Budismo/Imprimir
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Introdução
O budismo é um conjunto de escolas e ensinos que se focam na figura de Buda. Buda (sânscrito-devanagari: बुद्ध, transliterado Buddha, que significa "Desperto"[1], do radical Budh-, "despertar") é um título dado na filosofia budista àquele que despertou plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos, reconhecendo a origem do sofrimento e como superá-lo atingindo o nirvana. Geralmente, este título é relacionado à Siddhartha Gautama, o fundador do budismo, mas diversas escolas do budismo reconhecem outros budas em diversas eras. Apesar da veneração prestada por algumas escolas budistas, um buda não é considerado como uma divindade, sendo que a condição de buda pode ser atingida por qualquer ser humano que se proponha a isto (a forma de se obter este estado é que varia de escola para escola).
Referências
As quatro nobres verdades
A base do ensino de Siddharta Gautama são as Quatro Verdades Nobres e o Nobre Caminho Óctuplo. As Quatro Verdades Nobres são quatro afirmações que descrevem a natureza do sofrimento dos seres no universo:
- A Natureza do Sofrimento (Dukkha)
"(..) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimentos; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(..)"
- A Origem do Sofrimento (Samudaya)
"(..) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.(...)"
- A Cessação do Sofrimento (Nirodha)
"(..) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele.(...)"
- O Caminho (Mārga) para a Cessação do Sofrimento
"(..) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.(...)"
Referências
O caminho dos oito passos
É o método em oito etapas criado por Buda para conduzir o praticante até a sua iluminação espiritual. É simbolizado pela roda de oito raios, o dharmachakra.
- Primeiro passo: a perfeita compreensão. Consiste no estudo da doutrina budista.
- Segundo passo: a perfeita aspiração. O praticante deve adquirir a firme intenção de perseverar no caminho budista até alcançar a iluminação espiritual.
- Terceiro passo: a perfeita fala. O praticante deve falar de um modo agradável, verdadeiro, cortês e tranquilo.
- Quarto passo: a perfeita conduta. Implica em seguir os cinco mandamentos budistas: não ser agressivo, não roubar, não ser sensualmente impuro, não mentir e não consumir substâncias intoxicantes[3].
- Quinto passo: o perfeito meio de subsistência. O praticante deve possuir um meio de subsistência que não seja contra a doutrina budista. Por exemplo: ser assaltante contraria o segundo mandamento budista, logo não é um meio de subsistência compatível com a doutrina budista.
- Sexto passo: o perfeito esforço. O praticante deve se esforçar para melhorar sua conduta e sua personalidade segundo os ideais budistas.
- Sétimo passo: a perfeita atenção. O praticante deve examinar sua conduta e seus pensamentos constantemente, procurando verificar eventuais erros que esteja cometendo.
- Oitavo passo: a perfeita contemplação. O praticante deve meditar frequentemente sobre os ensinamentos de Buda[4].
Referências
Cinco preceitos
1) Não cometer violências desnecessárias contra qualquer ser vivo. Algumas seitas budistas interpretam este preceito como uma condenação ao consumo de carne; outras, como uma condenação ao consumo de qualquer substância de origem animal (carne, laticínios e ovos). Algumas seitas budistas, no entanto, não possuem qualquer restrição ao consumo de carne.
2) Não roubar.
3) Não ser sensualmente impuro. Neste preceito, Buda é vago, pois a definição do que é "sensualmente impuro" pode variar de acordo com o contexto cultural do praticante. Por exemplo, existem países nos quais a poligamia é uma prática habitual e legalizada, enquanto que em outros países a bigamia é crime. Alguns budistas interpretam este preceito de modo estrito, condenando o estupro, o incesto, o adultério e o homossexualismo.
4) Não mentir.
5) Não ingerir substâncias intoxicantes. De novo, a definição do que seja "substância intoxicante" varia de acordo com a sociedade em questão. Geralmente, as seitas budistas interpretam este preceito como uma condenação ao álcool e a drogas como a maconha, a cocaína, o crack etc.[7]. Embora a definição do que seja "droga" possa variar ao longo do tempo e de acordo com cada sociedade. Vale observar que a condenação do budismo ao álcool geralmente é mais branda do que a condenação que o islamismo faz do mesmo.
Referências
Quatro sinais
- O primeiro sinal: Sidarta viu um velho e perguntou ao cocheiro quem era ele. O cocheiro respondeu que era um velho e que era destino de todos os homens envelhecer.
- O segundo sinal: Sidarta viu um homem doente, com úlceras e malária. Então Sidarta soube que os homens sofrem doenças.
- O terceiro sinal: Sidarta viu um homem morto. Descobriu então a certeza da morte.
- O quarto sinal: Sidarta viu um asceta que possuía apenas um pano amarelo como vestimenta e uma tigela para pedir comida. Apesar de sua miséria material, ele era um homem feliz. Então Sidarta concluiu que este era o caminho para superar a dor causada pela velhice, pela doença e pela morte: o desapego.
