros.

A criação mais famosa e interessante desse povo é a Epopéia de Gilgamesh, mas também se pode citar os mitos de Tamuz e da deusa Nana Ishtar e do pastor Etana.

Pela quantidade de tabuinhas ou tabletes encontradas, parece que os Sumérios tinham uma grande atividade literária e uma rica literatura.

Essas tabuinhas eram feitas de argila, sobre as quais se escrevia com estiletes em forma de cunha, depois ela era endurecida ao sol ou em fornos. Além dessas tábulas, foram encontradas estelas e cilindros gravados, que eram usados como selos.

No campo do Direito, foram encontradas tabuinhas com todo tipo de ordem jurídica, contratos, testamentos, recibos, etc... Em épocas anteriores ao famoso Hamurabi, já havia na Suméria, Códigos de Leis bastante avançados. O divórcio era admitido, o adultério considerado delito e admitia-se a adoção. As leis penais eram bem menos violentas do que as vigentes em outros locais, na época.

Hino a Iddin-Dagan rei de Larsa.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os Sumérios eram politeístas e, segundo ele , universo se originou da seguinte maneira:

No início, existia o mar primordial que "luarua" produziu a montanha cósmica composta do céu (An) e da terra (Ki) que consumaram o ato sexual . Nasceu então, o deus do ar Enlil, que separou o céu da terra, levando esta consigo. Uma nova união entre Enlil e sua mãe com uma relação incestuosa, produziu o homem, os animais, as plantas e a civilização.

Os deuses Sumérios tinham a forma humana, mas eram imortais e possuíam poderes sobrenaturais. Eram seres invisíveis que a tudo governavam.

An era o deus do céu; Ki era a deusa da terra; Enlil, o deus do ar e Enki o deus da água. Além desses podemos citar Nanna deus da lua, Utu o deus sol e Inanna a rainha dos céus e rainha do amor e da guerra.

Os deuses se manifestavam através de sonhos e dos oráculos. Parece que o povo Sumério acreditava em alguma espécie de existência após a morte, porque foram encontradas oferendas nos túmulos. Cientistas pesquisadores, encontraram indícios que grupos de Sumérios tinham religião própria e acreditavam no Deus único invisível, e não acreditavam em vida ápós a morte, sendo copiados e imitados por outros povos que tiveram contáto com eles neste tipo de crença e assimilaram esse tipo de religião.

Declínio da civilização de Sumer[editar | editar código-fonte]

As cidades-estado viviam em lutas constantes entre si e isso gerou crises graves em seus governos, com o enfraquecimento de todas, econômica e militarmente.

A Suméria não era como o Egito, onde havia um forte poder central. Na Suméria, as cidades-estado mais importantes, que eram governadas por líderes chamados ensis, controlavam o exército e o abastecimento de água, os rios Tigre e Eufrates assim como seus afluentes eram vistos como estratégicos e portanto de interesse militar.

Por causa das lutas e falta de união entre as cidades, o povo Sumério ficou sempre muito vulnerável, e o povo Acadio aproveitou-se para dominar a baixa Mesopotâmia.

Taça de ouro, 2600-2400 a.C. encontrada no cemitério real de Ur.

Legado Sumério[editar | editar código-fonte]

Foram uma das primeiras civilizações conhecidas. A eles são atribuídas a invenção da escrita e da roda, há 6 000 anos atrás.

Além das contribuições citadas acima, em artes, literatura, ciências e mais, na área militar, desenvolveram os carros de combate puxados por cavalos, porque já conheciam a roda, usavam lanças, dardos e armaduras feitas de bronze, arco e flecha.

Aprenderam a arte de dominar a água dos rios, criando diques e barragens, canalizavam a água para as lavouras.

Infelizmente pouco sobrou de sua arquitetura mas, os zigurates são uma bela demonstração do que podem ter sido suas cidades. A sua contribuição nas leis dos povos antigos que incorporaram estas nas suas culturas é notável. Assim como a idéia do Deus único invsível que era religião de alguns grupos Sumérios, entre os outros vários tipos de religiões existente na época.

Dentro das ligações externas há um link para o Museu da Universidade da Pensilvânia onde se pode ler a respeito das escavações do Cemitério Real de Ur. Lá foram descobertos em 1920, os túmulos de reis e rainhas da cidade de Ur, que ficou famosa por ser citada na Bíblia como a cidade natal de Abraão. As tumbas são do período de 2600-2500 a.C. que foi o ápice da cultura Suméria.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


  • Mesopotâmia, o berço da civilização. José Olympio Editora. Biblioteca de História Universal Life.
  • História da Antiguidade Oriental, Mario Curtis Giordani. Editora Vozes.
  • História Viva - Grandes Temas - Mesopotâmia, o berço da civilização. Duetto Editora.

Assírios

Os Assírios
Mapa da Assíria.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A Mesopotâmia é uma região que se localiza entre os rios Tigre e Eufrates. A palavra é de origem grega e significa exatamente terra entre rios.

Sua localização é o Oriente Médio e essa região abrigou diversas civilizações de grande importância no decorrer da história. Aqui vamos localizar precisamente a Assíria.

Ao norte da Mesopotâmia, a Assíria se espalha através de quatro países do presente. Na Síria, se estende a oeste até o rio Eufrates; na Turquia, se espalha ao norte até Harran, Edessa, Diyarbakir e lago Van; no Irã, se estende ao leste até o lago Urmi e no Iraque segue por 100 milhas ao sul até Kirkuk.

Este é o coração da Assíria.

Dois grandes rios correm através da Assíria, o Tigre e o Eufrates, e muitos outros rios menores.

Ao norte e leste da Assíria estão as cadeias de montanhas de Taurus e Zagros. A oeste e sul se espalha um grande planalto de pedra calcária.

Locais de interesse arqueológico.

Região disputada[editar | editar código-fonte]

Pelo fato de ser uma área fértil cercada por desertos e terras áridas, a Mesopotâmia foi historicamente uma região de impérios de curta duração. Diversos povos lutaram nesse pedaço de terras férteis, os sumérios, os acádios, os guti, os elamitas, os amoritas. E novamente os acádios, os amoritas e os cassitas. Os cassitas anexaram o pequeno reino de Ashur, a Assíria.

Só que a Assíria reagiu e se tornou um grande império.

A descoberta[editar | editar código-fonte]

Em 1932, Sir Max Mallowan, o arqueólogo britânico, fez uma escavação profunda no solo intocado do topo do monte em Nínive. Foi assim que descobriu uma série de artefatos de cerâmica que recuavam aos tempos pré-históricos e comprovaram que o local havia sido habitado por volta de 5000 a.C.

Logo depois, duas outras grandes cidades assírias foram localizadas, Ashur e Arbel, embora a data exata não tenha sido ainda determinada. Arbel é a mais velha e sua maior parte ainda não foi escavada, de modo que, seus tesouros arqueológicos ainda não foram todos descobertos. Isso também se aplica a Ashur.

O que se sabe é que essas três cidades, por volta de 2500 a.C. eram metrópoles muito bem estabelecidas.

Esse período da história foi testemunha do desenvolvimento dos fundamentos de nossa civilização: domesticação dos animais, agricultura, cerâmica, o controle do fogo, a fundição, entre tantos outros.

Relevo do palácio de Sargão II, Dur Sharrukin, hoje Khorsabad, Iraque.

Falhas na história[editar | editar código-fonte]

Existe uma enorme dificuldade de reconstruir a história real da Assíria. Embora a biblioteca de Assurbanipal, em Nínive, com mais de 22 mil tabuinhas gravadas, seja um material de inestimável importância, ainda temos muitas peças faltando nesse quebra-cabeças.

As listas assírias de reis, como a de Khorsabad (encontrada em 1932-33) e outras, não são confiáveis. Na verdade são absolutamente inacreditáveis, independente do calendário a que se referem.

Não podemos pensar em dinastias como as egípcias porque na Assíria houve mudanças de localização do poder, muitas vezes a sucessão não era de pai para filho, outras vezes várias dinastias governaram ao mesmo tempo.

O povo assírio e sua linguagem[editar | editar código-fonte]

Os assírios são um povo semítico tribal da Mesopotâmia. Eles são diferentes etnicamente dos árabes e dos judeus.

Através do que conhecemos de sua história, esse povo usou duas línguas: o antigo assírio (acadiano) e o moderno assírio. O acadiano foi escrito no sistema cuneiforme, em tabletes de barro e foi usado desde o início até mais ou menos 750 a.C.

Por volta dessa data surgiu uma nova maneira de escrever em pergaminhos, couro ou papiro. O povo que introduziu essa escrita era chamado arameu, e eles viram sua língua se tornar mais importante do que o antigo assírio. Era a língua aramaica.

O aramaico se tornou a segunda língua oficial do império Assírio em 752 a.C. De qualquer maneira embora os assírios usassem assim o aramaico, o que houve foi uma fusão com palavras em acadiano, de modo que a língua pode ser chamada de assírio-aramaico.

Selo cilíndrico com cena mitológica, Assur atacando um monstro.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os assírios praticaram duas religiões ao longo de sua história: o Assurismo e o Cristianismo. O Assurismo foi, é claro, a primeira religião dos assírios.

A religião assíria era muito parecida com a babilônica e sumeriana. Seus deuses eram antropomórficos, temos então Sin, a lua, Chamah, o sol, Nabu, o rio Eufrates, Nibid, o sol nascente, Nergal, o sol do meio-dia, Adad, a tormenta, Enlil, a terra e Ea, a água. O deus principal, o deus supremo era Assur.

A palavra Assírio, na sua forma latina, deriva do nome de Assur. Os assírios praticaram o assurismo até o ano 256, embora nessa época, a maioria do povo já tivesse aceitado o cristianismo.

Um rápido olhar sobre a história[editar | editar código-fonte]

O período de 2400 a.C. até 612 a.C. foi uma fase muito rica da história assíria.

Ela começa em 2371 a.C. com Sargão da Acádia, sinalizando 1.800 anos de hegemonia assíria sobre a Mesopotâmia. Seu término é em 612 a.C. com a queda de Nínive.

Sargão da Acádia foi o primeiro rei a assumir o controle fora de sua cidade-estado. Seu modelo foi seguido por todos os impérios que o sucederam até os nossos tempos.

De sua base Acad, ao sul de Bagdá, Sargão começou a controlar os territórios se estendendo para o norte até Ashur e oeste até o Mediterrâneo.

Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que, livre de opressão suméria, empreendeu a expansão do reino.

Tiglat-Pileser III.

Depois dele, Shamshi-Adad I uniu para sempre as três cidades, Ashur, Nínive e Arbel e trouxe Arrapkha para a esfera de influência assíria. Desse modo, essas quatro cidades e Nimrod se tornaram o verdadeiro coração da Assíria.

Sob Shamshi-Adad I as colônias de mercadores assírios, há muito estabelecidas na Capadócia, respiraram uma nova atividade. Ele foi um governante de grande eficiência administrativa e de grande habilidade política.

Por volta de 1472 a.C. um rei de Mitani anexou a Assíria e isso durou mais ou menos setenta anos.

Finalmente os mitanianos foram derrotados por Assur-ubalit, que lançou as bases para a fundação do primeiro império assírio.

Bases firmes, o rei Adad-Nirari (1307 a.C.) pode estabelecer de fato o primeiro império que durou até 1248 a.C.

Nessa época, um povo chamado elamita, vindo do sudoeste do Irã, tomou o controle da Babilônia durante 30 anos e isso teve efeitos sobre a Assíria, que atravessou uma fase de guerras contra hititas e babilônios.

Após a fase de revolução interna, Salmanasar I recupera o poder assírio com um exército forte.

Tukulti-Ninurta I foi o rei mais importante do império médio, porque foi poderoso e incorporou a Babilônia, que ficou dependente do rei assírio. Suas conquistas estenderam o império assírio da Síria ao golfo pérsico.

Depois desse reinado, novamente a Assíria atravessa um período de invasões e guerras, desta vez contra os gurritas e mitânicos.

Finalmente surge um rei importante, Tiglat-Pileser I, mas novamente a Assíria é dominada, desta vez pelos arameus. E o rei dizia: eu cruzei o Eufrates vinte e oito vezes... em perseguição aos arameus.

Depois dele temos outro rei libertador, Adad-Nirari II. E depois ainda, Tukulti Ninurta II.

Após esses reis temos Assurbanipal conhecido por sua violência e crueldade, assim como seu filho Salmanasar III conquistador da Síria.

Baixo relevo no palácio de Dur Sharrukin, hoje Khorsabad, Iraque chamado Lamassu

Os últimos reis assírios foram Tiglat-Pileser III que dominou definitivamente a Mesopotâmia. Salmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Assíria. Senaquerib que teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babilônia. Esarhaddon ou Assaradon, que reconstruiu a Babilônia e atacou o Egito. Assurbanipal que conquistou o Egito.

Embora o Egito fosse retomado pelo faraó Psamético I, com Assurbanipal, a Assíria se tornou o centro cultural do mundo na época.

Política[editar | editar código-fonte]

As classes dominantes na Assíria eram formadas pelos comandantes militares que enriqueceram com os espólios de guerras. A Assíria era um país guerreiro, até por necessidade de sobrevivência.

Os conquistadores assírios inventaram uma nova política com relação aos povos conquistados; para prevenir revoltas nacionalistas os assírios obrigavam o povo conquistado a migrar em grande quantidade para outras áreas do império.

Isso, além de garantir a segurança do império construído sobre povos de culturas e línguas diferentes, tornou a região, com essa deportação em massa, num caldeirão de diversas culturas, religiões e línguas. Os povos conquistados foram se misturando no Oriente Médio, Mesopotâmia e Armênia.

Embora houvesse pouco contato cultural entre conquistados e conquistadores no início da história da Mesopotâmia sob os assírios, todo o território se transformou numa grande mistura cultural.

Foi o rei assírio Sargão II que obrigou os hebreus a mudar de lugar após a conquista de Israel, o reino mais ao norte dos hebreus. Embora essa tenha sido, comparativamente, uma pequena deportação e estivesse de acordo com a política assíria, ela marca o início histórico da diáspora judaica.

O exército assírio era o maior, jamais visto no Oriente Médio ou no Mediterrâneo. As exigências da guerra criavam inovações tecnológicas e isso fazia dos assírios um povo praticamente imbatível: espadas de ferro, longas lanças, armaduras de metal e machados de guerra, aríetes, escudos, os tornavam inimigos temidos nas batalhas.

Artes[editar | editar código-fonte]

A arquitetura tem seu momento mais importante com Assurbanipal II que, transformou a cidade de Nimrod em capital militar. Temos grandes muralhas, e em seu interior ficava a cidadela com as construções reais. Os palácios eram construídos, em geral sobre uma plataforma, suas portas eram ladeadas por colossais esculturas de pedra e aposentos decorados com relevos. Entre eles, vale citar os de Nimrod, Khorsabad e Nínive.

As esculturas mencionadas acima eram guardiães dos portais, figuras enormes, geralmente representando touros ou leões com cabeça humana, ficavam uma de cada lado dos portais arqueados. São chamadas Lamassu.

Louvre, reconstituição de pátio em Khorsabad.

Os templos e zigurates sofreram grande influência da cultura suméria.

Ainda na arquitetura é preciso mencionar a cidade criada por Sargão II, atual Khorsabad, rodeada por uma muralha com sete portas três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior da muralha estava o palácio de Sargão II, um grande templo, as residências e os templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, mudou a capital para Nínive, onde construiu seu próprio palácio, chamado de palácio sem rival.

Nos relevos podemos observar cenas de conquistas e de caça. Os animais são desenhados com muitos detalhes e as cenas mostram vitalidade.

Outra demonstração da arte refinada dos assírios são os entalhes de selos e esculturas em marfim. Em Nimrod foram encontradas milhares de pequenas figuras de elefantes. Nos entalhes aparecem símbolos dos deuses.

A cultura babilônica exerceu grande influência na literatura assíria. Assurbanipal guardava em sua biblioteca, cópias de exemplares da literatura babilônica.

Legados assírios[editar | editar código-fonte]

Coisas pequenas e grandes, simples e complexas, que fazemos e usamos sem pensar duas vezes, surgiram há tanto tempo atrás em terras tão distantes.

Ninguém imagina sair de casa sem trancar a porta; foi na Assíria que tanto as fechaduras como as chaves foram usadas pela primeira vez.

Não há como viver sem saber que horas são, e foi na Assíria que o sistema sexagesimal de contar o tempo foi desenvolvido.

Como imaginar dirigir em ruas não pavimentadas? Foi na Assíria que primeiro se usou a pavimentação.

E a lista continua: o primeiro sistema postal, o primeiro uso do ferro, os primeiros óculos de aumento, as primeiras bibliotecas, as primeiras privadas com descarga, as primeiras pilhas, as primeiras guitarras, os primeiros aquedutos, os primeiros arcos, e por aí afora.

Não se pode deixar de mencionar a importância da biblioteca deixada por Assurbanipal, porque é através do estudo das tabuinhas que se pode reconstituir muito da história da Assíria. Esse é um legado inestimável.

Mas, na Assíria não surgiram apenas coisas materiais, surgiram idéias, idéias que iriam moldar o mundo futuro.

Por exemplo, a idéia de uma administração imperial, dividindo as terras em territórios, administrados por governadores locais, que se reportavam a uma autoridade central, o rei da Assíria. Esse modelo de administração sobrevive até hoje.

Relíquias assírias.

Os fundamentos do antigo e do novo testamentos são encontrados na Assíria, mitologicamente.

Foi lá que a história do dilúvio universal se originou dois mil anos antes do velho testamento ser escrito. Foi lá que o primeiro épico foi escrito, o Épico de Gilgamesh (ou Epopéia de Gilgamesh), com seu tema universal e eterno das lutas e objetivos da humanidade.

Foi lá que a própria civilização se desenvolveu e deixou frutos para as futuras gerações.

Na Assíria foram dados os primeiros passos rumo a unificação cultural do Oriente Médio, trazendo para a esfera de poder assírio grupos diversos do Irã ao Egito, quebrando barreiras étnicas e nacionais e preparando caminho para uma unificação cultural, que facilitou a expansão do Helenismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Embora Assurbanipal tivesse conquistado o Egito, não conseguiu impedir que o país voltasse a ser independente. Após o Egito houve rebeliões na Fenícia, Babilônia e no Elam. Começava assim o declínio da Assíria.

Em 625 a.C. os caldeus conquistaram sua independência e tomaram a Babilônia.

Em 612 a.C. o rei assírio era Assur-Uballit II e seu exército não resistiu à aliança entre o rei da Média, Ciáxares, e o rei dos caldeus, Nabopolassar.

Os assírios foram derrotados em Harran e os dois povos aliados destruíram Nínive e Assur.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Amoritas

Os Amoritas



Quem eram Os Amoritas?

A resposta seria os Antigos Babilônios?

Então é preciso explorar um pouco mais da história da região da Mesopotâmia, local de variadas culturas e tantas coisas ainda por serem descobertas.

figuras no portão de Ishtar

A Babilônia[editar | editar código-fonte]

Por volta do quinto milênio a.C. surgiram no vale da Mesopotâmia diversas civilizações provavelmente vindas de uma região montanhosa ao norte do mar Cáspio. Dentre elas havia povos de raízes indo-européias e outros semitas. A designação povos semitas, foi tirada das Escrituras Hebraicas; Sem era filho de Noé e as nações que descendem de Sem, são chamadas Semitas. As línguas semitas incluem o hebreu, árabe, assírio e babilônio.

Cidade da Babilônia[editar | editar código-fonte]

A localização da Mesopotâmia já faz parte de diversos outros módulos, por conta dos povos que lá viveram, os sumérios e os assírios.

A cidade da Babilônia, que hoje em dia pode ser localizada no Iraque a cerca de 80 km ao sul de Bagdá, foi o centro de diversas civilizações da Mesopotâmia.

Chamada de Babilu, Bâb-ilim ou Babil na língua Babilônia, significa Porta de Deus; no hebraico antigo, Babel significa confusão, em sumério a palavra seria Kadmirra e em persa antigo Abirush.

Cidade de muitas histórias e lendas, ou talvez verdades ainda por serem descobertas, ela teve o privilégio de ser importante rota de comércio ligando o golfo Pérsico ao Mediterrâneo.


A ocupação da Mesopotâmia[editar | editar código-fonte]

Vários povos ocupar

  • 'Amoritas povo semita que, por volta de 1900 a.C. controlou a maior parte da Mesopotâmia, baseando sua capital na cidade da Babilônia. São chamados Anti
  • Persas – com os persas cujo rei era Ciro,

Uma sucessão de impérios[editar | editar código-fonte]

O povo sumério deu início a ocupação civilizada da Mesopotâmia, foi com esse povo que as cidades-estado foram organizadas e se fortaleceram. O legado sumério é imenso, mas, justamente pelo fato das cidades sumérias serem tão independentes, o governo central ficou muito fragilizado e caiu frente aos acádios.

Quando o povo semita de nome acádio, governado por Sargão conquistou a Suméria, tornou sua capital a cidade de Acad. Porém, o império de Sargão caiu frente à revolta das cidades-estado sumérias que retomaram o poder.

Após o término da última dinastia suméria, por volta de 2000 a.C. a região da Mesoopotâmia sofreu um estado de caos e revoltas durante quase um século.

Antigo período babilônico[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1900 a.C. o povo amorita, um grupo semita, tomou o controle da região mesopotâmica.

Esse povo centralizou o governo, ou seja, acabou com a independência das cidades-estado, que ficaram submetidas a um governo central.

A capital desse nascente império amorita passou a ser a cidade de Acad, agora denominada Babilônia. Por essa razão, os amoritas são chamados de Antigos Babilônios.

código de Hamurabi

Política e leis dos antigos babilônios[editar | editar código-fonte]

Para o povo amorita o rei era um deus, sua origem era indiscutivelmente divina e seu poder era total.

Nas mãos do rei estavam todas as cidades-estado, as taxações, o serviço militar obrigatório, nada se resolvia fora do poder real.

Para fazer esse sistema centralizado funcionar (onde antes havia autonomia) foi criado um conjunto de leis para punir os crimes contra o estado.

O Código de Hamurabi[editar | editar código-fonte]

Os antigos babilônios fizeram leis rigorosas e punições severas, muitas das vezes lançando mão da pena de morte até mesmo para delitos menores.

Hamurabi foi rei da Babilônia 1792-1750 a.C. seu nome hoje é confundido com o código de leis que criou até porque, dele se extraiu a Pena de Talião “olho por olho, dente por dente...”

Esse código é uma compilação de leis mais antigas que se conhece, foi gravado numa estela de diorito, em cuja parte superior aparece o próprio Hamurabi recebendo a insígnia do reinado e da justiça, das mãos de Marduk. Na parte de baixo da estela estão gravadas as 282 cláusulas do Código. Essa estela foi encontrada por uma delegação francesa na Pérsia sob a direção de Jacques de Morgan, em 1901-1902, sob as ruínas da acrópole de Susa e foi transportada para o Museu do Louvre, Paris onde permanece.

Suas penas eram severas e geralmente as punições se igualavam aos prejuízos causados como por exemplo: aquele que praticasse roubo por arrombamento, deveria ser morto e enterrado em frente ao local do fato. Isso configura o famoso “olho por olho...”

O Código de Hamurabi é visto como sumério no espírito mas carregando a dureza das penas dos antigos babilônios.

cabeça de um rei anterior a Hamurabi

Hamurabi[editar | editar código-fonte]

É o rei mais famoso porque pode ser considerado o sexto rei sumério mas é o fundador do Primeiro Império Babilônico, dinastia babilônica dos amoritas ou antigos babilônios.

Ele nasceu em Babel e era filho do quinto rei da dinastia suméria. Ao subir ao trono, Hamurabi promoveu a fusão dos semitas e sumérios e por meios diversos, fossem guerras ou pela diplomacia dominou as antes independentes cidades-estado e unificou-as, assim conquistou quase toda Mesopotâmia.

Esse rei fez muitas obras, impulsionou a agricultura, o comércio, construiu cidades, decorou templos, mas seu grande legado foi o famoso código de leis que até hoje é estudado e discutido.

Religião e artes dos antigos babilônios[editar | editar código-fonte]

possivelmente a grande deusa da Babilonia

Pouco sabemos da religião dos antigos babilônios, mas é possível supor que eles tenham adotado muito da religião suméria, povo com o qual conviveram durante muito tempo.

Veneravam grande número de deuses nos templos, Seu deus principal, criador dos homens era Marduk e os cultos eram dirigidos por sacerdotes. O rei era o representante de Marduk.

Não acreditavam na vida após a morte.

Na literatura, os antigos babilônios deixaram a compilação de uma série de histórias sumérias. Essa coleção conta os feitos do lendário Gilgamesh, rei de Uruk, e narra como esse rei destruiu o demônio da floresta libanesa de cedros, desafiou os deuses, descobriu o segredo do dilúvio e sobreviveu.

O declínio[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Hamurabi, seu filho enfrentou muitas rebeliões e invasões que não conseguiu controlar. Seus descendentes permaneceram lutando mas o império babilônico estava desmoronando.

Os hititas, povo de origem misteriosa, invadiu a Babilônia, liderados pelo rei Mursilis I em 1595 a.C. A cidade foi arrasada e incendiada e isso foi o fim do império dos antigos babilônios.

O povo hitita adotou as leis, a religião e a cultura dos antigos babilônios, que antes já tinham absorvido a cultura suméria.

Os cassitas dominaram a Mesopotâmia central tanto militar quanto comercialmente. Vindos dos montes Zagros armados inclusive com carros de guerra puxados por cavalos, absorveram a cultura local.

estátua dedicada à deusa Ninisina por um médico de Lagash

Embora não conhecessem a escrita, formaram um grande império baseado no saber dos babilônios e na sua força militar, conquistaram territórios do Eufrates até os montes Zagros.

A cidade da Babilônia foi renomeada e se tornou Karanduniash eles também ergueram uma nova capital chamada Durkurigalzu.

A prosperidade da região atraiu os assírios que começavam a se expandir para o norte. O rei assírio Tukulti Ninurta I, invadiu a Babilônia, prendeu seu rei e arrasou a cidade.

Com o assassinato do rei assírio, houve um pequeno período de paz e logo depois a invasão dos elamitas em 1153 a.C. Foi o povo elamita que saqueou a cidade levando para Susa a pedra onde está gravado o Código de Hamurabi.

Esse foi um período difícil para a Babilônia, as constantes invasões destruíram muito de suas belas obras arquitetônicas, acabaram com seu comércio e sua agricultura e impediram o desenvolvimento das artes.

A Babilônia só volta a ser uma cidade importante sob os reis caldeus que serão os chamados neo-babilonios.

Com a Babilônia ao centro, a região da Mesopotâmia dominou a paisagem do Oriente Médio durante dois séculos e meio. Certamente, em um futuro tempo de paz nessa região, talvez seja possível fazer grandes escavações e pesquisas, é muito provável que ainda exista muita riqueza histórica sob um chão onde pisaram tantos povos importantes.

Referências[editar | editar código-fonte]

Civilização Egípcia

Civilização Egípcia


O antigo Egito é uma das civilizações mais conhecidas do mundo atual.

Talvez pelo espetacular achado da tumba intacta do faraó Tutancâmon, talvez pelas imponentes pirâmides, talvez por todas as lendas que se desenvolveram no imaginário popular.

É fato que graças ao clima do deserto, aos arquitetos geniais e à religião que professavam, os egípcios nos deixaram de presente um testemunho de sua brilhante civilização.


Pendente da tumba do rei Tut

Clima e localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A Civilização Egípcia se desenvolveu a nordeste do continente africano, ao longo do grande rio Nilo que nasce no lago Vitória (África oriental) e corta as terras do Egito até desaguar no mar Mediterrâneo.

Limites do Egito são:

Ao norte o mar Mediterrâneo, ao sul as cataratas do Nilo no atual Sudão. A leste o mar Vermelho e a oeste o deserto da Líbia.

Mapa do antigo Egito

O clima era quente e seco embora, menos do que hoje em dia. Dizem os estudiosos que entre 5500 e 2500 a.C. o Saara não era como hoje o conhecemos. Era uma região de clima temperado, com água abundante e coberto de vegetação.

Unificação[editar | editar código-fonte]

Nos tempos mais antigos, quem se estabeleceu às margens do rio Nilo foram tribos esparsas, satisfeitas por encontrar um local abençoado, onde não dependiam das chuvas porque havia um rio (que era visto como um deus) para fertilizar as terras e prover de água.
Com o decorrer do tempo as tribos foram se organizando em Nomos. Já possuíam noções de aritmética, movimento das estrelas, usavam um calendário e escreviam em hieróglifos. Mas, as terras ainda eram divididas em alto e baixo Egito.

O alto Egito era o sul, onde as terras férteis são apenas as margens do Nilo e o deserto fica muito perto, assustando e maltratando o povo e os animais com seu vento cruel.
O baixo Egito era o norte, onde no delta do rio a vegetação era luxuriante e a caça e a pesca abundantes.

Quem juntou as duas terras do Egito sob um mesmo governo foi Menés ou Narmer. O nome é motivo ainda de discussões. O fato é que a partir dessa união de nomos sob o mesmo governo, começa a real história de um grande império e começa o reinado dos faraós, que eram os reis do país unido.

Divisões históricas[editar | editar código-fonte]

estátua de Nenkheftka, 6ª dinastia

Existem diversas maneiras de dividir a história do antigo Egito. Aqui vamos usar:

  • Antigo império
  • Primeiro período intermediário
  • Médio império
  • Segundo período intermediário
  • Novo império
  • Terceiro período intermediário
  • Último período
  • Período greco-romano

Antigo império[editar | editar código-fonte]

Antes do antigo império existiu o período dinástico antigo que engloba a 1ª e a 2º dinastias. Essa fase foi de unificação do governo e do povo.

O antigo império vai da 3ª a 6ª dinastias e foi uma fase de prosperidade e de expansão.

Essa é a época em que o país de fato se afirma como uma grande potencia, é na quarta dinastia que são construídas as pirâmides, os templos, as estátuas dos faraós imponentes como deuses. Tempos de riqueza e paz que terminam no reinado de Pepi II, o último faraó da sexta dinastia.

Primeiro período intermediário[editar | editar código-fonte]

Neste período contabilizamos a 7º, 8ª, 9ª, 10ª e 11ª dinastias. Sendo que a 11ª dinastia é dividida entre as fases do primeiro período intermediário e do médio império.

É chamado de período intermediário porque foi uma fase de desunião, fome e governantes fracos. O país ficou dividido em três, houve invasão de outros povos e anarquia gerando uma guerra civil.

Dentro dessas dinastias houve diversos governantes mas somente no final da 11ª dinastia e ainda pertencendo a ela é que surge o novo governante, Mentuhotep II, que vai unificar novamente o Egito e começar o período chamado Médio império.

Médio império[editar | editar código-fonte]

barco funerário da tumba de Meketre, 12ª dinastia

O médio império engloba as dinastias 11, 12 e 13, embora Mentuhotep II pertença ainda a 11ª dinastia, ela é dividida com o período anterior.

Este foi um tempo de paz e riqueza, de muitas expedições militares, de comércio florescente, de grandes construções como o Templo de Amon em Karnak e muitas pirâmides e fortalezas.

Os sacerdotes eram poderosos e o grande deus Amon era venerado por todos.

Nas artes os egípcios deixaram um legado na pintura, arte decorativa, estatuária, literatura, que demonstram que nada como a paz e a riqueza de um povo para que a capacidade artística possa florescer.

O médio império termina na 12ª dinastia, sem governantes importantes mencionados nas listas conhecidas. Se presume que, novamente a fome, com a baixa das cheias do Nilo, aliada a governantes fracos tenha sido o estopim para a desunião do país.

Segundo período intermediário[editar | editar código-fonte]

Este período abrange as dinastias da 14ª à 17ª. Quando se denomina período intermediário, significa um período de transição, e este foi marcado pelo governo de um povo estrangeiro nas terras do Egito.

sarcófago da esposa do faraó Seqenenre Tao II

O fato é que não havia um governante de pulso firme e novamente as terras foram divididas, sendo que, no delta, um povo que foi chamado de Hicsos, tomou conta do governo e por isso se diz que houve a invasão dos hicsos. Na realidade esse povo já vivia no Egito e foi aumentando sua população até que tiveram a oportunidade de constituir um governo.

É claro que os egípcios resistiram à dominação estrangeira, e de Tebas surgiu a resistência que derrotou o povo estrangeiro, os expulsando das terras do Egito. Foi Kamose filho de Seqenenre Tao II, o grande líder que foi a guerra e libertou o país iniciando uma nova fase. Seu irmão Ahmose foi o faraó do Egito livre e unido e o primeiro da 18ª dinastia.

Novo império[editar | editar código-fonte]

relevo de Amarna

Aqui teremos as dinastias de 18 a 20 e um período de glórias para o Egito.

O país reunificado, temos nessa fase grandes faraós guerreiros, muitas campanhas militares, a retomada de territórios perdidos e novas conquistas.

O novo império deve ser mencionado, além de muitas outras coisas, pelo fato dos sepultamentos passarem a ser no Vale dos Reis, pelas artes, pelos templos e pela avançada medicina. Se formos nomear os faraós, essa é talvez a fase mais rica do Egito em grandes governantes, como Hatshepsut (a rainha-faraó),Thutmose III o grande líder militar que expandiu as fronteiras, Ramsés II, Thutankamon (que na verdade não foi importante enquanto vivo mas que, depois de morto nos legou uma grande riqueza e saber). Além de todos o faraó Akhenaton, que rompeu com a religião estabelecida e construiu outra cidade para seu culto a Aton, o deus sol.

A decadência do novo império começou ainda no reinado de Ramsés II, as invasões dos povos do mar, a Guerra de Tróia com consequente movimentação de pessoas fugindo, a riqueza e poder dos sacerdotes, a corrupção e a fome, tudo isso levou à derrocada de uma das mais belas fases da história egípcia.

o rei núbio Taharka representado como esfinge

Terceiro período intermediário[editar | editar código-fonte]

Compreende as dinastias de 21 a 25. Neste período temos um Egito dividido novamente, mas na mão dos sacerdotes e de diversos reis sem grande poder, que governavam a partir de cidades distintas.

É necessário mencionar que nesse terceiro período houve a 25ª dinastia, ou Núbia ou ainda Kushita.

Depois de tantos anos dominados pelo Egito, os núbios guardavam os valores mais profundos e importantes da cultura egípcia com os quais por tanto tempo conviveram e admiraram.

Quando o país se esfacelou dominado pela corrupção, os faraós negros da Núbia dominaram parte do país trazendo de volta de seus antigos valores e deixaram uma belíssima herança na sua própria terra, a Núbia.

estátua pertencente a 26ª ou 27ª dinastias

Último período[editar | editar código-fonte]

Engloba da 26ª à 31ª dinastias. O Egito é reunificado por Psamético I que era apenas um fantoche nas mãos de Assurbanipal e assim os assírios estavam no comando do Egito. Esta foi a 26ª dinastia.

A 27ª dinastia foi fundada pelos persas, que dominaram o Egito sob a liderança de Cambises. Essa foi uma dominação que não trouxe grandes danos ao orgulho egípcio, até pelo contrário, os reis persas Cambises, Dario I e Dario II procuram governar de forma a respeitar as tradições do povo egípcio.

Depois houve um breve período de independência com governantes fracos e governos instáveis. A 31ª dinastia é última a ter faraós nascidos no Egito.

O último período se fecha com a segunda ocupação persa que violenta, sangrenta, com um governo desorganizado, corrupto e cheio de vícios.

