Álgebra linear/Imprimir
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Introdução
Sistemas de equações lineares
Equações lineares
Este estudo de álgebra linear começará com a análise dos sistemas de equações lineares. Tais sistemas aparecem frequentemente em matemática aplicada, economia e engenharia ao modelar certos fenômenos. Por exemplo, em programação linear, geralmente é discutido como maximizar o lucro quando existem certas restrições relacionadas a dificuldade, disponibilidade de tempo, ou outras condições. Estas restrições podem ser colocadas na forma de um sistema de equações lineares.
[editar] Equações lineares
Uma equação linear é uma equação composta exclusivamente de adições e subtrações de termos que são constantes ou o produto de uma constante pela primeira potência de uma variável.
Conforme a natureza do problema que dá origem a equação, as constantes e as variáveis podem ser números inteiros, reais, complexos ou ter uma estrutura ainda mais geral (veja, por exemplo, um artigo sobre "corpos" na Wikipédia). No caso dos números inteiros, chama-se a equação de "equação linear diofantina", e seu estudo é feito na teoria de números.
Neste Wikilivro, será considerado que as constantes e as variáveis de uma equação linear são elementos de um subcorpo
do corpo dos números complexos. Os elementos de
serão chamados de escalares. Para a maior parte do texto, o leitor não familiarizado com corpos e outras estruturas algébricas pode admitir que os escalares são os números complexos.
Uma caracterização mais formal do que se entende por "equação linear" é a seguinte:
- Definição
Uma equação linear em
variáveis sobre o corpo
é uma equação que pode ser colocada na forma
, sendo que os escalares
são denominados coeficientes, e
é chamado de termo independente, ou termo constante.
Cada equação linear pode ser vista como uma igualdade entre zero e um polinômio do primeiro grau em várias variáveis, uma vez que:


Como foi ressaltado no exemplo, para uma equação ser chamada de "linear", ela não precisa necessariamente estar com todas as variáveis no membro esquerdo da equação, embora seja usual escrevê-la assim. Como será visto posteriormente, usando essa convenção é possível simplificar a resolução de sistemas de equações lineares (veja adiante), introduzindo o conceito de matriz.
[editar] Soluções de uma equação linear
- Definição
Uma solução da equação linear
é uma
-upla (um vetor)
, cujas entradas
podem ser colocadas no lugar de cada
, para
, de modo que a igualdade seja verdadeira. O conjunto solução de uma equação linear é aquele formado por todas as suas soluções.
Por exemplo,
é uma solução da equação linear
, uma vez que
, mas
não.
No caso em que a quantidade de variáveis em uma equação linear é menor ou igual a três, pode-se associar ao seu conjunto solução, uma interpretação geométrica. Acompanhe os exemplos a seguir:
Pode-se generalizar a relação entre equações lineares e geometria para o caso em se tem um número arbitrário de variáveis. No entanto, nessa situação não é possível visualizar a "forma geométrica" que corresponde às soluções da equação. O termo utilizado para descrever a forma geométrica correspondente ao conjunto solução de uma equação a
variáveis é hiperplano afim, de dimensão
. Neste texto, no entanto, será usado simplesmente a terminologia
-plano.
[editar] Sistemas de equações lineares
- Definição
Um sistema de equações lineares (ou sistema linear) é uma coleção de equações lineares envolvendo o mesmo conjunto de variáveis.
Um sistema geral de
equações lineares com
incógnitas (ou variáveis) pode ser escrito como

