Anestesia em quelónios/Contenção física
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Antes da administração de anestesia é necessário ter em consideração alguns pontos fundamentais, tais como a contenção física.
A primeira acção a tomar é a observação do animal sem qualquer intervenção que o possa deixar perturbado, para uma correcta interpretação dos níveis de actividade, respiração, condição física, sinais vitais e também para a observação de distúrbios nutricionais ou processos inflamatórios, necessários para um correcto diagnóstico.
A seguir procede-se a um exame cuidadoso e rigoroso. Devem ser tomadas precauções na realização do exame, pois algumas tartarugas podem provocar dolorosas mordeduras no clínico. Em determinadas situações poderá ser exigido o uso de uma protecção que rodeie a cabeça da tartaruga ou que o animal se encontre sedado. Dependendo do tamanho, por vezes não poderão ser manejadas por uma só pessoa, devido ao seu peso, e se dentro de água, graças à sua agilidade e fácil capacidade para se libertarem. Num tanque é possível manter um tartaruga de porte razoável segurando-a na carapaça por trás. Não deverão ser suportadas de lado, pois torna-se mais fácil soltarem-se. Contudo deverá haver moderação na força aplicada pois corre-se o risco de magoar o animal.
O exame deverá conter a história completa do animal, exame físico e recolha e análise de sangue. Poderá ainda conter exames como radiografias, análise hematológica, plasmática e fecal, bem como amostras microbiológicas que contribuirão para a correcta interpretação do estado de saúde do animal. A manipulação destes animais requer conhecimento e paciência. O exame físico das pernas e da região cloacal é muito importante, tal como a da cabeça, focando regiões fundamentais como os olhos, as membranas timpânicas e narinas. Muitas doenças infecciosas e não infecciosas afectam funções renais e hepáticas. A observação da cavidade oral para o registo de abcessos ou lesões traumáticas revelam-se importantes na intubação endotraqueal e na manutenção da anestesia.
A recolha de sangue pode ser feita em vários locais. O local mais comum, nos quelónios, é nos membros anteriores através da veia e artéria braquiais. A localização dos vasos é difícil de discernir, embora em tartarugas de grande porte seja possível palpar os vasos. O melhor sítio para a recolha de sangue em tartarugas é a veia jugular, que se encontra por debaixo da pele lateralmente ao pescoço; outras hipóteses são as veias coccígeas ventrais e dorsais e em último caso a cardiocentese. Por vezes o grande problema é a estabilização do animal durante a recolha, podendo ser necessário sedar para diminuir o stress do animal. Uma amostra pode também ser obtida a partir dos seios cervicais dorsais, local muito utilizado em tartarugas marinhas. Em tartarugas de água-doce os locais seleccionados são as veias jugular e subcarapacial; a veia jugular percorre o tímpano até à base do pescoço e a veia subcarapacial encontra-se na junção entre a pele e a carapaça – a veia é puncionada no local de fusão da 1ª vértebra com a carapaça.
Os valores recolhidos através da amostra sanguínea podem variar com a localização geográfica das tartarugas, com a idade, sexo e a sua actividade. A recolha não deverá exceder o 1% do peso corporal do animal, para evitar situações de hipovolémia. Poderá ser usado como anticoagulante lítio heparina.
Dias antes da anestesia o ideal é que os animais se encontrem em condições estáveis de temperatura óptima, para promover a estabilização do seu metabolismo. A temperatura óptima varia de espécie para espécie, mas a grande maioria das espécies esse valor encontra-se ente os 21-26,7 ºC (70-80 ºF). Para a espécie "red-eared" a temperatura óptima assume valores entre 22,2-33 ºC (72-86 ºF), para as tartarugas pintadas os valores são entre 22,8-27,8 ºC (73-82 ºF) e para a espécie "musk" é de 20-25 ºC (68-77 ºF). No caso de tartarugas marinhas a temperatura óptima é aproximadamente 25-30 ºC (77-86 ºF).
O conhecimento do peso corporal é fundamental para o cálculo da dose correcta do agente anestésico a ser administrado.
Torna-se também importante reconhecer as particularidades de cada espécie por exemplo se nas tartarugas marinhas a indução de anestesia é ou não mais rápida.
O suporte inicial da anestesia inclui a administração de uma solução electrolítica balanceada (5-10 ml/kg/h) – usada em mamíferos e que em répteis a sua função ainda não foi completamente esclarecida – , o controlo da temperatura, suporte nutricional e uma terapia antimicrobiana. Todos estes aspectos contribuirão para a diminuição de riscos da anestesia e cirúrgicos, para uma diminuição do tempo de recuperação, aumentando a acção do sistema imune, promovendo assim o bem-estar e saúde animal. Uma das soluções utilizadas, a solução de Ringer, pode ser administrada via intravenosa, subcutânea ou intracelómica. Para reduzir o stress deverá ser evitado ao máximo o contacto manual com a animal.