Período greco-romano[editar | editar código-fonte]

Começa oficialmente com a chegada de Alexandre Magno ao Egito. Ao que parece, o grande conquistador foi recebido de braços aberto pelo povo egípcio, que havia passado por uma grande opressão com os persas.

Alexandre era um homem culto e admirava o Egito, infelizmente não viveu para ver pronta a cidade de Alexandria, que mandou construir.

Cleópatra VII

Um de seus generais, que estava no Egito por ocasião de sua morte, herdou o governo, seu nome era Ptolomeu. Assim teve inicio à dinastia chamada Ptolemaica.

Embora esta fosse uma fase próspera para os egípcios, o povo não aceitava esses estrangeiros e cada vez mais os romanos tomavam as rédeas do poder.

A última rainha deste período foi Cleópatra VII, a famosa governante que se envolveu com os romanos Otávio Augusto e Marco Antonio.

Perdida a Batalha de Accio, ela cometeu suicídio junto com Marco Antonio.

Daí em diante o Egito se torna província romana.

Faraós e dinastias[editar | editar código-fonte]

Na realidade os egípcios não chamavam o seu rei de faraó. A palavra faraó é a pronúncia dos hebreus para a palavra egípcia per-aa que significa Casa Grande.

Hatshepsut a rainha-faraó.

O título do rei do Egito era Nisu.

O rei, com poucas exceções na história era sempre do sexo masculino, mas herdava o título de sua esposa, portanto a legitimação ao trono vinha através da mulher, que podia até ser irmã do rei. Vamos datar a primeira dinastia de 3000 - 2650 a.C. até o último período mencionado que é o período greco-romano, vai de 332 a.C. - 642 d.C. Existem muitas discussões sobre as datas e os reis de cada dinastia mas vamos partir do princípio de que durante esse tempo, decorreram todos os períodos mencionados acima, sendo que algumas dinastias foram interrompidas por disputas internas ou invasões estrangeiras.

Religião e túmulos[editar | editar código-fonte]

Parte determinante da cultura egípcia, graças aos hábitos e crenças religiosos temos hoje informações precisas sobre a vida no antigo Egito. Os túmulos dos mortos contam a história da vida.

Desde o início da ocupação do vale do Nilo, o povo já acreditava em deuses, que eram forças da natureza, assim como o próprio rio. Com o desenvolvimento da civilização, esses deuses foram tomando forma e se criou toda uma mitologia em torno deles.

Tumba de Seti I.

Assim, para reverenciá-los foram construídos templos e toda uma casta de sacerdotes era tratada de forma especial. Os sacerdotes se tornaram tão poderosos que interferiam nos assuntos do Estado e possuíam grande riqueza, muitas terras e sem dúvida o respeito do povo, pois lidavam com o que era divino.

Devido a crença numa vida após a morte, era preciso preparar uma sepultura com todo o conforto para o morto poder desfrutar da vida em outro plano. Era primordial conservar o corpo físico em perfeito estado e era preciso também receber as bênçãos dos sacerdotes. Foi esse o grande motivo para fazer a mumificação, e eles foram tão precisos nessa técnica que há muitos corpos bem conservados até hoje.

Os faraós foram sepultados com grandes tesouros, que possivelmente foram todos roubados pouco depois do sepultamento.

As famosas pirâmides são conhecidas como túmulos embora isto não esteja provado.

Artes e ciências[editar | editar código-fonte]

Vamos começar pela arquitetura, que salta aos olhos por sua beleza e monumentalidade. Os egípcios foram construtores inigualáveis, basta olhar para a única maravilha do mundo antigo ainda de pé: as pirâmides de Giza. A grande esfinge, também é um monumento que inspira uma série de dúvidas e hipóteses.

Cama com cabeça de hipopótamo do rei Tut

Os templos são um exemplo de arquitetura majestosa voltada para o divino, Karnak o maior deles, Abu Simbel, Kom Ombo, o Templo de Luxor e outros.

A escultura foi durante toda a civilização egípcia uma forma de glorificar os deuses e o faraó. Ramsés II foi responsável por estátuas imensas como os Colossos de Memnon, suas estátuas na frente do templo de Abu Simbel, sua estátua no Ramesseum. Existe um legado deslumbrante em estátuas de deuses e faraós de diversos períodos, que demonstram o talento artístico do povo.

Não se pode deixar de citar o túmulo da rainha faraó Hatshepsut, chamado de Djeser Djeseru ou o Esplendor dos Esplendores, é considerado uma das obras mais importantes da arquitetura do antigo Egito.

A pintura foi muito explorada na decoração dos túmulos e templos. Os egípcios sabiam como usar as cores com gosto e retrataram os fatos do dia a dia com detalhes. Os túmulos são os locais onde as pinturas ficaram mais preservadas e podem ser apreciadas em toda sua glória.

Os egípcios foram mestres na fabricação de vasos e tigelas, tabuleiros para jogos, recipientes para maquilagem, jóias finas e delicadas usando pedras coloridas, amuletos, pequenas figuras usadas para colocar nos túmulos chamadas ushabtis.

A literatura, por sorte, sobreviveu ao tempo de modo que temos vários textos do Livro dos Mortos, algumas obras como hinos religiosos, romances e conselhos. Havia o desenho satírico e a crítica social, além de documentos com listas de impostos e oferendas.

Na fase de Amarna ou no reinado de Akhenaton, a arte pictórica se mostra mais naturalista, completamente diferente do que havia sido feito até então. Dessa fase temos uma das mais belas e admiradas esculturas do mundo que é o busto de Nefertiti, esculpida pelo artesão Tuthmose (Museu de Berlim).

Nas ciências é preciso citar a astronomia: criaram o calendário de 365 dias, sabiam o movimento de algumas estrelas. Construíram reservatórios de água e canais de irrigação para levar as águas do Nilo para locais distantes, fizeram diques e nilômetros para medir as cheias do rio.

Na medicina os egípcios deixaram diversos tratados e estudos que comprovam o avanço dos tratamentos, havendo até mesmo especialistas em algumas áreas.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Livro dos mortos do escriba Ani.

Como vimos acima,o Egito sofreu diversos períodos conturbados, viveu sob povos invasores e mesmo assim conseguiu se reerguer algumas vezes.

Mas, depois da invasão dos assírios e dos persas, especialmente depois da segunda ocupação persa, já não havia restado quase nada do magnífico império egípcio.

Infelizmente Alexandre Magno não viveu para governar o Egito e a dinastia dos Ptolomeus nada tinha a ver com os gloriosos faraós egípcios.

Dessa forma o país foi dominado definitivamente por Roma, deixando apenas a história para contar suas glórias passadas.

Primeiras civilizações no Leste da Ásia

Primeiras civilizações no leste da Ásia[editar | editar código-fonte]

Vamos transformar esse título porque a Civilização do vale do Indo surgiu na região sul do continente, e ela está inserida nesse capítulo.

Existem teses que defendem que os primeiros habitantes que viveram no sul da Ásia chegaram lá vindos da África. Se assim ocorreu, depois, chegaram os Dravidianos e os habitantes originais tiveram que abandonar os locais onde viviam. Os dravidianos tinham pele morena e cabelos lisos.

Os Dravidianos construiram uma civilização que nos parece espantosa em diversos aspectos, de acordo com o que sobrou para estudos e isso será visto nos primeiros capítulos desse módulo.

estátua de Fu Hao, dinastia Shang



No leste da Ásia, aí sim, temos a mais longa civilização contínua. Aliás, a China é muito grande para nos atermos ao leste da Ásia, mas foi nessa região que viveram seres humanos muitíssimo antes dos registros históricos.

Até mesmo antes dos egípcios construírem as pirâmides já existiam aldeias junto ao rio Amarelo. As dinastias Shang e Zhou foram marcos entre tantas outras que se desenvolveram e governaram as terras chinesas.

Os Shang são os primeiros registros de um estado civilizado. A dinastia Zhou governou na idade clássica das artes na China.

Depois vieram outras dinastias e mais História, e até aqui temos muito para descobrir sobre esses povos que nos legaram tanto conhecimento.

Civilização do Vale do Indo

Civilização do Vale do Indo


poço e plataformas em Harappa 2200-1900 a.C.

Descoberta e desperdício[editar | editar código-fonte]

Quando os britânicos dominaram a Índia (1757-1947), começaram a construir ferrovias, afinal esse era o meio de transporte ideal para as longas distâncias.

Sacerdote de Mohenjo-Daro

Depois da inauguração do primeiro trem, os engenheiros já sabiam que não seria fácil encontrar material que permitisse a sustentação dos trilhos. Era preciso colocar trilhos entre as cidades de Karachi e Lahore, e os trabalhadores, escavando, encontraram tijolos de argila cozidos no forno.

Os engenheiros escoceses John e William Brunton concordaram que esse era um substituto adequado e econômico para o cascalho. Assim, os empregados continuaram a escavar e desenterrar milhares de tijolos, junto com eles encontraram estatuetas e selos com inscrições desconhecidas.

Infelizmente, isto não fez parar o trabalho. Ninguém tomou providencias e foram construídos 160 km de ferrovia com os tijolos de Harappa.

Só muito mais tarde, sessenta e cinco anos depois, os arqueólogos descobriram que naquele local havia florescido uma civilização contemporânea da Mesopotâmia, a civilização do vale do Indo, também chamada civilização Harappeana.


Localização[editar | editar código-fonte]

Mapa das cidades do Indo.

A chamada civilização do vale do Indo, já não faz parte da Índia, na verdade fica no Paquistão atual. Portanto o nome que tem sido usado, desde a década de 80 é Civilização Harappeana (devido à cidade de Harappa), até porque essa foi uma cultura que se espalhou por uma área extensa e não apenas pelo vale do rio Indo.

Em 1947, a Índia foi dividida em Índia e Paquistão.

O Paquistão se formou em torno do vale do rio Indo, centro sul da Ásia. No oeste está limitado pelos montes Suliman, ao norte está o Himalaia. Nas divisas com a Índia e o Irã existem desertos. O Paquistão atual faz fronteiras com o Irã, Afeganistão, China e Índia. O rio Indo, nasce no Tibet e corta o país de norte a sul, escoa no Mar Arábico formando um imenso delta.

Essa geografia em tempos ancestrais, deve ter favorecido a civilização que ali se desenvolveu, porque configurava uma área protegida de invasões e o vale do rio Indo, possui solo fértil assim como o solo do Crescente Fértil e do vale do rio Nilo. Na primavera a neve derrete nas montanhas e corre para o rio Indo, levando os minerais ricos para adubar o solo.

Idioma e escrita[editar | editar código-fonte]

A escrita do povo que habitou o vale do Indo permanece um mistério, porque não foi decifrada até hoje (2007).

Foram encontrados muitos selos nas ruínas das cidades, que já foram escavadas, eles mostram umas quatrocentas figuras; isso seria muito pouco para configurar uma língua ideográfica, e muito para uma língua fonética.

selos do vale do Indo

O que se sabe sobre essa civilização foi deduzido por estudiosos, partindo dos selos, das estátuas, trabalhos artesanais, construções.

O povo do Indo, não deixou inscrições nas pedras e nem papiros nos túmulos. Tudo o que temos são as inscrições nos selos e já foram feitos muitos estudos para decifrá-los, mas nenhum teve sucesso. Parece que alguns representam nomes de famílias e outros talvez tenham sido usados para o comércio, mas são ainda suposições.

Mais de 2000 selos de pedra foram encontrados no Vale do Indo. Eles têm formato quadrangular e eram feitos com punhados de barro úmido. Sem dúvida formam alguma espécie de escrita, o mais comum traz a figura de um unicórnio.

Os selos encontrados no vale do Indo são similares aos encontrados na Mesopotâmia. Alguns foram mesmo encontrados na Mesopotâmia e no Golfo Pérsico. Certamente pertenciam a mercadores.

As cidades[editar | editar código-fonte]

A Civilização do Vale do Indo é reconhecida como a primeira civilização a desenvolver o senso de planejamento urbano, por volta de 2600 a.C. onde algumas pequenas vilas cresceram em grandes cidades contendo milhares de pessoas.

Aparentemente, essas cidades surgiram de um governo centralizado e muito esforço e planejamento.

Aparentemente, todas as cidades da civilização do Indo foram bem planejadas, e seus tijolos tinham todos o mesmo tamanho e o mesmo tipo de tijolo foi usado em cidades muito distantes umas das outras. Os pesos e as medidas também mostram uma regularidade considerável.

As ruas possuíam ângulos retos e um elaborado sistema de drenagem.

Havia prédios públicos, sendo que o mais famoso era a Casa de Banhos em Mohenjo-Daro.Havia grandes silos e cisternas. O centro de uma cidade possuía uma poderosa cidadela, usada como proteção contra ataques inimigos, que eram mais altas do que a maioria dos zigurates sumérios.

As casas ficavam de frente para a rua, tinham pelo menos dois andares e possuíam proteção contra o barulho, o cheiro e os ladrões. A vida doméstica se desenvolvia dentro de um pátio fechado e as varandas ficavam sobre esse pátio. Cada casa possuía seu próprio poço e havia uma, que inclusive possuía uma grande banheira. Nessas casas, escadas de tijolos levavam aos andares superiores e ao telhado.


Mohenjo-Daro e Harappa[editar | editar código-fonte]

A civilização do vale do Indo, foi assim chamada porque se acreditava que ela tinha se desenvolvido apenas no vale do rio. Em 1875 já haviam sido encontrados selos pertencentes à Mohenjo-Daro e Harappa, mas, foi a partir de 1922 que foram iniciadas escavações sistemáticas.

Casa de banhos em Lothal, os dois potes serviriam para armazenar água

Harappa foi redescoberta por causa dos tijolos usados na ferrovia (já mencionado acima). Mohenjo-Daro foi encontrada graças ao arqueólogo hindu Banerji. Ele observou que os tijolos de um mosteiro budista eram de fabricação muito anterior ao prédio. Foi da busca pelos fabricantes dos tijolos que surgiu a grande Mohenjo-Daro. Desde a criação do Paquistão, em 1947, esses locais históricos estão sob a proteção do Departamento de Arqueologia e Museus do Governo do Paquistão.

A descoberta dessas duas cidades mostrou que a civilização do Indo não estava restrita ao vale do rio, mas, se espalhava numa área muito maior tanto ao noroeste quanto ao oeste da Índia.

Tanto Harappa (que muitas vezes dá nome à civilização do vale do Indo) quanto Mohenjo-Daro deveriam ter uma população de mais de 40 000 pessoas. Para se ter uma idéia, as cidades da Suméria tinham apenas 10 000 cada uma.

Ainda não se sabe quase nada sobre essas cidades e a maior parte do local ainda não foi escavada. Acredita-se que Harappa era o centro urbano que dominava a região do alto Indo, assim como Mohenjo-Daro dominava o baixo Indo.

Mohenjo-daro (o Monte de Mohen ou Mohan), pode ser escrita também Mohanjo-daro (o Monte de Mohan ou de Krishna). Ainda é um dos centros urbanos mais bem preservados da civilização do Indo.

Os prédios de Mohenjo-Daro foram feitos de tijolos cozidos, embora algumas construções fossem tipo pau-a-pique (lama e madeira). Essa cidade foi poupada da destruição que aconteceu em Harappa porque a ferrovia principal foi construída ao longo da margem leste do Indo, e as pedras das colinas Rohri eram mais acessíveis para o uso nos trilhos. Mohenjo Daro foi certamente a maior das cidades do Indo, se espalhando por 250 hectares.

Economia[editar | editar código-fonte]

Tudo o que se sabe sobre a civilização do Indo, foi descoberto através de estudos e escavações profundas na área. É sabido que as cidades eram muito desenvolvidas, que o povo possuía técnicas avançadas de agricultura e sua economia era também baseada no comércio.

ruínas de MohenjoDaro

Como todos os povos da época, que podiam se aproveitar da proximidade dos grandes rios, o povo do Indo tinha uma agricultura muito produtiva, por volta do ano 3000 a.C. a irrigação era comum. O povo plantava ao longo dos afluentes que corriam para o rio principal, trigo, cevada, ervilhas, sésamo e tâmaras, assim como também arroz, mostarda, melões e outras frutas. Eles também plantavam algodão e provavelmente foram os primeiros a confeccionar roupas com algodão.

O povo do vale do Indo domesticava animais, havia cães e gatos, gado, búfalos, e talvez, também, porcos camelos, cavalos e asnos. A caça, a pesca e a agricultura eram a base da subsistência.

Parece que esse povo não apenas vivia da agricultura, mas que foi uma civilização de grandes comerciantes. Os itens mais populares que deveriam ser comercializados eram jóias, roupas, lâminas, espelhos, brinquedos e anzóis. Cada mercador possuía seu próprio selo. Eles faziam comércio com seus vizinhos de outras regiões da Índia, do Golfo Pérsico e da Suméria.


Foram encontradas docas para barcos, em Lothal (outra cidade da civilização do Indo), de modo que se acredita que usavam o rio para comércio, e deviam ser hábeis navegantes.

Lothal, que hoje está localizada no estado de Gujarat na Índia, é um dos mais importantes locais arqueológicos do país. Foi descoberta em 1954 e seu nome significa lugar dos mortos.

Sociedade, Arte e Religião[editar | editar código-fonte]

Pelo pouco que se conhece, o povo do Indo se vestia e penteava, como os Sumérios. Os homens usavam barba, mas não usavam bigode. Vestiam uma túnica leve com o ombro direito nu. As mulheres vestiam saias curtas, grandes enfeites na cabeça e também usavam muitos colares e uma espécie de cinto . Isso significa que deveria ser um povo urbano e refinado que apreciava a estética.

A sociedade deveria ser dividida de acordo com as ocupações de cada um, isso sugere a existência de um governo organizado.

De acordo com as peças, como vasos e tigelas descobertos na Mesopotâmia os artesãos eram muito habilidosos, possivelmente sendo essa profissão muito valorizada. Já se sabe que eles trabalhavam o bronze, o cobre, o chumbo e o estanho. Havia jóias de ouro, lanças e facas.

Não se sabe se eles construíram grandes esculturas, porque apenas foram encontradas pequenas figuras humanas, o busto de um provável sacerdote e uma dançarina feita em bronze.


As estátuas de terracota de uma Deusa Mãe, pela quantidade encontrada, sugere que o povo tinha sua imagem em praticamente todas as casas. A religião era politeísta e seus deuses tinham forma humana, sendo homens e mulheres.

É possível que um selo, onde se vê um deus de chifres, sentado, fosse o ancestral do deus Shiva como Pashupati, o Senhor dos Animais.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Ainda é mistério o desaparecimento de uma civilização tão avançada. Os estudiosos não sabem porque o povo abandonou a área do Indo.

Existem milhares de interrogações, que vão desde enxurradas que podem ter destruído as cidades, a perda de fertilidade do solo, a fome e a seca, mudanças ecológicas.

Mapa onde se pode ver Lothal.

É possível que as enxurradas tenham destruído os canais de irrigação e as casas. Isso seria terrível porque as cidades prósperas, até então, começariam a passar fome. Isso poderia ter deixado o povo já derrotado moral e fisicamente, despreparado para a invasão dos Arianos.

A palavra Arianos significa Nobres.

Muito se fala sobre essa invasão dos Arianos. Mas é possível que essas tribos bárbaras vindas da Ásia Central através das montanhas do Hindu Kush, já tenham encontrado cidades abandonadas.

Se realmente existiram, os primeiros ataques dos Arianos às cidades devem ter ocorrido por volta de 2000 a.C. próximo ao Baluquistão. No Rig Veda há menções sobre o deus da guerra, Indra, destruindo alguns fortes e cidadelas, e uma delas pode ter sido Harappa e outras cidades do Indo.

A história convencional fala de um cataclismo que varreu do mapa a civilização do vale do Indo, por volta de 1600 a.C. O problema é que isso não explica, porque cidades muito distantes umas das outras foram exterminadas da mesma maneira.

Brinquedo, Mohenjo-Daro

Por volta de 1500 a.C. a cultura que floresceu no vale do Indo já havia sido varrida do mapa. Por volta de 1700 a.C. parece que a civilização do Indo já estava em declínio, por causa das enchentes constantes e violentas que destruíam as cidades na beira do rio e acabava com as plantações.

É possível que a explicação mais natural seja a decadência da própria civilização, devido a fatores internos. Talvez nem mesmo os Arianos sejam os culpados, até porque é provável que, quando os Arianos migraram para a Índia em 1500 a.C. a civilização Harappeana já não existisse.

Talvez o futuro possa trazer as informações de que precisamos para entender a escrita e a história dessa civilização, que deve ter sido grande assim como as civilizações egípcia e suméria.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Civilização do rio Amarelo

Civilização do Rio Amarelo


Queda d'água Hukou, rio Amarelo


Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A China é um país de dimensões continentais que está localizado na Ásia Central.

Na parte leste desse grande país, que hoje é um dos mais importantes do mundo, se encontra a grande planície da China. É a neve que derrete das montanhas a oeste, a cordilheira do Himalaia (onde estão algumas das mais altas montanhas do mundo), que formam as cabeceiras dos dois rios mais importantes da China, o rio Amarelo e o Yang Tsé.

O rio Amarelo recebe esse nome por causa da poeira fina e amarela (loess), que o vento carrega desde o norte da China, através das estepes da Ásia Central, e dá à água a cor amarela tão característica.

O Yang Tsé é o rio mais longo da China e terceiro mais longo do mundo, ele irriga as regiões onde há plantações de arroz no sul da China.

Da mesma forma que aconteceu no Egito, na Suméria e no vale do rio Indo, o rio Amarelo foi o responsável pela povoação do local. [[Imagem:Region of xia.svg|thumb|100px|left|Região da dinastia

História muito, muito antiga[editar | editar código-fonte]

No território onde hoje é a China, foram encontrados vestígios de fósseis do chamado Homem de Pequim, acredita-se que esse antepassado nosso tenha vivido há mais de quatrocentos mil anos.

Ao olharmos o mapa da China podemos observar que, aqui estamos falando apenas de uma pequena porção desse imenso território. Mas, de acordo com a tradição, o povo chinês se originou no vale do rio Amarelo. É possível que as margens do rio Amarelo tenham abrigado apenas uma, das diversas culturas surgidas em tão grande extensão de terras.

Tanto no sudoeste da China, como às margens do rio Yang Tsé, já foram encontrados vestígios de outras culturas que agora estão sendo estudadas. Mas aqui, vamos nos concentrar na história que se desenvolveu nesse pedaço de terra fértil às margens do rio Huang He ou Amarelo.

Diz a tradição que até 1800 a.C. a China era habitada por tribos nômades e a primeira dinastia hereditária foi chamada Hsia ou Hia ou ainda Xia. Não se sabe se isso é lenda, porque, na verdade, a primeira dinastia de que se tem evidências históricas, ou seja, pode ser verificada, é a dinastia Shang também chamada Yin.

Machado de guerra em bronze, dinastia Shang.

Dinastias[editar | editar código-fonte]

Dinastia Shang[editar | editar código-fonte]

Seu local de origem foi a planície norte, aproximadamente 1500-1050 a.C. na bacia inferior do rio Amarelo. Também chamada de Yin, é a primeira dinastia que pode ser documentada.

Tudo o que sabemos sobre a dinastia Shang, foi escrito centenas de anos depois do seu término portanto não se sabe o que existe de real e de imaginação.

Lugares onde foram encontrados vestígios da dinastia Shang.

O governante pertencia à dinastia Shang cujo reinado se estendia a partir da planície do norte da China até onde hoje é a província de Shantung. Sua capital era Anyang, sua economia baseada na agricultura, muito embora soubessem trabalhar com a metalurgia e fossem artesãos.

O rei liderava a nobreza militar.

Na religião, adoravam vários deuses e também os antepassados.

Provas palpáveis, encontradas pelos arqueólogos foram objetos de bronze, inscrições gravadas em ossos e cascos de tartaruga e sepulturas.

A arte desse período usava o bronze, a cerâmica a pedra jade.

Foi durante a dinastia Shang que surgiu a mais antiga forma de escrita na China. Era um sistema de escrita pictográfico (palavras representadas por desenhos).

Dinastia Zhou.

Dinastia Zhou[editar | editar código-fonte]

Também chamada Dinastia Chou. Era uma família poderosa que derrubou os Shang e assumiu o poder, aproximadamente entre 1050-256 a.C.

Existem estudos que afirmam que os Zhou eram parte de um povo bárbaro e semi-nômade.

Nessa fase a civilização chinesa foi se expandindo rumo ao norte do país. Os Zhou governavam, delegando poder aos seus aliados em troca de apoio. Esses aliados governavam cidades muradas, como senhores feudais. Talvez por isso não havia um governo forte e era constante a anarquia.

A economia ainda era dependente da produção agrícola. Mas foi a fase em que o ferro foi introduzido, os sistemas de irrigação aumentaram as colheitas, e os pauzinhos, os tradicionais hashis passaram a ser usados na alimentação.

Também foi quando surgiram as escolas do Confucionismo, Taoísmo e Legalismo.

O poder dividido entre os senhores feudais acabou por dividir a China em sete principados e diminuiu consideravelmente o poder do imperador.

Época dos Estados Guerreiros

Assim é conhecida a fase de guerra entre os sete principados. Foi uma fase de instabilidade, insegurança e anarquia.

Essa guerra foi vencida pelo reino de Qin ou Chin, que era mais afastado e sofreu menos efeitos da desordem.

Império Qin.

Dinastia Qin[editar | editar código-fonte]

Também chamada Chin, de onde deriva o nome China, vamos datá-la entre 221-207 a.C.

Como era um reino muito rico e poderoso, organizou um grande exército e seus soldados tinham enorme vantagem sobre os inimigos porque usavam lanças e espadas de ferro, ou seja, suas armas cortavam ao meio as armas de bronze do inimigo.

Com toda essa vantagem militar esse reino, por volta do ano 221 a.C. já havia conquistado quase toda China.

O rei assumiu o título Qin Shi Huangdi, que significa "primeiro rei de Qin" e se tornou o fundador do Império Chinês.

Esse rei foi o unificador da China, adotando um sistema único de pesos e medidas, escrita e moeda. Desarmou os nobres senhores feudais e os fez morar na capital, tirando assim seu poder. Os territórios por eles antes governados, se transformaram em províncias governadas por funcionários capacitados e nomeados pelo imperador.

Foi com esse imperador, Huangdi, que surgiu a idéia de meritocracia, o que significa, funcionários escolhidos por seus méritos. Antes dele o que havia era o apadrinhamento.

O primeiro trecho da Grande Muralha foi construído no seu reinado. Outra obra de arte que o tornou admirado até os dias de hoje, é o grande Exército de Terracota, que foi construído para guardar seu túmulo.

Dinastia Han.

Dinastia Han[editar | editar código-fonte]

Quando o imperador Huangdi morreu, o império entrou em crise, isso ocorreu entre 206 a.C. - 220 d.C

Em meio a crise surgiu um líder chamado Liu Bang ou Li Yuan. Ele tomou o poder e fundou a dinastia Han.

Foi nessa época que surgiu a denominação de Império do Meio para designar a China, porque eles acreditavam que eram o centro do mundo. Sabiam que outros povos viviam ao seu redor e sua política era de comprar aliados com presentes, seda, bronze, cerâmica e jóias, além de banquetes oferecidos para que seus vizinhos sempre os apoiassem.

Sua política era expansionista e sobre as bases do império unificado pelo imperador anterior, a dinastia Han se espalhou por um grande território.

Cavalo terracota, dinastia Han.

Foi a fase em que a construção de novos trechos da Grande Muralha, abriu o caminho para ligar a China ao ocidente. Atravessando montanhas e desertos, foi aberta a famosa Rota da Seda para comercializar com a Pérsia, a Turquia, a Índia e até o Império romano.

O governo acabou enfraquecido porque políticas expansionistas costumam consumir o dinheiro da nação, e o povo insatisfeito se insurgiu contra o governo.

Bronze, dinastia Zhou.

Saindo da história antiga[editar | editar código-fonte]

A revolta do povo, basicamente camponeses, enfraqueceu o império e derrubou a dinastia Han.

O Império Chinês se dividiu então, em três reinos e essa divisão se estendeu até o ano 265 d.C.

Este foi um breve olhar sobre a antiguidade chinesa. Um povo de história riquíssima, que deixou contribuições da maior importância ao pensamento, a ciência e a arte, que deixou uma cultura que até hoje surpreende o mundo ocidental.

Ainda há muito o que aprender e muito o que descobrir, cada notícia sobre pesquisas arqueológicas nos deslumbra, e levanta um pouco o véu do mistério sobre determinados acontecimentos encobertos pela lenda.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Acima os dois sites onde se pode aprender um pouco mais sobre o túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin, onde foi encontrado o exército de terracota.

O Mediterrâneo Oriental

O Mediterrâneo Oriental



mapa do antigo oriente

O mar Mediterrâneo foi, desde a antiguidade, um marco, cujas águas foram testemunhas do inicio e do fim de grandes civilizações.

Suas águas banham, ao sul da Europa, Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Na antiguidade, os egípcios, fenícios, hititas, gregos, romanos, micênicos, minóicos, entre outros, estiveram de alguma forma ligados ao Mediterrâneo.

Esses povos deixaram sua marca em eventos históricos e tesouros em conhecimentos em todos os campos do saber da humanidade.

A geografia do local, privilegiada, contribuiu de maneira importante para que essas civilizações se desenvolvessem e prosperassem. A área ocupa três continentes, e seu solo fértil permitiu que os povos antigos se estabelecessem, domesticassem animais e plantassem com sucesso. Nas colinas da Anatólia, os hititas exploraram minas de ouro e os fenícios no Mediterrâneo carregavam azeite e especiarias em seus navios mercantes.

vista de satélite, o mar Mediterrâneo

Enquanto que as civilizações que contavam com rios para fertilizar a terra, desenvolveram plantações em grande escala. As cadeias de montanhas e os grandes rios ajudaram a manter o isolamento das culturas.

Essa região que margeia o mar Mediterrâneo também é chamada de Levante. Sua geografia vai das planícies costeiras muito férteis até as cadeias de montanhas que invadem o interior do lugar.

Ao sul temos o Vale do rio Jordão, o Mar Morto e o Wadi Araba que conduz ao Mar Vermelho. Ao norte o Vale do Bekaa, que divide as montanhas do Líbano da cadeia anti-Líbano, separando o deserto da Síria da costa.

O Nur (antigo Amanus) e as montanhas Taurus no extremo norte formam uma barreira natural entre a região e o plateau da Anatólia. Essa região corresponde, mais ou menos, nos países atuais, ao oeste da Síria, Líbano, Israel e Jordânia.


Referências[editar | editar código-fonte]

Os minóicos

Os Minóicos



mapa da Creta minóica

A descoberta[editar | editar código-fonte]

Mencionada por Homero, essa civilização foi completamente esquecida até que Arthur Evans, um dos mais famosos arqueólogos da História, acreditou na sua existência e se dedicou a buscá-la.

Ele usou as pistas dadas pelos mitos e lendas a respeito do fabuloso rei Minos (do labirinto do minotauro) para encontrar a história real. A civilização minóica de Creta estava lá, aguardando seu descobridor.

Em 1900, Arthur Evans desenterrou a construção que chamou de Palácio de Minos, hoje chamado Palácio de Cnossos, e daí começou a reconstruir essa cultura tão interessante.

Na realidade o que temos para estudar são poucas peças de um enorme quebra-cabeças, portanto são conclusões sobre o que já foi encontrado e como se presume que a história aconteceu.


Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

Creta é a maior ilha da Grécia. É uma ilha longa e estreita, que se estende pela entrada sul do mar Egeu. Sua posição geográfica é privilegiada para manter contatos com o Egito e o Levante. É a segunda maior ilha do Mediterrâneo oriental e a quinta maior de todo aquele mar.

Mapa das Cíclades

É preciso mencionar a ilha de Thera, que hoje é chamada de Santorini e possivelmente teve um papel importante no final dessa história.

Essa é uma ilha vulcânica que fica no extremo sul do grupo das Cíclades, no mar Egeu. Hoje ela tem além da ilha principal, um grupo quase circular de ilhas que são vestígios da grande erupção que despedaçou a ilha original e são as partes de uma cratera.

Origem[editar | editar código-fonte]

Foi a primeira civilização que surgiu na Europa, ao lado dos micênicos. A civilização conhecida como minóica, não foi importada mas se desenvolveu na própria ilha com o decorrer do tempo.

Pré-história[editar | editar código-fonte]

A ilha foi ocupada a partir de 6000 a.C. por povos neolíticos, como evidenciado por figuras antropomórficas de argila. As primeiras peças de cerâmica surgiram por volta de 5700 a.C. A arquitetura é semelhante às presentes no Egito e no Oriente Médio, deste período e de períodos posteriores, com tijolos queimados sobre fundação de pedra, cobertos por barro, o que pode ligá-los aos povos daquelas regiões e não aos povos europeus como se costuma pensar.

Esse povo cultivava trigo, lentilhas, criava bois e cabras. O terreno montanhoso e acidentado dava lugar a profundos vales férteis, onde era praticada a agricultura. A pesca também era um importante elemento na obtenção de alimentos.

Por volta de 3800 a.C. o cobre substituiu as pedras em utensílios como machados, e a ilha toda passou a ser ocupada por esta cultura.


Idade do Bronze[editar | editar código-fonte]

Foi neste período que a civilização minóica, de fato, floresceu. Nesta época o papel da ilha de Creta era comparável ao das grandes potências como o Egito, a Mesopotâmia e a Anatólia, por exemplo.

A economia sofreu uma grande mudança deixando de ser rural e passando a ser comercial.

Por volta de 3000 a.C. são encontrados vestígios de utensílios de bronze e fornos para fundição. Neste período, a ocupação do litoral tornou-se importante, com vilas costeiras e ancoradouros.

Tabletes em Linear A

Surgiu ainda, um sistema de escrita chamado linear A, ainda sem tradução.

O fato da Ilha de Creta estar localizada entre o Egito, a Ásia e a Grécia continental, foi o grande impulsionador do comércio e da economia. Creta era a ponte entre as diversas civilizações da época, ajudando a disseminar o conhecimento entre povos de culturas tão variadas quanto os que viviam no antigo oriente e os ocidentais.

Graças aos excedentes de produção e a difusão do uso do bronze, houve todo um processo que fez mover a economia, no sentido de ocupar a mão-de-obra em atividades diversas.

Era necessário uma organização social e política para gerir essa nova economia e os palácios se encaixavam de maneira perfeita no caso. Portanto se presume que todas as atividades econômicas estavam ligadas ao poder político que emanava do palácio.

Os palácios[editar | editar código-fonte]

A civilização minóica é chamada também de Civilização de Palácio. Através dos estudos se pode deduzir que o palácio era o centro do poder real, era o local de onde se administrava e distribuía as riquezas.

Sala do trono no palácio de Cnossos

Não se conhece os nomes dos reis de Creta, até porque a escrita não foi decifrada, então a importância dos palácios se torna mais evidente.

Os primeiros palácios, de Cnossos, Festos e Malia, foram destruídos por um grande terremoto, por volta de 1 700 a.C.

Mas outros foram construídos sobre as ruínas, palácios ainda mais sofisticados e complexos.

Acredita-se que a civilização minóica era constituída por cidades-estado, subordinadas em certo nível a uma cidade mais importante e seu rei. Assume-se que Cnossos era esta cidade. O palácio de Cnossos é o maior já encontrado na ilha, embora grandes palácios também ocorram em Festos e Malia. Associados ao palácio, estavam casas, lojas, banhos, oficinas e armazéns.

Portanto havia centros de poder do qual dependiam outras cidades e povoados.

Segunda época dos palácios[editar | editar código-fonte]

Essa foi a época áurea da civilização minóica.