Meditação
A meditação é crucial dentro do budismo. Mas o que é meditação? Meditar significa pensar. No contexto budista, significa refletir sobre a doutrina budista. Para facilitar esta atividade meditativa, foram desenvolvidas, ao longo da história, pelas diversas seitas budistas, várias técnicas. O budismo tibetano, por exemplo, se utiliza de mantras (sons místicos), iantras e mandalas (símbolos geométricos).
A escola japonesa do zen prefere se utilizar de enigmas de solução impossível (os coans) ou da prática do "vazio mental"[8]. Existem muitas posturas idealizadas especialmente para a meditação. A maioria das estátuas de Buda, por exemplo, são em postura de lótus.
Referências
História do Budismo
Sidarta Gautama nasceu por volta de 560 a. C., na atual cidade de Lumbini, no Nepal. Era filho de um governante local, mais especificamente o rei de Capilavastu, um pequeno reino do nordeste indiano. Seus pais se chamavam Xudodana Gautama e Maia e, durante vinte anos, não tiveram filhos. Uma noite, porém, a rainha Maia sonhou que um elefante branco penetrara seu ventre através de sua axila direita. Em outra versão da lenda, o elefante a tocara no flanco esquerdo com um lótus branco que carregava na tromba. Neste instante, ocorrera a concepção de Sidarta. Ainda segundo a lenda, Sidarta nasceu num jardim, quando sua mãe estava em viagem até a casa do pai dela. Nesse instante, o menino deu sete passos na direção de cada um dos pontos cardeais, nascendo uma flor de lótus em cada uma de suas pegadas. Nesse instante, declarou que aquele era seu último nascimento. Algum tempo após o nascimento de Sidarta, a rainha Maia faleceu, fazendo com que Sidarta fosse criado pela irmã mais nova da rainha, Maaprajapati. O bebê foi então visitado por um ermitão de nome Asita, que profetizou que o menino poderia ter dois destinos: ou seria um grande governante, ou seria um grande líder espiritual.
O pai de Sidarta, querendo que seu filho optasse pela primeira opção, procurou criar o menino afastado de toda a miséria do mundo, para que não brotassem nele questionamentos espirituais que poderiam conduzi-lo ao destino de líder espiritual. No entanto, tal cuidado foi em vão. Mesmo vivendo em meio ao luxo e conforto do palácio de seu pai, um dia Sidarta, ao passear fora do palácio, testemunhou os Quatro Sinais: um velho, um doente, um morto e um monge. Este contato de Sidarta com a realidade da vida chocou-o de tal forma que o levou a abandonar o palácio de seu pai, sua esposa e seu filho e a se lançar numa jornada de busca espiritual nas selvas indianas. Ele tinha 29 anos. Sua primeira tentativa foi tornar-se discípulo de um guru, um mestre espiritual indiano. Porém, este caminho não o satisfez e ele procurou o caminho do ascetismo, junto com outros cinco companheiros. Sidarta ultrapassava em rigor a disciplina de seus colegas e comia apenas um grão de feijão por dia. Tornou-se tão magro que dizia poder tocar a espinha quando colocava a mão sobre o estômago. Ao fim de seis anos desse regime, Sidarta, um dia, perdeu os sentidos e somente se recobrou quando uma moça que passava se compadeceu dele e lhe deu um pouco de mingau para comer. Raciocinando, Sidarta concluiu que o ascetismo não estava lhe trazendo o esclarecimento espiritual que buscava e procurou outro caminho, o da meditação solitária. Seus companheiros de ascetismo não concordaram com ele e o abandonaram.
Sidarta sentou-se debaixo de uma figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa)[9][10] nos arredores da vila de Gaia perto da cidade indiana de Benares e iniciou uma meditação que durou 49 dias. Segundo outro mito, teriam sido sete dias e sete noites. Após ter resistido a demônios e tentações, teria alcançado a iluminação espiritual, tornando-se um buda, termo que pode ser traduzido como "desperto"[11]. Teria passado, então, mais 49 dias sob a árvore, meditando sobre a iluminação. Em seguida, teria procurado seus antigos cinco companheiros ascetas e proferido-lhes seu primeiro discurso, que ficaria conhecido na história do Budismo como o Discurso do Parque dos Cervos. Nesse discurso, Buda teria enunciado as Quatro Nobres Verdades e o Caminho de Oito Passos. Durante os 45 anos seguintes, Buda teria percorrido a Índia pregando sua doutrina. Aos oitenta anos, em Kushinagar, teria vindo a falecer, após comer uma comida estragada oferecida por um ferreiro de nome Cunda. Antes de morrer, teria deixado uma recomendação a seus discípulos: "Talvez alguns de vós estejam pensando: 'As palavras do mestre pertencem ao passado, não temos mais mestre'. Mas não é assim que deveis ver as coisas. O darma ("lei") que vos dei deve ser o vosso mestre depois que eu partir". Após o falecimento de Buda, sua doutrina se firmou como mais uma dentre as inúmeras doutrinas religiosas no nordeste da Índia.