Aqui,
são as incógnitas,
são os coeficientes do sistema, e
são os termos constantes.
A "chave" colocada à esquerda das equações é uma forma de lembrar que todas as equações devem ser consideradas em conjunto. A seguir são apresentados alguns exemplos de equações lineares.
[editar] Soluções de sistemas lineares
- Definição
Uma solução de um sistema linear é uma
-upla de valores
que simultâneamente satisfazem todas as equações do sistema.
A coleção de todas as possíveis soluções de um sistema linear será chamada de conjunto solução, sendo geralmente denotado por
. Uma fórmula que descreva todos os vetores do conjunto solução é chamada de solução geral. Dessa definição, decorre que o conjunto solução de um sistema linear é a interseção entre os conjuntos soluções de cada equação do sistema (veja a figura).
Um sistema linear é dito consistente se possui alguma solução. Caso contrário, é chamado de inconsistente.
Em geral, para qualquer sistema linear existem três possibilidades a respeito das soluções:
- Uma única solução: Neste caso, existe apenas uma solução específica (uma certa
-upla). O conjunto
tem um único elemento. Geometricamente, isto implica que os
-planos determinados pelas equações do sistema se intersectam todos em um mesmo ponto do espaço, que é especificado pelas coordenadas da solução (as "entradas" da
-upla). O sistema é dito possível (existe alguma solução) e determinado (existe uma única solução); - Nenhuma solução: Nesta situação, não existe qualquer
-upla de valores que verifiquem simultaneamente todas as equações do sistema. O conjunto
é vazio. Geometricamente, os
-planos correspondentes as equações não se intersectam (são paralelos). O sistema é dito impossível (não existe solução). - Infinitas soluções: As equações especificam
-planos cuja intersecção é um
-plano onde
. Sendo este o caso, é possível explicitar um conjunto
com infinitas soluções. O sistema é dito possível (existe alguma solução) e indeterminado (sua quantidade é infinita)
As seguintes figuras ilustram os casos acima:
| Uma única solução | Nenhuma solução | Infinitas soluções |
[editar] Sistemas lineares equivalentes
- Definição
Dois sistemas lineares são ditos equivalentes quando possuem o mesmo conjunto solução.
Nos exemplos anteriores, pode-se notar que todos os sistemas possuem o mesmo conjunto solução (são equivalentes), embora no exemplo (V) a solução não esteja "tão evidente" como no caso de (I).
Isso sugere uma estratégia para resolver sistemas lineares: para determinar o conjunto solução de um sistema linear arbitrário (por exemplo (V)), basta encontrar um outro sistema linear que lhe seja equivalente, mas cuja solução seja imediata (como o (I), cuja solução é óbvia!).
Resta agora encontrar uma forma de produzir sistemas lineares equivalentes a um sistema dado, e que sejam simples (senão imediatos!) de resolver. As técnicas usadas para este fim serão apresentadas na próxima seção.
[editar] Operações com equações
Para um melhor entendimento das técnicas que podem ser utilizadas na resolução de sistemas lineares, serão sintetizadas no teorema a seguir as "operações" que podem ser feitas com as equações de um sistema, sem que seu conjunto solução seja alterado. Como será visto posteriormente, é possível determinar o conjunto solução de qualquer sistema linear (resolver o sistema), usando apenas três "operações elementares".
- Teorema
Se um sistema linear é obtido a partir de outro, através de uma dessas operações
- Trocar a posição de duas equações;
- Trocar uma equação por um múltiplo (não nulo) de si mesma;
- Trocar uma equação pela soma de si mesma com um múltiplo de outra equação;
[editar] Demonstração
- Deixada a cargo do leitor. Sinta-se a vontade para acrescentá-la ao texto.
[editar] Métodos para a resolução de sistemas lineares
[editar] Eliminação de variáveis
Um método bastante simples para a resolução de um sistema linear é eliminar as variáveis, uma após a outra. Este método consiste dos seguintes passos:
- Na primeira equação, isole uma das variáveis em função das outras.
- Substitua a expressão acima em cada uma das outras equações. Isso produz um outro sistema de equações, com uma equação a menos e uma variável a menos.
- Repita o passo anterior até que reste apenas uma equação linear.
- Resolva esta equação e use a resposta obtida para determinar as demais variáveis nas outras equações.
Sabe-se que sistemas lineares em poucas variáveis também podem ser resolvidos usando outros métodos.
Observe, no entanto, que estas técnicas não são muito práticas ao lidar com sistemas grandes, onde exista um grande número de variáveis. Apesar disso, tais procedimentos podem ser generalizados, dando origem a algoritmos como a eliminação de Gauss e a eliminação de Gauss-Jordan, que pode ser usado em situações bem mais gerais.
O método da eliminação gaussiana será estudado em um capítulo posterior.
Muitas vezes é preciso resolver vários sistemas lineares que diferem apenas em seus termos constantes. Os coeficientes das incógnitas permanecem os mesmos. Uma técnica chamada de decomposição LU é usada nestes casos. Em situações muito particulares, ela adminte uma variante conhecida como fatoração de Cholesky. Tais técnicas serão estudadas nos últimos capítulos.
[editar] Exercícios
Este capítulo é apenas uma revisão. Não há exercícios.
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Matrizes
| A distribuição do conteúdo deste livro está confusa ou pouco didática (discuta). Pede-se aos editores que reavaliem a distribuição do mesmo. |
Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: É preciso fixar a notação para as entradas das matrizes ao longo do livro, pois ora são usadas e ora para as entradas de uma matriz . |
[editar] Introdução
O termo matriz pode ser mais conhecido entre programadores e profissionais da informática, como sendo uma estrutura de dados. Em matemática, no entanto, matrizes são consideradas de forma bastante diferente.
Logo abaixo, apresenta-se uma matriz. A notação utilizada é bastante comum.
A matriz acima tem 4 linhas e 3 colunas, então pode ser chamada de matriz 4 × 3 (matriz 4 por 3). Além disso, pode-se ter matrizes de muitas formas diferentes. A forma de uma matriz é o nome das dimensões da mesma (m por n, quando m é o número de linhas e n é o número de colunas). A seguir são indicados alguns outros exemplos de matrizes, adotando outras possíveis notações.
Este é um exemplo de matriz 3 × 3:
Esta matriz tem a forma 5 × 4:
Aqui, tem-se uma matriz 1 × 6:
As matrizes são objetos matemáticos que além de permitirem uma boa organização espacial de conjuntos de dados numéricos, podem ser operadas com números (multiplicação por escalar) e com outras matrizes (sendo adicionadas, multiplicadas, etc). Entender as operações sobre matrizes é essencial para o aprendizado de Álgebra Linear.
Uma matriz é formada por linhas, que são conjuntos de dados dispostos horizontalmente e por colunas, conjuntos de dados dispostos verticalmente. Cada elemento presente em uma matriz é indicado por uma letra minúscula que possui como índice um par ordenado que representa o número da linha e o da coluna. Costuma-se representar total de linhas de uma matriz pela letra m e o número total de colunas por n. Os valores de m e de n são as dimensões da matriz.
[editar] Exemplos de matrizes
A matriz a seguir é uma matriz de ordem 2×3 com elementos naturais.