O povo já conhecia e dominava a metalurgia do bronze, também eram agricultores produtivos e suas grandes riquezas eram o trigo, o azeite e o vinho. Os ferreiros trabalhavam o metal e os oleiros criavam belas vasilhas que eram decoradas pelos pintores. Sem esquecer da pesca, porque afinal estamos falando de uma ilha, e também da criação de animais.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

O palácio centralizava a vida da civilização minóica. Então vamos ver como eram construídos.

Ruínas de escadaria Palácio de Cnossos

Em geral possuíam um pátio central, não tinham muralhas. Pelas ruínas se pode deduzir que havia um local de culto, as alas designadas ao rei e sua família e outros compartimentos que deveriam ser usados como armazéns e oficinas.

Os palácios típicos possuíam vários pisos e isso pode ser atestado pelas ruínas de grandes escadarias. Presume-se que o Palácio de Cnossos tivesse dois pisos na parte ocidental e quatro na oriental.

Nessa segunda fase dos palácios em especial, a arquitetura tomou grandes proporções, os ambientes recebiam a claridade graças ao uso de colunas e pilastras, todas decoradas com afrescos maravilhosos.

O palácio centralizava a vida econômica, porque era lá onde se davam as trocas, onde se recebiam os clientes e as encomendas, onde se produzia o vinho e se armazenava o excedente dos produtos.

A complexa construção do palácio deixa entrever um povo que vivia numa sociedade de alto nível.


Talassocracia[editar | editar código-fonte]

A civilização minóica é chamada de talassocracia, ou seja, possuía o domínio político do mar.

De fato, é dito historicamente, que o fabuloso rei Minos (rei de Knossos), seja isso lenda ou realidade conquistou as Cíclades e o mar circundante.

Fragmento de barco minoano

O que sabemos de real é o fato de não haver fortificações ou muralhas nas cidades minóicas, também nada foi encontrado sobre produção maciça de armas. Isso significa que o domínio de Creta, era de fato comercial, ao que parece ela dominava o Mediterrâneo Oriental.

A prosperidade da ilha se deveu basicamente à habilidade na construção de naus rápidas e resistentes, capazes de transpor o Mar Mediterrâneo. Desta forma, os minóicos estabeleceram relações comerciais com as civilizações circundantes, exportando peças de metal, jóias, cerâmica, azeite, vinhos e também em busca de matéria-prima.

A frota minóica era formada por navios de transporte, feitos especificamente para o comércio e se compunha de embarcações que mediam entre 20 e 30 metros, com vela e remos.

Em se tratando de navegação, eles tinham perfeitas noções atmosféricas e náuticas e isso se deduz, tanto pela quantidade de mercadorias que transportavam quanto pelas distâncias que percorriam.

Cidade minoana de Akrotiri

Em inúmeros afrescos se pode observar a chegada de navios ao porto e se vê que a enseada possuía um cais artificial e um edifício com muitas aberturas na fachada, parecendo um estaleiro.

A expansão de Creta está documentada nos afrescos de Akrotiri, na Ilha de Thera (atual Santorini).

A ilha de Creta era um ponto chave no comércio do Mediterrâneo porque não era controlada pelo Egito e nem pela Mesopotâmia.

Na Síria, a cidade de Ugarit possuía uma base comercial minóica.

Ciências[editar | editar código-fonte]

É evidente que o desenvolvimento de técnicas científicas sempre está ligado àquilo que se faz necessário no momento vivido.

Armazém em Cnossos

Os minóicos desenvolveram fornos e instrumentos para trabalhar o metal, pinças, martelos e moldes de terracota.

Produziram armas em bronze como adagas com lâminas em forma de folha de louro, outras com nervura central e base arredondada. As espadas tinham nervura central e cabo para empunhadura, eram finamente decoradas e até mesmo revestidas em ouro. Eram armas de adorno e não de defesa ou ataque.

A técnica da olaria foi desenvolvida e hoje são famosos os vasos enormes, que eram utilizados para conservação de mercadorias no palácio ou transporte.

Nos primeiros tempos, a cerâmica, copos, taças e ânforas muito decoradas, eram exportadas e usadas em ambientes luxuosos.

Em termos de transporte terrestre, os minóicos usavam o carro de madeira com rodas presas por tiras de couro e puxado por animais.

Evidentemente, um povo cuja economia se baseava no comércio e a administração era feita no palácio, se dedicou também à matemática. Embora não fosse uma ciência muito desenvolvida, eles usavam uma numeração inteira e fracionária e possuíam um sistema de cálculo que era suficiente para sua contabilidade.

Artes[editar | editar código-fonte]

A arte minóica foi expressa a principio, pelos relevos, joalheria e cerâmica. Não foram encontradas grandes estátuas e esculturas. O que mais chama atenção é a qualidade e a técnica usada nos trabalhos de cerâmica.

Do período dos palácios ficaram os afrescos , baixos relevos e a decoração naturalista. A cor, as figuras elegantes e refinadas, os afrescos em relevo, tudo remete a uma civilização desenvolvida artisticamente.

Afresco em Akrotiri

As jóias demonstram a habilidade e bom gosto dos ourives minóicos. Também podemos supor que a música e a dança foram cultivadas na Creta minóica, temos representações de músicos com liras, harpas, címbalos e sistros.

Religião[editar | editar código-fonte]

As estatuetas encontradas nas escavações, em geral representam figuras femininas, o que nos leva a crer que eles veneravam uma deusa-mãe. Era uma divindade ligada a natureza e aos animais.

É possível que a característica principal da religião tenha sido o naturalismo.

Nos deuses minóicos são observados detalhes que mais tarde, vão aparecer nos deuses gregos. Da mesma forma era dado um valor sagrado às cavernas e grutas, como viria a ocorrer na Grécia. Com relação a crença na vida após a morte ou aos rituais que envolveriam um sepultamento, só temos especulações.

Sabemos que eles enterravam seus mortos em covas no principio, e mais tarde em túmulos.

Foi encontrado um sarcófago com pinturas mostrando que o defunto, no seu funeral, recebe tudo aquilo que poderá precisar para uma viagem, inclusive uma barca.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Entre 1450 e 1400 a. C. houve nova destruição dos palácios. Ainda não se sabe ao certo o motivo. Alguns estudiosos acreditam que o estrago possa ter sido causado pela erupção na ilha de Thera ou até mesmo pelos grandes tremores e maremotos que se seguiram à erupção.

Deusa das serpentes

Outros acreditam que tudo isso coincidiu com a chegada dos micênicos, que teriam invadido Creta.

Seja como for, incapazes de estabelecer comércio com outras culturas e defender-se de invasões estrangeiras, a sociedade aparentemente entrou em colapso.

Ainda no século XV a.C. os dórios vindos do Peloponeso invadiram Creta, estabeleceram-se nas cidades abandonadas e construíram sobre cidades destruídas. Os minóicos migraram para o leste da ilha, mas foram finalmente assimilados por volta de 1380 a.C.

O poderoso Minos[editar | editar código-fonte]

Data: c. -400. Trecho do Livro I de Tucídides, também chamado de "Arqueologia", em que o autor descreve a história dos povos gregos anterior à Guerra do Peloponeso, que começou por volta de -431. A tradução é da Profa. Anna Lia A. de Almeida Prado (1999):

4. Minos foi, dentre os homens que conhecemos pela tradição, o que mais cedo adquiriu uma frota e dominou a maior extensão do mar que hoje se chama Helênico; exerceu a hegemonia sobre as ilhas Cícladas e foi quem primeiro instalou a maioria das colônias, depois de expulsar os cários e de entregar a chefia a seus filhos. E quanto à pirataria, como era natural, ele procurava na medida de suas forças eliminá-la do mar para aumentar seus lucros.

8. (...) [2] Depois que Minos constituiu sua frota, a navegação trouxe maior contato entre os povos (ele expulsou das ilhas os malfeitores à medida que colonizava a maior parte delas). (...) [Th. 1.4 e 1.8.2]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Os micênicos

Os Micênicos
Afresco, mulher micênica

Os micênicos vieram do centro da Europa para a península grega. Foi um longo caminho, atravessando montanhas, para chegar a uma terra que nem era tão extensa e era pouco propícia a ser cultivada.

Como uma grande área era ocupada por campos, quase não havia pasto para criação do gado, o que havia eram as oliveiras e as vinhas.

De certo, para assegurar sua sobrevivência e seu futuro, o povo micênico se voltou para o mar. Afinal a Grécia é uma terra que entra pelo mar e isso fez com que o mar fosse o caminho natural a seguir.

Assim, os micênicos conquistaram Creta e aos poucos se tornaram poderosos e grandes comerciantes, sendo que a cidade de Micenas, que dá nome à civilização se tornou a mais poderosa cidade grega.

Muito do que se sabe sobre a cultura micênica sobreviveu na Ilíada e na Odisséia e foi graças a Homero, Esquilo e Pausânias, que Micenas foi encontrada, assim como Tróia, com quem os micênicos mantinham intenso comércio.

Civilização micênica.

Micenas[editar | editar código-fonte]

Micenas, a cidade de Agamenon que, de acordo com Homero, foi o mais importante dos reis gregos que lutaram contra Tróia, foi encontrada por Heinrich Schliemann em 1876.

A fé desse fabuloso explorador alemão, nas tradições de Esquilo e de Pausânias, que havia deixado uma descrição do lugar, fizeram com que escavasse num local onde ninguém esperava encontrar nada.

Máscara de Agamenon.

No entanto, ele encontrou esqueletos, jóias, armas, taças e vasos, um enorme tesouro que na verdade, pertencia de fato a Micenas, mas era muito anterior a Agamenon. Mesmo assim, ele acreditou que a máscara de ouro de algum príncipe micênico fosse a cópia do rosto de Agamenon, e assim até hoje ela é conhecida.

O fato é que estava descoberta Micenas e os estudiosos puderam trazer à luz toda a história de uma civilização.

O povo micênico está documentado em Creta entre 1450 e 1400 a.C.

Esse povo é originário da Grécia continental e já se relacionava comercialmente com os minóicos que viviam em Creta.

Em aproximadamente 2000 a.C. na ilha de Creta havia aldeias de camponeses, em cada aldeia havia um chefe, que era respeitado por todos e que cobrava impostos.

Um povo indo-europeu, os Aqueus, vindo à Grécia continental ajudou no declínio do poder dos reis, além da catástrofe ocorrida em 1750 a.C que impediu o crescimento de vários palácios.

Aqueus e Cretenses entraram em contato e os aqueus aprenderam além da escrita agricultura e navegação. Esse período foi chamado de Creto-Micênico por causa da criação das civilizações de Creta e Micênica.

Linear B[editar | editar código-fonte]

Foi nesta língua que os micênicos deixaram seus arquivos de tabuinhas. Encontrados em Pilos, esses arquivos foram decifrados pelo perito Michael Ventris, que durante a Segunda Guerra Mundial havia trabalhado com decodificação.

Linear B.

Em 1952 ele decifrou o Linear B, a língua dos micênicos e ficou provado que se tratava de uma forma inicial do grego.

É possível que o povo micênico tenha adaptado a língua dos minóicos (Linear A) para escrever o grego, sua língua original.

Temos então, que essas tabuinhas descobertas em Pilos e em Cnossos demonstraram ser registros de produtos distribuídos, listas de subordinados, inventário da matéria prima que saia do palácio para voltar como bens manufaturados. Também há registro de armas e até carros de guerra.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Havia um rei ou senhor e um militar no comando.

Aparentemente, havia logo abaixo do rei uma aristocracia militar, que era dona de vastas extensões de terras.

Tesouro da tumba real de Micenas.

A base da sociedade micênica eram os trabalhadores livres e os escravos. Nas tabuinhas não há menção aos comerciantes, portanto ainda não se sabe onde eles se encaixavam na pirâmide social.

O que se sabe é que a sociedade micênica era essencialmente guerreira e seus palácios e cidades rodeados de altos muros.

Economia[editar | editar código-fonte]

Suas riquezas principais eram o trigo, o azeite e o vinho. Havia indústria têxtil (lã e linho), a metalurgia do bronze (armas)e também a cerâmica. Sem dúvida a agricultura era básica. A economia era centralizada na figura do rei.

Comerciantes e guerreiros[editar | editar código-fonte]

Espadas de bronze.

Através dos achados arqueológicos, sabemos que havia um comércio desenvolvido uma vez que vasilhas micênicas foram encontradas na Ásia Menor, Síria, Egito e Chipre, na Itália e na Península Ibérica.

Os micênicos se destacaram na navegação, aprendida primeiro em Creta com os minóicos, inclusive suas embarcações eram no início, muito parecidas.

Com o tempo, o povo guerreiro adaptou os barcos de carga de modo que, com cascos mais longos e mais finos, serviam perfeitamente como embarcações de combate. Construíram até mesmo quinquerremes, navios de guerra com cinquenta remos.

Na metalurgia, o ferro começava a substituir o bronze em armas e ferramentas.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

O traço principal da arquitetura micênica são as cidadelas cercadas por muralhas imensas (chamadas ciclópicas). Argos, Micenas, Tirinto e Pilos eram cidades que tinham palácios fortificados e edifícios funerários.

Porta dos Leões.

Como forma de defesa, só havia um caminho a seguir para chegar aos portões das cidades. Um belo exemplo é a Porta dos Leões, o mais famoso acesso a Micenas.

As tumbas também são típicos exemplos da arquitetura desse povo, chamadas tholoi, são edifícios escavados na rocha, em planta circular e teto em forma de cúpula.

O mais famoso túmulo do gênero é o Tesouro de Atreu, nome dado por Schliemann em 1876-1877, e lá, foram encontrados copos, colares e máscaras mortuárias em ouro.

Em outras tumbas também foram encontradas adagas, espadas, escudos e capacetes.

Artes[editar | editar código-fonte]

A civilização micênica sofreu grande influência da minóica em Creta, nos motivos naturalistas e no estilo dos palácios. Acredita-se que havia artistas cretenses entre os micênicos pelo estilo de arte nas cerâmicas e na pintura.

Tipicamente micênicas, foram as cenas de guerra, as cenas heróicas ou as caçadas do rei e as máscaras mortuárias em âmbar e ouro.

Religião[editar | editar código-fonte]

Ao que parece, foram os micênicos que aboliram a figura da deusa-mãe como principal divindade de culto.

Para os micênicos o deus maior era Poseidon, que, curiosamente, eles adoravam como deus da terra.

As divindades femininas eram respeitadas cada qual dentro da sua atribuição, como vamos ver mais tarde na Grécia, Atenas, Hera, etc.

No final da época micênica, o deus principal passou a ser Zeus que era o protetor da dinastia real de Micenas.

Ruínas em Micenas.

Declínio[editar | editar código-fonte]

É possível que a expansão da civilização micênica tenha sido causada pela aridez da península grega, a dificuldade de lidar com a agricultura deve ter impulsionado esse povo a procurar novas paragens. Assim, chegando a Creta, eles tiveram oportunidade de crescer e difundir sua cultura.

A decadência micênica pode ter sido causada por povos invasores, talvez por causas naturais ou crises internas, na realidade, não se sabe ao certo.

A tradição atribui o desaparecimento dos micênicos à chegada dos dórios.

O que ocorre é que com a decadência da civilização micênica, acaba o poder marítimo de Creta, a ilha se divide em cidades-estado e se torna uma parte sem importância do mundo grego.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

A civilização fenícia

Civilização Fenícia



Os fenícios e outros povos

Templo dos Obeliscos, Biblos

Os fenícios influenciaram de maneira marcante outras civilizações de grande importância dentro da história.

Quando a Grécia clássica saiu de sua Idade Negra sentiu o efeito do comércio marítimo dos fenícios no Egeu.

Quando a belíssima civilização Minoana surgia em Creta, por volta de 2000 a.C., os fenícios já estavam bem estabelecidos como grandes comerciantes marítimos no Mediterrâneo.

Homero, ao compor seus trabalhos, por volta de 800 a.C. casualmente contou na Odisséia, que os navios fenícios iam para oeste, saindo de Creta para Pylos e a leste para Sidon. Essa observação foi corroborada por Tucídides, que comentou que, os primeiros colonos gregos que chegaram à Sicília em 734 a.C. encontraram entrepostos comerciais fenícios já estabelecidos na ilha.

Quando os romanos se libertaram do rei etrusco em 509 a.C., primeiro declaram-se uma república e logo a seguir assinaram um tratado de comércio com os fenícios, muito certamente para lucrar também com o comércio e poder crescer.

Sob a grande pirâmide no Egito, havia dois barcos de cedro enterrados, datados de 2550 a.C. (aproximadamente). Essa é uma prova do contínuo comércio de cedro, feito pelos fenícios e que já havia começado há pelo menos 650 anos antes, em Hieracômpolis. Em todos os períodos de prosperidade no Egito existem provas do comércio com os fenícios. O Templo dos Obeliscos, em Biblos, é cercado por estelas no formato de obeliscos, presenteadas pelos faraós egípcios.


Mapa da Fenícia

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

Os fenícios viviam numa faixa de terra estreita, que margeava a costa do Mediterrâneo. Essa faixa se estende de Ugarit ao norte até o Monte Hermon, ao sul.

Nos dias de hoje, vamos situar o povo fenício no Líbano e parte da Síria. Entre as cordilheiras Líbanos e Anti-Líbanos (sempre cobertas de neve) fica o Vale do Bekaa, um dos poucos lugares de solo fértil na área e foi esse o grande motivo dos fenícios encontrarem no mar os recursos para sobreviver.

Os rios locais são o Litani e Orontes.

É importante destacar na vegetação, o cedro, árvore emblema do Líbano e que desde a antiguidade foi muito valorizada, especialmente pelos egípcios. O monte Líbano, de acordo com antigos manuscritos era coberto de florestas de cedro, carvalho e árvores de essências aromáticas,

Quem eram os fenícios?[editar | editar código-fonte]

As teorias são muitas e variadas.

leão fenício

O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke (terra das palmeiras). Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani mercador.

Também é dito que Fenícia vem da palavra de origem grega phoinikes, que se refere ao chamado super heróis que o povo acreditava.

É possível que esse povo tenha vindo do golfo Pérsico ou da Caldéia. Talvez eles mesmos se chamassem de Cananitas.

A mais antiga teoria a respeito da origem dos fenícios vem de Heródoto, antigo historiador grego. Ele sugere que esse povo veio do Mar Vermelho, o que na antiguidade significava o golfo Pérsico e oceano Índico.

Outra possibilidade é a que sugere que os fenícios tenham vindo de outro grupo maior, chamados Cananitas, que muitos anos antes haviam habitado a Anatólia (atual Turquia) e o Egito.

Ainda há outra teoria, que afirma que as cidades de Biblos, Sidon, Tiro e outras já existiam e foram conquistadas pelos Povos do Mar por volta de 1200 a.C. e que a mistura entre os habitantes locais e os Povos do Mar deram origem aos fenícios. Essa hipótese não combina com o que foi encontrado nas escavações, uma vez que, não há sinais de mudanças sociais ou destruição nas cidades.

Com relação à teoria acima, alguns estudiosos defendem que as cidades de fato existiam antes de 1200 a.C., mas não eram em nada diferentes das vizinhas, antes do aparecimento dos Povos do Mar. Eles acham que os Povos do Mar atacaram e conquistaram as outras cidades do Levante, de modo que, o povo que se tornou diferente foi o povo não atacado, os fenícios, e é por isso que se data de 1200 a.C. a sua origem.

restos originais do barco fenício Mazarron I

A maior parte da história do povo fenício desapareceu, provavelmente gravada em papiros, foram destruídas pelo tempo e pela intervenção humana.

As fontes usadas para elaborar a história desse povo são:

  • O Antigo Testamento da Bíblia
  • Os anais assírios
  • Homero e outros autores gregos e latinos
  • O trabalho dos arqueólogos

Mesmo com tão poucas fontes, sabemos que os fenícios legaram o alfabeto ao ocidente, inventaram a vela dos barcos, sofisticaram seu conhecimento de navegação com outros povos, usando a quilha, foram grandes comerciantes e ampliaram o conhecimento do mundo antigo. Até mesmo Homero, fala sobre a arte fenícia, quando conta que Aquiles recebeu uma tigela de prata feita em Sidon, nos funerais de Pátroclo.

Política[editar | editar código-fonte]

É impossível falar da política dos fenícios sem mencionar o comércio marítimo, porque o tipo de governo da Fenícia era a Talassocracia, que significa um governo comandado por homens ligados ao mar.

foto da Nasa, Tiro, atual

A região era dividida em cidades-estados que eram completamente independentes e cada uma estava sob o governo de um rei.

As famílias mais poderosas, certamente eram aquelas que dominavam o comércio marítimo, os grandes armadores e eram eles ou pessoas indicadas por eles, que também comandavam o governo das cidades.

Não se sabe se ao falar da Fenícia estamos falando de um estado, não há provas de que suas cidades seriam unidas a ponto de formar um verdadeiro estado. É possível que essas cidades muradas, independentes, tivessem também políticas independentes e só se unissem no caso de interesses comuns. Portanto, ao que parece, a Fenícia não era definida por seu território e sim pelo comércio marítimo, inclusive não havia um exército fenício, em geral suas relações com outros povos se atinham ao comércio.

Durante a história fenícia houve fases alternadas na importância das cidades, fases em que Biblos era mais importante, em outras Sidon, Tiro ou Ugarit. Essa importância política era ditada pela força do comércio.

Navegação e comércio[editar | editar código-fonte]

É na região do porto de Biblos que estão as informações mais antigas sobre os fenícios, ali foram encontradas marcas de ocupação do local desde 5000 a.C.

Em Babilons, por volta de 3000 a.C., as construções de pedra tomaram o lugar das toscas casas de madeira e nessa época a cidade já estava murada, possuía templos e toda a estrutura de uma cidade desenvolvida.

rotas comerciais fenícias

Num local banhado pelo mar, era natural que suas cidades e entrepostos fossem construídos junto à costa, o que facilitava o carregamento dos navios.

Portanto, quando os Povos do Mar chegaram causando um colapso na região, os fenícios só tiveram o que lucrar. Se antes eles já eram comerciantes e já eram desenvolvidos, com a chegada de uma leva de tribos causando modificações generalizadas, os fenícios foram o povo privilegiado.

Com os Povos do Mar, os fenícios aprenderam técnicas de construção de barcos e de navegação. A mais importante talvez tenha sido o uso da quilha (um pedaço de madeira pesado, que é preso no fundo do barco) e que permite manobrar com precisão independente da força e direção dos ventos.

Em pouco tempo a Fenícia começava sua expansão, controlando as rotas comerciais, nessa altura quase não se via mais os navios de Creta e Micenas no Mediterrâneo.

A importância do comércio era tanta, que o rei Hiram, de Tiro, elevou a parte oriental da cidade com a criação de um aterro artificial, transformando-a em um porto fortificado.


Os fenícios exportavam suas riquezas naturais, madeira e essências de suas florestas: cedro, zimbro, pinheiro e sândalo, além da púrpura. E importavam as matérias primas de que precisavam para trabalhar, como metais, marfim, fibras têxteis, etc.

O mais fabuloso artigo que era produzido na Fenícia era o tecido púrpura. Era algo de luxuoso e demandava o uso das glândulas de milhares de moluscos chamados múrex, isso tudo para tingir uma única peça de roupa. Já se vê que era vestimenta de nobres, e as cores variavam do rosa suave ao violeta dependendo do tempo que o tecido ficava ao sol e da quantidade do múrex utilizado.

A partir do momento em que dominaram o comércio na área do Mediterrâneo e lá fundaram muitas colônias e entrepostos, os fenícios se aventuraram bem mais longe.

O povo fenício foi citado por Homero, na Odisséia, da seguinte forma: desses famosos marinheiros fenícios, verdadeiros rapinantes com seus carregamentos de bugigangas.

O fato é que eles faziam comércio com a Assíria, Egito, Arábia, Palestina e seguem avançando para Chipre, onde instalaram entrepostos, mais tarde a rede comercial dos fenícios já se estendia por todo Mediterrâneo: Malta, Sicília, Sardenha, Córsega, Espanha e África do Norte. Eles não procuraram fundar povoações a única exceção foi Cartago.

Todos esses locais foram usados como paradas para as embarcações, tanto para desembarcar ou embarcar produtos, quanto para recuperar barcos avariados.

O fato é que de uma forma ou de outra os fenícios dominaram comercialmente grande parte do mundo conhecido, apenas com seu tino comercial.

Artes[editar | editar código-fonte]

estatueta de bronze

No final da Idade do Bronze, a influência de outros povos sobre os fenícios, até mesmo pelo contato próximo por causa do comércio, era enorme e há quem afirme que não há uma arte típicamente fenícia.

Mas independente das influências culturais, entre os fenícios havia grandes artesãos, que transformavam a matéria prima trazida de outros portos em verdadeiras obras de arte, e em produtos de qualidade para uso e para venda.

Criavam peças de bronze e de louça, os ourives trabalhavam os metais preciosos e o marfim e criavam jóias finas. Os pisoeiros (aqueles que apisoavam a lã para amaciá-la) e os tecelões preparavam os tecidos, tingindo e bordando.

Há também, dentre as peças que sobreviveram ao tempo, objetos de vidro colorido, frascos, taças e contas para colares. Na verdade, eles eram mestres em adaptar suas criações ao gosto dos compradores. Mas, os artistas fenícios criaram muitas obras de qualidade encontradas em diversos lugares do Mediterrâneo. Podemos citar as jóias de ouro trabalhadas em filigrana, vasos de vidro decorados e pérolas em massa de vidro, o trabalho em marfim era especialmente bem feito.

Religião[editar | editar código-fonte]

Também na religião os fenícios foram muito influenciados pelos outros povos com os quais praticavam o comércio.

estela do Tofet de Nora, Sardenha, Itália

O que sabemos de sua religião era que adoravam diversos deuses e possivelmente praticavam sacrifícios humanos.

Seu deus principal era El e sua companheira Asherat ou Elat, deusa do mar. Deles descendiam os outros deuses como Baal, Ashtar ou Tanit.

As cidades também cultuavam seus deuses preferidos, como Meqart em Tiro, em Biblos a deusa mãe era chamada Baalal e Baal chamado de Adonis. Em Sidon El era cultuado como Baal.

Tomando por base o Antigo Testamento, sabemos que o rei Salomão pediu a ajuda de Hiram, rei de Tiro para construir um templo em Jerusalém.

Hiram então forneceu os marinheiros capazes de buscarem o ouro de Ofir, onde ficavam as jazidas e levá-lo ao reino dos hebreus. Além do mais, o rei de Tiro também forneceu a madeira de cedro, cipreste e sândalo, junto com operários para construir o templo e o palácio real. Entre esses operários estava o bronzeiro Hiram-Abi, o mais famoso da época, que entre belas peças criou os dois pilares de bronze que emolduravam as portas do templo, e a fabulosa pia de metal fundido que ficava no átrio e é conhecida como mar.

reprodução da Pedra de Nora com o alfabeto fenício

Para sabermos como era esse templo de Jerusalém, basta saber como eram as construções religiosas da Fenícia, uma vez que ele foi projetado por arquitetos de Tiro, segundo técnicas fenícias.

Os templos fenícios eram construídos em áreas abertas, com altares ao ar livre e santuários decorados chamados Tofet (que poderiam também ser cemitérios).

Linguagem e escrita[editar | editar código-fonte]

Os fenícios foram os primeiros a compreender a importância da escrita porque era básico para suas operações comerciais.

O alfabeto fenício foi baseado no alfabeto semita e a partir daí surgiram o alfabeto grego, aramaico, hebraico e arábico. Interessante notar que não há vogais no alfabeto fenício, seus símbolos apenas apresentam as consoantes, portanto, é preciso deduzir as vogais de acordo com a palavra que se pretende ler.

sarcófago de Ahiram, rei de Biblos

A escrita alfabética inventada por eles foi adotada por todos os povos da bacia mediterrânea e do Oriente Médio.

Temos o alfabeto fenício bem documentado em monumentos da cidade de Biblos, como no sarcófago de Ahiram. Eram 21 consoantes de forma fixa e escrita horizontal.

Devido ao comércio e a expansão fenícia através do Mediterrâneo, o alfabeto foi exportado para Chipre, Creta e mais tarde para a Sardenha e para o sul da Espanha. Além do uso comercial, embora suas obras literárias tenham se perdido, temos uma tradução de um autor fenício de nome Sakkunyaton que foi feita pelo grego Filon de Biblos.

Declinio[editar | editar código-fonte]

Os fenícios se destacaram dentre as grandes civilizações da antiguidade por serem diferentes, não formaram em momento algum um império coeso, não fizeram guerras, não se impuseram a nenhum outro povo.

Suas cidades eram autônomas e se espalhavam ao longo da costa, e de todas elas, não podemos deixar de mencionar Biblos, que se destacou no comércio com o Egito trocando o cedro por papiro para fazer livros, que era a sua especialidade. Sidon, chamada de Mãe de Canaã e Tiro, a mais famosa. O profeta Ezequiel fala assim de Tiro:

Ó Tiro, tu que habitas nas avenidas do mar, tu que fazes do comércio com os povos, com as muitas ilhas, tu que disseste: sou perfeita em beleza!

Cerco de Tiro

O povo fenício estava acostumado ao domínio de outros povos e não se preocupava com isso desde que não afetasse o comércio. Portanto, quando os persas, sob o Ciro II, conquistaram a Babilônia e consequentemente submeteram as cidades fenícias não houve maiores problemas. Porém, sob o rei Dario I da Pérsia, as cidades gregas se rebelaram e estourou a guerra. Os fenícios estavam sob o domínio persa e portanto obrigados a apoiá-los.

Os navios fenícios seguiram para as batalhas contra os gregos e a partir de então, o povo fenício perdeu uma grande parte de sua frota e o controle do mar.

Em 352 a.C. as cidades fenícias, lideradas por Sidon se rebelaram contra o domínio persa. O governante persa era Artaxerxes, que reagiu atacando Sidon e queimando a cidade além submeter as outras cidades rebeldes.

anel fenício, Cádiz, Espanha

Em 333 a.C. foi a vez dos persas serem derrotados pelos macedônios liderados por Alexandre Magno. As cidades fenícias foram dominadas por Alexandre com exceção de Tiro.

Para dominar Tiro, Alexandre mandou construir um píer ligando a cidade ao continente e ao término da obra, o exército de Alexandre dominou a cidade rebelde.

Depois de tudo isso, as cidades fenícias nunca mais recuperaram o domínio do comércio marítimo. O território antes fenício, passou a ser povoado pelos gregos em grande quantidade e a língua fenícia foi desaparecendo assim como o comércio mudou de mãos e passou a ser feito pelos gregos e pelos egípcios principalmente.

Quando da chegada de Roma, que conquistou Tiro em 332 a.C. já não se podia mais admirar os grandes barcos mercantes fenícios cruzando o grande mar Mediterrâneo.

Foi o ponto final de uma civilização que mostrou como expandir as diversas culturas pacificamente.

Através do comércio ligaram terras, povos e costumes tão diversos, carregando no bojo dos seus barcos as novidades, o alfabeto, a arte, o desenvolvimento. Eles foram uma amostra da chamada cultura global dentro dos limites da época.

Referências[editar | editar código-fonte]

Os hititas

Os Hititas



Um império nunca suspeitado, o Império Hitita foi tratado durante anos, desde que o homem se interessou pela história dos povos antigos, como um amontoado de tribos sem grande importância.

O Egito e todas as maravilhas lá encontradas falavam de um império poderoso, que enchia os olhos dos exploradores e estudiosos com tantas descobertas deslumbrantes.

vasos cerimoniais, Ankara, Turquia

Quem eram os Hititas então?

Seguindo as pistas[editar | editar código-fonte]

Antes mesmo da Bíblia, vamos achar menção aos hititas na Odisséia onde são chamados de Khetas.

No Antigo Testamento existem passagens que dão conta de um povo chamado Hittim, mas de um modo geral, eles eram vistos como uma das muitas tribos que habitavam a Síria.

Segundo C.W. Ceram, há menções no Livro dos Livros e há uma indicação no Genesis, que dá a entender que em algum período os hititas podem ter sido os governantes da chamada Terra da Promissão, quando Abraão pede aos filhos de Heth o direito de sepultar o morto.

Na verdade os hititas são muitas vezes mencionados na Bíblia mas há um trecho, que coloca o rei dos hititas no mesmo patamar dos faraós é em IV Reis, VII, 6:

...Sem dúvida, que o Rei de Israel mandou assoldadar contra nós os reis dos Hititas e dos Egípcios, e ei-los aí, vem sobre nós.

carta de Amarna

Os assírios mencionavam a Terra de Hatti em muitos documentos. Os egípcios se referiam aos Ht ou como foi criada uma fórmula para se pronunciar, os Heta. Nos muros dos templos egípcios havia muitas menções aos hititas, mas nada que houvesse chamado atenção para a grande importância desse povo. Todos estavam ainda abismados com as descobertas no próprio Egito.

Quando foram encontradas, em Amarna, a cidade egípcia do faraó monoteísta Akhenaton, os arquivos registrados em tabuinhas de argila, contendo informações as mais variadas sobre os povos da época, os hititas começaram a tomar forma.

Com o estudo dos arquivos de Amarna, pode ser situada a época e medido o tamanho e o poder dos hititas.

Akhenaton já estava situado na história (1370-1350 a.C.) e se o rei hitita, Supiluliumas escreveu a ele para parabenizar sua subida ao trono, estava portanto datado também.

Através dos assuntos das cartas dos hititas, pode-se deduzir que eram um país em pé de igualdade com o Egito.

Um império a ser descoberto[editar | editar código-fonte]

O século XIX foi rico em curiosos, que a partir das maravilhosas descobertas no Egito, se embrenharam por locais esquecidos, em busca de sonhos.

Assim como Schliemann procurou Tróia, Charles-Marie Texier saiu em busca de Tavium (cidade fundada pelos celtas na época da dominação romana). Ele se dirigiu a Boghazköy (Turquia) porque já havia menções a ruínas lá avistadas por William Hamilton, que também pensava serem de Tavium.

Império Hitita

Ao voltar a Paris e publicar a descrição de todas as maravilhas que vira, abriu um novo campo para estudos, pois ninguém sabia explicar que povo teria sido tão importante e poderoso a ponto de deixar tais monumentos, e ser ainda desconhecido.

Em 1822 em Hamath (Síria) foram arrancados da parede de um bazar, pedras inscritas, que o povo acreditava milagrosas. Houve inclusive revolta popular, mas as pedras foram enviadas para o Museu Britânico por William Wright, e ninguém sabia a que povo haviam pertencido.

E assim, em diversos outros locais desde a costa do mar Egeu, Anatólia e Síria, foram encontrados os mesmos sinais e esculturas.

Só em 1880 o arqueólogo Archibald H. Sayce, depois de muito pesquisar afirmou perante a comunidade científica que os Heteus , o povo do Antigo Testamento eram os hititas, cujas ruínas podiam ser encontradas na região da Ásia menor e todos riram dele.

Ele foi chamado de inventor dos hititas, mas a confirmação do que dizia, veio através dos estudos do alemão Hugo Winckler que desenterrou cerca de 10 000 tabletes em escrita cuneiforme em Boghazköy e conseguiu a chave para decifrá-las.

O Império Hitita havia sido descoberto!

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

No planalto da Ásia Menor, chamado Anatólia turca, onde hoje está localizada a Turquia.

o rio Hális

Na verdade, a península da Anatólia liga a Ásia e a Europa. Esse planalto é semi-árido e na região existem montanhas que deixam as regiões costeiras espremidas, são as costas do Mar Negro e do Mediterrâneo.