A comunidade monástica fundada por Sidarta continuou praticando seus ensinamentos por um século, até que uma cisão dividiu a comunidade em dois grupos: um deles quis preservar intocáveis os ensinamentos de Sidarta, formando a chamada Escola Teravada. Outro grupo quis introduzir modificações na doutrina visando a aperfeiçoá-la, dando origem à Escola Maaiana[12]. Sua grande expansão começou sob o impulso de Asoca, o famoso imperador indiano, que, no século III a.C., se tornou o primeiro governante a unificar a Índia. Cansado das atrocidades da guerra, Asoca se converteu ao ensinamento de não violência do budismo e o tornou a religião oficial do Império Mauria. Com isto, o budismo se propagou por grande parte da Ásia. Hoje, a bandeira da Índia apresenta o símbolo da Roda da Lei de Asoca em seu centro. E o brasão indiano é representado por um capitel de uma das inúmeras colunas com inscrições budistas que Asoca mandou construir em seu império. Com o fim do Império Mauria, outros reinos continuaram a apoiar o budismo, como por exemplo os reinos formados pelos descendentes dos conquistadores macedônios de Alexandre Magno na Ásia. Estes reinos passaram para a história com o nome de reinos grecobactrianos e reinos hindu-gregos. Famoso entre estes reinos foi o reino de Gandara, na fronteira dos atuais Paquistão e Afeganistão e que originou uma escola de arte com o mesmo nome, responsável provavelmente pela primeira representação humana de Buda.
Até então, não se considerava respeitoso representar Buda sob uma forma humana, mas a influência cultural grega de Gandara legou à criação de imagens de Buda com roupas e feições gregas. Tais imagens foram as precursoras de todas as imagens posteriores de Buda. Estes reinos de origem grega foram eventualmente destruídos por invasores turcos, os cuxanas, que, por sua vez, continuaram a apoiar o budismo. Um de seus soberanos, chamado Canixca, passou inclusive para a história budista como o realizador do quarto concílio budista, em Puruxapura (atual Peshawar, no Paquistão) ou em Srinagar, na Caxemira, por volta do ano 100, e que traduziu o Tipitaca do prácrito para o sânscrito. Por esta realização, Canixca é conhecido como "o segundo Asoca". Embora escolas rivais tenham realizado um quarto concílio budista próprio, no Sri Lanca, em 29 a.C., sob o patrocínio do rei Vatagamani e que resultou no primeiro registro escrito da doutrina budista: o Cânone Páli, a versão em páli do Tipitaca, que até então se conservava exclusivamente por via oral.[13]
Da Índia, o budismo atingiu Bangladexe, Miamar, Sri Lanca, Paquistão, Afeganistão e oeste da China. Do oeste da China, se expandiu para o leste da China, a Coreia e o Japão. No ocidente, o budismo teve escassa penetração nessa época. Constitui um exemplo célebre a visível influência budista na lenda cristã de Josafá e Barlaão, do século VI, que relata a descoberta por parte de um príncipe indiano (Josafá) da amarga realidade da vida e sua posterior conversão ao cristianismo por Barlaão[14]. O budismo ainda penetrou na Indochina e na Indonésia, onde fez surgir o templo hindu-budista de Borobodur, por volta do século IX. Porém, esta expansão do budismo sofreu um revés a partir do século VII, com a expansão do islamismo. Os muçulmanos somente toleraram cristãos e judeus, que seguiam a Bíblia, mas não budistas, por considerarem que o budismo não se baseava na Bíblia. Com isto, em sua expansão, os muçulmanos destruíram importantes centros budistas, como Nalanda, na Índia. Somado ao ressurgimento do hinduísmo na Índia, isto ocasionou a virtual extinção do budismo na Índia, em Bangladexe, na Indonésia, no Paquistão, no Afeganistão e no oeste da China. Nos países em que o budismo sobreviveu, ele sofreu influências das religiões nativas. Por exemplo, no Tibete, ele se fundiu à religião bon nativa, originando a versão tibetana do budismo, também chamada lamaísmo.
Na China, o budismo foi influenciado pelo culto taoista da natureza, originando a seita Chan, que recebeu, na Coreia, o nome Sun e, no Japão, o nome Zen. Esta escola budista originou importantes elementos da tradicional cultura oriental, como o iquebana, o bonsai, a pintura sumi-e e artes marciais como o kung-fu, o caratê, o judô, o quendô, o iaido, o aiquidô e o tae kwon do, assim como a figura dos samurais. O budismo somente conseguiu penetrar no ocidente por volta do século XIX, através do interesse de intelectuais europeus, particularmente do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), pela cultura oriental. Das vertentes do budismo, foi o zen que penetrou primeiro, através de escritores japoneses como Daisetzu Teitaro Suzuki e Taisen Deshimaru. A partir do final do século XX, com a ascensão da figura do dalai lama Tenzin Gyatso ao posto de celebridade mundial, o budismo tibetano passou a ocupar a liderança entre as seitas budistas em termos de projeção e expansão mundial. Em março de 2001, o movimento fundamentalista islâmico afegão Talibã, que detinha o poder no Afeganistão, destruiu um importante monumento histórico budista no Afeganistão, os chamados Budas de Bamiyan, que eram duas gigantescas estátuas de Buda esculpidas na rocha. A alegação do Talibã era a de que o islamismo proibia o culto a imagens. Tais estátuas testemunhavam o importante passado budista na região, hoje majoritariamente muçulmana. Logo em seguida aos ataques terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro do mesmo ano, ocorreu a invasão do Afeganistão por tropas internacionais lideradas pelos Estados Unidos, derrubando o regime do Talibã. Existem planos, atualmente, de restaurar as duas estátuas destruídas.