O rio Kızıl Irmak, chamado pelos antigos de rio Halis que foi citado por Heródoto, entra pela Anatólia central, corta as montanhas do norte e deságua no mar Negro. Os hititas o chamavam de rio Marassantiya, ele demarcava a fronteira da terra de Hatti, o coração do Império Hitita. Foi também a fronteira entre a Ásia menor e o resto da Ásia.

No seu auge o império hitita englobava toda a Anatólia, além da Síria e oeste da Mesopotâmia.


Os Hititas[editar | editar código-fonte]

Ainda não se sabe ao certo de onde vieram os hititas, mas acredita-se que esse povo tenha chegado à Ásia menor por volta de 2000 a.C. Eles eram indo-europeus e o fato é, que eles conseguiram dominar as tribos que viviam no local, não apenas pela força, mas pela sabedoria e diplomacia e assim os tornaram seus súditos ao invés de seus inimigos.

Criaram as primeiras cidades-estado, entre as quais Hattusa sua capital, na curva do rio Halis (hoje Boghazköy).

porta dos leões em Hattusa

O rei Telepinus menciona os três pais do reino: Labarnas (cujo nome se tornou sinônimo de rei), Hatusilis I e Mursilis I.

Labarnas foi o fundador, Hatusilis I reconstruiu Hattusa e dali partiu para conquistar novas terras. Mursilis I transformou o que era uma federação de cidades-estado em um império.

Por volta de 1600 a.C. havia três grandes potências no oriente: o Egito, a Babilônia e os Hititas.

Não se pode afirmar que, em aproximadamente 600 anos os hititas tivessem formado um império na acepção da palavra. Eles tinham como forma de governo, uma monarquia com um rei poderoso e um concílio de nobres chamado Pankus.

Podemos dividir para efeito de estudo a civilização hitita:

  • Reino antigo (1750-1500 a.C.) Hattusa se torna capital
  • Reino médio (1500-1450 a.C.)
  • Reino novo ou Império (1450-1180 a.C.) Supiluliumas I conquista a Síria; Muwatali ataca o Egito em Kadesh.

Na realidade os períodos mais importantes são o antigo reino e o novo reino ou império. Entre esses dois períodos decorreram algumas centenas de anos pouco documentados, de modo que quase nada sabemos com relação à sua importância histórica.

Reino antigo[editar | editar código-fonte]

A fundação do antigo reino é atribuída a Hatusili I que conquistou a planície de Hattusa e todas as terras até a fronteira de Yamkhad (Aleppo) na Síria. Seu herdeiro Mursili I conquistou Yamkhad e prosseguiu nas conquistas através da Mesopotâmia. Consta que saqueou Babilônia mas ao invés de incorporá-la ao seu império, a deixou para os aliados Cassitas.

Eflatunpınar local hitita encontrado na moderna Beyşehir, Turquia

Mursilis e suas campanhas militares minaram os recursos econômicos do povo e quando ele voltou foi assassinado e o país mergulhou no caos.

Os hurrianos, povo que vivia na região montanhosa entre o Tigre e o Eufrates, tomaram Aleppo e alguns territórios próximos.

Assim, os hititas entraram numa fase de reis fracos, seu território estava reduzido e foi uma época obscura.

O final do reino antigo é marcado por um rei importante, Telepinus (por volta de 1500 a.C.) que conseguiu algumas vitórias se aliando ao reino hurriano de Mitani.

Nesse governo é elaborado um código de leis hitita e o povo é grandemente influenciado pelos hurrianos, política e culturalmente.

Reino médio[editar | editar código-fonte]

O reinado de Telepinus dá inicio à fase conhecida como reino médio da qual muito pouco se sabe.

A esses primeiros reis hititas deve ser creditado o hábito de fazer tratados e alianças com os reinos vizinhos, ao invés de guerras. Talvez eles tenham sido os pioneiros no campo da política e diplomacia internacionais.

Aparentemente o controle do reino hitita se transferiu para os governantes da região de Hangilbat, que fizeram alianças com os egípcios.

Ao sul, o Mitani tomou o controle da cidade de Kizzuwadna e também estabeleceu forte aliança com o Egito.

Com governantes fracos, os inimigos dos hititas vinham de todas as direções prontos para tomar Hattusa e destruí-la.

Reino novo[editar | editar código-fonte]

Essa foi uma fase de muito poder, nesse período de mais ou menos 1400-1193 a.C. o reino dos hititas foi um dos mais poderosos, se rivalizando com o Egito, a Babilônia e a Assíria.

Foi um período de guerras constantes, tanto para tomar os territórios vizinhos, como também para proteger suas próprias terras.

Sob Supiluliuma I, um gênio político e militar eles reconquistaram Aleppo, reduziram o reino de Mitani a vassalos sob o governo de seu genro e derrotaram Carchemish (outro estado da Síria), esse rei estendeu as fronteiras de seu reino até o Líbano.

impérios hitita e egípcio

Além do mais ele teve a vantagem de, no trono do Egito, estar sentado um faraó que não se preocupava com nada além de sua nova religião, Akhenaton. Quem o sucedeu foi Tutankhamon, que morreu ainda jovem demais para tomar qualquer decisão.

Assim, Supiluliuma se tornou o grande poderoso que rivalizava com o faraó egípcio. Isso nos deixa mais curiosos com o tablete encontrado em Amarna, em que a viúva de Tutankhamon pedia a esse rei, que lhe mandasse um de seus filhos para ser seu marido. Seria curioso, no mínimo imaginar um hitita sentado no trono dos faraós.

Com Mursilis II prossegue a política de expansão. Esse filho guerreiro, atacou Arzawa, e Millawanda nas costas de Ahhiyawa, que muitos estudiosos acreditam, podem ter sido Mileto e Aquea, embora não haja ainda nenhuma prova.

Ele consolida as conquistas do pai e também deixa a obra Preces no Tempo da Peste e Anais, o que denota seu interesse por assuntos religiosos e literários.

No reinado de Muwatalis o ponto alto é a batalha de Kadesh em 1296 a.C. onde o faraó Ramsés II é derrotado.

O rei Hatusilis III sela a paz com o Egito dando uma de suas filhas em casamento a Ramsés II. Este rei também deixou uma autobiografia chamada Vida.

A batalha de Kadesh ou Egípcios x Hititas[editar | editar código-fonte]

A prosperidade dos hititas dependia muito do controle das rotas de comércio e minas.

A defesa da área ao norte da Síria era vital porque era por ali que passavam as riquezas, a ligação com a Mesopotâmia. Também estava em jogo o controle da costa oriental do Mediterrâneo.

Nas cartas de Amarna temos milhares de pedidos para que o faraó acuda com seus exércitos muitos governantes daquelas áreas, que pagavam tributos ao Egito e que estavam sendo atacados.

Há inclusive um tablete dando conta de uma governante, uma mulher que se chama Lady of Lionesses [Belit-nesheti], pedindo ajuda desesperada, que nunca chegou pois ao que parece sua cidade foi destruída, já que o faraó Akhenaton não estava preocupado com nada disso.

carro de guerra hitita, copiado de relevo egípcio

A batalha de Kadesh foi apenas a conseqüência de uma situação que perdurou durante muitos anos e foram anos em que o Egito perdeu territórios por fraqueza de seu faraó sonhador, de seu sucessor que morreu muito jovem e de um faraó que governou, já velho: Castanha do Caju.

Horemheb, quando finalmente subiu ao trono, tentou salvar ainda alguma coisa, afinal ele foi general, antes de ser faraó.

Depois dele veio Seti I que se dedicou à reconquista e dominou a faixa de terra que vai de Tiro a Damasco. Nessa altura a expansão egípcia foi detida por Muwatalis o hitita.

No quinto ano do reinado de Ramsés II, filho de Seti I, os hititas invadiram a Palestina, e o faraó decidiu ir a guerra para preservar seus territórios.

Em Karnak, Luxor, Abidos, Abu Simbel, estão todos os louvores ao grande vencedor de Kadesh, gravados em pedra. Na realidade, Ramsés II foi um mestre em propaganda, hoje seria visto como um gênio da mídia.

Na realidade, atualmente reconstituida a batalha já se sabe que Ramsés perdeu não só a luta mas quase perdeu a vida, ao contrário do que mandou inscrever nas paredes.

Foi uma batalha entre os dois maiores exércitos da época e C.W. Ceram conta em detalhes a estratégia em seu livro mencionado abaixo.

Tratado de Kadesh, museu de Istambul

O fato é que os hititas sob o comando de Muwatalis foram os grandes vencedores e ofereceram aos egípcios um Tratado de Amizade. Inclusive o governante da terra de Amurru que esteve ao lado dos egípcios, rapidamente passou-se para o lado dos vencedores.

Portanto, embora a propaganda seja a favor de Ramsés II devemos dizer que a vitória incontestável foi de Muwatalis e dos hititas.

O Tratado de Kadesh é um dos tratados completos mais antigos da história, ele fixa as fronteiras de Canaã, e foi assinado no 21º ano de governo de Ramsés II, com Hatusilis III.

Sobre os hititas[editar | editar código-fonte]

Um pouco a respeito do povo que esteve por tanto tempo desaparecido e repentinamente surpreendeu a todos por ter sido uma potência insuspeitada.

As decisões reais eram submetidas ao Pankus, um conselho de nobres, politicamente talvez o reino hitita funcionasse como um estado federativo. Os reis tinham seu poder muito mais baseado na competência militar do que no direito divino.

objeto ritual hitita

O código de leis era mais tolerante, mais humano, especialmente se comparado com o assírio.

Na sociedade hitita, até mesmo os escravos possuíam direitos, as classes dos proprietários tinham deveres éticos e morais reconhecidos.

Os hititas não possuíam uma linguagem única. A escrita cuneiforme foi tomada dos assírios.

Religiosamente, pode se dizer que eles respeitavam todos os deuses, são conhecidos como o povo dos mil deuses. Eram tolerantes e misturavam cultos dos diversos povos dominados.

A arte hitita possui características distintas com traços hurrianos e assírios, mas não tem estilo. No período do império era monumental mas não eram elegantes e nem bem acabadas.

deusa hitita

A arquitetura não dava valor aos detalhes, também os construtores não pareciam preocupados com a segurança das fortificações.

Na literatura, além das Preces no Tempo da Peste, de Mursilis, não conhecemos mais nada de relevante.

Os hititas impressionaram grandemente os outros povos pelo fato de usarem cavalos e carros de guerra leves. Eles eram mestre no adestramento de cavalos e na arte da equitação. É provável que tivessem aprendido com os hurrianos da Terra de Mitani, que eram mestres criadores de cavalos.

É muito provável que por volta de 1600 a.C. os hititas já conhecessem o ferro. A história dá conta de que em 1400 a.C. os hititas conseguiram aperfeiçoar a técnica da metalurgia do ferro. Para retirar as impurezas e obter um material resistente e maleável eles deveriam aquecer, martelar e resfriar o ferro muitas vezes.

Esse metal era mais cobiçado do que o ouro e embora seja abundante na natureza, o importante era dominar a técnica de fabricar armas em quantidade. É muito possível que os hititas detivessem o monopólio da manufatura do ferro e dessa forma fossem muito bem preparados como guerreiros.

Declínio[editar | editar código-fonte]

rei Thudalia

Enquanto os hititas estavam preocupados com os egípcios, os assírios se aproveitaram para atacar as rotas de comércio, atacar Mitani e se expandir até o Eufrates.

O rei Tudhaliya IV foi o último governante hitita com poder suficiente para manter os assírios fora da Síria e até anexar, ainda que temporáriamente a ilha de Chipre. O último rei, Supiluliuma II conseguiu algumas vitórias, inclusive contra os Povos do Mar nas costas de Chipre.

rei Supiluliuma II

Essa foi a fase em que os Povos do Mar e outras raças começam suas migrações. Ao longo da costa do Mediterrâneo, desde o Egeu esses povos foram se espalhando cortando as rotas de comércio. Os ataques vinham de todas as direções, essas novas raças se infiltraram através das fronteiras.

Hattusa foi incendiada por volta de 1180 a.C. e o império hitita entra em decadência. Em 1160 a.C. os assírios pressionavam a parte norte da Mesopotâmia e o povo Gasga que eram antigos inimigos dos hititas vinham dos territórios montanhosos ao norte entre Hatti e o mar Negro e se juntaram a eles.

Assim, os hititas formalmente desapareceram da história, porém a língua dos lídios, falada no oeste da Ásia menor até o 1º século a.C. aparentemente era descendente dos hititas. Um dos reis da Lídia conhecido pelos gregos chamava-se Myrsilis (Mursilis) que era um nome real hitita, o que pode indicar que até o quinto século depois de Cristo, podem ter permanecido alguns traços do povo hitita.

Embora o desaparecimento dos hititas da maior parte da Anatólia seja demarcado após 1200 a.C. alguns reinos chamados neo-hititas sobreviveram no norte da Síria, em Carchemish, Zinjirli e na Cilícia, Karatepe.

De acordo com C.W. Ceram, existiu um império hitita mas não uma cultura hitita. É possível que eles não tenham sido nada além de uma raça de senhores cujas energias se concentraram em dominar e dirigir tribos heterogêneas da Ásia menor.


Referências[editar | editar código-fonte]

O Segredo dos Hititas (A descoberta de um antigo Império) - "Enge Schulcht end schwarzer Berg" - C. W. Ceran - Editora Itatiaia - Belo Horizonte - 2a Edição 1958;Eles tinhao pintos grandes

A civilização hebraica

Civilização Hebraica


Em primeiro lugar é preciso frisar que a história dos hebreus é baseada quase que totalmente na Bíblia, que de fato, pode servir como documento, mas não como prova histórica. Há discussões infindáveis a esse respeito, e aqui vamos tentar resumir a história com base no que é aceito comumente.

Do ponto de vista político e mesmo do ponto de vista material, jamais poderemos comparar a civilização hebraica aos povos que exerceram grande poder na época. Ao lado dos egípcios, dos assírios, dos persas, os hebreus se afiguram como um pequeno império.

Jerusalém, tumba de Davi no Monte Zion

A grande importância da civilização hebraica na história, se deve à sua grande força religiosa, à sua cultura e à sua união frente a todas as adversidades que enfrentaram ao longo das eras.

Origem[editar | editar código-fonte]

A história desse povo se confunde com a religião porque tudo o que se sabe sobre suas origens está baseado na Bíblia.

Há muitas explicações para a origem do nome hebreu:

  • Acredita-se que o termo hebreu vem do nome Heber ou Eber, filho de Sem, neto de Noé.
  • Éber ou Heber foi ancestral de Abraão.
  • O nome hebreu vem da palavra hebraica ibri (que se pronuncia iv-ri), a qual combina a raiz preposicional eber, com o sufixo i, formando o substantivo.
  • Nas escrituras sobre a palavra hebreu, aparece em Gênesis 10:21, onde o nome Eber foi aparentemente usado para identificar a região ocupada pelo povo que descendia de Sem através de seu bisneto Eber.
  • O nome hebreu vem da raiz ‘a-vár’, que significa passar, transitar, atravessar, cruzar. Esse nome denota viajantes, aqueles que passam adiante. Isto porque os hebreus durante muito tempo realmente levaram uma vida nômade.

O povo hebreu se origina de pastores, tribos primitivas nômades que se dividiam em clãs. Hoje, os estudiosos acreditam que eles são originários da Mesopotâmia, através do estudo dos mitos e da língua de origem semita do mesmo grupo do aramaico.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A Palestina é o território situado entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, entre a Síria ao norte e o Egito ao sul.


Esse pequeno pedaço é dividido em: Galiléia, com colinas cheias de vegetação, Samaria, cortada por vales e menos fértil e a Judéia, região árida e montanhosa.

O rio Jordão nasce nas montanhas da Fenícia e deságua no mar Morto.

O mar Morto tem águas extremamente salgadas, ali nada sobrevive e daí vem seu nome.

A Palestina da época em questão, era um lugar fértil com chuvas constantes, vales e bosques, a verdadeira Terra da Promissão.

Hoje, Israel é uma terra irrigada artificialmente pelo gênio do povo, que faz brotar lavouras num local praticamente deserto e nada fértil.

Mar Morto

Por volta de 3000 a.C. nas margens do rio Jordão chegaram os cananeus, uma tribo de origem semita, daí temos o nome Terras de Canaã.

Mais tarde em 1500 a.C. chegaram os filisteus que também eram tribos e vieram da ilha de Creta. Deles a região herdou o nome Filistina ou Palestina.

Já em 1400 a.C. chegou a tribo semita dos hebreus cujas origens remontam a Ur, na Mesopotâmia que conquistou os cananeus e os filisteus.

A leste, além do vale do rio Jordão, no deserto viviam os amalecitas e os moabitas, citados na Bíblia como inimigos dos hebreus.

Abraão e as doze tribos[editar | editar código-fonte]

símbolo da tribo Naftali

No inicio do relato do Gênesis, temos Abraão, que vive em Ur, na Mesopotâmia, que era uma das cidades mais importantes da época.

Ele vivia com Sara sua esposa, com seu pai Terá e seus irmãos. Seu pai decidiu então ir embora para Canaã, sudoeste da Síria. Ao chegar em Haram, hoje uma cidade da Turquia, Terá morreu.

Foi então que Abraão ouviu a voz de Deus pela primeira vez, e Deus lhe prometeu terra e descendência. Esta promessa se cumpriria com o nascimento de Isaac, que daria origem à Jacó e que seria pai de doze filhos, os quais seriam os pais das doze tribos de Israel.

símbolo da tribo de Judá

Abraão em momento algum duvidou da palavra de Deus, sua fé irrestrita deu origem à tradição religiosa monoteísta. Ele é considerado pai biológico, adotivo e ético de todos os povos e em especial é símbolo da paz das três grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e o islamismo, ao pregar que todas as nações são irmãs entre si, filhas de um único pai.

É impossível comprovar o que é história e o que é religião dentro desse assunto. Os cientistas, arqueólogos, estudiosos da Biblia, os historiadores, buscam comprovações de que esses personagens como, Abraão, Sara, Agar, Isaac, Ismael e tantos outros, de fato foram pessoas reais, existiram e fizeram parte da história.

Os primeiros relatos históricos e religiosos eram orais e foram redigidos apenas entre 1250 a.C. e 1000 a.C. em cinco livros que formam a Torá judaica, os cinco primeiros livros da Bíblia.

Portanto, a versão final do Gênesis e dos outros livros, data de 1000 a.C. mais de mil anos depois do tempo de Abraão. Isso significa que muita coisa pode e deve ter sido modificada, até mesmo pelas próprias mudanças históricas.

Torah na Mullah Jacub's Synagogue, Isfahan, Iran

Patriarcas, Juízes, Reis e Profetas[editar | editar código-fonte]

Na fase dos Patriarcas o povo não tinha unidade política e nem mesmo território para chamar de sua terra. Estavam organizados em tribos lideradas pelos patriarcas. Abraão foi o primeiro dos patriarcas. Era um povo nômade e esse é seu primeiro período histórico.

A ciência confirma o período patriarcal e seus costumes e comportamento de acordo com as histórias bíblicas. Embora não tenham sido encontradas provas dos personagens mencionados,

Historicamente, já se sabe que os patriarcas viveram na Mesopotâmia, a leste do rio Eufrates e conviveram com povos chamados semitas ocidentais.

As tabuinhas de argila que foram encontradas nas diversas escavações, se referem a eles como Amuru ou seja Am (homens), Uru (ocidente). Possivelmente os amoritas.

Na época, todo cidadão para ter direitos precisava ser dono de terras e sedentário pelo menos durante algumas gerações. Era por esse motivo que os amuru e os patriarcas não eram admitidos nas cidades. Embora praticassem o comércio, eles não podiam viver dentro das cidades, portanto permaneciam nômades, com suas tendas montadas do lado de fora dos muros das cidades.

Qeiyafa, local onde segundo a Bíblia, Davi enfrentou Golias, site arqueológico

Na fase dos Juízes, as tribos estavam estabelecidas no território de Canaã, mas os povos que ainda viviam por ali constituíam um grande perigo para eles.

Os cananeus e os filisteus lutavam para recuperar seu território que havia sido ocupado pelos hebreus (hoje existem contestações, que dizem que os povos que viviam em Canaã acabaram por se misturar aos hebreus e adquirir seus costumes pacificamente).

Os Juízes não eram chefes oficiais e sim pessoas carismáticas, de personalidade forte e que lideravam as tribos num momento de necessidade.

Quando uma das tribos era atacada, era o Juiz quem organizava as outras tribos para socorrerem a tribo necessitada. Parece que os Juízes também ministravam a justiça quando necessário.

O tempo dos Juízes foi o tempo em que as tribos se uniram contra inimigos estrangeiros. Mas, o único traço firme entre as tribos era a religião e parece que durante essa época, por diversas vezes o povo hebreu vacilou em sua fé. Por diversas vezes prestaram culto a outros deuses.

as 12 tribos de Israel

Esse período cobre de cerca de 1380 a.C. a 1050 a.C. e na política não havia organização, não havia sentido de Estado. As doze tribos por vezes estavam unidas e se defendiam e outras vezes brigavam entre si quase a ponto de se exterminarem.

As informações como sempre, foram tiradas da Bíblia, portanto estamos fazendo um apanhado da história que, na maior parte das vezes não tem comprovação.

Antes dos Reis, quando ainda viviam no sistema tribal, é possível que a região de Canaã tenha sido assolada pela fome. Foi esse o motivo do povo judeu ter partido em direção ao Egito onde havia fartura e paz.

Abraão e as tribos provavelmente se adaptaram ao Egito onde deveria haver muitas construções na época e portanto trabalho e comida. A escravidão tão falada, até hoje não foi comprovada.

Ao que parece eles inclusive tinham liberdade de culto, uma das comunidades judaicas que existiam no Egito ficava na ilha de Elefantina, o que é comprovado por um papiro em aramaico do quinto século a.C. Ali existiu um Templo de Iaveh antes da invasão do Egito por Cambises embora não se conheça a localização exata. Também havia comunidades no Delta.

A saída do povo hebreu do Egito contada na Bíblia está por ser comprovada e é motivo de muita discussão. Como não fazemos aqui nenhuma espécie de juízo religioso, apenas tentamos seguir os registros, fica complicado afirmar situações ainda não confirmadas.

Após o Êxodo, o povo hebreu atravessou o deserto sob a liderança de Moisés até chegar a Canaã novamente.

É nessa altura que o povo abandona a vida nômade e ali se estabelece dividindo o território entre as doze tribos.

A partir do momento em que as tribos abandonam a vida nômade, começam as desavenças. Por diversas vezes houve rupturas e por diversas vezes voltaram a adorar outros deuses.

O profeta Samuel, que foi o último dos Juízes então, escolheu Saul da tribo de Benjamim para ser o primeiro rei de Israel e organizar o um Estado. Esse é o tempo dos Reis.

Após Saul que era guerreiro, reinou Davi, guerreiro também que tomou Jerusalém dos jebuseus e fez dela a capital do reino.

Os Profetas eram homens que faziam previsões, inspirados por Deus. Aconselhavam o povo mesmo quando corriam o risco de morte. Muitas vezes, ao anunciar as catástrofes, desgraças que viriam, o povo os perseguia.

Depois do retorno a Palestina, não se ouve mais falar dos profetas.

Divisão dos reinos, tempos difíceis[editar | editar código-fonte]

modelo, como seria Jerusalém

Como vimos, Davi foi o verdadeiro fundador da monarquia hebraica. Quando morreu quem herdou o trono foi seu filho Salomão.

Este rei transformou Jerusalém, que era uma cidade simples, numa magnífica capital. Para arcar com tantas obras ele aumentou os impostos o que não agradou o povo.

No módulo sobre os fenícios, podemos ler a história de seu pedido ao rei de Tiro, para que lhe cedesse madeira e tudo o mais que precisava, inclusive os arquitetos, para a construção de um templo. O custo disso foram 20 cidades da Galiléia que Salomão cedeu ao rei Hiram de Tiro.

No final de seu reinado, as tribos do norte já não o aceitavam e nem ao seu filho e sucessor, Roboão.

Assim, em 928 a.C. se deu a ruptura, ficando Israel ao norte e Judá ao sul. O primeiro rei do norte, Jeroboão proibiu seu povo de voltar a Jerusalém e mudou o conceito religioso. Eles passaram a celebrar cultos e sacrifícios nas colinas.

As 10 tribos que ficaram no norte, tinham por capital Samaria e formavam o reino de Israel.

As 2 tribos que ficaram no sul, tinham por capital Jerusalém e formavam o reino de Judá.

As tribos que formam o reino de Judá são Benjamim e Levi e continuam a ser governadas pelos descendentes de Davi. Por causa disso todos os hebreus da tribo de Judá passam a ser chamados de judeus, e mais tarde a própria doutrina religiosa se torna conhecida como judaísmo.

Lutando entre si, os dois reinos se enfraqueceram e os profetas Amós e Oséias avisaram, predisseram o exílio e o fim da nação.

deportação dos judeus pelos assírios

De fato, os assírios, a grande força guerreira da região, chegaram devastando tudo e deportaram a população, do reino de Israel não sobrou nada.

O reino de Judá, ao sul, ficou quietinho, aceitando a dominação assíria e até mesmo se rendendo aos seus deuses.

Nessa altura, o profeta Isaías anunciou que os habitantes de Jerusalém também sofreriam outra dominação. E assim seguiram outras previsões e outras conflagrações, foram os assírios, egípcios, babilônios.

Jeremias foi o profeta que previu as piores catástrofes que seriam causadas por Nabucodonosor e que iriam culminar com o cativeiro da Babilônia que durou 50 anos.

Jeremias foi preso, Jerusalém caiu em 586 a.C. e o templo foi destruído. Judá se transformou numa província babilônica.

O Regresso[editar | editar código-fonte]

Quando o persa Ciro tomou a Babilônia, permitiu o regresso dos exilados, o retorno à Palestina. É aqui que termina a era dos grandes profetas.

Ezequiel um sacerdote que havia sido deportado, recebeu o nome de Pai do Judaísmo, porque tomou a si a missão de reorganizar o povo hebreu em torno da Lei e do Templo.

Esse é o início do tempo dos escribas, dos legisladores, da narração das tradições, da história, do fortalecimento do povo de Israel.

Povo sem terra[editar | editar código-fonte]

rosácea que mostra os doze reis de Judá e os doze profetas

A história do povo hebreu é marcada pelas diversas vezes em que foi disperso, em que ficou sem território, em que foi separado mas manteve sua unidade em torno da religião.

Portanto vamos recordar aqui as diversas vezes em que esse povo ficou sem terra.

A palavra êxodo significa saída ou emigração em massa de um povo ou parte dele. O Êxodo dos hebreus se refere à saída do Egito sob o comando de Moisés.

Cisma quer dizer separação ou divisão. O Cisma dos hebreus se refere à divisão da Palestina entre as 12 tribos após a morte do rei Salomão.

A palavra diáspora significa dispersão de um povo. A Diáspora dos hebreus se refere à dispersão dos hebreus pelas províncias romanas.

O Cativeiro da Babilônia é a expressão usada para se referir ao episódio em que os judeus foram levados para a Mesopotâmia, por ordem de Nabucodonossor e lá ficaram por 50 anos.

A primeira diáspora do povo hebreu pode ser anotada quando Sargão II, usando da política que era comum aos assírios, espalhar os povos conquistados, obrigou os hebreus a se mudarem após conquistar o reino de Israel.

Depois, com Nabucodonosor veio o Cativeiro da Babilônia, quando Jerusalém e o Templo são destruídos.

Em 70 AD. os exércitos romanos de Tito destruíram o Templo Jerusalém e os judeus foram dispersados, se espalharam pela Europa e chegaram à América.

portões Huldah na parede sul do monte do Templo

Em 135 AD o imperador Adriano, romano, finalmente os subjugou em Circa, destruiu Jerusalém, reconstruiu-a sob outro nome e, por centenas de anos, nenhum judeu foi autorizado a entrar na cidade.

Em 31 de março de 1492, os reis católicos Fernando e Isabel, assinam o decreto de expulsão dos judeus, determinando a saída dos cerca de cento e cinquenta a duzentos mil judeus da Espanha, pelos irreparáveis danos que causavam ao cristianismo.

Entre 1941 e 1945 mais de 6 milhões de judeus são mortos pelos nazistas durante a 2ª guerra mundial. É o Holocausto.

Finalmente em 29 de Novembro de 1947, a Assembléia da ONU presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, decidiu pela divisão da Palestina Britânica em dois estados, um judeu e outro árabe. Em 14 de Maio de 1948, algumas horas antes do término do mandato britânico sobre a Palestina, David Ben Gurion assinou a Declaração de Independência do Estado de Israel.

E assim o povo hebreu passou a ter seu Estado, Israel.

Novas descobertas, descendência antiga[editar | editar código-fonte]

Abraão, ícone russo

Independente da crença religiosa, temos no patriarca Abraão, quer ele tenha existido da forma como o conhecemos pelas religiões ou não, um traço em comum.

Seu filho com Sara, sua esposa, Isaac detém a paternidade do povo judeu.


Abraão, no Islã, chamado Ibrahim, teve com Agar um filho chamado Ismael, pai do povo árabe.


Foram realizados estudos genéticos por cientistas de cinco países que colheu amostras de DNA de 1300 homens árabes e judeus em 30 países, para estudar o cromossomo Y (herança passada de pai para filho sem mudanças).

Esse estudo revelou que esses povos possuem um ancestral em comum, possivelmente semitas ocidentais que teriam habitado o Oriente Médio há pelo menos 4000 anos.

É preciso entender que a arqueologia nessas terras conflagradas por ódios inexplicáveis, é muito difícil. Há que se ter o cuidado de não esbarrar em uma relíquia que possa ser vista como propaganda política deste ou daquele povo.

Portanto, ainda tem muita história a ser desvendada se os homens puderem colocar a razão acima da política e do ódio e talvez se encontre a raiz comum desses irmãos briguentos.

Referências[editar | editar código-fonte]

Caldeus

Os Caldeus



fragmentos da alameda de procissão do portão de Ishtar

Quem eram os caldeus?[editar | editar código-fonte]

Eram um povo semita, de origem árabe, que ocupou o território correspondente à Mesopotâmia meridional, na primeira fase do primeiro milênio a.C. Eles surgiram nesse local mais ou menos ao mesmo tempo que os arameus e os shutu.

É provável que sua língua, assim que se estabeleceram na Babilônia, fosse o acádio, da linguagem assíria de Nínive. Ao final do império assírio, passaram a falar o aramaico.

Esse povo formou um reino independente ao redor da cidade suméria de Ur. Portanto, ocupava parte da Babilônia.

Existem muitos povos relacionados a esse local, na mesma fase histórica, de modo que o povo caldeu ficou mais conhecido através da 11ª dinastia de reis da Babilônia, a chamada Dinastia Caldéia.

O nome Caldéia foi usado (em especial na Bíblia), para nomear toda Babilônia logo que foi ocupada pelos caldeus.

Território caldeu[editar | editar código-fonte]

os impérios por volta de 600 a.C

Na cabeceira do rio Eufrates e adjacente ao Golfo Pérsico, na porção sul da Babilônia, ficavam as terras ocupadas pelo povo caldeu.

Essa terra era chamada de mat Kaldi pelos assírios, ou terra de Caldéia. Eles também usavam a expressão mat Bit Yakin e o rei da Caldéia era chamado de rei de Bit Yakin, logo toda Babilônia sob o império dos caldeus passou a se chamar Caldéia. Mas, o fato da dinastia caldéia governar a Babilônia durante 87 anos, não deve ser visto como se os babilônios tivessem se tornado caldeus.

Após os assírios[editar | editar código-fonte]

Grandes guerreiros que formaram um poderoso império, os assírios não foram bem sucedidos para administrar tão grande território e as rebeliões se sucederam.

O rei dos caldeus, Nabopolassar e o rei da Média, Ciaxares se uniram e derrotaram os assírios, destruindo Nínive e Assur.

Esse é o inicio do Império Caldeu ou 2º Império Babilônico. O império dos caldeus ficou sendo chamado babilônico, pelo fato desse povo ter assimilado a cultura e estar ligado de maneira definitiva à Babilônia.

É claro que a herança assíria era muito valiosa e os vencedores tomaram o espólio assírio. Portanto, a queda dos assírios não significou a independência dos territórios que pertenciam ao império assírio. Eles apenas passaram para o domínio de outros conquistadores.

objeto ritual de Kültepe, Anatolia

Nessa fase, esses povos ficaram imprensados entre dois grandes impérios que lutaram 40 anos pelo domínio desses territórios, os babilônios e os egípcios. Esses babilônios já tinham como rei Nabopolassar e eram os caldeus.

Os governantes do império caldeu foram:

  • Nabopolassar 632-605 a.C.
  • Nabucodonosor II 605-562 a.C.
  • Nabônidus 556-539 a.C.


Nabucodonosor II[editar | editar código-fonte]

efígie de Nabucodonossor


Por volta de 605 a.C. morre o rei Nabopolassar e seu filho e sucessor Nabucodonosor, que estava lutando já quase na fronteira do Egito, retorna à Babilônia para ser coroado.

Nabucodonosor II foi de fato, o grande personagem desse período e como todos os grandes conquistadores, foi um rei de decisões controversas.

Ele já era um guerreiro e seu objetivo era formar um grande império. Primeiro expulsou os egípcios da região da Síria-Palestina e continuou durante 30 anos lutando contra outros povos e anexando territórios.

Seu nome está ligado a todas as grandes conquistas do império babilônico governado pelos caldeus.

Política[editar | editar código-fonte]

Sob Nabucodonosor II e seus sucessores, os caldeus, ou novos babilônios, seguiram o modelo assírio com muito mais firmeza (ou violência), a cada conquista grandes deportações.

império neo-babilonico em 540 a.C.

Essa política impedia revoltas porque obrigava os povos dominados a se espalharem, cortava os vínculos com a terra e com os compatriotas. Obrigados a longas marchas, aqueles que sobreviviam eram empregados nas lavouras e já não tinham forças morais e físicas para fazer oposição aos dominadores.

Assim foi feito com os hebreus de Judá (cativeiro da Babilônia), com os soldados egípcios feitos prisioneiros na batalha de Karkemish, com os habitantes de Tiro (fenícios) e também com os de Gaza.

Essa era a mão-de-obra que garantia a riqueza e ao mesmo tempo a paz. Um povo disperso acaba assimilando os costumes, os deuses e até mesmo a linguagem dos outros e não causa problemas aos dominadores se apegando a suas raízes e lutando por elas.

A restauração[editar | editar código-fonte]

painéis em relevo do portão da Babilonia, atual Hilah

Sob Nabopolassar e depois dele Nabucodonosor II, a Babilônia passou para o controle dos caldeus, que assimilaram a cultura e formaram um império que se estendia da Cilícia anatólica ao norte, até as margens da península arábica ao sul. Do mar Mediterrãneo a oeste aos Montes Zagros no leste. Este era o império dos caldeus do rei Nabucodonosor II.

Mas, independente de todas as guerras e conquistas a prioridade que Nabucodonosor II herdara de seu pai, Nabopolassar, era reconstruir a cidade de Babilônia.

Para remodelar a cidade era preciso de mão-de-obra e matéria prima. Os deportados formavam a mão-de-obra barata e prática, que enquanto trabalhava não tinha tempo de insuflar rebeliões.

As cidades conquistadas pagavam tributos com riquezas como a madeira de cedro fenícia e outras, além das matérias primas locais e isso permitiu tornar realidade as ambições do rei.

Primeiro, abrir canais de irrigação, cultivar as terras, cuidar dos rebanhos, prover a alimentação. Depois restabelecer as vias de comunicação, cuidar da defesa da cidade. Então, começar as obras de embelezamento.

A magnífica Babilônia[editar | editar código-fonte]

A cidade idealizada e tornada real pelos dois grandes reis caldeus, Nabopolassar e Nabucodonosor II era a capital do império, portanto, além de bela era inexpugnável.

Protegida por uma dupla muralha, um fosso, além de muros externos que serviam de diques para protegê-la das enchentes em tempos de paz. Em tempos de guerra, bastava que os diques fossem destruídos para que a planície ficasse inundada, impedindo o acesso à cidade.

projeto da Babilônia

Tudo o que havia de mais belo nos territórios conquistados foi levado para a capital do império. Um exemplo foi a tomada de Jerusalém, quando os babilônios levaram as colunas da entrada do Templo e as bases do Mar de Bronze (bacia de purificação), além de outros objetos rituais.

Na entrada da cidade está a Porta de Ishtar, a deusa do amor, a protetora da cidade. Existem 7 outras portas nas muralhas mas esta é deslumbrante. Decorada com frisos e fileiras de animais, seus tijolos são esmaltados em azul e causam grande impressão.

Para homenagear Marduk, o deus tutelar do país, Nabucodonosor II manda restaurar o Esagil, templo do deus, e a Etemenanki que era uma espécie de zigurate em andares, que chega a mais de 90 metros de altura. No topo, há uma camara onde o deus encarna sempre que vem à Terra. Talvez tenha vindo daí a inspiração para o conto da Torre de Babel.

Babilônia possui um belíssimo palácio real, palácio de verão, 53 templos e 600 santuários.

Os tão famosos Jardins Suspensos, até hoje (2009) não foram encontrados. É possível que tenham existido, mas a despeito de todas as pesquisas arqueológicas nada foi encontrado que prove a sua existência.

A Babilônia no tempo dos reis caldeus foi a jóia do Oriente, uma cidade magnífica.

Queda do império caldeu[editar | editar código-fonte]

cilindro com inscrição de Nabônidas

O quarto sucessor de Nabucodonosor II, Nabônidas, tentou impor o culto a Sin (deus da lua) que era adorado entre os arameus do oeste.

Já vimos em outras civilizações que a religião é uma das partes mais sensíveis de um povo. Então, não se sabe ao certo o motivo, mas Nabônidas abandona a capital e vai viver no oásis de Tema, deixando o príncipe herdeiro Baltazar (Bel-Shar-Usur) no comando do império.

Na ausência do rei, o clero de Marduk não podia pedir as bênçãos na festa do Ano Novo, com isso o império perderia as graças do deus.

Marduk e seu dragão

Quando Ciro II, o Grande, da Pérsia, toma o reino de Judá, Nabônidas volta para defender sua capital, mas era tarde demais.

Os persas foram bem recebidos graças à sua tolerância religiosa e ao fato de permitirem que os deportados retornassem às suas terras de origem.

Ao conquistar a Babilônia, os persas descobriram que os caldeus eram um povo de grande conhecimento, especialmente na leitura, na escrita e em todas as formas de artes mágicas.

A astronomia era a sua principal ciência, eles conheciam os planetas e os diferenciavam das estrelas, podiam inclusive prever eclipses.

Desde então, caldeu em grego, passou a significar astrólogo.


Caldeus ainda hoje[editar | editar código-fonte]

Historicamente os caldeus foram os últimos governantes da Babilônia e seus descendentes ainda hoje vivem no mesmo local por onde passaram tantos povos que deixaram uma herança inigualável.

Os caldeus de Beth Nahreen que hoje é Iraque, leste da Síria e sudeste da Turquia, são descendentes dos povos nativos da Mesopotâmia, dos sumérios, acadianos, assírios, caldeus e outros.

Eles usam o aramaico clássico na liturgia e falam aramaico caldeu. O aramaico é a língua mãe da qual derivaram o árabe e o hebreu.


Referências[editar | editar código-fonte]

A Pérsia aquemênida

A Pérsia Aquemênida



Aquemênida é chamada a dinastia fundada pelo rei Aquemênes da Pérsia.

No século VII a.C. na área onde hoje fica o Irã, houve um grande reino, o reino da Média. O rei Aquemênes era um governante menor que prestava tributo ao rei da Média.

grifos em Persépolis

Eles chegaram[editar | editar código-fonte]

A região em questão é o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico.

Por esta região já haviam passado diversos povos – os gutis, os cassitas, os elamitas e outros. No inicio do primeiro milênio a.C. diversas tribos indo-arianas vindas da região da Ásia central (onde estão hoje o Uzbequistão, Tadjiquistão e parte do Casaquistão) e do Cáucaso, entram no planalto do Irã e entre elas estavam os medos e os persas.

Mar Cáspio, o Cáucaso e o lago Urmia

As tribos medas ocuparam o norte do planalto, Ecbatana (atual Hamadã a sudoeste de Teerã) e os persas ocuparam o sul, mais precisamente Fars ou Pars, de onde deriva a palavra Pérsia (hoje é uma das províncias do Irã, capital Shiraz).

Há um registro assírio de 844 a.C. que se refere aos persas como parsu e aos medas como madai, localizando ambos na área do lago Urmia (que fica na cidade do mesmo nome e hoje é capital da província do Azerbaijão).

O fato é que os medas tinham sido dominados durante anos, tanto pelos citas como pelos assírios e como acontece às vezes, um grande homem, um guerreiro, um comandante carismático surge para mudar a história.

Entre os medas, esse homem foi Ciaxares, que reinou entre 625-585 a.C. Ele uniu seu povo, formou um exército e se aliou ao caldeu Nabopolassar. Desta forma destruíram Nínive a capital da Assíria. Medos e babilônios então dividiram o território assírio.

Os persas[editar | editar código-fonte]

Como já foi dito, as tribos persas ocuparam o sul do planalto do Irã. Na cidade de Anshan (hoje Tepe Malyan), o filho do rei Aquemênes, chamado Teispes, fundou um reino para ele e seu povo, mas continuavam dependentes dos medos.

Após Teispes, governaram Ciro I e Cambises I.

Cambises I casou-se com uma neta do famoso Ciaxares (governante medo) e o filho deles foi Ciro II chamado O Grande. Mas esta é outra história.

Nesse momento, o grande império assírio ainda estava dividido entre medos e babilônios. Quem governava os domínios medos era Astíages, seu território ocupava o planalto do Irã, parte da Anatólia e da Lídia.

Nesse momento, por volta de 550 a.C. o governante dos persas era Ciro II, um chefe que se destaca e vai ser o responsável por grandes conquistas.

Conquistas de Ciro II[editar | editar código-fonte]

Os medos e os persas eram indo-arianos e falavam línguas muito parecidas, portanto, quando Ciro II se rebela contra os medos, derrota Astíages e se apodera do trono, para a população não há muita diferença.

tumba de Ciro II

Os persas agora são os senhores de todo o território que formava o império da Média. Mas para Ciro II, é pouco. Ele conquista a Anatólia ocidental e o reino da Lídia e com a habilidade de um grande estrategista, captura o país e mais tarde toma as cidades gregas.

Agora, Ciro II, O Grande, deseja a Babilônia, a magnífica cidade que domina a Mesopotâmia. O rei da Babilônia, nessa época era Nabônidas, que além de impopular havia abandonado a capital e o culto a Marduk.

Dessa forma, foi fácil para um governante e conquistador do calibre de Ciro II. Ele se apresentou ao clero de Marduk como o escolhido para governar, prestando grandes homenagens ao deus e com o apoio dos sacerdotes foi aclamado.

A primeira capital da Pérsia foi Pasárgada, hoje na província de Fars, Irã. Os persas mantinham várias capitais como Persépolis, Ecbatana, Susa.

A construção de Pasárgada foi iniciada por Ciro, O Grande, e depois de sua morte ficou inacabada. A tumba de Ciro é o monumento mais importante que restou, embora ninguém tenha provas de que a tumba foi de fato construída para o grande governante.

Esse foi o bisneto de Aquemênes e fundador do Império Persa.

Cambises II[editar | editar código-fonte]

Filho e sucessor de Ciro II, O Grande. Soldado assim como o pai e como era exigido de todos os reis persas aquemênidas.

Havia um conselho de nobres para confirmar o rei que privilegiava os guerreiros. O titulo do rei era Khshathra (guerreiro). Cambises já era um homem maduro ao subir ao trono.

O Egito ele conquistou na Batalha de Pelusa. Tomou Mênfis, a capital, aprisionou e deportou o faraó Psamético III.

Cambises capturando Psamético III

Heródoto conta histórias terríveis sobre esse rei, diz que foi um tirano, que destruiu os templos. Hoje, revista a história, é possível que Heródoto como grego odiasse os persas e por isso os tenha retratado de forma injusta.

Ele teve inclusive seu nome inscrito num cartucho como um faraó. Cambises foi o primeiro governante da 27ª dinastia egípcia, a dinastia de reis persas.

Porém, é possível que Cambises tivesse algum problema mental porque sua reputação histórica é das piores, inclusive como um maníaco que mandou assassinar seu irmão postulante ao trono e assassinou a própria esposa.

Pode ser que as derrotas sofridas como no deserto da Núbia, onde suas tropas morreram de fome sem sequer lutar e por ser um governante fraco, por não ter conseguido lutar contra Cartago, isso tudo tenha desestabilizado mentalmente o rei.

Diz Heródoto que Cambises II morreu em Ecbatana (Síria), hoje Hamath.

O exército desaparecido de Cambises[editar | editar código-fonte]

arqueiros aquemênidas

Ainda de acordo com Heródoto, Cambises enviou um exército para sitiar o Oráculo de Amon no Oásis de Siwa. O exército de 50 000 homens estava no meio do caminho, em pleno deserto quando uma violenta tempestade de areia se formou e soterrou todos os homens, com seus armamentos e equipamentos e nunca mais se soube deles.

Ainda que muitos egiptólogos vejam essa história como lenda, muita gente procurou e ainda procura restos dos soldados.

Com as escavações em busca de petróleo no deserto ocidental, os geólogos da Universidade Helwan encontraram as dunas próximas ao oásis literalmente cobertas de fragmentos de tecidos, adagas, pontas de flechas e ossos humanos.

Mohammed al-Saghir do Conselho Supremo de Antiguidades a quem os geólogos levaram a descoberta, acredita que podem ter pertencido ao exército desaparecido de Cambises. Caso seja verdade, será uma fonte de pesquisa sobre os guerreiros persas.

Dario I[editar | editar código-fonte]

esfinge de Dario no Louvre

Era comandante no Egito quando Cambises II governava, embora não fosse o sucessor oficial, quando o rei faleceu ele tomou o trono.

Como guerreiro que era e parente distante de Ciro II, o conselho de nobres o reconheceu como rei.

O inicio de seu reinado foi dedicado a pacificar o grande território e consolidar seu poder. Aliando a força à diplomacia ele fortaleceu seus domínios.

Depois partiu para as conquistas, anexou o território onde hoje é o Paquistão, conquistou a Trácia e invadiu a Grécia mas foi derrotado em Maratona.

Para os egípcios foi um bom governante, o segundo da 27ª dinastia, mas quando os persas foram derrotados em Maratona ficou claro que eles não eram invencíveis. Assim as rebeliões se intensificaram no Egito, isso permitiu aos gregos um descanso, pois Dario I estava ocupado em outra frente. O fato é que Dario I, O Grande, morreu em 480 a.C. e não teve tempo de realizar mais conquistas.

Política, respeito e organização[editar | editar código-fonte]

O império persa, quando governado pelos reis mencionados acima, praticou uma política completamente diferente daquilo que se conhecia na época. Os assírios, por exemplo, dominaram sempre usando a violência.

Na época, o império persa aquemênida, foi o maior e mais poderoso, englobando uma quantidade de territórios, etnias, religiões e costumes que tornavam muito complicada sua administração.

império persa em 490 a.C.

Dario I foi o rei que teve a grande idéia de dividir o imenso território em satrapias.

O número de satrapias vai variar durante o tempo, mas seu principio é a base do governo. O poder é delegado aos sátrapas, que são escolhidos pelo rei.

Uma satrapia, de modo geral, era determinada por região ocupada por um povo específico, por cidades autônomas ou outras características, ou seja, era um governo dentro de outro governo. Por isso, os reis persas eram chamados Reis dos Reis.

Havia respeito pela religião, leis, costumes, língua de cada satrapia. Seu chefe deveria receber os impostos , promover a justiça e zelar pelo território sob sua responsabilidade, inclusive formando um exército para servir às necessidades do rei.

Um sátrapa era auxiliado por um escriba e um general, ambos de confiança do rei e que só obedeciam ao próprio rei.

O rei também elege pessoas enviadas para observar e relatar tudo o que acontece em seu imenso reino. Essas pessoas são chamadas os olhos e ouvidos do rei.

Sua obrigação é prestar contas do que acontece em cada satrapia. Portanto, esse homem de confiança deve observar a política, a justiça e as finanças, mas também a limpeza, a qualidade de vida do povo, a conservação das estradas, enfim o progresso do lugar.

A partir de suas conclusões, o rei tanto podia premiar e elogiar um sátrapa pela boa administração, como punir, até mesmo com a morte, aquele que não estivesse desempenhando bem suas funções ou estivesse tramando contra o trono.

Dario I é ainda o responsável pela construção da Estrada Real, que ligava o império, pela unificação da moeda e além de respeitar as religiões existentes, ele também adotou o zoroastrismo.

Zoroastrismo[editar | editar código-fonte]

Faravahar, símbolo do zoroastrismo

Religião fundada por Zoroastro que também é conhecido como Zaratustra (grego).

Zoroastro foi um profeta nascido na Pérsia na região de Ragha.

O Zoroastrismo foi fundado por ele, baseado na existência de um deus único, e a luta eterna entre o bem e o mal. Essa religião veio a substituir o Mazdeísmo praticado pelas tribos que se espalhavam na região.

Pregando a fé num deus supremo que tudo criou e a tudo guia, lançou as bases das grandes religiões monoteístas como o judaísmo, cristianismo e islamismo.

Zoroastro foi perseguido, mas manteve sua fé e a difundiu até que ela foi adotada pelos reis persas. No reinado de Dario I foi redigido o livro sagrado do zoroastrismo que se chama Avesta o Zend-Avesta.

Conhecendo outros reis persas[editar | editar código-fonte]

  • Xerxes I

era filho de Dario I. Enfrentou uma revolta no Egito assim que subiu ao trono. Conseguiu debelar a revolta mas nunca deu importância ao Egito, deixando o governo por conta de regentes e sátrapas.

Ficou conhecido pelas tentativas frustradas de conquistar a Grécia. Na verdade, ele venceu os gregos na batalha das Termópilas, entrou em Atenas onde saqueou e incendiou os santuários.

Já se vê que esse rei não praticava a política de seu pai, de respeito e diplomacia.

Na batalha de Salamina a frota persa foi destruída e ele abandonou a sede de conquistas.

Xerxes I morreu assassinado junto com seu filho Dario em 465 a.C.

  • Artaxerxes I (longímano)

era assim chamado por ter a mão direita mais comprida do que a esquerda, era filho de Xerxes.

Artaxerxes é a forma grega do nome Ardashir o Persa.

Esse rei enfrentou muitas revoltas, sendo que a rebelião no Egito durou por volta de cinco anos.

Ele foi morto na batalha de Papremis mas os persas mantiveram o controle do alto Egito.

No seu governo foram comuns os intercâmbios culturais com a Grécia e ele é lembrado com carinho nos livros de Ezra e Nehemias, porque autorizou a restauração do Judaísmo.

  • Xerxes II

filho e successor de Artaxerxes I, reinou apenas durante 45 dias e foi assassinado por seu irmão Sogdianus, que, por sua vez foi morto por Dario II.

estátua de um cão mastiff, Persépolis
  • Dario II (Notus)

Notus, do grego, significa bastardo. Ocorre que com a morte de Xerxes II pelo irmão Sogdianus, esse irmão ilegítimo que era sátrapa na Hircânia (ao norte, no Mar Cáspio), se rebela e luta com Sogdianus, o matando.

Ele adota o nome Dario e nos registros de Nippur seu reinado vem imediatamente após Artaxerxes.

  • Artaxerxes II

filho de Dario II. Se envolveu em algumas guerras e revoltas, foi bem sucedido contra os gregos, mas teve sérios problemas com os egípcios.

No seu reinado, o Egito recuperou a independência com Amyrtaios e o Império Aquemênida começou a ficar enfraquecido.

  • Artaxerxes III (Ochus)

seu reinado coincide com o de Felipe II da Macedônia e com o de Nectanebo II no Egito. Ele foi um sátrapa e comandante do exército antes de reinar.

Infelizmente, Artaxerxes III já não praticava a política dos primeiros governantes, usava de violência e crueldade.

Lançou duas campanhas contra o Egito, foi derrotado na primeira e isso lhe causou uma série de problemas com os distúrbios no oeste do império.

Na segunda investida ele derrotou o faraó, Nectanebo II que fugiu do Egito para a Núbia.

No final do seu governo, a Macedônia de Filipe II já era uma grande ameaça às fronteiras do Império Persa.

È dito que Artaxerxes III morreu envenenado, mas há um tablete no Museu Britânico que registra sua morte de causas naturais.

peças do tesouro aquemênida encontradas no rio Oxus
  • Arses ou Artaxerxes IV

Não se sabe muito a respeito, embora exista a possibilidade de que ele tenha morrido envenenado.

Durante seu governo aumentaram as ameaças nas fronteiras com a Macedônia.

  • Dario III (Codomano)

Subiu ao trono, dizem que, escolhido pelo vizir que envenenou o rei Arses. Era parente distante da família real.

O rei adotou o nome Dario III e logo se tornou independente, governando por sua própria vontade. O problema é que o momento era de grande perigo por causa do poder macedônio.

O rei Filipe II tomou as cidades gregas que estavam sob o domínio persa, mas foi assassinado e então parou o avanço dos macedônios.

Dario III foi derrotado pelo filho de Filipe da Macedônia, Alexandre Magno. E Alexandre tomou a Pérsia.

Depois disso, em Gaugamela Dario III perdeu o controle da Babilônia. Ele fugiu, foi deposto e assassinado.


O fim do Império[editar | editar código-fonte]

O Império Aquemênida, com seus primeiros governantes foi responsável por uma política até então desconhecida.

relevo do século 18

Foi o primeiro dos grandes impérios a respeitar os direitos humanos, os direitos dos povos conquistados, sua religião e cultura.

Esses primeiros reis governaram com justiça, paz e diplomacia, procurando crescer dentro de uma visão ampla e mais tolerante.

É claro que não há conquistas sem guerras, sem derramamento de sangue, sem o sofrimento dos vencidos.

Os últimos governantes já não tiveram o mesmo brilho e não havia como resistir ao grande poder que surgia em suas fronteiras, chamado Macedônia.

Em maio de 334 a.C. Alexandre Magno foi vitorioso na batalha de Granico, daí em diante foi dominando as cidades persas até que Dario III, rei da Pérsia, foi enfrentá-lo. Na batalha de Isso (333 a.C.) Alexandre finalmente submeteu por completo o império persa.

Afinal, não havia mesmo como resistir frente a um dos maiores gênios militares da história.

Referências[editar | editar código-fonte]

A Grécia Antiga

Embora não exista uma data universalmente aceita, a Grécia Antiga é tradicionalmente definida como a data dos primeiros Jogos Olímpicos em 776 aC.

Há milhares de anos, os gregos estabeleceram tradições de justiça e liberdade individual que são as bases da democracia. A sua arte, filosofia e ciência tornaram-se fundamentos do pensamento e da cultura ocidentais. Os gregos da Antigüidade chamavam a si próprios de helenos (todos que falavam grego, mesmo que não vivessem na Grécia), e davam o nome de Hélade a sua terra. Os que não falavam grego eram chamados de bárbaros. Nunca chegaram a formar um governo nacional, porém estavam unidos pela mesma cultura, religião e língua.

Wikipedia
A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
História da Grécia


A Grécia Antiga

Localização[editar | editar código-fonte]

Aqui vamos localizar a Grécia antiga, ao sul do monte Olimpo (famoso na mitologia por ser a morada dos deuses) começa a Grécia.

Grécia antiga

Ao norte do golfo de Corinto fica a chamada Grécia continental e ao sul fica a Grécia peninsular. A Grécia insular, é como diz o nome formada pelas ilhas do mar Egeu. Grécia continental, montanhosa, difícil cultivo. Grécia peninsular, litoral fácil de navegar. Grécia insular, muitas ilhas, fácil de navegar de uma para outra.

O início[editar | editar código-fonte]

Diversos povos se assentaram na península Ibérica, por volta de 2 mil a.C. primeiro foram os arianos, lá encontraram os pelágios e se misturaram.

O povo micênico está documentado em Creta entre 1450 e 1400 a. C.

Os minóicos já viviam em Creta nessa época e além deles nas terras da Grécia continental tivemos os aqueus, eólios, jônicos e dóricos. Esses povos todos viviam da agricultura e do comércio marítimo com regiões próximas.

Foi de uma grande mistura de povos que os gregos se originaram e chamavam seu país de Hélade e a si mesmos de helenos. As palavras gregos e Grécia são latinas e vieram dos romanos.

Minóicos e micênicos[editar | editar código-fonte]

Foram povos muito importantes no desenvolvimento da civilização grega.

afresco do palácio da rainha, civilização minoica

Na verdade devemos o conhecimento desses povos ao alemão, que não era arqueólogo, mas, um explorador apaixonado pela história de Tróia, Heinrich Schliemann. Ele foi o primeiro a descobrir vestígios da Grécia pré-histórica em Tróia, Micenas, Tirinto e outros locais.

Os minoicos de Creta eram uma potência a ser considerada, e só quando uma série de catástrofes naturais se abateu sobre eles e os deixou frágeis, foi que os micenicos conseguiram tomar seu lugar no comércio marítimo.

É possível que os micenicos (nome criado por Heinrich Schliemann) se chamassem de aqueus, e eles adotaram alguns aspectos da cultura dos minoicos.

Esse povo já falava grego e assim como os minoicos tinham como centro do poder o palácio. Os micenicos deixaram tabuinhas escritas em Linear B que, depois de devidamente decifradas ficou provado que era uma escrita inicial do grego.

Eram comerciantes e guerreiros, grandes navegantes, viviam em cidadelas muradas. Para os micenicos o deus maior era Poseidon e depois passou a ser Zeus.

Linear B

Nos poemas épicos de Homero, Ilíada e Odisséia a cultura micenica é mencionada.

Com o declínio de Micenas, que sofreu graves destruições pelo fogo, termina a Idade do Bronze. A cidade permanece habitada porém tanto ela como as outras comunidades perdem a importância e o poder com o fim do comércio e do contato com outras culturas.

Redescobrindo e recuperando[editar | editar código-fonte]

Depois de uma fase de estagnação, os gregos recomeçaram a recuperar os valores e conhecimentos que haviam sido esquecidos ou abandonados por quase 200 anos.

Novas cidades surgiam, a princípio as famílias viviam da agricultura coletiva, mas a população estava em crescimento.

cavalos, Acropolis Museum

Assim sendo, não havia terras para todos e muitas famílias partiam para outros locais. Dessa forma, o modo de vida grego se expandiu, lutas locais ocorriam por causa de terras, as classes sociais ficavam mais evidentes e dispostas a lutar pelo seu espaço.

Assim, surgiram as cidades-estado (polis) e com elas um grande desenvolvimento cultural, como os jogos pan-helenicos, templos e os famosos vasos com figuras negras e figuras vermelhas a poesia lírica e a filosofia.

As principais cidades-estado foram Atenas, Esparta, Tebas, Corinto, Argos, Olímpia, Mégara e Mileto.

Os gregos que partiam em busca de uma vida melhor, foram responsáveis pela expansão da Grécia. Eles fundaram colônias nas costas do Mediterrâneo do mar Egeu e do mar Negro. Essas colônias eram independentes das polis, mas mantinham com elas, ligações comerciais e difundiam o modo de vida grego.

As mais importantes foram eram Bizâncio, Tarento, Síbaris, Crotona, Nápoles, Cuma, Siracusa, Agrigento, Nice, Marselha e Málaga.

No final do período, porém, uma guerra entre as cidades gregas independentes e o poderoso Império Persa iria mudar, para sempre, a evolução política e cultural do mundo grego.

Os gregos no século V a.C.

Os gregos no século V a.C.

Tempo de lutas[editar | editar código-fonte]

ânfora em pasta de vidro

O período que vai do século V ao século IV a. C. é chamado de período clássico para fins de estudo. Nessa época Atenas já era uma cidade-estado poderosa, possuía minas de prata, boas pastagens e embora não tivesse terras para produzir cereais, tinha vinhas e oliveiras.

O porto de Atenas, o Pireu, era muito movimentado por causa do comércio.

Todo excedente era exportado, não só o vinho e o azeite como também a cerâmica.

Atenas era uma cidade próspera.

Mas essa foi uma época marcada por grandes conflitos. As guerras médicas e a guerra do Peloponeso.

Os persas estavam expandindo seu império e não tardaram a ameaçar a Grécia. Ocorrem as guerras médicas, assim chamadas porque os gregos chamavam os persas de medos.

templo de Atenas

Os gregos reagiram com vontade à pretensa invasão dos persas e os derrotaram.

Dez anos depois os persas voltaram ao ataque, sob o comando de Xerxes, venceram Esparta, mas foram vencidos por Atenas.

Finalmente, os persas foram derrotados por ambas as cidades, Atenas e Esparta.

Por causa dessas ameaças, as cidades decidiram criar a Liga de Delos, que visava manter um fundo de recursos para uma invasão qualquer.

Como Atenas se saíra melhor e agora era a mais poderosa, decidiu tomar para si os fundos da Liga. Aos que não queriam contribuir ou queriam se retirar, Atenas ameaçava com seu poderio.

Esses recursos possibilitaram as grandes obras , templos, estátuas, monumentos com que a cidade foi enfeitada.

Esparta, insatisfeita com a situação, reúne as cidades da península do Peloponeso e cria a Liga do Peloponeso para combater a hegemonia de Atenas.

Essa luta entre Esparta e Atenas durou 27 anos. Atenas foi derrotada.

Depois, Tebas reuniu as cidades gregas que se revoltaram contra Esparta, Tebas venceu e manteve a hegemonia entre os gregos.

Essas guerras trouxeram um enfraquecimento das cidades gregas, que foi a grande causa de sua queda perante os macedônios.

templo da deusa Nike, a deusa da vitória

Grandes realizações[editar | editar código-fonte]

A Grécia, no chamado Século de Ouro, deixou grandes exemplos nos mais diversos campos da arte e da cultura.

Na verdade, a Grécia foi a fonte da cultura ocidental.

Na filosofia, literatura, escultura, no teatro, Atenas, especialmente era o centro de grandes realizações.

Ali surgiu a primeira universidade – A Academia, de Platão, no teatro – Sófocles, Eurípedes, Ésquilo.

Impossível não mencionar as esculturas de Fídias e de outros mestres da época, na poesia – Homero,

assim como muitos outros gênios da época, Tucídides, Herodoto, Sócrates, Pitagoras.

atleta


Os jogos olímpicos[editar | editar código-fonte]

Que foram criados em homenagem a Zeus e os deuses do Olimpo.

Como conta a lenda, Hércules plantou uma oliveira, dando inicio aos jogos, de modo que a coroa dos vencedores das provas era feita de folhas de oliveira.

Na verdade, os jogos eram um festival religioso que se transformou aos poucos em coisa muito séria.

Eram realizados de quatro em quatro anos e o período dos jogos era chamado de olimpíada.

Os Jogos Olímpicos chegaram ao seu apogeu entre os séculos VI e V a.C., mas, conforme o poder romano aumentava esvaziava o interesse pelos jogos.

Os gregos levavam os jogos tão a sério que mesmo se estivessem em guerra, era declarada trégua e mesmo inimigos eles competiam.

Atenas e o espaço mediterrâneo

Atenas e o espaço Mediterrâneo


colonização grega

Basta olhar o mapa da Grécia para perceber sua relação com o mar Mediterrâneo e nem vamos falar

específicamente de Atenas, mas de toda Grécia, sendo que Atenas era a cidade mais importante.

No século IX a.C. ocorre que as terras não eram suficientes para suportar o aumento da população.

Era grande o descontentamento do povo porque o fato é, que as terras férteis eram posse das elites.

figura de esfinge – Naucratis

Então, as cidades gregas, começam a organizar grupos de pessoas dispostas a formar colônias em outras

regiões do Mediterrâneo.

Com o passar dos séculos, vamos ter, não só as colônias de povoamento, como também entrepostos gregos

espalhados por todo espaço Mediterrâneo.

É preciso deixar claro que, nos locais onde eram formadas as colônias de povoamento, as terras foram

divididas em lotes e foram repartidas entre os colonos. Portanto, quem partiu em busca de melhores

oportunidades, realmente ganhou a terra.

Naucratis no delta

A colônia, mantinha relações com a metrópole mas, na prática era uma cidade-estado independente.

A primeira colônia grega, foi fundada pelos jônicos, era Poseideion, hoje Al-Mina na Síria.

Os entrepostos, serviam para escoar as mercadorias e todo produto que estivesse em excesso. Eram como

armazéns comerciais.

Isso significa que a Grécia dominou o espaço Mediterrâneo, das costas da Trácia e da Macedônia, até as ilhas

próximas da Ásia menor, a Sicília e a Itália meridional. Essa era a Magna Grécia.

No século VII, os gregos se espalham até as margens do mar Negro, e o faraó Amasis (26ª dinastia) permite

aos gregos fundarem a cidade de Naucratis no delta do Nilo, porque os mercadores gregos geravam taxas

lucrativas com seu comércio.

A democracia na época de Péricles

A democracia na época de Péricles


ruínas na ilha de Delos


Atenas se tornou poderosa depois de derrotar os persas em Platéia, quando perseguiu os exércitos persas e libertou as cidades gregas.

Assim, foi criada a Liga de Delos, que geria um tesouro formado por tributos de todas as cidades. Essa Liga administrava um fundo de reserva para defesa das cidades.

O problema é que passada a guerra, Atenas, poderosa, tomou o fundo da Liga para si e não permitia que as cidades abandonassem o tratado e as obrigava a continuar pagando, usando a força e a intimidação.

O general que controlava a Liga de Delos, era o chefe do partido conservador, seu nome era Cimon, e ele foi o responsável pelas grandes vitórias de Atenas e sua supremacia no mar Egeu.

Cimon

O chefe do partido democrático, era Efialto, que morre assassinado e quem toma o lugar na chefia do partido democrático é Péricles.

Péricles, vinha de uma família ateniense de grande importância, seu tio-avô foi o legislador Clístenes.

Assim, aos 35 anos, no comando do partido, ele não fez caso dos antecedentes de Cimon, um homem respeitado e admirado por sua lealdade e suas vitórias militares.

Seus ataques a Cimon eram cada vez mais violentos até conseguir, finalmente, que ele fosse julgado por traição, pena que acabou no ostracismo (banimento).

Péricles

Péricles era homem de grande conhecimento e formação, durante 30 anos foi reeleito estratega.

Seu sonho era tornar Atenas um modelo para a Grécia. Assim, tratou de garantir aos cidadãos a igualdade de direitos, institui um salário. Decide que os cidadãos ricos devem assumir a maior parte das despesas públicas.

Na verdade essa democracia só beneficiava aos nascidos de pai e mãe atenienses. Portanto as mulheres, os filhos ilegítimos, os estrangeiros que lá moravam e os escravos são todos excluídos.

Péricles fez muito pelo embelezamento da cidade e pelas artes em geral. Seu grande problema foi usar a força para obrigar outras cidades a aceitarem as suas regras.

O tesouro da Liga de Delos se tornou o tesouro de Atenas, os homens designados por Atenas passam a tomar conta dos exércitos para impedir revoltas.

Em todo império ateniense havia coletores de impostos sobre as terras cultivadas, eles controlavam o comércio e as passagens marítimas.

Então, pode se deduzir que Atenas havia se transformado num império como outros, a democracia de Péricles não era a democracia que tanto prezamos.

Religião e cultura gregas

Religião e cultura gregas
as musas

Religião[editar | editar código-fonte]

Os gregos eram politeístas e seus deuses e deusas, não só tinham a forma humana, como também as qualidades e os defeitos humanos.

Os deuses olímpicos eram assim chamados porque viviam no Monte Olimpo. Eles eram doze, Zeus, Hera, Poseídon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dioniso.

Havia também o Hades que era a terra dos mortos, governada pelo próprio Hades.

Os Campos Elísios era o local para onde iam as almas dos heróis.

A terra é dividida igualmente entre os três deuses (Zeus, Poseidon e Hades),

Nike a deusa da vitória

Essa classificação pode mudar mas, o certo é que Zeus era considerado o senhor do Olimpo, o dono do raio e o chefe dos deuses.

A mitologia grega, conta os mitos, as histórias dos deuses e de como eles se envolviam com os humanos e das disputas entre eles mesmos e outros seres.

Nas histórias havia seres incríveis, os titãs, os centauros, os semideuses, as ninfas, os sátiros, os ciclopes, as nereidas, as górgonas, as parcas e muitos outros.

Acompanhar as histórias mitológicas era como acompanhar uma novela, interessante e envolvente.

Os deuses tinham suas rivalidades, tomavam parte nas disputas dos humanos , se apaixonavam e tinham filhos com os mortais.

Héracles, Aquiles e Perseu são exemplos de semideuses, filhos de deuses com mortais.

Um dos exemplos mais interessantes do envolvimento dos deuses, foi a Guerra de Tróia que começou por causa dos deuses, mais específicamente de Éris (a discórdia) e prosseguiu com outros deuses tomando partido e se envolvendo na disputa.

Paris põe sua armadura observado pelo deus Apolo

Essa riqueza mitológica atravessou os séculos e continua encantando.

Na Grécia havia muitos festivais religiosos e inclusive os Jogos Olímpicos eram disputados em homenagem aos deuses.

A mitologia grega foi a base da mitologia romana que incorporou seus deuses, alguns com nomes diferentes, e as histórias escritas como poemas épicos.


Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura grega, tão admirada até hoje, tinha como base a educação.

Um menino a partir de 7 anos aprende a ler, escrever e contar. Dos 11 aos 18 ele lê e comenta os grandes autores gregos clássicos.

Heródoto

Aprende paralelamente, música e canto. A ginástica que é muito importante está ligada a higiene e a estética.

Agora, visto que a criança já está preparada e educada, vamos ver uma gama de manifestações artísticas que se desenvolveram na Grécia. Na verdade, em Atenas, que espalhava pela Grécia os ares da cultura.

Na Grécia já escreviam crônicas mas foi Heródoto, que era geógrafo e historiador, quem criou uma nova maneira de escrever o que acontecia, a história.

Ele escreveu primeiro sobre a invasão persa na Grécia, e se tornou conhecido como o pai da História.

Existiram outros mas vamos mencionar além dele, Tucídides, que escreveu A Guerra do Peloponeso, narrando os fatos ocorridos.

Dos grandes autores não se pode deixar de mencionar Homero, que em suas obras Ilíada e Odisséia conta histórias maravilhosas tidas como lendas, até que Heinrich Schliemann, em 1870, escavou e descobriu que Tróia de fato existiu.

mulher dançando

Das criações artísticas gregas, a mais famosa é o teatro, que tem sua origem nas festas dos deuses.

Os gêneros eram a tragédia e a comédia, na tragédia os destaques são Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Os maiores dramaturgos viveram em Atenas, na época de Péricles.