Referências
Escrituras budistas
Buda transmitiu seus ensinamentos unicamente por via oral: não existe menção histórica a nenhum texto didático ou filosófico que Buda tenha escrito de próprio punho. Após a morte de Buda, esses ensinamentos se perpetuaram igualmente de forma exclusivamente oral ao longo de cinco séculos. Foi somente pouco antes do advento da Era Cristã que surgiu o primeiro registro escrito da doutrina budista: o Tipitaca (termo que, traduzido do páli, significa "Três Cestos", numa alusão às três partes em que se divide a obra)[15]. À medida que foram surgindo as diversas escolas budistas, foram sendo escritos textos que procuravam condensar e registrar os ensinamentos da tradição oral do budismo, acrescidos de novos desenvolvimentos filosóficos.
Diferentemente de religiões como o cristianismo, o judaísmo, o islamismo, o hinduísmo e o zoroastrismo, o budismo não possui textos que sejam adotados universalmente entre os adeptos da religião[16]. Ou seja, cada seita budista possui seus próprios textos sagrados. As seitas ligadas à tradição Teravada, por exemplo, seguem o Tipitaca, que contém a conhecida coleção de aforismas conhecida como Darmapada (ou Dhammapada, em páli)[17], nome que, traduzido literalmente, significa "pegada da lei"; as seitas ligadas à escola Maaiana seguem sutras como o do Lótus, o do Diamante e o do Coração[18]; os budistas tibetanos seguem, entre outros livros, o Livro Tibetano dos Mortos, que contém ritos fúnebres[19].
Existem ainda os Contos Jatacas, que são relatos de como teriam sido as encarnações de Buda antes de sua última encarnação, como Sidarta Gautama. Muitos desses contos são baseados no folclore tradicional dos países que adotaram o budismo, adaptados à moral budista[20].
Referências
Seitas budistas
Na sua difusão pelo continente asiático, a doutrina de Buda foi sendo adaptada às diferentes culturas locais. Neste processo, surgiram diferentes escolas ou seitas, como:
- o Zen
Chamado de chan na China e son na Coreia. Deriva do termo indiano dhyana, que significa a concentração mental necessária à meditação. Foi trazido da Índia para a China em 520 pelo patriarca budista Bodidarma. De lá, difundiu-se para a Coreia e o Japão. Baseia-se na meditação (em japonês, zazen) e no estudo de enigmas conhecidos como "coans". Ambos têm, por finalidade, interromper o pensamento e alcançar a pureza mental. Era a escola budista preferida dos guerreiros samurais japoneses. Pertence ao Mahayana ("Grande Veículo", em sânscrito), o grupo de seitas budistas que se propõe a levar o maior número possível de fiéis para a iluminação, nem que para isso seja necessário efetuar adaptações na mensagem original de Buda.
- O Xingon
Seita japonesa de forte influência indiana. Fundada no século IX pelo monge japonês Cucai. Baseia-se em elementos indianos como mandalas (figuras geométricas utilizadas na meditação), mudras (posições especiais de mãos que auxiliam a meditação), mantras (sons místicos úteis à meditação) e divindades de muitos braços. A sede da seita fica no Monte Coia, no Japão. Também relacionada à seita é a peregrinação aos 88 templos da ilha japonesa de Xicocu[21]. Pertence também ao maaiana.
- O Tendai
Trazida da China, onde era chamada de tiantai, para o Japão no século IX por Saixo. Baseia-se na devoção a Buda e no estudo do sutra do Lótus. Sua sede fica no Monte Hiei, no Japão. Dentro da seita, existem várias subseitas, como o Jodo (também chamado Terra Pura), o Jodo Xin e o Nixirem[22]. Pertence ao maaiana.
- O Budismo Tibetano
Trazido da Índia para o Tibete e o Butão no século VIII por Padmasambava, também conhecido como guru Rinpoche (que, traduzido do tibetano, significa "Mestre Precioso"). Baseia-se na fusão do budismo indiano com tradições tibetanas como danças, roupas típicas e incorporação de deuses através de médiuns. Subdivide-se em várias escolas, como a nyingma, a kagyu, a gelug e a sakya. Atualmente, é a escola budista de maior projeção mundial devido à diáspora de monges tibetanos ocasionada pela invasão chinesa ao Tibete na década de 1950. O atual dalai lama (líder religioso da escola gelug) Tenzin Gyatso ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1989.
Alguns autores classificam o Budismo tibetano como fazendo parte do Mahayana; outros o consideram um ramo próprio dentro do budismo chamado Vajrayana ("Veículo do Diamante" em sânscrito).