Na comédia, Aristófanes era o autor que escrevia sobre a política e a sociedade, ironizando os costumes da época.

A dança e o canto eram apreciados de forma que, na música usavam a lira, a cítara e outros instrumentos para acompanhar os poemas.

Os poemas acompanhados pela lira são conhecidos como poesia lírica.

Atenas era tão ligada aos movimentos intelectuais que se tornou o grande centro da filosofia. Dos filósofos estudados até hoje, Sócrates foi o grande destaque, mas, também Platão e Aristóteles deram grande contribuição como grandes pensadores que eram.

Apollodorus de Damasco - engenheiro, arquiteto, desenhista e escultor

Em diversos outros campos os gregos desenvolveram conhecimentos, na medicina com Hipócrates, na geometria com Pitágoras, na física com Arquimedes. Na oratória, o mais famoso foi Demóstenes, na eloquência, Esquines.

Na arquitetura, temos os mais espetaculares exemplos da arte grega, depois que os persas destruíram Atenas, Péricles decidiu que o escultor Fídias iria deixar a cidade ainda mais bonita.

Assim, a Acrópole, com belíssimos templos decorados, se tornou uma mostra de equilíbrio e harmonia.

Os arquitetos gregos eram grandes artistas, Hipódamo, que era representante do estilo jônico era responsável por uma arquitetura luxuosa e requintada. Ele planejou o Pireu e foi o primeiro a fazer um planejamento urbano.

Fazendo parte das belas construções podemos citar as esculturas, deuses, heróis, ou quaisquer outros temas, as obras retratavam um ideal de beleza e perfeição.

Fídias é o maior escultor desse período. Sua estátua de Zeus Olímpico foi considerada uma das maravilhas do Mundo antigo.

Associada a escultura, a pintura foi destruída pelo tempo, sobraram amostras apenas na decoração dos vasos de cerâmica.

A Macedônia

A Macedônia


Segundo estudos arqueológicos, os antepassados dos macedônios se situam no começo da Idade do Bronze.

A partir do ano 700 a.C., o povo denominado macedônio emigrou para o leste, a partir de sua terra

a urna dourada onde estão os restos mortais de Filipe II, museu arqueológico da Tessalônica

natal às margens do rio Aliakmón. Aiges foi a capital do reino que, com Amintas I, se estendeu além do rio Axión até à Península de Calcídica.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

os Balcãs

Esse reino ficava na península balcânica, sudeste da Europa.

Fazia fronteira com o Épiro a oeste, Paionia ao norte, Trácia no leste e com a Tessália ao sul.

No período a seguir as conquistas de Alexandre, se tornou o império mais poderoso da época com fronteiras que incluíam toda a Grécia e ia até a Índia.


Como começa[editar | editar código-fonte]

A história começa com Caranus, o primeiro rei conhecido (808-778 a.C.).

A dinastia Argeadae se originou de Argos Orestikon, uma cidade na região de Orestis, sudoeste da Macedônia.

Vários foram os reis que forjaram o reino da Macedônia, todos eles sempre de olho na Grécia. Era importante que as cidades-estados gregas não fossem fortes a ponto de ameaçar a Macedônia.

Perdicas II por exemplo, mudava de lado durante a guerra do Peloponeso, as vezes estava ao lado de Atenas, outras com Esparta. Sua preocupação era apenas seu próprio reino, de modo que, quanto mais Atenas e Esparta brigassem, melhor. O ideal seria que não houvesse nenhum outro reino mais forte do que a Macedônia, por perto.

No reinado de Arquelau, a economia floresceu e ele mandou construir estradas, organizou o exército e mudou a capital para Pella (era Aiges que é a atual Vergina). Ele criou os Jogos Olímpicos Macedônios em Dion, porque os gregos não permitiam que bárbaros (estrangeiros) competissem em suas Olimpiadas.

moeda com a efígie de Amintas III

Amintas III deu inicio a uma política de enfraquecimento das cidades estado gregas. Seus dois filhos, Alexandre II e Perdicas III governaram depois dele e por pouco tempo.

Alexandre II que tinha veia de conquistador, invadiu o norte da Grécia e deixou guarnições do exército na Tessália e em outros locais, se recusando a abandoná-los.

Nessa época a grande força militar era Tebas, que interveio na disputa, removendo as guarnições macedônias à força. Foi assim que o irmão mais novo de Alexandre II, Filipe (o futuro rei Filipe II pai de Alexandre Magno), foi levado como refém para Tebas.

Perdicas III reinou após a morte de Alexandre II, mas foi morto junto com 4000 de seus soldados numa batalha contra os ilírios. Dessa forma o terceiro filho de Amintas se tornou rei, o rei Filipe II.

Filipe II (359-336 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Filipe II

Como visto acima, Filipe viveu em Tebas para onde foi levado como refém, isso lhe deu a oportunidade de observar os poderosos exército que se engajaram em batalhas durante sua estadia.

Tebas possuía um dos melhores exércitos da época e Filipe aprendeu tudo o que havia, de táticas e de armamentos.

Ao voltar para seu reino e assumir o trono, Filipe cuidou de preparar um exército para conquistar seus objetivos. Portanto podemos dizer que ele foi o rei que tornou a Macedônia uma potência militar, respeitada e temida.

Filipe subjugou os povos vizinhos, os ilírios, trácios e gregos e tornou a Macedônia o reino mais poderoso dos Balcãs. Filipe foi extremamente brutal com as cidades gregas que ficavam nas fronteiras de seu reino. Ele as destruiu por completo, inclusive Estagira (onde nasceu Aristóteles) e vendeu os habitantes como escravos.

túmulo real macedônio, Vergina

Filipe também invadiu o sul da Grécia e derrotou os gregos em Queronéia, na Beócia. Nessa batalha Alexandre seu filho comandava a cavalaria e liderou o ataque sobre o Batalhão Sagrado de 300 tebanos. A vitória foi absoluta para os macedônios.

Os gregos tiveram que aceitar a paz de Filipe e jurar obedecer e não se rebelar contra Filipe e nem contra seus sucessores.

Alexandre que tinha acabado de atingir a maioridade sabia de todos os planos de Filipe, inclusive com relação à conquista do império persa e participava tanto das batalhas como dos movimentos diplomáticos, sendo preparado para suceder o pai.

Existem muitas versões para os diversos casamentos de Filipe e o exílio ou não de Alexandre e sua mãe Olímpia. Mas, o fato é que o herdeiro era mesmo Alexandre.

Antes que pudesse partir para a tão sonhada conquista da Pérsia, Filipe foi assassinado durante a festa de casamento de sua filha Cleópatra.

Alexandre, o Grande (356-323 a. C.)[editar | editar código-fonte]

Com o assassinato de seu pai Alexandre sobe ao trono, aos 16 anos de idade.

cartucho com o nome de Alexandre, o Grande

Embora muito jovem, ele já era um guerreiro acostumado a muitas batalhas. Com Filipe morto, os trácios, ilírios e gregos se rebelaram mas Alexandre imediatamente acabou com qualquer desejo de revolta.

Na Grécia ele destruiu a cidade de Tebas após matar 6000 pessoas e vender seus 30000 habitantes como escravos. Isso foi um aviso aos gregos para pensarem antes de se rebelar novamente.

No Egito ele teve o nome inscrito num cartucho como um verdadeiro faraó e talvez porque admirasse a cultura egípcia e respeitasse a religião, foi recebido com honras de filho de Amon.

Alexandre foi um homem sem igual na história porque além de ser versado nas artes da guerra era também um homem culto, seu tutor foi Aristóteles o grande filósofo. Foi um guerreiro corajoso e protegido pela sorte, suas conquistas são conhecidas de sobra.

batalha de Issus, Alexandre e Bucéfalo

Talvez a mistura de guerreiro e homem culto numa personalidade instável, tenha gerado tantos fatos curiosos e tantas histórias estranhas. Ao mesmo tempo em que respeitava os povos derrotados, permitia que os lugares dominados mantivessem sua religião, sua língua, seus hábitos, admirava as artes e as ciências, era muitas das vezes, violento e cruel.

Voltando aos planos de seu pai para o império persa, Alexandre na sua primeira campanha venceu em Granico. Depois derrotou Dario III da Pérsia em Issus e completou a conquista do império persa na batalha de Gaugamela.

A sede de conquistas fez com que Alexandre lutasse ainda muitas batalhas, inclusive para manter o império unido.

Antes de seguir para Índia, ele foi forçado a regressar pois seus soldados precisavam descansar e já estavam fartos de tanta luta. Foi para Babilônia que ele voltou, dela fez sua capital e lá morreu.

Alexandre teve uma vida curta, morreu aos 33 anos presumivelmente de alguma doença, talvez malária, existem muitas hipóteses mas nenhuma certeza.

Foram doze anos de lutas e muitas conquistas, alguns estudiosos imaginam o que seria o império macedônio se ele tivesse vivido para ampliá-lo ainda mais.

O império sem Alexandre[editar | editar código-fonte]

Império Macedônico

Sempre que um grande líder morre, se não há um herdeiro já preparado para assumir o governo as coisas se complicam. No caso do império macedônio, foi ainda pior, afinal era uma imensa extensão territorial e Alexandre morreu muito jovem, foi inesperado (embora não devesse porque com a vida que ele levava, seria de esperar que morresse em batalha).

Os generais de Alexandre eram seus herdeiros mais óbvios e não havia outra forma senão dividir o império. Por volta de 300 a.C. o império macedônio estava dividido entre as dinastias de Antigono I Caolho (Macedônia e Grécia), Ptolomeu I (Egito) e Seleuco I (Ásia).

Declínio[editar | editar código-fonte]

moeda com a efígie de Perseu

No governo de Antigono II Gonata (276-239 a.C.), a Macedônia fortaleceu sua ocupação na Grécia e teve uma monarquia estável. Seu neto Filipe V (222-179 a.C.), entrou em guerra com Roma que se expandia. Ele foi derrotado nas duas Guerras Macedônicas e a Macedônia perdeu a Grécia e foi reduzida às suas fronteiras originais.

Na terceira Guerra Macedônica, o exército macedônio foi definitivamente derrotado sob o comando do seu último rei, Perseu (179-168 a.C.) filho de Filipe V.

Finalmente, na batalha de Pidna, 20000 soldados macedônios morreram defendendo sua pátria. Perseu morreu prisioneiro na Itália e o reino da Macedônia deixou de existir.

Em 146 a.C. a Macedônia se tornou uma província romana.

Os romanos acabaram com os últimos resquícios do grande império da Macedônia quando em 65 a.C. conquistaram o reino selêucida macedônio na Ásia sob seu último rei, Antíoco VII e depois, em 30 a.C. exterminaram o restante dos descendentes dos macedônios no Egito com a derrota de Cleópatra VII.

Referências[editar | editar código-fonte]

O helenismo e os reinos helenísticos

Searchtool.svg Este módulo precisa ser revisado por alguém que conheça o assunto (discuta).


Reinos Helenísticos.

Os Reinos Helenísticos foram reinos surgidos na Ásia, Egito, Macedônia e Grécia após a divisão do Império de Alexandre, o Grande (ou Magno) por seus generais: Selêuco, Lisímaco, Ptolemeu e Cassandro, após a morte do imperador em 323 a.C.

Como Alexandre não determinou um herdeiro, seus generais guerrearam entre si pelo domínio do Império e o dividiram.

Ptolemeu ficou com o Egito, Cassandro com a Macedônia e a Grécia, Lisímaco com parte da Península da Anatólia e da Trácia e Selêuco com os territórios da Mesopotâmia e do Império Persa.

Esses generais, seus descendentes e outros governadores de províncias estavam constantemente em guerra entre si tentando reestabelecer o Império de Alexandre em toda a sua magnitude. Assim, por exemplo, com a morte de Lisímaco, um de seus oficiais tomou o que restou de seu Império na Anatólia, em torno da cidade de Pérgamo e deu origem a dinastia Atálida.

Eles mantiveram o poder sobre o território à oeste do Tigre por algum tempo e controlaram o Mediterrâneo Oriental até a conquista romana nos séculos II e I a.C.


O helenismo e os reinos helenísticos

O helenismo[editar | editar código-fonte]

figura do período helenístico


Alexandre levou apenas dois anos entre se sagrar rei da Macedônia e conquistar toda a Grécia.

Durante os treze anos do seu reinado ele conquistou territórios de uma forma inédita para a época.

Levar e difundir a cultura grega através dos territórios conquistados era o ideal de Alexandre. E, assim aconteceu, o helenismo (a cultura e língua gregas) se espalha como um mar por todo império de Alexandre.

brincos de ouro

Alexandre Magno era macedônio, mas foi educado pelo filósofo grego Aristóteles e assim entrou em contato com a cultura grega.

Grande conquistador, Alexandre não apenas dominava territórios através das guerras, mas apreciava e respeitava as diferentes culturas que ia conhecendo. Ele foi o grande responsável pela formação do chamado mundo helenístico, que era, na verdade uma fusão de valores do ocidente e do oriente.

Dessa forma, podemos dizer que o Helenismo se caracterizava pela expansão da ciência e do conhecimento. Foi uma fase da história marcada pela cultura e o idioma gregos, fase rica em novos valores e que dura mais ou menos trezentos anos e termina com a invasão do Egito pelos romanos em 30 a. C.

Uma das famosas atitudes de Alexandre que foi o seu casamento com uma princesa da Pérsia, consolidou ainda mais a ideia do Helenismo. Cerca de dez mil soldados macedônios também casaram com mulheres persas, isso era a grande mistura de culturas.

A ideia era preservar e difundir os valores gregos, egípcios e persas.

O grande marco desse período foi a construção da Biblioteca de Alexandria que mantinha cerca de 400 mil obras literárias em seu acervo. Os copistas estavam sempre atualizando suas obras.

Na filosofia despontavam os cínicos, havia os estoicos e os epicuristas, também o neoplatonismo era um movimento importante. Literatura, poesia, teatro, arquitetura, escultura, enfim, todas as artes eram incentivadas.


Reinos helenísticos[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Alexandre em 323 a.C., muito jovem e sem deixar herdeiros, seus principais generais Selêuco, Lisímaco, Ptolemeu e Cassandro dividiram o espólio.

E, um espólio daqueles não foi dividido sem lutas intensas.

mosaico de Heraclea Lincestis

Da disputa entre os generais o império ficou partido em três novos reinos, Macedônia, Síria e Egito.

O reino da Macedônia englobava toda a Grécia; o reino da Síria, compreendido entre a Ásia Menor, a Mesopotâmia e a Síria; e o reino do Egito, composto pela região nordeste da África, uma porção da Palestina e algumas regiões da Arábia.

A divisão do império enfraqueceu a unidade política e foi essa fraqueza que permitiu aos romanos dominarem todos esses reinos entre os séculos II e I a.C.

como seria a Biblioteca de Alexandria


Fim de um rico período[editar | editar código-fonte]

Apesar de tantas descobertas e tão rica cultura, não havia como resistir ao crescimento do Império Romano que afirmava seu poder.

Já não havia um general no comando de um império, mas diversos reinos fraturados que não tinham como resistir ao crescente poder de Roma.


O último a ser anexado foi o Egito e assim a história muda novamente.



Wikipedia
A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
Helenismo

Os etruscos

Os etruscos


Podemos dizer que os etruscos são até hoje um povo pouco conhecido por motivos diversos. Mas, fato é que deixaram uma bela herança histórica que, esperamos, aos poucos será mais compreendida.

cavalos alados etruscos, Tarquinia

Eram chamados pelos gregos de tirrenos e pelos romanos de tusci ou etrusci. Se referiam a si mesmos como rasna ou rasenna.



Mistérios[editar | editar código-fonte]

Vamos começar pela língua desse povo, que não é indo-européia. Seus escritos podem ser lidos, pois os caracteres são gregos, mas é uma língua que não foi completamente decifrada.

Existe um texto chamado “Tábua de Cortone” (se presume de 200 a.C.) sobre o qual se debruçam os estudiosos ainda sem grande sucesso.

escrita etrusca na chamada Pedra de Perugia

A origem dos etruscos também é motivo de curiosidade e discussões. Das três hipóteses conhecidas, nenhuma parece ser satisfatória.

Heródoto acreditava que os lídios da Ásia Menor haviam emigrado para a Itália Central e da mistura com os umbros, se originaram os etruscos. Dionísio de Halicarnasso acreditava que os etruscos fossem autóctones italianos. Uma passagem de Tito Lívio, mal interpretada, fez crer que os etruscos tinham descido dos Alpes.

Na verdade a possibilidade mais correta e aceita é que os etruscos tenham se originado da mistura de diversos povos e se instalado na região que ocuparam entre os anos 1200 a.C. e 700 a.C.

mapa da civilização etrusca

Localização[editar | editar código-fonte]

A Etrúria (atual Toscana) era limitada pelos rios Arno e Tibre e pela costa do mar Tirreno. No período de sua maior expansão, controlou quase toda a península itálica.


Desenvolvimento e Cidades[editar | editar código-fonte]

Os etruscos se desenvolveram naturalmente graças a sua cultura, aparentemente superior à dos povos locais.

Eles ocuparam terras férteis, cuja produção, especialmente do trigo superava as necessidades do povo. Todo o excedente da agricultura era exportado.

Os minerais, zinco, cobre, chumbo, ferro, foram a base da florescente indústria de metais, que gerou enorme riqueza.

Grandes navegantes que eram, os etruscos construíram portos e o comércio tornou esse povo ainda mais próspero.

A Etrúria, na verdade não foi um Estado unificado. Ela era constituída de diversas cidades-Estado, cada uma com sua própria política.

Eram doze cidades chamadas dodecápolis.

vestígios da civilização etrusca em Vulci

Cada cidade-Estado era governada por um lucumon (soberano) que era escolhido entre os chefes das famílias mais poderosas. Esse soberano possuía todos os poderes e todas as insígnias mais tarde copiadas pelos magistrados de Roma.

Nem sempre os tempos eram de paz, de vez em quando as cidades se enfrentavam e isso era comum.

Suas cidades eram o reflexo da sua capacidade arquitetônica, havia avenidas que dividiam os bairros, estradas, pontes, redes de esgoto e de águas pluviais.

Além disso eles construíram aquedutos e drenaram pântanos para aproveitar as terras para plantio.

As casas etruscas possuíam átrio e foram eles que introduziram os arcos, abóbodas e cúpulas originarias de seus templos suntuosos.


Forças militares e o comércio[editar | editar código-fonte]

Não há dúvidas de que os etruscos deveriam ser um povo muito bem armado para enfrentar os desafios de se expandir e enriquecer.

exemplo de arte etrusca

Seu exército em terra era cópia dos exércitos gregos, inclusive na formação em falanges.

No mar, sua marinha de guerra se rivalizava com as dos gregos e fenícios.

O poderio naval dos etruscos só foi destruído em 474 a. C. quando, mesmo aliados à frota cartaginesa, enfrentaram os gregos e foram derrotados em Cumas.

Parece que os etruscos e cartagineses eram muito unidos e haviam enfrentado e vencido juntos, outras batalhas.

Quanto ao comércio, é fácil concluir que, como já falamos sobre as colheitas abundantes e os minérios, os etruscos exportavam muitos produtos.

O vinho se tornou conhecido pelos gauleses através dos etruscos.

Com tantos portos e sendo bons marinheiros, era fácil colocar seus produtos nos locais os mais diversos.

os dançarinos, tumba do triclinium

Mas, eles também importavam o estanho da atual Grã-Bretanha e da Grécia traziam as cerâmicas, além de importarem ouro, prata e marfim do oriente.

Arte e religião[editar | editar código-fonte]

Os afrescos etruscos nas câmaras mortuárias contam muito sobre a vida e os hábitos do povo. E, ainda mais, deixam claro que a história da pintura italiana começa ali.

A noção de divisão do espaço, as cores o movimento que alcança seu momento mais feliz no túmulo do Triclinium.

As estátuas de terracota sobre os túmulos e outras obras que demonstram sua habilidade e bom gosto.

estátua etrusca

A cerâmica preta e brilhante chamada buchero era típicamente etrusca, semelhante a porcelana chinesa, até hoje não se sabe como era feita.

Além de esculpirem em pedra, os etruscos criavam peças de bronze, das quais a mais famosa é a Quimera de Arezzo, e ainda trabalhavam em marfim e madeira.

Também criaram belas peças de joalheria, cheias de detalhes, a maior parte encontradas nos túmulos. A filigrana e outras técnicas dos joalheiros etruscos certamente foram aprendidas com os ourives sírios e fenícios e depois desenvolvidas ao máximo.


a quimera de Arezzo


A religião etrusca é um caso a parte, não se sabe muito sobre os seus deuses além dos nomes. A tríade que comanda o panteão etrusco é composta de Tínia, Uni e Menrva.

O principal ponto a se considerar é que ela é uma religião que possui livros. Os etruscos acreditavam que um menino chamado Tages, que tinha a sabedoria de um ancião, surgiu dos sulcos feitos na terra. Esse menino veio ao mundo para ensinar e suas palavras estão nos livros chamados:


  • libri fulgurales, aquele que contem as regras para interpretar os raios e os relâmpagos,
  • libri rituales, aquele que ensina todos os ritos a serem observados na vida dos cidadãos,
  • libri haruspicini, aquele que trata da previsão do futuro através das entranhas dos animais.


Os túmulos[editar | editar código-fonte]

reconstituição de tumba etrusca

Assim como no Egito, a maior riqueza legada pelos etruscos encontrou-se nos túmulos.

Pelo respeito ao morto e pela crença na vida após a morte, os mortos eram sepultados com tudo aquilo que talvez precisassem para ter um feliz post-mortem.


Os túmulos subterrâneos são chamados hipogeus, são retangulares com uma falsa cúpula. Na verdade são escavados nas rochas.

Muito mais que os objetos ali encontrados, podemos observar pelas pinturas que decoram os túmulos todo um modo de vida dessa sociedade.

A cena mais repetida é a do banquete. Certamente havia banquetes durante a vida e também o banquete onde se reuniam os familiares e amigos do morto. Portanto a vida dos ricos deveria ser muito agradável.

tumba dos relevos

Os etruscos gostavam da música e da dança, e nos afrescos pode-se observar diversos tipos de instrumentos musicais. Talvez houvesse rituais com música e dança nos sepultamentos.

Pode-se observar as roupas, os sapatos, os diversos estilos de penteados e as capas ou túnicas adornadas por ricas jóias que também enfeitavam as mulheres como brincos, colares e braceletes.

Já na fase de declínio da civilização etrusca, se repara que as pinturas vão ficando mais trágicas e sombrias, as cores são escuras e há demônios e monstros guiando os mortos.

sarcófago etrusco


Declínio dos etruscos[editar | editar código-fonte]

Por volta do século V foi um período difícil para os etruscos, que estavam no auge mas, as colônias gregas também estavam no apogeu.

Além disso, entre a Etrúria e o Lácio, a cidade de Roma que fora dominada pelos etruscos, agora ganhava independência e partia para o ataque.

No mar, os gregos da Itália, liderados pela cidade de Siracusa derrotaram os etruscos na batalha de Cuma. Com essa derrota o povo etrusco perdeu definitivamente o controle sobre o mar Tirreno.

brinco, exemplo da joalheria etrusca

Por terra a situação não era melhor com as invasões de diversos povos, como umbros e celtas. A Etrúria não possuía uma ligação mais forte, uma identidade nacional, suas cidades Estado não estavam preparadas para enfrentar outra potencia, não havia união.

Roma começou a atacar a Etrúria em 498 a.C. e só conseguiu completar a conquista em 264 a.C. Foram mais ou menos 234 anos de escaramuças, conflitos, ataques, um período bastante longo de resistência do povo etrusco.

Com a queda dos etruscos, sua população se romaniza, mas não perde certos traços, como sua linguagem, sua religião e na verdade, a maior parte dos reis, no inicio da monarquia romana, tinha origem etrusca.

Cartago

Cartago



Cercada de lendas, esta cidade nasceu no norte da África. Seu fim foi triste a ponto de fazer chorar um general romano.

Cartago foi uma potência do mundo antigo, disputando com Roma o controle do Mar Mediterrâneo. Dessa disputa originaram-se as três Guerras Púnicas, após as quais Cartago foi destruída.


porto circular de Cartago

A lenda[editar | editar código-fonte]

Das cidades fenícias, Tiro era a mais importante, chamada a pérola do oriente. Grandes comerciantes, exímios navegantes, os fenícios compravam, vendiam e dominavam os mares, povo pacífico, sua riqueza se baseava no comércio.

construção de Cartago - Joseph Mallord William Turner

A história ou lenda da fundação de Cartago começa por volta de 814 a.C. nos versos do poeta Virgílio.

O rei de Tiro, Mutto, tinha dois filhos, Pigmalião e Elisa. Com sua morte eles herdam o reino.

Pigmalião desejando governar sozinho, mata o marido de Elisa. Esta de nada sabe e continua pensando que o marido estava vivo. Até que um dia, Sicharbas (o marido) aparece no sonho de Elisa e lhe conta toda a verdade, pedindo para que ela fuja de Tiro.

Para a fuga, ela desenterra o tesouro que o falecido marido lhe indicara onde estava. Na surdina, Elisa prepara navios, escravos e convence os nobres descontentes a se juntarem a ela. Assim ela foge rumo ao ocidente.

Seus navios fazem escala em Chipre onde embarca o sacerdote de Zeus e 80 virgens que Elisa leva, para se casarem com os nobres tírios embarcados.

Desse ponto em diante, Elisa passa a ser chamada Dido, A Errante

A lenda prossegue com a chegada à costa africana, e as negociações com os nativos para ocupar terras. Os nativos eram líbios da tribo dos maxios. Conta a lenda que Dido só poderia ocupar o tanto de terras que fosse coberto por uma pele de boi.

Vamos atentar ao fato de que Dido, era fenícia (não poderia negar a fama de bons negociantes de seu povo) então ela cortou a pele em tiras bem finas e com elas rodeou uma colina que foi chamada Byrsa (pele de boi em grego).

Assim foi fundada a cidade chamada Kart-Hadasht (nova capital) em fenício.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

localização de Cartago no Mediterrâneo

Cartago (do fenício Kart-Hadasht, ou Qrthdst, isto é « Nova Cidade », em árabe قرطاج (Qartaj) ) é uma antiga cidade, originariamente uma colônia fenícia no norte da África, situada a leste do Lago de Túnis, perto do centro de Túnis, na Tunísia.

Neste local o mar Mediterrâneo se estreita, entre a costa africana e a Sicília.

Local de clima agradável, o deserto impedia qualquer ataque vindo do interior. Por mar, nem pensar, porque seria enfrentar os maiores navegantes da época.

Os fenícios escolhiam os locais para fundar seus entrepostos baseados na estratégia comercial. O local deveria ser de fácil acesso por mar, ter portos protegidos em baías amplas e ter facilidade de acesso a matérias primas e pontos de venda.

Como começou[editar | editar código-fonte]

Cartago foi fundada pelos tírios, mesmo observando a lenda, Dido era tíria. Tiro era uma cidade da Fenícia e o povo fenício era um caso a parte, na época.

Os fenícios eram um povo de origem semita que provavelmente vinham do Golfo Pérsico ou da Caldéia. Acredita-se que tenham chegado as terras que hoje formam o Líbano por volta de 4000 a.C.

As cidades-estados fenícias funcionavam como uma federação e capitaneadas pela cidade de Tiro, fundaram entrepostos comerciais em parte da Sicília, sul da península Itálica, no litoral da península Ibérica e no norte da África, onde surgiu o entreposto que se tornou a famosa Cartago.

A cidade de Cartago foi fundada em 814 a.C. e em 500 a.C. a cidade já era poderosa. Os fenícios dominavam a metalurgia, fabricavam ligas de ouro e outros metais, faziam armas e objetos de cerâmica. Mas, seu grande poder vinha de sua frota naval.

cabeça em vidro, amuleto

Nessa época, Roma estava nascendo, era uma pequena cidade da Itália enquanto Cartago era a dona do Mediterrâneo.

Um povo nada belicoso, que se desenvolveu através do comércio e não de guerras, hábeis navegantes que usavam sua capacidade naval apenas para negociar. Fundaram entrepostos comerciais em diversos pontos do Mediterrâneo, mas nunca ocuparam mais terras do que o necessário e nunca atacaram outros povos gratuitamente.

Nenhum dos muitos entrepostos fenícios foi como Cartago.

A cidade de Cartago era envolvida por uma muralha e possuía prédios de vários andares. Através dos vestígios encontrados, se sabe que, a cidade alta ficava na colina de Byrsa, a cidade baixa rodeava o porto.

Os estudos atuais praticamente comprovam a existência dos famosos portos de Cartago. Havia um porto para os navios mercantes e outro para os navios de guerra.

Poder e riqueza[editar | editar código-fonte]

Cartago, por estar afastada fisicamente da Fenícia, prosperou enquanto no oriente, as cidades-estados fenícias foram atacadas pelos assírios e depois pelos babilônios.

portos púnicos em 1958

No perímetro do mar Mediterrâneo era Cartago quem dava proteção aos entrepostos fenícios.

Politicamente, Cartago era uma talassocracia assim como a Fenícia, um Estado governado por homens ligados ao mar.

terracota púnica, Ibiza, Espanha

Havia uma constituição, o chefe de Estado era um juiz chamado Sufete, mas quem de fato tomava as decisões, era o Senado e seus 300 membros.

Os cartagineses não possuíam exército e nem confiavam nos militares. Se fosse preciso, contratavam mercenários, que eram liderados por generais cartagineses.

O povo era pacífico e se fosse possível evitava guerras.

Os cidadãos de Cartago eram alfabetizados e davam especial valor ao desenvolvimento profissional. Vamos dizer que Cartago se tornou uma república aristocrática, era uma região muito rica e cobiçada.

O cronista Diodoro de Sicília conta, que lá havia pomares e jardins, rios canalizados, casas de campo luxuosas. As terras eram cultivadas com vinhedos e oliveiras, além de outras árvores frutíferas. Havia gado, rebanhos de ovelhas e cavalos.

Os tempos de paz permitiram que Cartago usufruísse do que havia de melhor.

Religião[editar | editar código-fonte]

O povo de Cartago conservou as crenças religiosas dos fenícios. Tanit era a Senhora de Cartago, Baal Hamon, Eschmun, Melqart e Astarte eram alguns dos deuses principais.

Tofet em Salambo

Os estudiosos ainda não estão certos quanto ao uso do Tofet. Essa é uma palavra hebraica e significa, santuário a céu aberto.

É possível que ali fossem praticados sacrifícios humanos ao deus Baal. Foram encontrados no Tofet jarras contendo ossos carbonizados de crianças. Talvez o Tofet fosse um cemitério, não há nada ainda, que aponte o uso exato do local.

Os cartagineses davam mais importância à monogamia e eram mais severos com os assuntos religiosos do que os fenícios orientais.


O controle do Mediterrâneo[editar | editar código-fonte]

deusa Tanit

A partir de 800 a.C., a Fenícia fez parte, sucessivamente, do Império Babilônico, do Império Persa e do Império Macedônico.

Com a queda de Tiro, em 332 a.C. a hegemonia passou para Cartago, que se tornou a grande potência do Mediterrâneo ocidental, dominando os entrepostos da Sicília, Sardenha, Córsega e Espanha.

Os gregos, nessa altura, estavam aprendendo tudo o que podiam sobre navegação e construção de barcos com os seus até então parceiros, fenícios.

Por causa de seu interesse sobre a Sardenha e a Sicília, os gregos resolveram testar os fenícios.

No oriente, a Fenícia não dava conta dos ataques de Nabucodonosor II e quem saiu em defesa dos interesses fenícios foi Cartago, assim se afirmando como a potência maior.

Gregos e cartagineses se enfrentaram inúmeras vezes durante várias gerações pelo monopólio do Mediterrâneo, que acabou nas mãos dos romanos.

Guerras Púnicas[editar | editar código-fonte]

Púnico – latim = poeni

Esse era o nome pelo qual os romanos chamavam os cartagineses.

Por volta de 300 a.C. Roma já começava a se tornar um Estado militarizado, mas não possuía uma frota, muito menos navios da qualidade dos cartagineses.

restos do barco fenício Mazarron II

O fato de Cartago superar os gregos, e sua marinha poderosa manter o controle sobre as ilhas cobiçadas pelos romanos, como a Sardenha, fazia com que Roma os invejasse.

Era preciso saber como eram feitos aqueles navios.

A primeira guerra púnica começou com os romanos, que desrespeitaram um acordo de não invadir a Sicília. Os romanos perderam 700 navios e os cartagineses 400. Mas, a sorte estava com os romanos que capturaram um navio cartaginês.

Desmontado, o navio foi copiado e assim os romanos construíram uma frota e introduziram novidades, como o corvo, que era uma espécie de ponte móvel que usavam para abordar os barcos inimigos. Dessa forma partiam para a luta corpo a corpo que era onde se destacavam.

As guerra púnicas são conhecidas e muito estudadas, de modo que, é preciso apenas frisarmos que os cartagineses não eram afeitos a guerras e nem mesmo aos militares, e com isso levaram grande desvantagem.

É preciso mencionar também a coragem, a bravura de Amílcar e seu filho Aníbal cujo nome significa amado de Baal.


Amílcar abafou a revolta dos mercenários que voltaram da primeira guerra derrotados. Conseguiu ocupar um terço da península ibérica, assim se fortificou e acumulou riquezas para enfrentar a segunda guerra.

Aníbal, filho de Amílcar, aos nove anos jurou jamais ter relações amistosas com os romanos. Foi ele quem assumiu o comando dos cartagineses na península ibérica.

Ao tomar a cidade de Sagunto foi ameaçado pelos romanos, mas não voltou atrás e foi assim que acendeu o estopim da segunda guerra púnica.

Homem de coragem, inteligência e um grande general foi durante muitos anos uma terrível ameaça para os romanos. Ele só foi derrotado porque seus mercenários mudaram de lado.

Aníbal voltou a Cartago derrotado, mas a despeito da antipatia dos cartagineses para com os militares, ele foi recebido como herói. O povo reconheceu sua coragem e bravura.

Entre a segunda e a terceira guerra púnica, os romanos conquistaram a Macedônia, Grécia, Ásia Menor e Síria.


O fim[editar | editar código-fonte]

senador romano Catão

Em 149 a.C. Cartago já não era mais ameaça para os romanos mas ainda detinha o território de Túnis (Tunísia).

O senador romano, Catão, decidiu tomar Túnis e para isso mandou o exército destruir Cartago. A ordem:

Delenda est Carthago ou Cartago deve ser destruída.

O general encarregado dessa ingrata tarefa foi Capião Emiliano. Apesar dos seis dias de resistência, os romanos derrubaram as muralhas, a população foi assassinada, as casas demolidas, os que sobreviveram foram transformados em escravos e, dizem, sobre o solo espalharam sal para que nada mais germinasse.

O general romano Cipião Emiliano teria chorado após a vitória, quem sabe imaginando que Roma também pudesse vir a passar por tamanha violência ou talvez, com pena de arrasar uma civilização notável.

Ainda os romanos[editar | editar código-fonte]

vista do litoral, ruínas de Byrsa

Toda a destruição mencionada acima ainda não tinha terminado.

Durante pelo menos cem anos, Cartago permaneceu ocupada pelos romanos, explica a arqueóloga Karin Mansel do Instituto Arqueológico Alemão.

No ano 29 a.C. Otávio Augusto (que viria a ser imperador) fundou sobre a colina de Byrsa a colônia Iulia Concordia Carthago.

Num trabalho que deve ter levado vinte anos, foi feita a nivelação do terreno e assim foi destruído todo e qualquer vestígio da Cartago fenícia.