- O Teravada
Em páli, significa "Doutrina dos Anciões"[23]. É a mais antiga das atuais escolas do budismo. Faz parte, tradicionalmente, do Hinayana, que significa "Pequeno Veículo", em sânscrito e que se propõe a permanecer o mais possível fiel à doutrina original de Buda, mesmo que isso signifique um número menor de fiéis devido ao rigor exigido dos mesmos. Baseia-se no Tipitaka (Tripitaka, em sânscrito), que significa "Três Cestos", em páli e que é o primeiro registro escrito da doutrina budista (foi escrito por volta de 25 a.C.[24]). É a escola tradicional do sul da Ásia, ou seja, de países como Sri Lanca, Miamar, Tailândia, Camboja, Laos e Vietnã.
Referências
Monasticismo
Buda foi o criador das ordens monásticas budistas[25]. As escolas budistas mais tradicionais, como as ligadas à tradição Teravada, defendem que o pleno despertar espiritual somente é possível aos monges, não sendo acessível, portanto, ao fiel budista leigo. As escolas ligadas à tradição Maaiana, no entanto, defendem que o despertar espiritual é possível a qualquer pessoa, independente de ela ser monge ou não[26].
Como nas demais religiões, o monasticismo budista pressupõe o celibato, o desapego aos bens materiais e a obediência aos superiores hierárquicos. Em alguns países budistas, como a Tailândia, leigos podem passar temporadas relativamente longas em mosteiros, adotando temporariamente um estilo de vida monástico com a finalidade de evolução espiritual. Também são considerados meritórios do ponto de vista espiritual os donativos materiais para os mosteiros[27]. Segundo a crença popular, tais atos podem melhorar o carma dos praticantes, possibilitando uma futura encarnação mais favorável, talvez até como um monge budista[28].
Referências
Locais de peregrinação budista
Toda religião possui locais de especial significado. A visita a estes locais muitas vezes é reconhecidamente um meio legítimo de acumular méritos espirituais e obter graças. Com o budismo, isto não é diferente. Muitos locais, por estarem relacionados com eventos importantes da história de Buda, de santos budistas ou do budismo, ou simplesmente por despertarem a devoção popular, são tradicionalmente visitados por peregrinos.
- No Nepal, localiza-se um dos mais importantes locais de peregrinação budista: Lumbini, a cidade natal de Buda.
- Na Índia, muitas cidades têm especial interesse para os budistas: Buda alcançou a iluminação em Bodigaia, local onde atualmente existem muitos templos budistas mantidos pelas principais seitas. Em Sarnati, Buda realizou seu primeiro sermão após a iluminação, conquistando seus primeiros discípulos, justamente os companheiros que o haviam abandonado anteriormente. Em Kusinagara, Buda morreu. Em Sanci, localiza-se uma famosa e antiga estupa. Em Elora e em Ajanta, existem grutas com importantes esculturas hindus, budistas e jainistas.
- O Sri Lanca possui locais com importantes ruínas budistas, como Polonnaruva (com as estátuas dos budas de Galviara), as antigas cidades de Sigiria e Anuradapura, Candi (o centro do budismo cingalês) etc.
- O Camboja possui o patrimônio histórico mundial Angkor Vat, da antiga Civilização Quimer. Merece destaque, ainda, o antigo Templo de Baion, nas ruínas de Anguicor Tom.
- A Indonésia possui o maior templo budista do mundo, Borobodur.
- O Japão possui a famosa estátua do Buda de Camacura. É importante, ainda, a Peregrinação aos 88 Templos da Ilha de Xicocu.
- A China possui a maior estátua de Buda do mundo, o Buda de Lexam. Localiza-se ainda, na China, o Mosteiro de Xaolim, famoso centro de kung-fu. No Tibete ocupado pelos chineses, se localiza a antiga residência do dalai lama, o Potala e o famoso Templo Jocangui, ambos na capital, Lhassa.
- No Afeganistão, localizavam-se as imensas estátuas dos Budas de Bamiam, as quais foram destruídas pelo regime Talibã em 2001. Planeja-se atualmente reconstruí-las.
- No Brasil, uma referência importante dentro do budismo tem sido o templo budista do município de Três Coroas, no estado do Rio Grande do Sul.
Símbolos do Budismo
Ao longo de sua história, o budismo incorporou muitos símbolos dentro de sua prática. Por exemplo:
- A roda da lei (ou dharmachakra, em sânscrito, a linguagem da antiga Índia). Corresponde ao ciclo de morte e renascimento ao qual está preso todo ser, até o instante em que alcança a iluminação e se liberta do ciclo. Também corresponde à lei que regula todo o universo, ou seja, ao Dharma. Tal lei moveria todo o universo, daí o simbolismo da roda. Outra interpretação possível seria que, através da prática do Dharma ("lei", em sânscrito) budista, o fiel conseguiria avançar no caminho da evolução espiritual. Convém ainda lembrar que a roda é um dos símbolos de Vixenu, o deus hindu da conservação. Segundo os hinduístas, Buda teria sido o nono avatar (encarnação) de Vixenu. A roda, como símbolo do transporte, ainda é uma referência ao esforço missionário de difusão do budismo pelo mundo.
A roda da lei costuma ser representada com oito raios, numa referência ao caminho budista dos oito passos. Outra versão da roda da lei é a roda da lei de Asoca, que possui 24 raios, em referência às 24 horas do dia, simbolizando que o praticante budista deve levar uma vida correta durante as 24 horas do dia. Tal tipo de dharmachakra foi representado em muitos monumentos da época do imperador indiano Asoca e serviu como modelo para os atuais brasão e bandeira da Índia.
- O nó infinito. Lembra que todos os eventos e seres no universo estão interrelacionados.
- Cervos. Buda proferiu seu primeiro discurso após atingir a iluminação espiritual em Sarnath, no parque dos Cervos. Em muitas construções budistas, se localizam representações de cervos em lembrança deste fato.
- Cruz suástica. Ainda que este símbolo seja mais comumente associado ao nazismo, ele em realidade é um símbolo antiquíssimo, tendo surgido muito antes do nazismo. Os antigos romanos já o representavam em suas construções. Atualmente, é um símbolo usado no hinduísmo, budismo e jainismo. É tido como um sinal de boa sorte. Representa o sol com seus raios. No cristianismo, recebe o nome de cruz gamada, por ser formada pela junção de quatro letras gregas gama.
- Lóbulos da orelha alongados. As estátuas de Buda apresentam os lóbulos da orelha anormalmente longos, simbolizando a nobreza de Buda[29]. Uma explicação possível para este símbolo é a de que os nobres da época de Buda utilizariam muitos ornamentos nas orelhas como forma de ostentar riqueza e poder. O peso destes adornos poderiam causar o gradual alongamento dos lóbulos. Buda, devido a sua origem nobre, teria usado estes ornamentos, deformando seus lóbulos. Os lóbulos alongados e sem brincos de Buda lembrariam o fato de que Buda era rico e nobre, mas que decidira abandonar tudo isso para buscar o sentido da vida. Isto seria um exemplo de vida para todas as pessoas.
- Saliência no alto da cabeça. É uma referência, nas estátuas de Buda, ao pleno desenvolvimento do chacra saharasra, que se localiza no alto da cabeça. Segundo a filosofia hindu, o ser humano possuiria sete chacras, ou centros de energia, ao longo de sua coluna vertebral. Ao longo de seu processo de evolução espiritual, o homem iria despertando e desenvolvendo estes chacras, começando pelo primeiro, na base da coluna, até o sétimo e último, no alto da cabeça[30]. Esta saliência no alto da cabeça nas estátuas de Buda significaria que Buda era um ser que já havia alcançado o máximo desenvolvimento espiritual possível ao homem.
- O terceiro olho. O chamado "terceiro olho", que se localiza entre as sobrancelhas das estátuas de Buda, é uma referência ao pleno desenvolvimento do chacra ajna em Buda, o que lhe conferiria uma inteligência superior.
- O pé de Buda. É frequente a representação dos pés de Buda. Normalmente, ele apresenta-se marcado pela Roda da Lei budista.
- As três joias budistas: Buda, a doutrina budista (Dharma) e a comunidade de monges budistas (Sangha). Recebem o nome de joias porque se mantém imutáveis em seu valor, ignorando o tempo, tal como as jóias. São uma verdadeira reserva de valor, nos quais os devotos budistas encontram refúgio nos momentos difíceis.
- A aura de Buda. Representa a santidade de Buda e sua condição de iluminado.
- A postura deitada de Buda. É uma referência aos últimos momentos de vida de Buda.
- A mão direita aberta de Buda. É o gesto chamado de abhaya, "sem medo". Simboliza que o devoto pode se aproximar de Buda sem medo.
- A postura de meditação de Buda. É uma referência à importância da meditação dentro do Budismo.
- Buda tocando o solo com a mão. Simboliza que Buda está pedindo à terra que testemunhe sua determinação em atingir a iluminação espiritual através da meditação[31].
- A magreza extrema de Buda. É uma referência ao período no qual Buda praticou o jejum extremo, como forma de tentar atingir a compreensão espiritual. Mas Buda acabou por rejeitar este caminho, por considerá-lo ineficaz e substituí-lo pelo caminho da meditação.
- O círculo formado pelo dedo polegar e o indicador. É uma referência ao principal símbolo do budismo, a roda da lei. Simboliza que Buda está em atitude docente, ou seja, está ensinando sua doutrina aos discípulos.
- A flor do lótus. É um símbolo não só do budismo mas de todo o oriente. Simboliza a pureza espiritual, que não é maculada pelo cotidiano, assim como as flores de lótus não se mancham com o lodo sobre o qual crescem.
Na simbologia oriental, o ser humano deve se inspirar no exemplo da flor de lótus para permanecer puro, mesmo em meio à toda a corrupção do mundo.
- Cabelo anelado de Buda. É uma referência à inteligência superior de que Buda era dotado.
- O leão. Era o símbolo do clã do qual fazia parte Sidarta: o clã Shakya.
- O cavalo. O cavalo lembra a partida de Sidarta do palácio de seu pai, montado em seu cavalo branco, Kanthaka, acompanhado de seu único criado, Xandaca[32]. Portanto, o cavalo é um símbolo da renúncia de Sidarta aos valores mundanos.
- O elefante. A rainha Maya sonhou que um elefante branco penetrava em seu ventre pela sua axila direita e, logo em seguida, ela percebeu que estava grávida de Sidarta. Deste modo, o elefante é um símbolo da encarnação de Buda[33].