Uma parte das edificações romanas ainda permanece como lembrança da destruição do coração de um grande império, de um povo notável com suas muralhas, templos e palácios, sua história lançada em escombros colina abaixo.

A civilização romana

altar onde se vê abaixo, os gêmeos
A Civilização Romana


História e lenda[editar | editar código-fonte]

Entre a história e a lenda, como surgiu a civilização romana.

A lenda conta, que Roma foi fundada no ano 753 a.C. por Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia. Essas crianças foram abandonadas num cesto no rio Tigre e amamentados por uma loba.

Um pastor os recolheu e lhes deu os nomes Rômulo e Remo.

Na verdade, a estátua de bronze que conhecemos da Loba Capitolina é trabalho de um escultor etrusco e só muito mais tarde, na renascença, as pequenas esculturas dos gêmeos foram acrescentadas.

A discórdia entre os irmãos sobre o nome da cidade que iriam fundar no local onde foram encontrados, deu origem ao assassinato de Remo, pelo irmão Rômulo.

De acordo com a lenda há uma história trágica por trás da criação de Roma.

Roma em 753 a.C.

A história conta, que é possível que Roma tenha sido fundada pelos etruscos no final do século VII a. C. mas, tribos de origem sabina e latina já haviam se estabelecido no local e formado um povoado.

Roma geograficamente[editar | editar código-fonte]

Os romanos tratam a lenda com carinho e os turistas podem visitar a gruta onde a loba amamentou os gêmeos, uma cabana, que seria a casa de Rômulo também está aberta a visitação e assim vamos explorando a lenda.

Mas o fato é que, geograficamente, Roma foi fundada num local muito bem escolhido.

Roma fica aos pés dos montes Albanos, numa planície longe do mar, isso é muito bom como proteção.

As colinas do local, o Capitolio e o Palatino também formam uma defesa natural e o rio Tibre é o ponto alto porque se torna a melhor estrada por onde chegam e saem as mercadorias.

Uma das estradas partindo do norte de Roma levava o sal para o interior. Essa era uma mercadoria fundamental para conservar os alimentos e a estrada era a Via Salária.

em vermelho a Via Salária

Assim temos que, a localização de Roma fez dela uma encruzilhada por onde passava o comércio e as variadas culturas da época.

Os povos[editar | editar código-fonte]

Os latinos, os sabinos e os volscos (chamados italiotas) são povos de origem indo-européia e vieram provavelmente da Europa central. Ocupam o centro da península itálica e se misturam aos povos locais. Na parte central também temos os umbros e oscos.

Os sículos ocupam a Sicília.

Os etruscos ocupam o norte e mais tarde se expandem. A Etrúria é a atual Toscana, na costa do mar Tirreno e não se sabe ao certo a origem dos etruscos.

Também os vênetos ocupam o norte.

A Etrúria (atual Toscana) era limitada pelos rios Arno e Tibre e pela costa do mar Tirreno. No período de sua maior expansão, controlou quase toda a península itálica.

arte etrusca

Os etruscos estavam em plena expansão através da península em direção ao sul.

Os italiotas sabendo que seriam os próximos a ser invadidos, construíram uma grande fortificação, mas assim mesmo, os etruscos conseguiram dominar os italiotas.

Por volta do século VIII a.C. a fortaleza foi transformada num núcleo populacional que, com o passar do tempo se transformaria numa grande cidade que ficaria historicamente conhecida como Roma.

A monarquia[editar | editar código-fonte]

Numa Pompílio

As instituições romanas foram formadas durante 250 anos por diversos reis.

Assim, quem sucedeu Rômulo foi Numa Pompílio, um sabino que deixou de herança as instituições religiosas, os sacerdotes e os ritos.

Nessa época, a sociedade era dividida em patrícios, plebeus, clientes e escravos.

Assim segue a história até o início dos reis etruscos.

Por vontade do povo, um etrusco ocupou o trono sob o nome Tarquínio. Alguns outros reis etruscos também se seguiram, até que o último, Tarquínio, o Soberbo se mostrou um tirano brutal e foi assassinado por Junius Brutus, que se tornou o fundador da república.

Com o avanço de Roma sobre a Itália, as cidades etruscas foram dominadas e seus habitantes se romanizaram.

A República Romana

Roma em 58 a.C.
A República Romana



O período republicano em Roma se desenvolveu nos séculos IV, III e II a.C.

Durante esse tempo, Roma conquistou a península itálica e começou de fato a se tornar um império.

Lutas sociais[editar | editar código-fonte]

Como já foi visto, a sociedade romana se dividia em classes e, os patrícios controlavam os altos cargos e tinham todos os privilégios.

Durante a fase republicana temos as lutas sociais e os plebeus se rebelando e conquistando os seus direitos. Mas, os cargos mais importantes continuaram nas mãos dos patrícios.

Desenvolvimento econômico[editar | editar código-fonte]

A medida em que Roma foi conquistando mais e mais territórios, sua economia também foi se expandindo. Os tributos pagos pelos povos conquistados, engordavam os cofres do governo.

ruínas de Cartago

A tendência era crescer cada vez mais, pois Roma continuava a fazer guerras de conquistas.

As guerras púnicas[editar | editar código-fonte]

Após dominar a península itálica, Roma começou a olhar com interesse para a bacia do Mediterrâneo.

A cidade mais poderosa, que ficava no norte da África, era Cartago (antiga colônia fenícia).

Os cartagineses tinham desenvolvimento social e econômico invejáveis, seu domínio do comércio marítimo era poderoso.

Assim, Roma escolheu Cartago para dominar.

As guerras entre Roma e Cartago foram chamadas Guerras Púnicas, porque os romanos chamavam os cartagineses de poeni (fenícios).

As guerras púnicas foram três, de 264 a.C. a 146 a.C. e terminaram com a destruição total da bela Cartago.

Dominação[editar | editar código-fonte]

Tendo destruído sua grande rival, Cartago, os romanos se dedicaram ao Mediterrâneo ocidental (península ibérica e Gália) e ao Mediterrâneo oriental (Macedônia, Grécia e Ásia menor).

marco da Via Appia antica

No Mediterrâneo oriental, os reinos helenísticos formados depois da morte de Alexandre Magno foram mais uma presa para os romanos.

E foi assim que o mar Mediterrâneo passou a ser chamado pelos romanos de Mare Nostrum.

Decadência e o fim[editar | editar código-fonte]

A partir de tantas conquistas, quase todas as terras conhecidas, na época, de 509 a.C. a 52 a.C. é claro que, as mudanças teriam que ser enormes em todos os aspectos da sociedade romana.

No comércio, apenas o fato de destruir Cartago, lhes rendeu uma rede enorme de comércio marítimo, juntando isso a todas as terras conquistadas, a economia deu um salto positivo acrescentando todos os prisioneiros das guerras que se tornaram escravos, e a riqueza de outras terras, que agora pertenciam aos romanos.

A decadência e o fim foram consequências do excesso de cobiça. Muitos nobres pertencentes ao Senado se apossaram de grandes faixas de terras, para cultivá-las precisavam de mais e mais escravos.

Júlio César – Louvre

O excesso de impostos, o arrocho sobre os plebeus, tudo isso criou uma classe de despossuídos, pobres e famintos.

Isso destrói qualquer governo e com a república romana não foi diferente.

Com o grande sucesso nas guerras, os generais romanos se tornaram uma voz influente na política.

Os últimos governantes[editar | editar código-fonte]

Em 60 a.C. três generais assumiram o governo no que se chamou o 1º triunvirato – Pompeu, Crasso e Júlio César. Com a morte de Crasso, Pompeu e Júlio César disputaram o cargo de consul.

César venceu e se tornou ditador vitalício.

Otávio

Júlio César foi responsável por muitas reformas que enfraqueceram a aristocracia, diminuindo a escravidão e limitando o poder do senado.

Conquistou a Gália, a Grã Bretanha e o Egito, completando a romanização do mundo antigo.

César foi assassinado por Cássio e Brutus em pleno senado, o que provocou a revolta do povo.

Para governar, formou-se então o 2º triunvirato, composto por Marco Antonio, Lépido e Otávio em 43 a.C.

Lépido foi governar os territórios africanos e logo foi afastado. Otávio passou a governar os territórios ocidentais.

Marco Antonio ficou com os territórios do oriente. Seu grande erro foi apaixonar-se por Cleópatra VII, a última rainha do Egito.

Otávio derrota Marco Antonio e se torna líder supremo de Roma, dando início ao Império Romano.

O mundo romano no apogeu do Império

O mundo romano no apogeu do império
O Império Romano sob Augusto

O período que focaliza o apogeu do império foi um tempo de consolidar as conquistas e manter o imenso império unido e próspero.

Entre o fim e o início[editar | editar código-fonte]

Júlio César, busto no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Júlio César, ainda como cônsul da República Romana, foi responsável por muitas reformas, enfraquecendo a aristocracia, diminuindo a escravidão e limitando o poder do senado. Conquistou a Gália (aproximadamente a atual França), a Britânia (atuais Inglaterra e País de Gales) e o Egito, completando assim a romanização do mundo antigo.

Júlio César foi assassinado por Cássio (Caio Cássio Longino) e por Brutus (Marco Júnio Bruto) em pleno senado, fato que provocou a revolta do povo. Formou-se então, para tomar o poder, o segundo triunvirato, composto por Marco Antônio, Lépido e Otaviano, em 43 a.C.

Lépido logo foi enviado para governar os territórios africanos e então foi afastado. Otaviano passou a governar os territórios do Ocidente, enquanto Marco Antônio ficou com os territórios do Oriente.

Essa parte da história foi retratada num filme muito famoso (Cleópatra), porque Marco Antonio se apaixonou por Cleópatra VII, então rainha do Egito. Trocando a fidelidade a Roma pela rainha, caiu em desgraça.

Otaviano então enfrentou e derrotou Marco Antonio, assim se tornando líder supremo de Roma. Esse é considerado o início do Império Romano.

Imperadores[editar | editar código-fonte]

[[File:Augustus Bevilacqua Glyptothek Munich 317.jpg|thumb|120px|Busto de Augusto com a coroa cívica, na Gliptoteca de Munique]]

Tibério

Na verdade Otaviano (às vezes referido como Otávio), começou a governar sozinho e passou a ser chamado César Augusto o escolhido dos deuses. Isso se deu em 27 a.C., data considerada como o início do império. Outros historiadores preferem assinalar o início do império quando da morte de Augusto em 14 d.C., começo do governo de Tibério.

Seja como for, depois de Augusto, temos quatro dinastias de imperadores, que são:

  • Dinastia Júlio Claudiana, que começa com Tibério. Depois vem Calígula, Cláudio e Nero.
  • Dinastia dos Flávios que são Vespasiano, Tito e Dominicano.
  • Dinastia dos Antoninos, onde temos Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo.
  • Dinastia dos Severos, começando com Sétimo Severo, Caracala, Heliogábalo e Severo Alexandre.

Conquistas[editar | editar código-fonte]

Soldados romanos construindo uma fortaleza.

Roma, uma cidade-Estado, se tornou um império graças às conquistas militares. Os romanos formaram exércitos grandes e bem organizados. Muito aprenderam também com os povos conquistados, suas armas e suas táticas.

No início das guerras de conquista, só serviam ao exército aqueles que fossem cidadãos romanos. O serviço militar era obrigatório.

Roma conquistou toda a península Itálica, parte da Europa ocidental, o norte da África e uma pequena parte da Ásia. O domínio romano foi, de fato, de conquista e submissão. Quando venciam, saqueavam e tomavam para si as terras conquistadas.

Isso significava que todas as regiões conquistadas deviam pagar impostos a Roma. As populações eram exploradas e os prisioneiros se tornavam escravos.

Com tantas terras conquistadas, o governo de Augusto, foi mais voltado para a paz. Ele declara o fim das guerras civis e se direciona a consolidar seu império.

Aí começa a famosa Pax Romana, que durou até a morte de Marco Aurélio em 180 d.C.

Pax Romana[editar | editar código-fonte]

Altar dedicado por Augusto à deusa Pax

O Império Romano era formado por povos de costumes, língua e religião diferentes, coisa que alimentava qualquer rebelião.

Assim a decisão de Roma foi, usar seus exércitos enormes e bem preparados para manter a ordem e romanizar essas populações.

Era preciso manter grande extensão de terras sob controle, também era preciso proteger e defender as fronteiras, que sofriam as incursões dos povos chamados bárbaros em seu limiar.

A Pax Romana, era uma paz armada, que usava as legiões romanas para impor respeito e lembrar a quem os povos dominados deviam obedecer. E foi assim que o império se solidificou.

Nos locais onde o exército se estabelecia havia sempre um desenvolvimento maior, porque o fator proteção animava a construção de casas, lojas comerciais que forneciam não só para os batalhões como, usando as excelentes estradas, para outros locais.

O progresso trazia a tiracolo a romanização desses povos, evitando rebeliões.

A religião e as grandes obras[editar | editar código-fonte]

Colchester na Inglaterra, arco feito pelos romanos

Os romanos tinham sua religião oficial, na qual prestavam culto aos mesmos deuses dos gregos, apenas com nomes romanos, o Zeus grego se tornou Júpiter romano, o Ares grego virou Marte romano e assim com todos os outros.

Mas, com a expansão do império outras crenças, como a dos etruscos e as crenças dos povos orientais se misturaram a religião romana. Eles eram politeístas e isso criou muita confusão com relação aos adeptos da nova religião que surgia (da qual ainda iremos falar) que eram os cristãos, monoteístas.

Antigo bar em Pompeia

Com relação às obras, os romanos deixaram mercados com seis andares de lojas, os fóruns, as termas, os aquedutos, as estradas. Ainda veremos as bibliotecas, ginásios, teatros, o anfiteatro mais famoso, o Coliseu e templos dos deuses.

Na escultura a cópia dos gregos era a tônica. Alguma criação romana nessa área foi de escultores cujos nomes nem são conhecidos. A pintura mural e os afrescos ficaram conhecidos graças a preservação de Pompeia.

Na música também, os romanos beberam da musicalidade grega. Na dança pouco se sabe talvez não agradasse aos romanos.

Coliseu

O teatro romano também foi copiado dos gregos, havia peças traduzidas das tragédias gregas.

A comédia latina, surgiu totalmente dependente do gosto popular (isso não era aceito na Grécia). Isso significa que eram peças de gosto duvidoso, porque o povo se interessava apenas pelo sensacionalismo grosseiro.

Assim, esse tipo de distração já fazia parte da política de pão e circo, usada para manter o povo entretido. Nada tinha a ver com a manifestação artística que era o teatro grego.

Um anfiteatro colossal como o Coliseu serviu apenas para espetáculos tristes e deprimentes, em vez de servir para ampliar a cultura do povo.

Sociedade e poder imperial

Sociedade e poder imperial
romanos antigos


Desigualdade é a palavra para descrever a sociedade romana, mas isso não a desabona porque a maior parte das sociedades tiveram e têm o mesmo problema.

Diferenças[editar | editar código-fonte]

As diferenças entre patrícios e plebeus já era causa de inúmeras rebeliões. Quanto mais crescia e mais rico ficava o império maiores eram as tensões.

Mas, um dos maiores complicadores era o imenso número de escravos.

Escravos eram pessoas pertencentes a outras pessoas, não eram vistos e não eram respeitados como gente. Eram espólios de guerras.

mercado de escravos

Otávio Augusto até tentou minimizar o problema dos plebeus, mas no caso da distribuição de terras, de nada adiantou.

Os pequenos produtores não conseguiam pagar seus empréstimos e tinham suas terras tomadas pelos patrícios.

Isso levou a uma concentração de terras nas mãos de poucos.

Roma agora, não vivia mais da produção agrícola, depois de tantas conquistas, o império se tornou uma potência comercial.

Insatisfação[editar | editar código-fonte]

A sociedade tão dividida, tão certinha, da república, estava em mutação.

Agora surgiam novas fortunas, comerciantes que enriqueciam, militares que voltaram das guerras com muito dinheiro, os patrícios já não eram os únicos a dar as cartas.

O poder do dinheiro sempre foi o motor de todas as sociedades.

Assim, era preciso ocupar o grande número de pessoas empobrecidas, famintas, sem trabalho, sem futuro e os escravos pelas ruas, que a qualquer momento podiam se rebelar.

mosaico na Casa dos Gladiadores em Chipre

O governo então criou uma política que ocupasse e alimentasse os mais pobres, política essa que ficou conhecida como a política do pão e circo ou panem et circensis no original. Essa frase teve origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal.

O que Juvenal queria dizer com isso era que, com o trigo distribuído gratuitamente e espetáculos pavorosos de gladiadores, o povo ficaria distraído de suas desditas e não teria tempo e nem motivo para pensar em exigir seus direitos.

Poder[editar | editar código-fonte]

Todas as mudanças que aconteceram em Roma, especialmente na fase imperial, foram consequências diretas de seu próprio poder.

A base do poder, sem dúvida, era o exército. As grandes figuras militares foram as mais admiradas, independente da fase, república ou império, Júlio César, Pompeu, Cipião e outros tantos ficaram na história das conquistas.

Um império que abrangia povos tão diversos não podia prescindir da mão de ferro do exército para se manter unido.

área arqueológica do Forum romano

Quando não havia guerras externas, era preciso debelar revoltas internas. Também era imprescindível vigiar as fronteiras sempre inseguras.

O poder imperial era sustentado por um exército poderoso que protegia e ajudava a governar as províncias, fazendo prevalecer as leis romanas.

O exército foi o sustentáculo do poder imperial.

Os impostos vindos de todas as áreas conquistadas faziam de Roma uma cidade poderosa e invejada.

A sociedade privilegiada desfrutava de confortos, belas mansões com jardins, casas de comércio, esgotos, aquedutos, banhos, locais para diversão.

Origens e difusão do Cristianismo

Origens e difusão do Cristianismo
nascimento de Cristo

Origem[editar | editar código-fonte]

A origem primordial do Cristianismo está na Palestina, em Belém, local onde nasceu Jesus Cristo, um judeu de família simples.

Na época, o imperador era Otávio Augusto e a região da Palestina estava sob domínio do império romano.

A principal fonte a respeito das origens e formação do Cristianismo são os evangelhos, que foram escritos depois dos acontecimentos.

Enfim, através das histórias, sabemos que o povo da Galiléia estava insatisfeito com o governo.

A criança que havia nascido sob o imperador Augusto agora era um homem muito admirado pelo povo.

Aquele a quem o povo ouvia e que estava provocando uma agitação nas massas com suas palavras e seus milagres, era visto pelos romanos como um rebelde, um agitador.

Jesus Cristo

Para seus seguidores, era o filho de Deus, Jesus Cristo era O Messias e quem o seguia não admitia mais nenhum ídolo.

Assim como a religião dos judeus, e Cristo era judeu, a religião que estava nascendo era monoteísta.

Ora, o império romano já tinha um imperador adorado como um deus, além de outros diversos deuses.

Aquele homem da Palestina devia ser calado para não criar mais problemas e rebeliões, o povo deveria apenas acatar as ordens dos governantes.

A doutrina de Jesus pregava o amor ao próximo, justiça, igualdade, perdão, etc. Esses sentimentos não existiam na relação entre povo e governo.

Nessa altura, o imperador era Tibério César em 29.

Quem governava a Judéia era Poncio Pilatos, entre 26 e 37.

De fato, como mandava a lei, quem mandou executar a ordem de morte por crucificação foi o governador.

apóstolos

A crise religiosa[editar | editar código-fonte]

Na verdade, no império, ninguém imaginava o que iria acontecer, a partir da morte daquele que era apenas mais um entre tantos injustiçados.

Cristo tinha muitos seguidores, os apóstolos que passaram a divulgar com mais força e perseverança as Suas palavras.

Começou na Palestina a formação da religião mas, pouco a pouco as pessoas se convertiam e daí formavam uma corrente que se expandia e fortalecia.

Nero foi o primeiro imperador a perseguir de fato, os cristãos. As acusações eram diversas e a eles eram atribuídas todas as calamidades, até mesmo do incêndio de Roma eles foram culpados.

Os imperadores até então vistos como deuses, não podiam aceitar aquele desafio, o povo estava muito rebelde. Os cristãos eram martirizados mas, mesmo assim prosseguiam pregando até mesmo nas catacumbas romanas.

Difusão[editar | editar código-fonte]

Com a destruição de Jerusalém muitos cristãos fogem para o ocidente onde encontraram terreno fértil para pregar entre os próprios romanos, descontentes, empobrecidos e sem esperança e entre os escravos.

Havia uma grande facilidade de disseminar a religião, por conta da unidade linguística do império, as boas estradas, a facilidade de comunicação.

Os apóstolos seguiram através do mar Mediterrâneo, pela Ásia, Europa e África pregando a palavra do Senhor.

Edito de Milão

Não havia mais como impedir os fiéis.

No momento em que muitos patrícios, que representavam a classe alta do império começaram a se converter, essa religião deixou de ser vista pelos governantes como perigosa.

Afinal não se tratava mais da rebeldia dos despossuídos contra o império. Agora os patrícios também abraçavam a nova crença, que já não era vista mais como ameaça.

Nessa altura, o imperador era Constantino que ao mandar publicar o Edito de Milão (313) instituiu a tolerância religiosa dentro do império romano.

Em 391, Teodósio I oficializa o Cristianismo como religião oficial do império romano, pelo Edito de Salônica.

Agora não havia mais impedimento para que a religião se espalhasse entre os muitos povos e locais.

Os bárbaros


Os bárbaros


capacetes bárbaros - museu Detroit

Quando, por volta de 406, um bando de nômades germânicos atravessou o congelado rio Reno entrando no fabuloso império romano, o fato entrou para historia como invasão dos bárbaros.

Mas, nem tão bárbaros, nem tanta invasão.

Podemos perguntar: Como um bando de guerreiros errantes sujeitou o grande e poderoso império romano?

De volta teremos milhares de respostas.

Não gregos=bárbaros[editar | editar código-fonte]

Ainda antes de Roma se tornar um império, os gregos já eram a civilização invejada.

Na verdade os gregos viam a si mesmos como a elite, diferentes do resto do mundo, eles eram pessoas civilizadas. Quem não falava sua língua era um bárbaro.

dançarina grega – século 4

A sociedade grega era fechada, não permitia a introdução de estrangeiros, embora fosse gentil e hospitaleira com os estrangeiros com quem mantinha relações comerciais e diplomáticas, os considerava inferiores para efeito de conviver com eles.

Ainda que vencida pelo império romano em 147 a.C. e anexada a Roma, os gregos ainda consideravam os romanos como bárbaros.

fundações de um templo dórico – Grécia

Os romanos, que absorveram os valores culturais, políticos e artísticos da Grécia, também se referiam aos povos nômades, aqueles que tinham hábitos não românicos, como bárbaros.

E, quem diria que uma invasão bárbara foi o embrião da Grécia antiga?

A bela civilização micênica, ancestral da Grécia, foi invadida pelos dórios, que podemos chamar, os primeiros bárbaros da história.

Desse choque em que os micênicos foram derrotados e sua civilização destruída, séculos depois nasceria a orgulhosa civilização grega.

Nem tão bárbaros[editar | editar código-fonte]

Guerreiros sim, analfabetos sim, assustadores, talvez pela sua compleição física, suas vestimentas e seu vigor, mas não selvagens.

Os chamados bárbaros englobam muitas tribos e nem todas eram tão violentas.

Esses povos eram vistos como rudes e ignorantes pela sociedade romana, mas não tinham os vícios que minavam a população do império.

bárbaros entrando no império romano no séc. 3

Violentos podem ser chamados os circos romanos, o martírio dos cristãos, as lutas de gladiadores.

Mesmo não sabendo ler nem escrever, suas tradições eram enraizadas e transmitidas de forma oral.

capacete trácio feito de bronze e prata

Eram povos religiosos, embora adorassem deuses diferentes, tinham seus rituais. Foram considerados pagãos porque adoravam deuses não reconhecidos pelos romanos.

Introduziram no império o uso das calças, vestimentas de peles, o uso do sabão, da manteiga, os cereais como aveia e centeio.

Respeitavam uma hierarquia militar e de modo geral eram povos com hábitos rígidos e valores familiares.

Para eles, as orgias, banquetes exagerados e perversões praticadas pela sociedade romana eram hábitos desconhecidos.

Tribos migratórias, tribos encurraladas[editar | editar código-fonte]

O enorme império romano tinha um sério problema com relação as fronteiras.

o império huno

Era formado por 6 milhões de quilômetros quadrados, e ia de Portugal ao Iraque, do norte da África a Inglaterra.

Era impossível manter um controle de tantas terras diante do assédio dos povos em migração.

Na verdade, em diversas ocasiões pequenos grupos atravessavam as fronteiras para viver dentro das terras imperiais. A isso se chamava deslocamentos.

Os grupos eram pequenos e se adaptavam aos costumes locais.

Também havia bárbaros dentro do império por escravidão e servindo ao exército romano por vontade própria eram integrados ao exército, em diversos casos chegando a possuir altas patentes.

Átila o rei dos hunos – museu na Hungria

As invasões mesmo, ocorreram quando os hunos, em 370, liderados por Átila, saíram das estepes asiáticas na direção da Europa. Estes sim, eram como um tsunami, destruindo tudo o que havia no caminho.

Então, imagine os povos que estavam vivendo tranquilamente ao ter notícias de que os guerreiros hunos se aproximavam. Dentro de algumas tribos, parte da população se adaptava aos costumes dos hunos, e aceitava o domínio. Outros fugiam procurando um lugar seguro.

O problema era que os locais seguros pertenciam ao império romano.

Então, o resultado foram as invasões. Tudo pela sobrevivência.

Muitas dessas migrações mais violentas foram causadas por tribos em fuga.

Imagine as tribos no caminho de Átila, chamado o flagelo de Deus?

Apenas 106 anos depois desse furacão passar pela Europa, o império romano do ocidente desabou.

Tribos do norte e leste

Tribos do norte e leste


tribos bálticas

Dos povos listados nesse tópico, há uma grande dificuldade de se encontrar informações suficientes.

Com relação aos povos bálticos, sua localização primordial foi a região próxima ao mar Báltico e a Europa. Eles se espalharam até o Volga.

Os bálticos conviveram com vários grupos de povos que, em migração saíram da região do Dnieper e se fixaram as margens do mar Báltico.

Quanto aos fino-ugrianos, se acredita que viveram a oeste dos montes Urais, em algum momento entre 8000 a.C. e 4200 a.C.

Isso significa que eles estão entre os povos mais antigos que viviam de modo fixo na Europa.

Por volta de 3000 a.C. os grupos bálticos-finos migraram para oeste até as margens do mar Báltico.

Os magiares (que hoje são os húngaros) fizeram a mais longa e a mais recente jornada, saindo dos montes Urais até a Europa central em 896.

Os povos fino-ugrianos têm uma história que se entrelaça com a história dos eslavos indo-europeus que são povos diferentes dos primeiros.

Ávaros[editar | editar código-fonte]

De raça mongólica é dito que vieram da Sibéria Ocidental. Se conservaram sempre nômades e nunca se adaptaram a agricultura.

Eram inicialmente guerreiros.

Esse povo se espalhou pela Europa Meridional, atacando os outros povos que se encontravam no seu caminho.

sármatas, dácios, cítios

As autoridades bizantinas eram favoráveis aos ataques dos ávaros sobre outras tribos, porque assim livravam o império desse tipo de problema.

Assim os ávaros se tornaram seus aliados na luta contra os búlgaros.

Por volta de 560 os domínios ávaros iam do Volga até a foz do Danúbio.

Devastaram a Trácia mas também sofreram muitas derrotas.

Em 610 tentaram invadir a Itália, em 619 e 626 tentaram assaltar Constantinopla. Foram repelidos por uma coalizão entre sérvios, croatas, búlgaros e bizantinos.

Na época de Carlos Magno, a partir de 822, esse povo desapareceu da História.

Trácios[editar | editar código-fonte]

Povo indo-europeu que habitava a Trácia.

A Trácia era uma região específica a sudeste da Europa, mas o povo trácio ocupava também as regiões que hoje são Bulgária, Romênia, Moldávia, nordeste da Grécia, Turquia europeia e noroeste da Turquia asiática, leste da Sérvia e partes da Macedônia.

O povo trácio foi mencionado por Heródoto como o segundo povo mais numeroso do mundo conhecido.

O problema era que formavam tribos ou digamos, pequenos reinos. Falavam a mesma língua, o trácio, mas não deixaram nada escrito, eram guerreiros temíveis e hábeis cavaleiros.

tesouro trácio-Bulgária

Sendo em grande número, sem união entre si, eram pura confusão, atacavam os vizinhos, pilhavam seus reinos. Isso sempre resultava em revanche e assim os ataques eram uma constante.

As tribos ou reinos trácios só entraram nos eixos durante o tempo em que foram submetidos pelos persas, por Filipe e por Alexandre da Macedônia.

Os trácios eram apreciados como mercenários, intrépidos guerreiros serviram aos estados helenísticos.

De acordo com a Ilíada, lutaram contra os gregos na Guerra de Tróia e deles a Grécia tomou alguns de seus deuses.

Ilírios[editar | editar código-fonte]

Grupo de tribos que vivia nos Balcãs ocidentais. Seu território, chamado de Ilíria era formado pelo que hoje é a Sérvia, Montenegro, norte da Albânia, Bósnia e Herzegovina e Croácia.

A palavra Ilíria significa terra dos livres em albanês.

Na verdade, as origens dos povos ilírios continua um mistério, é marcada no ano 1000 a.C. O fato é que as tribos que habitavam a Ilíria não se chamavam, a si mesmos de ilírios.


Essas tribos eram mais amistosas e conviviam bem com os romanos portanto se tornaram parte de uma província romana em 168 a.C.

O povo ilírio se romanizou rapidamente e só se rebelou depois de quase 200 anos de domínio romano. Quando da rebelião, eles não mais se pareciam com as tribos primitivas, eram retratos perfeitos dos legionários romanos.

A província que os povos ilírios habitavam no império romano era chamada de Illiricum e foi um importante centro de comércio ligando a Europa ocidental e oriental. Também foi da província dos ilírios que saíram vários dos imperadores romanos como Aureliano (270-275), Diocleciano (284-305) e Constantino (306-337).

A maior parte da área ocupada pelos ilírios no império romano foi conquistada, por volta do século VII por sérvios, búlgaros e outros.

Dácios[editar | editar código-fonte]

Povos que habitavam a Dácia, na região dos Cárpatos, onde hoje localizamos a Romênia, Moldávia e o sudeste da Europa, esse local era chamado Mésia.

capacete dos getas em detalhe

Os dácios eram também chamados getas, possivelmente eram aparentados com os trácios.

Sua linguagem era o dácio e sofreram a influência dos citas e dos celtas.

Na verdade, os dácios podiam ser belicosos mas também as vezes se comportavam de modo pacífico, e isso fazia com que suas relações com outras tribos fossem variadas.

Existia um reino dácio, por volta de 82 a.C. , cuja capital, era Sarmizegetuza (hoje na Romênia).

O povo dácio, governado ao longo do tempo, por reis formidáveis, foi aumentando seu poder e seu território. Sendo assim, já estava se tornando conhecido na região.

Júlio César havia pensado em atacá-los mas foi morto antes de ter a oportunidade.

Em seu território, os dácios eram atacados pelos germanos ao norte e pelos sármatas a leste e a oeste.

Portanto, uma boa saída era se expandirem para o sul e entrar pelo império romano.

Depois de alguns ataques escaramuças e saques, sua capital Sarmizegetusa foi destruída pelos romanos e os dácios foram obrigados a reconhecer a supremacia romana.

calendário solar em Sarmizegetusa, Romênia

Mas, é claro, não foram tão facilmente subjugados e ainda deram muito trabalho aos romanos, até que em 89 fizeram um acordo de paz.

Assimilaram os romanos linguística e culturalmente e respeitaram o acordo.

Hunos[editar | editar código-fonte]

conjunto de arreios de cavalo dos hunos

São naturais da Ásia meridional, mas não se sabe o motivo que os fez abandonarem as estepes asiáticas e abrirem caminho até a Europa.

O que se sabe é que, em torno de 300, os hunos vinham a caminho da Rússia.

Eles só desistiram quando, ao chegar às portas da China encontraram os mongóis. Isso ia ser um enfrentamento muito violento, afinal eram ambos povos muito ferozes.

Destruíram o império dos alanos (uns membros da tribo se submeteram e outros fugiram) e depois foi a vez do império dos godos, já na Ucrânia.

Assim, as planícies do Ural até os Cárpatos passaram a ser domínio huno.

Depois de 435 já é Átila o governante do povo huno.

império huno sob Átila

No ano 450 depois de fazer diversas incursões e devastações, Átila decide atacar o ocidente.

A invasão dos hunos pela Europa, os levou até a França.

As tribos que ficavam em seu caminho, procuravam abrigo dentro das fronteiras do império romano.

Por volta de 452, Átila não chegou a atacar Roma e não se sabe porque, talvez por estar doente ou seu exército estar extenuado das campanhas, o fato é que ele desistiu e retornou.

celtas no século III a.C.

Átila morre em 453. O chamado Flagelo de Deus deixou 2 filhos que ficaram no comando, mas não eram sucessores a altura e assim os hunos entraram em decadência.

Celtas[editar | editar código-fonte]

O povo celta tem como local de origem a Europa Central entre 900 a.C. e 700 a.C.

Não se pode falar em raça e nem em império ao estudar os celtas.

Na verdade houve civilizações que foram envolvidas por uma elite guerreira e intelectual (os celtas).

Essa elite era formada por tribos autônomas, muito cultas que habitavam a região do Harz (hoje Alemanha).

É quase impossível explicar o que seria uma civilização céltica porque, se eles eram indo-europeus, isso é muito relativo.

jovem gaulês – Louvre

Um grande irlandês ruivo, um pequeno bretão atarracado e um francês moreno da região do Auvergne são todos celtas, de acordo com o professor Jean Markale, especialista em Mundo Céltico autor de uma centena de livros sobre os celtas.

Usamos o termo celta para designar todos os povos que falam ou falaram uma língua céltica.

Boadiceia lidera revolução contra os romanos

Podemos abarcar assim, os gauleses (habitantes da Gália), os belgas, que foram o povo mais poderoso da Gália em 57 a.C. Os bretões (os celtas da Grã Bretanha) que viviam na Bretania ao se estabelecerem na Armórica, a chamaram de Bretanha.

Descendentes dos bretões, os galeses que vivem no País de Gales. Os gaélicos celtas, que falam gaélico, da Irlanda, Ilha de Man e norte da Escócia. Os gálatas na Ásia menor, valons na Bélgica e os galícios na Espanha.

Assim temos a presença celta, espalhada por toda Europa.

A ilha da Bretanha jamais foi romanizada, as revoltas eram constantes e uma poderosa rainha chamada Boadiceia ou Boudicca, deu muito trabalho aos romanos ao liderar um grande levante.

Os habitantes do País de Gales permaneceram ligados à herança celta e independentes até o século XIV. Tradicionalmente o herdeiro do rei da Inglaterra recebe o título de príncipe de Gales.

Atualmente a República da Irlanda é o único estado celta do mundo e o gaélico é sua língua oficial.

Os celtas nos legaram toda uma cultura, tradição, mitologia, seus deuses, os druidas, seus cultos, as lendas e mitos que, até hoje despertam curiosidade e encantamento, seja nos belos romances de cavalaria, seja nas histórias em quadrinhos de Asterix que retratam de maneira deliciosa a ocupação romana e a resistência gaulesa.