- O touro. Junto com o elefante, o cavalo e o leão, o touro é um dos quatro animais fundamentais dentro do budismo. O touro alude à grandeza e à importância de Buda[34].
- A estupa. É o tipo de construção que guarda os restos mortais de Buda e de grandes mestre budistas. Corresponde aos pagodes do leste asiático, aos chedi tailandeses e aos chorten do Himalaia.
- A Árvore Bodi. Nas construções budistas, é muito comum a representação de árvores, numa alusão à figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa)[35][36] sob a qual Buda meditou e alcançou a iluminação, em Bodigaia, na Índia. Nos primeiros tempos do budismo, era considerado desrespeitoso retratar Buda sob a forma humana, de modo que o Iluminado era normalmente representado sob a forma de uma árvore, a Árvore Bodi.
Referências
As três qualidades do universo
Existem três qualidades básicas que caracterizam o universo, segundo o budismo.
- Primeira qualidade: a impermanência (em sânscrito, anicca). Nada no universo perdura para sempre, tudo se transforma continuamente e caminha para a própria dissolução. Isto nos lembra que não devemos nos apegar às coisas, pois todas as coisas são temporárias. O apego gerará, inevitavelmente, sofrimento, pois nada perdura.
- Segunda qualidade: a dor (em sânscrito, dukkha). O universo está impregnado pela dor. O sofrimento é generalizado, está por toda a parte. A consciência desta qualidade do universo nos torna mais preparados para lidar com a dor e o sofrimento. Também nos torna mais compassivos e atentos para com o sofrimento das pessoas.
- Terceira qualidade: o não eu (em sânscrito, anatman). A ideia de que somos uma individualidade separada do universo não passa de ilusão. Todos estamos conectados uns aos outros, não se pode dizer onde termina um ser e onde começa outro. O bem-estar das outras pessoas influencia o nosso bem-estar, o mal-estar das outras pessoas influencia o nosso mal-estar. Esta qualidade do universo traz como consequência prática a necessidade de se combater o egoísmo, o qual reflete uma compreensão imperfeita da realidade do universo: um universo no qual todos os seres estão interrelacionados e são interdependentes.
A ilusão de que somos uma individualidade distinta em relação ao universo é a responsável pelos nossos incontáveis renascimentos. Após a nossa morte, é essa crença ilusória na nossa individualidade que determina a agregação dos cinco componentes budistas do ser e a reencarnação. O ser plenamente esclarecido espiritualmente (o buda) compreende a natureza ilusória de sua individualidade, não reúne os cinco componentes do ser após sua morte, não reencarna e se funde ao universo, abandonando o ciclo de morte e reencarnação[37].
Em outras palavras: o universo é, na verdade, um imenso continuum. É o homem que o divide em entes separados, com o fim de melhor compreendê-lo. Porém essas divisões são arbitrárias e artificiais, variando de cultura para cultura. Não têm existência real[38]. Por exemplo: na língua portuguesa, existem as cores verde e azul. Porém, na língua tupi, essas duas cores são englobadas por um único termo, oby[39]. Isso demonstra a artificialidade e a inconsistência do ponto de vista lógico das divisões que adotamos para entender o universo.
Apesar de pertencer a outra religião, a judia, o famoso físico alemão Albert Einstein tinha uma visão do universo como uma realidade unitária e sem fronteiras que se encaixa perfeitamente no conceito budista de não eu. Einstein comparou o egoísmo do ser humano como uma espécie de "alucinação ótica de sua consciência", que somente considera importante o seu próprio bem-estar ou, no máximo, o de algumas poucas pessoas de seu círculo íntimo. Segundo Einstein, é tarefa do ser humano alargar esse círculo íntimo através do desenvolvimento da compaixão, até chegar a abarcar todo o universo, restabelecendo, em nossa consciência, a natureza como ela realmente é: sem fronteiras definidas entre um ser e outro[40].
Outro exemplo da artificialidade das divisões entre os seres é a questão da diferença entre língua e dialeto: nem sempre é fácil dizer um determinado linguajar é um dialeto de uma língua ou é uma língua independente. Em tais casos, a decisão implica em certo grau de arbitrariedade, exatamente porque a distinção entre esses dois seres (as línguas) não é nítida, ocorrendo tanto pontos de contato quanto pontos de diferença entre os linguajares em questão. Como exemplo, podem ser citados o caso do valenciano e do catalão e o do mandarim e do cantonês: o valenciano pode ser visto como um dialeto do catalão[41] ou como uma língua independente[42] e o cantonês pode ser visto como um dialeto do mandarim[43] ou como uma língua independente[44], dependendo do ponto de vista.
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Encontro do verde da mata com o azul do mar em Vancouver, no Canadá: dentro da língua tupi, o verde e o azul são uma cor única chamada oby. Um exemplo da artificialidade das divisões que colocamos entre os entes do universo, pois a divisão que existe na língua portuguesa entre azul e verde simplesmente não existe na língua tupi.
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Água poluída em Ribeira, na Galícia, na Espanha. As preocupações ecológicas mundiais atuais têm muitas afinidades com a visão budista do inter-relacionamento entre os todos os seres do universo[45]
Referências
O Budismo e as outras religiões
Buda compara o budismo com uma jangada que é utilizada para cruzar um rio. O rio representa a dor, o sofrimento. A jangada do budismo permite-nos superar o sofrimento e alcançar a outra margem, a margem da felicidade e da bem-aventurança. Nesse sentido, qualquer jangada é válida, desde que consiga fazer com que a pessoa alcance a outra margem em segurança. Ou seja, não importa se a pessoa siga o budismo, o cristianismo, o islamismo, ou mesmo se não siga religião alguma. O importante é que a pessoa consiga superar o sofrimento, da forma que ela achar melhor ou que for mais apropriada para ela. O destino final é a iluminação. Segundo o budismo, os seres humanos possuem todas as condições para chegar a este destino final, desde que se libertem das impurezas do mundo. A palavra (os ensinamentos das religiões) é coisa dos homens, válida como auxílio na jornada, mas somente a própria pessoa pode realizar a sua jornada. É uma visão profundamente não sectária, essencialmente ecumênica.
Último nascimento
Segundo a doutrina budista, todos os seres morrem e em seguida reencarnam em outro corpo, num ciclo conhecido como samsara. Tal ciclo dura incontáveis vidas, num longo processo de aprendizado espiritual que culmina na iluminação (nirvana, satori ou samadhi), momento no qual o ciclo acaba e o ser não mais reencarna, por já ter atingido a perfeição . Este era o caso de Buda. Os nascimentos anteriores de Buda são tema de numerosas narrativas folclóricas conhecidas como jataka. Elas narram o processo de aperfeiçoamento espiritual de Buda ao longo de suas encarnações anteriores.
Os três venenos
Segundo a doutrina budista, são três os fatores que envenenam a humanidade e a encaminham para o erro:
- o ódio, representado pela serpente;
- o desejo, representado pelo galo;
- a ignorância, representada pelo porco.
Referências
Os seis domínios da existência
Segundo o budismo, a alma pode reencarnar em seis tipos de mundo:
- o inferno, um reino de muito sofrimento;
- o mundo dos animais;
- o mundo dos fantasmas;
- o mundo dos asura, uma raça de seres poderosos em guerra eterna;
- o mundo dos humanos;
- o mundo dos deuses, lugar de grande felicidade.
A meta do budismo é se libertar da reencarnação em qualquer um destes mundos, pois todos eles implicam em eventual ruína, decadência e morte. A felicidade completa somente é possível fora destes seis mundos, no nirvana[47].
Referências
As três joias
O budismo reconhece três "joias", ou seja, três bonitos e valiosos bens que mantém seu valor ao longo do tempo:
- o Buda;
- o dharma, ou seja, a doutrina budista;
- o sangha, ou seja, a comunidade de monges budistas[48].
Referências
O caminho do meio
Em resumo, pode-se dizer que o budismo prega o caminho do meio. Um ponto equidistante entre os extremos. Assim como um violão com a corda frouxa não produz som algum e um violão com a corda muito retesada acaba por arrebentar a corda, um ser humano somente conseguirá produzir bons frutos espirituais se se mantiver equidistante entre o rigor excessivo e a excessiva permissividade. Diz a doutrina budista que Buda chegou a esta conclusão após desmaiar de fome devido a seu rigoroso jejum e ter somente recuperado a consciência após ser alimentado com uma tigela de mingau por uma camponesa caridosa que passava casualmente por perto. Após meditar sobre este fato, Sidarta concluiu que o controle excessivo é tão ruim e ineficaz em termos espirituais quanto a excessiva permissividade e optou por seguir um caminho intermediário entre os dois.
O famoso físico alemão Albert Einstein (1879-1955), apesar de ser de origem judia, deixou algumas frases altamente elogiosas para o budismo, louvando suas virtudes lógicas condizentes com a era tecnológica e cientificista que vivemos. Segundo ele, o budismo pode ser uma espécie de "religião cósmica do futuro", pois baseia-se numa lógica rigorosa, sem precisar apelar para dogmas impostos à base da força[49].
Referências
Referências
- Albanese, Marilia. Índia antiga. Barcelona: Folio, 2006. 288 p.
- Deshimaru, Taisen. A tigela e o bastão. São Paulo: Pensamento. 220 p.
- Gaarder, Jostein; Hellern, Victor; Notaker, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 320 p. ISBN 9788571649941
- Hermógenes, José. Autoperfeição com hatha yoga. 35ª.ed. Rio de Janeiro: Record, 1995. 282 p. ISBN 8501000442
- Introdução ao Budismo, curso da Wikiversidade Lusófona
- Schulberg, Lucille. Índia histórica. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1979. 189 p. v. 15. (biblioteca de história universal life)
- Usarski, Frank. O Budismo e as outras: encontros e desencontros entre as grandes religiões mundiais. Aparecida: Ideias & Letras, 2009.
- Velte, Herbert. Dicionário ilustrado de budô. Rio de Janeiro: Tecnoprint.
- Wilkinson, Philip. O livro ilustrado das religiões: O fascinante universo das crenças e doutrinas que acompanham o homem através dos tempos. 1ª.ed. São Paulo: Publifolha, 2001. 128 p. ISBN 8574022098
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