Tribos germânicas

Tribos Germânicas



mapa do ano 500 por Thomas Lessman

As tribos germânicas eram numerosas e variadas. O ponto em comum era o fato de habitarem a região da Germânia, que ficava além dos limites do império romano. Podemos dizer que ficava entre os rios Reno, Vístula e Danúbio e os mares Báltico e do Norte.

Dentre as tribos germânicas destacamos nesse tópico os francos, vândalos, visigodos, ostrogodos, suevos, lombardos, anglos e saxões.

Além desses, na parte oriental da Europa temos as tribos dos eslavos, que compreendem os búlgaros, sérvios, polacos, russos e eslovenos.

autor Johannes Gehrts Ritt

Francos[editar | editar código-fonte]

A primeira pergunta seria: de onde vieram os francos?

A resposta ainda é uma incógnita. Diversos estudiosos debruçados sobre o assunto chegaram a todo tipo de conclusão.

- Os francos vieram da Panônia.

- Os francos se originaram do agrupamento de várias tribos que viviam na região do Reno inferior.

- As lendas colocam os francos como guerreiros na Tróia de Homero.

O fato é que a palavra franco desde o século VIII ou francus , já tinha o significado de livre. Também é mencionado que franco, vem do germânico antigo frekkr com o significado de livre, forte, corajoso.

Os francos se estabeleceram dentro do império romano, na província da Gália (atual França).

Eles foram incorporados aos exércitos romanos e ajudaram a proteger as fronteiras.

túmulo do período merovíngeo

Assim, muitos soldados se tornaram oficiais e, embora não gostassem dos romanos, o povo franco, foi se adaptando a eles de modo a evitar seus ataques.

Sem chamar muito a atenção, foram colonizando as fronteiras e povoando as zonas rurais, dessa forma se estabelecendo em toda região da Gália.

Das várias tribos germânicas que invadiram as terras do império romano, os francos se destacam por estabelecer um reino duradouro, que se formou e se expandiu tornando=se a semente da França moderna.

Vândalos[editar | editar código-fonte]

migração dos vândalos

Abrange um agrupamento de povos vindos provavelmente da Escandinávia.

Os vândalos eram guerreiros violentos e ferozes. Eles usavam burros para derrotar os impérios; burros treinados com o seu próprio local de identidao

Eles usaram as estradas romanas para chegar às cidades, como Tournai, Therouanne, Arras, Amiens, Reims. Em cada lugar por onde passavam, matavam, pilhavam e destruíam tudo.

Prosseguindo seu caminho, chegaram à Espanha e, nessa altura o império romano já não conseguia detê-los.

Uma vez na Espanha prosseguiram seu reinado de terror, eles só foram dominados com a chegada dos visigodos.

Sem conseguir reagir, parte das tribos vândalas se dirigem ao sul da península ibérica, onde se tornam perigosos piratas.

Conquistaram Cartagena e rumaram para África, lá invadiram e dominaram Cartago, unidos aos alanos.

enfeites de roupas dos vândalos

Genserico que era o rei, mandou construir uma grande frota e atacou a Sicília, a Córsega, a Sardenha e as ilhas Baleares.

Depois, seguiram para Itália, entrando em Roma, em 455, onde, por duas semanas causaram uma destruição sem limites. Roubaram objetos preciosos e deixaram um rastro de mortes.

Em 477 morre Genserico e os vândalos perdem seu grande rei, os filhos não dão conta de dominar as invasões dos nômades do deserto e assim perdem aos poucos seus domínios.

O feroz povo vândalo desaparece da história.


Os godos

Visigodos e Ostrogodos[editar | editar código-fonte]

Os godos eram um povo germânico que, vindo da Escandinávia, chegou ao mar Negro.

Eram originários de uma região chamada Götaland que hoje é a Suécia. Em migração, passaram pela atual Polônia e talvez tenham cruzado o mar Báltico.

Balcãs no ano 400

Como um único povo, atacaram os gregos e os romanos. Os romanos contra atacaram e os godos tiveram que se refugiar na margem esquerda do Danúbio, onde se estabeleceram.

Nessa altura, o povo se dividiu em dois ramos, de acordo com a direção que escolheram seguir seus nomes foram mudados.

A corrente que marchou rumo leste, foi chamada de ostrogodos porque, em alemão, ost significa oriente.

A corrente que escolheu o oeste foi chamada visigodos porque west significa ocidente.

Os visigodos aparentemente, não escolheram apenas rumar para oeste, eles estavam sendo acossados pelos hunos.

Na verdade, eles pediram licença para entrar no império romano por conta da violência do povo huno. Apavorados, se ofereceram para lutar ao lado das legiões romanas em troca de asilo.

par de broches em forma de águia - visigodos

Assim, autorizados, estabeleceram-se, mas eram dependentes dos romanos. Essa situação criou problemas porque precisavam comer e os romanos não iriam sustentá-los. A ideia dos romanos era trocar comida por escravos.

Então, começaram as revoltas locais que culminaram na Batalha de Adrianópolis, quando os romanos foram dizimados e o imperador romano, Valente, foi morto.

Na Batalha de Adrianópolis, os visigodos foram apoiados por uma carga de cavalaria ostrogoda. Eles vieram descendo as montanhas como raios de tempestade segundo o historiador e ex-soldado romano Ammianus Marcellinus.

Por esse exemplo, podemos observar que o povo godo, se unia ou separava de acordo com as alianças e interesses de momento.

fivela de cinto – ostrogodos

Rumando para oeste na primeira divisão do povo godo, os ostrogodos criaram um reino que se estendia do mar Negro ao Báltico.

Mas, em 370 foram atacados e dominados pelos hunos.

Ocorre que o rei dos hunos, Átila, morre em 455 e o império huno então se esfacela.

moeda com a efígie de Teodorico I

Os ostrogodos então, seguem rumo a Itália, através do Danúbio. No caminho, participam da Batalha de Adrianópolis ao lado dos visigodos.

Quem reinava sobre a Itália, nessa época era Odoacro, chefe dos Hérulos.

O rei dos ostrogodos, Teodorico I, derrotou Odoacro em 493 e governou a Itália até sua morte em 526.

Os visigodos expulsaram os vândalos da Espanha e contiveram os suevos na atual Portugal. Mas, não conseguiram evitar a progressão dos francos já na região do Loire. Eram terras demais para proteger!

Nessa altura os visigodos e ostrogodos já estavam novamente unidos sob Teodorico I.


Mas, a frota de Bizâncio barrou os ostrogodos no litoral do Adriático e os visigodos foram derrotados em Vouillé.

Assim, os visigodos terminaram por fundar um reino na atual Espanha, que durou até a conquista pelos muçulmanos.

Os ostrogodos foram derrotados no final e se dispersaram ou foram escravizados.


Suevos[editar | editar código-fonte]

em verde o reino dos suevos

Originários da região entre os rios Elba e Oder, hoje a Polônia.

Sobre esse povo, temos as notas de Júlio César em sua obra De Bello Gallico. Aqui estão suas impressões sobre os suevos:

A propriedade particular não existe entre eles, não lhes é permitido permanecer por mais de um ano no mesmo local, portanto nada se cultiva. Não se sustentam muito de trigo, vivem principalmente do leite e da carne dos rebanhos. São também grandes caçadores.

Em dezembro de 406 as tribos dos suevos cruzavam o Reno.

Em 409 eles entram na península ibérica. Nessa altura seu rei era Hermenerico. Foi ele quem organizou o estabelecimento do seu povo na região da Galícia.

capela de S. Pedro de Belsemão provavelmente fundada pelos suevos em Portugal

Em 438 Hermenerico abdicou em favor do seu filho, Réquila.

Os suevos tiveram sua capital em Braga, conquistaram Mérida e Sevilha em 441.

Foram atacados pelos visigodos, cujo rei era Teodorico e sofreram uma derrota violenta em Braga em 456.

Dez anos depois, os suevos se reorganizam e o rei Remismundo consegue o reconhecimento oficial da corte de Tolosa, casa-se com uma princesa visigoda e assim firma uma aliança importante.


Lombardos[editar | editar código-fonte]

broche lombardo com figura esmaltada

A partir do século V migraram da Escandinávia para as margens do rio Elba , Itália.

Em 167 fontes históricas situam os lombardos na Panônia.

Depois, só voltaremos a ouvir sobre eles no ano 489 como invasores da atual baixa Áustria.

É possível que eles tenham sido chamados lombardos por causa de suas longas barbas, langobardi.

Em 568, o então rei lombardo, Alboin, liderou uma invasão à Itália.

Ao lado dos lombardos, marchavam bandos de outras tribos, gépidas, búlgaros, sármatas, panonianos, suevos e nóricos.

Os lombardos, conquistaram o norte da península até a Toscana, chamando essas terras de Lombardia, tendo como capital a cidade de Pávia.

Na verdade eles acabaram se expandindo até o sul da península conseguindo uma saída para o mar Jônico.

Houve muitos reis lombardos e muitas batalhas entre eles e outros povos que, só terminaram com a conquista por Carlos Magno, que adotou o título de Rei dos Lombardos.


Anglos e Saxões[editar | editar código-fonte]

Bretanha em 400.500

Os anglos eram um povo germânico que tomou o nome da região de Ânglia (Alemanha).

Os saxões também eram de origem germânica e viviam no atual noroeste da Alemanha e leste da Holanda, ou talvez na própria Jutlândia (Dinamarca).

No século V, os anglos e os saxões ao lado dos jutos, que também era um povo germânico originário da Jutlândia (Dinamarca)invadiram a ilha hoje chamada Grã Bretanha, que não era de grande interesse romano.

A Grã Bretanha já havia sido dominada por bárbaros e recuperada algumas vezes pelos romanos.

Na ilha vivia uma população bretã romanizada. Os pictos da Escócia e os escotos da Irlanda eram uma ameaça constante.

elmo encontrado em Sutton Hoo perto de Suffolk num barco do século VII

Quando o império romano continental se viu ameaçado e invadido, a maior parte das legiões romanas partiu para o continente e a ilha da Bretanha ficou abandonada.

Do século V ao início do século VI, a Bretanha passa por um período que alguns chamam de era das trevas.

Esse período é famoso pela lenda do Rei Arthur que talvez seria um guerreiro bretão, filho de mãe celta e pai romano. Ele defendia a Bretanha dos anglo-saxões.

Essa chamada era das trevas, foi a fase em que as tribos germânicas se instalaram na ilha.

Os romanos já empregavam os mercenários saxões em suas legiões, para defender as terras deles, dos escotos e dos pictos, assim, com a sua retirada, ficou mais fácil dominar e pilhar a vontade.

Por volta do ano 500, os bretões vencem os invasores numa terrível batalha, mas não conseguem reconstruir suas cidades e nem manter seu ritmo de vida.

Assim, os bretões migram em grande número para a Armórica ocidental, atual Bretanha, na França.

No século VII os anglo saxões já haviam fundado diversos reinos diferentes na Grã Bretanha.

Quem os unificou e reinou absoluto foi Alfredo, o Grande, que também foi responsável pela expulsão dos vikings que tentavam invadir a ilha.

Declínio de Roma

Roma era um grande império. Era. Muitos problemas surgiram e isso levou Roma ao seu fim. Vamos ver o porque isso ocorreu.

Roma fazia centenas de guerras. Com o seu poder bélico, ganhava muitas vezes essas guerras. Isso fez com que seu território crescesse muito, tornando muito difícil de ser administrado.

Depois, o alto índice de corrupção. Massas rebeladas, não contentes com o pão e circo ajudaram também para a bancarrota de Roma.

Roma era uma mistura de diversas culturas. Mas, mas uma estava se anexando. Os bárbaros.

O nome bárbaro é injusto. Roma chamava todos os povos que não pertencessem de seu território e falasse sua língua de bárbaros.

Os bárbaros chegaram pacificamente, chegavam até a comercializar com os Romanos. Depois, muitos foram usados por Roma no seu exército. Logo bárbaro era sinônimo de soldado. Para os bárbaros, também era útil, pois até chegavam a ter terras. Mas, houve uma invasão maciça de bárbaros em dado momento. Os bárbaros pilhavam as cidades, o que fez com que muitos abandonassem a cidade e fossem para o campo (estudaremos mais isso em Feudalismo). Os Hunos eram os mais temidos. Pessoas saíam de suas casas, abandonando tudo que estivesse na rota dos hunos.

A chegada dos bárbaros foi a gota d'água. Roma estava perdida.


Nuvola apps kworldclock.png

Esta página é um esboço de História. Ampliando-a você ajudará a melhorar o Wikilivros.


Gana

O reino de Gana
plataforma de petróleo na baía de Takoradi-Gana atual

O reino de Gana nada tem a ver com o país, Gana, atual.

Chamamos de reino e não de império de Gana. O motivo é que, império é tido como um governo que pretende se expandir territorialmente.

Gana não tinha intenção de unificar os povos em seus domínios, não tinha uma visão dominadora. No entanto foi uma das maiores civilizações africanas.

Vamos situar[editar | editar código-fonte]

reino de Gana

Ficava no oeste da África onde hoje se situa o Mali e o sul da Mauritânia.

Impressiona o fato de um reino tão rico e poderoso surgir num local sem saída para o mar.

O que havia sim era um mar de areia, o deserto do Saara.

Soninquês[editar | editar código-fonte]

Os soninquês eram o povo nativo, agricultores que ocupavam a área entre os rio Níger e Senegal.

Essa área ainda hoje é chamada Sahel, porém na época era muito maior e hoje está desertificada.

O Sahel fica entre o deserto do Saara e as florestas tropicais.


O povo soninquês se organizou em vilarejos ou colônias agricultoras estáveis.

Foi com o desenvolvimento das aldeias dos soninquês, sua agricultura, comércio e exploração das minas de ouro que surgiu o reino de Gana.

Os nômades, na época das piores secas traziam seus animais para pastarem nessa área e faziam comércio com o povo.

Quando estes ficaram mais violentos, os soninquês se organizaram para se defender o que deu início a uma população bem protegida que mais tarde se tornaria um grande reino.

Bérberes[editar | editar código-fonte]

Os berberes viviam no deserto desde o primeiro milênio a.C.

mulher tuareg do Mali

Eles eram pastores e dominavam as dificuldades do deserto, tinham pontos de parada nos oásis, eles eram pastores e quando a seca era violenta, se dirigiam para a região do Sahel.

Lá davam pasto aos animais e trocavam mercadorias.

Os berberes controlavam o sal, que vinha dos depósitos do deserto Tegaza (ao norte do Mali atual).

O sal era mercadoria extremamente valorizada, sendo as vezes cotada no dobro do valor do ouro.

Havia várias linhagens de berberes. Os mais poderosos eram os azenegues.

Os azenegues se dividiam em: lantas e jazulas, massufas, judalas e lantunas.

Os azenegues e os soninquês conviveram em paz até o século 11.


Gana[editar | editar código-fonte]

O nome do reino, Gana, veio da forma como era chamado o seu rei O Gana, o Senhor do Ouro.

Suas terras eram chamadas Uagadu.

ouro

A cidade de Koumbi Saleh era muito poderosa no começo do século 11, tinha por volta de 20 mil habitantes e um movimento comercial impressionante.

Duas vezes por dia, o rei atravessava a cidade, precedido pelos toques de tambor, com seu séquito, todos cobertos de ouro.

A outra cidade importante era Audagoste que havia sido conquistada na metade do século 9 pelos azenegues.

Embora fosse pequena era um centro comercial, agrícola e mercantil.

O chefe azenegue vivia no deserto mas, de vez em quando, ia a Audagoste.

A cidade controlava o comércio do sal e a saída para o deserto.

Gana controlava o ouro e as trilhas para a savana e o cerrado.

No século 11 os soninquês conquistaram Audagoste e assim o Gana ficou ainda mais poderoso.


O apogeu[editar | editar código-fonte]

Com a conquista de Audagoste o Gana passou a controlar as forças militares.

Cavalos, dromedários, infantaria com arcos e flechas com ponta de ferro, o Gana possuía mais de cem mil soldados.

O ouro era farto, o minério refinado era do rei e o ouro em pó era de quem o encontrasse.

figura de leopardo – arte Ashanti

O rei não estava interessado em ampliar seus domínios em termos territoriais.

O que interessava era que, os vários povos próximos lhe pagassem tributos e fornecessem soldados.

Para evitar que outros povos se aventurassem em roubar suas minas de ouro, eles contavam histórias sobre seres fantásticos que trabalhavam nas minas.


O ouro existia em quantidades tão inacreditáveis que despertavam a cobiça de qualquer um.

O reino de Gana se tornou um grande entreposto comercial.

Embora quem mandasse no deserto fossem os berberes, donos das rotas dos oásis e do comércio do sal, Gana recebia os tributos do Sahel.

Não havia motivo entre esses povos de desavenças, uma vez que mais importante era a paz e o comércio florescente, o sal, tecidos, cavalos, tâmaras, escravos e ouro.

As grandes cidades comerciais eram o Bambuque, Buré e Lobi.

Declínio[editar | editar código-fonte]

O grande motivo do fim do reino de Gana foi uma guerra santa ou jihad.

Um dos grupos de azenegues, os judalas tinham um líder chamado Yahia ibn Ibrahim, que fez uma peregrinação a Meca em 1035.

Quando ele voltou, cheio de ideias radicais, achou que seu povo tinha que praticar o verdadeiro islamismo.

Para isso chamou um religioso de nome Abdallah ibn Yacine.

peregrinação a Kaaba

O povo não gostou da ideia e, após a morte de seu chefe, expulsou Yacine.

Esse Yacine foi embora acompanhado de seguidores que passaram a se chamar almorávidas.

Os almorávidas, envolvidos pelo espírito da jihad juntaram um exército e conquistaram terras ao sul do Marrocos, fundaram Marrakesh e conquistaram Koumbi Salleh.

Essa é a história básica mas, entre os estudiosos existem opiniões diversas:

- os almorávidas converteram os soninquês a força

- Koumbi Salleh nunca foi conquistada pelos almorávidas

- Gana se converteu ao islamismo aos poucos

- O povo sosso teria dominado Gana

- O reino entrou em decadência porque as minas de ouro se esgotaram

- Mali é a continuação do reino de Gana, para onde fugiram os não muçulmanos

- Nos séculos seguintes temos os povos sosso, songai e mali disputando a região

- O povo soninquês ainda existe, espalhado pelos atuais Mali, Mauritânia, Senegal e Gâmbia.

Mali

O Reino de Mali



Mesquita no Mali atual.

Hoje Mali é um dos países mais pobres do mundo. Infelizmente não é dada a importância devida a sua história, afinal, tem um passado ilustre porque foi um dos reinos mais importantes e poderosos da África.

Os três reinos mais importantes nessa região foram Gana, Mali e Songhai.

Aqui vamos desvendar um pouco da maravilhosa história do Mali, conhecer a terra dos Mansas.

Mansas é como eram chamados os reis do Mali.

O reino do Mali surgiu ao redor da cidade de Timbuktu, fundada por volta do ano 1100. A cidade nasceu como ponto de apoio e abastecimento das caravanas que traziam sal das minas do Deserto do Saara. O sal era trocado por ouro e escravos, trazidos pelo Rio Níger.

O primeiro dos grandes impérios foi o de Gana, que controlava as rotas das caravanas que transportavam o ouro e o sal além de outras mercadorias preciosas. O reino de Gana caiu ante as invasões dos muçulmanos almorávidas e logo foi dominado pelo império mandinqué do Mali. Muito do que sabemos sobre o Reino de Mali se deve aos griots, que eram os contadores de histórias. Eles percorriam as savanas transmitindo ao povo os acontecimentos de sua história.

Império de Mali.

O Reino de Mali[editar | editar código-fonte]

No início do século XIII, Allakoi Keita, um chefe fugido do Reino de Gana, funda o reino de Sosso. Seu filho Sumanguru Kanté massacra a família Keita dominando todo o reino do Mali.

Em 1235 o único Keita sobrevivente, Sundiata Keita que estava exilado em Gana derrota Sumanguru e em 1240 ele conquista o reino de Gana, formando assim um império que se estendia do Senegal ao Níger e do sul da Mauritânia à mata costeira, englobando em seu império as três maiores regiões mineradoras de ouro da região: Buré, Galam e Bambuk.

Mari Djata (o Leão do Mali) assim era chamado Sundiata Keita, dividiu o império em várias províncias governadas por farins, que eram os representantes do rei. Com a morte de Sundiata, quem governou foi seu filho Mansa Ulé (1255-1270) e seus sucessores – Abubakar I e depois dele, Sakura, um ex-escravo que há pouco havia se tornado membro da casa militar dos Keita, foi escolhido pelo conselho da corte como o próximo soberano. Essa foi a solução encontrada para resolver o conflito entre os descendentes de Sundiata.

Sakura ampliou ainda mais o império com a conquista de Macina e Takrour. Sakura morreu na volta de uma peregrinação à Meca em 1300.

Depois vieram Abubakar II e Mansa Mussa (ou Kandu Mussa, 1312-1332).

A política desses reinos africanos era caracterizada por um governo forte e por sociedades tribais, baseadas nos parentescos. Não havia fronteiras rígidas ou identidade étnica. Eles eram trabalhadores e muito talentosos

Mari Djata[editar | editar código-fonte]

Sundiata Keita (também chamado Sundjata Keyita or Mari Djata or Jata ou Makhara Makhang Konate) foi o fundador do Reino de Mali e rei do povo Malinqué. Esse povo malinqué vive ainda hoje na África.

Rio Níger

A história desse rei foi contada e recontada pelos griots, ou jelis, como são conhecidos entre os malinqués, portanto existe o lado mágico que está registrado no Épico de Sundiata e é parte integrante da cultura Mande. Até hoje a história é contada, inclusive com todo um ritual e com o uso de máscaras. O épico também faz parte da história que as crianças do Mali, Gâmbia, Senegal e Guiné aprendem na escola, parte de sua cultura.

Sundiata fez de Niana sua capital e com pulso firme garantiu os territórios de onde o ouro era extraído e comercializado, assim estabeleceu um governo central que trouxe paz e ordem a todo o reino.

Uma vez que Sundiata era devoto do Islã, foi fácil para ele estabelecer relações comerciais com os muçulmanos do norte da África e do Oriente Médio.

Foi esse rei quem introduziu o cultivo e tecelagem do algodão e fez do Mali uma das regiões mais ricas em cultivo da África.

Navegantes[editar | editar código-fonte]

Caravana em Timbuktu nos anos 1300

Abubakar II foi um governante destemido e curioso, em seu reinado, no ano 1330, ele enviou uma expedição de duzentos barcos cargueiros para ver até onde ia o Atlântico. Desses duzentos, só um voltou.

Mais tarde o mesmo governante enviou uma segunda expedição, que era agora bem maior, contando com duas mil embarcações. Dessa vez nenhuma delas retornou.

Existe uma hipótese de que a expedição teria chegado à América e que os habitantes do reino do Mali seriam os descobridores do novo mundo. Isto sem dúvida está no âmbito das curiosidades uma vez que, não há provas e nem estudos conclusivos a respeito.

O fato comprovado, independente do resultado dessas expedições, é a demonstração de que os habitantes do Mali tinham preparo para o comércio marítimo, e principalmente, tinham organização política e social para deslanchar uma empreitada desse porte.

O ouro[editar | editar código-fonte]

Mansa Mussa.

O sucessor de Abu Bakari II foi Kandu Mussa (ou Kankan Mussa ou Mansa Mussa). No início do seu governo, ele fez uma peregrinação a Meca acompanhado de uma imensa caravana. Isso se deu em 1324-1325.

Ele chegou ao Cairo com cem camelos carregados de ouro, sessenta mil carregadores além de quinhentos servidores. Todos usavam vestimentas enfeitadas de ouro e uma bengala também de ouro. Sua generosidade era tanta que distribuiu ouro em tamanha quantidade no Egito, que causou abalos na moeda local.

Esse fato, sem precedentes, criou o mito europeu de que a África era um lugar de imensas riquezas, lá, até os escravos vestiam ouro. Foi por causa desse acontecimento, que em 1375, o cartógrafo Cresques, de Maiorca, ao completar o Atlas Mundial, fez desenhar o rei do Mali sentado num trono, segurando um globo (uma enorme pepita de ouro) e o cetro, bem no centro da África ocidental. Nessa viagem, Mansa Mussa estabeleceu relações comerciais no Egito, que era a principal potência econômica da época.

O ouro se tornou o produto básico de exportação da África ocidental.

Ensino e religião[editar | editar código-fonte]

Mesquita de Djingareiber

A religião predominante era o islamismo, que está ligada ao estudo, não só do Alcorão, mas ao ensino em geral. Embora seja importante fazer um parêntese para notar que havia na religião várias influências especialmente pagãs. As crianças aprendiam o Alcorão, mas ainda havia muito de feitiçaria nas crenças populares.

Mansa Mussa foi o rei que incentivou a cultura, o ensino e a expansão do Islã.

Na sua famosa peregrinação a Meca, ele trouxe para o Mali, mercadores e sábios e divulgou a religião islâmica.

O imperador também trouxe consigo um poeta-arquiteto, Abu Issak, mais conhecido como Essaheli, ou Ibrahim Abû Ishaq Essaheli. Foi ele quem planejou a grande mesquita de Djingareiber. Uma joia da arquitetura que começou a ser construída em 1325 e foi terminada por Kandu Mussa.

Esse rei também enviou estudiosos para o Marrocos, para estudar na universidade de Fez. Esses sábios voltaram ao Mali e lá fundaram seus centros de ensino e estudo corânico.

Timbuktu se tornou um centro de difusão de intelectual e espiritual islãmico da África ocidental para comerciantes e para estudiosos. Grandes mesquitas, universidades (como de Sankore), escolas e bibliotecas foram construídas durante o Império Máli.

Poder e sabedoria[editar | editar código-fonte]

Mesquita de Sankore.

Os reinos africanos, governados por reis sábios e justos, como Mansa Mussa e Sonni Ali (Songhai), eram admirados tanto entre os islâmicos como entre os cristãos europeus. Suas riquezas eram transformadas em conquistas sociais e artísticas para seus povos.

As capitais eram cidades muradas e possuíam mesquitas, sendo que, pelo menos duas delas em Timbuktu e Djenne tinham universidades. Os estudiosos, religiosos, sábios e poetas iam até lá sempre em busca de mais conhecimento.

Leo Africanus, descreveu Timbuktu como a cidade do ensino e das letras, onde o rei, embora dispusesse de muitos cavaleiros, financiava de seu próprio tesouro muitos magistrados, doutores e religiosos. Ele ainda comenta que, em Timbuktu existe um grande mercado de livros dos países bérberes e ganham muito mais com a venda de livros do que com qualquer outra mercadoria.

Essa foi a época de ouro do reino de Mali, com suas escolas de teologia e direito famosas por todos os lugares.

O poder desses reis era apoiado pela força militar, mas também por um senso de justiça, pelo controle do comércio e dos impostos e por alianças diplomáticas.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Império Songhai.

Durante mais de três séculos, no Mali, diversas etnias conviveram mantendo sua língua e sua cultura, sob a autoridade dos Mansas.

Os sucessores de Mansa Mussa tiveram dificuldades em manter o controle de um território tão grande, além do interesse de outros povos na riqueza da terra.

Dessa forma, o reino de Songhai, povo originário do noroeste da Nigéria, começou a anexar as províncias do Mali até tomar Djenne, uma das principais cidades.

No século XV Mali perdeu o poder sob o domínio definitivo dos Songhai.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Chegada do homem às Américas

Chegada do Homem às Américas



A teoria da glaciação

A chegada do homem às Américas é um assunto sempre muito estudado.

Não se sabe ao certo como o homem chegou ao continente americano, e nem a época em que ele chegou, existem muitas teorias.

Anteriormente devido a registros arqueológicos, achava-se que as Américas haviam sido colonizadas entre 10.000 e 15.000 anos atrás.

Recentes descobertas levantam a hipótese de que o homem tenha chegado muito antes, 50.000 anos atrás, talvez.

A teoria da glaciação[editar | editar código-fonte]

ponte de terra da Beringia, de 21 000 a.C. até hoje

A teoria mais conhecida é de que o homem tenha migrado da Sibéria ao Alasca na última glaciação da Terra, a Glaciação Wisconsin (que durou entre 100.000 e 10.000 anos atrás), ocorrida no Pleistoceno.

Porém, isso não passa de uma teoria dentre outras. Hoje o estudo do DNA mitocondrial permite a discussão de outras possibilidades.

Motivos e teorias[editar | editar código-fonte]

Se imaginarmos que há 15 000 anos atrás o Estreito de Bering era a Ponte de Terra de Bering, ou seja, uma longa faixa de terra ligando a Sibéria ao Alasca poderemos imaginar o que foi a travessia.

Na verdade, não foi uma caminhada, foi uma migração muito complexa percorrendo distâncias imensas.

É possível que os humanos que fizeram esse percurso, tenham sido impelidos por algum motivo muito forte. Ou o clima que ficou quente demais, ou gelado ao extremo. Pode ter havido enchentes ou secas. Tudo levaria à falta de alimento.

o Estreito de Bering atual

Certamente, as manadas já haviam percebido as mudanças no clima e estavam migrando. Assim, os humanos as seguiram por necessidade de se alimentar.

Até o ano de 2008, acreditava-se ter havido apenas uma migração e que todos os nativos americanos eram descendentes desse grupo.

Hoje, se estuda as múltiplas migrações. Já existem teses que defendem que os migrantes não vieram apenas a pé, mas, que usaram barcos numa rota pela costa.

É basicamente impossível, com tão poucas evidências à disposição, formar uma teoria concreta.

Clóvis, Novo México – uma ponta de lança foi a base para a tese de que a primeira migração ocorreu há 13 500 anos.

Monte Verde, Chile – sítio arqueológico, um milênio mais velho do que Clóvis, 14 500 anos atrás, localizando os humanos bem ao sul.

Existe uma teoria que postula que os primeiros americanos tenham vindo para o continente de barco, através do Oceano Atlântico. Não há, até agora, como provar isso, e talvez, nunca saibamos ao certo.

Os defensores dessa teoria a chamam de Rota Marítima Atlântica, e afirmam existir uma grande semelhança entre as culturas da Austrália, sudeste da Ásia e América do Sul.

Outra teoria marítima leva em conta um esqueleto de 9 500 anos encontrado no estado de Washington, USA.

Chamado de Kennewick Man, ele possui uma grande semelhança com o povo japonês Ainu e isso pode ser porque, segundo eles, os antigos humanos vieram pelo Pacífico de barco até o litoral das Américas.

achados no Parque Nacional Serra da Capivara

Também no Brasil, existem sinais da presença humana, segundo os estudiosos, com mais de 50 000 anos.

Num local de nome São Raimundo Nonato, no sudeste do Piauí, a arqueóloga Niede Guidon descobriu, na Serra da Capivara desenhos, utensílios e ferramentas primitivas.


DNA[editar | editar código-fonte]

Hoje, se estuda a história da humanidade através do próprio homem.

Os cientistas contam o número de mutações de dois pedacinhos do DNA.


Um deles é o DNA da mitocôndria e outro é o cromossomo Y.

Cada povo possui nessas duas fitas de DNA um conjunto de mutações.

Haplótipo – constituído por apenas um gene característico.

Haplogrupo – constituído por um conjunto de genes.

Cantoras inuit

O estudo do DNA foi usado para saber quando o Homem saiu da África, porque a genética é mais confiável do que o carbono-14, ela data acontecimentos anteriores a 40 000 anos.

Porém, a chegada do homem às Américas continua sendo motivo de discussão e dúvida.

Era consenso a data de 15 000 anos atrás, mas de acordo com novas descobertas, se admite até 20 000 anos.

Os geneticistas já estabeleceram 32 000 anos por enquanto, de acordo com as mutações em vários genes que separam asiáticos e ameríndios.

Três migrações[editar | editar código-fonte]

Os novos estudos não aceitam a ideia de apenas uma grande migração do homem para as Américas.

Afirmam que houve mais duas migrações posteriores e que, o DNA desses grupos ainda pode ser encontrado nos americanos nativos atuais.

As marcas importantes das migrações subsequentes estão visíveis, por exemplo, nos esquimós. De acordo com essa teoria, eles possuem apenas 50% do DNA dos primeiros migrantes.

Conclusão[editar | editar código-fonte]

As evidências são muito poucas e o tempo passado torna quase impossível a certeza.

A ciência avança e os estudos da genética humana e dos sítios arqueológicos, bem como dos artefatos encontrados e de outros que, possivelmente ainda o serão, talvez nos esclareçam quando os primeiros humanos aqui chegaram e como.

Bibliografia

A pré-história e o início da civilização[editar | editar código-fonte]

A evolução dos hominídeos[editar | editar código-fonte]

As primeiras conquistas do homem[editar | editar código-fonte]

Os grandes caçadores[editar | editar código-fonte]

O homem sedentário[editar | editar código-fonte]

A metalurgia[editar | editar código-fonte]

As primeiras civilizações[editar | editar código-fonte]

Suméria[editar | editar código-fonte]

Assírios[editar | editar código-fonte]

Amoritas[editar | editar código-fonte]

Civilização egípcia[editar | editar código-fonte]

Primeiras civilizações no leste da Ásia[editar | editar código-fonte]

Civilização do vale do Indo[editar | editar código-fonte]

Civilização do rio Amarelo[editar | editar código-fonte]

Acima os dois sites onde se pode aprender um pouco mais sobre o túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin, onde foi encontrado o exército de terracota.


Mediterrâneo oriental antigo[editar | editar código-fonte]

Os minóicos[editar | editar código-fonte]

Os micênicos[editar | editar código-fonte]

A civilização fenícia[editar | editar código-fonte]

Os hititas[editar | editar código-fonte]

A civilização hebraica[editar | editar código-fonte]

Caldeus[editar | editar código-fonte]

A Pérsia aquemênida[editar | editar código-fonte]

A Grécia antiga[editar | editar código-fonte]

A Macedônia[editar | editar código-fonte]

O helenismo e os reinos helenísticos[editar | editar código-fonte]

Mediterrâneo ocidental antigo[editar | editar código-fonte]

Os etruscos[editar | editar código-fonte]

Cartago[editar | editar código-fonte]

A civilização romana[editar | editar código-fonte]

Os bárbaros[editar | editar código-fonte]

  • [43]
  • [44]
  • [45]
  • [46]
  • [47]
  • Livro – História dos Reinos Bárbaros – Giordani, Mário Curtis – Ed. Vozes
  • Revistas:
    • Grandes Guerras edição IV – Aventuras na História – Ed. Abril
    • História Viva especial – Bárbaros – Duetto Editorial

Tribos do norte e leste[editar | editar código-fonte]

  • [48]
  • [49]
  • [50]
  • [51]
  • Livro – História dos Reinos Bárbaros – Giordani, Mário Curtis – Ed. Vozes
  • Livro – Mitos e Lendas Celtas – Squire, Charles – Ed. Nova Era
  • Revista – História Viva – Grandes Temas Celtas – Duetto Editorial

Tribos germânicas[editar | editar código-fonte]

Ligas tribais e o império romano[editar | editar código-fonte]

Declínio de Roma[editar | editar código-fonte]

Reinos tribais[editar | editar código-fonte]

O reino merovíngeo[editar | editar código-fonte]

O princípio da sociedade medieval[editar | editar código-fonte]

Bizâncio[editar | editar código-fonte]

A África[editar | editar código-fonte]

Reino de Gana[editar | editar código-fonte]

Reino de Mali[editar | editar código-fonte]

As Américas[editar | editar código-fonte]

Chegada do homem às Américas[editar | editar código-fonte]

Os Aztecas[editar | editar código-fonte]

Os Maias[editar | editar código-fonte]

Os Incas[editar | editar código-fonte]