Nesse exemplo, o elemento
é 2, o número na primeira linha e segunda coluna do quadro.
De forma geral, numa matriz A de ordem m × n, o elemento
é o símbolo na i-ésima linha e j-ésima coluna de A. Assim:.

As entradas (símbolos) de uma matriz também podem ser definidas de acordo com seus índices i e j. Por exemplo,
para
de 1 a 3 e
de 1 a 2, define a matriz 3×2 
Abaixo, vemos o exemplo de uma Matriz Quadrada:

E agora um exemplo de uma Matriz Identidade:

Abaixo seguem informações sobre as principais operações definidas para matrizes. Abaixo matrizes serão representadas por letras maiúsculas e seus índices por letras minúsculas. Números escalares serão representados pela letra 
[editar] Tipos especiais de matrizes
- Uma Matriz Quadrada é toda aquela na qual
Isto é, ela possui o mesmo número de linhas e de colunas. - Uma Matriz Linha é toda aquela na qual
Isto é, ela possui apenas uma linha. - Uma Matriz Coluna é toda aquela na qual
Isto é, ela possui apenas uma coluna. - Uma Matriz Diagonal é toda aquela na qual
e cujo elemento
se
Isto é, possui todos os valores iguais à zero, exceto os elementos da diagonal principal. - Uma Matriz Escalar é toda aquela na qual
cujo elemento
se
e
Isto é, todos os valores são nulos, exceto os valores da diagonal principal que possuem sempre o mesmo valor. - Uma Matriz Nula é toda aquela cujos elementos
Isto é, se todos os seus elementos forem nulos. - Uma Matriz Identidade é toda aquela na qual
cujos elementos
se
e
se
Isto é, possui todos os valores nulos, exceto os valores da diagonal principal que valem sempre 1.
[editar] Álgebra matricial
[editar] Multiplicação por um escalar
A multiplicação por um escalar é uma das operações mais simples que podem ser feitas com matrizes.
- Definição
Para multiplicar um número
qualquer por uma matriz m×n
basta multiplicar cada entrada
de
por
Assim, a matriz resultante
será também m×n e 
Com isso, pode-se pensar também na noção de dividir uma matriz por um número: basta multiplicá-la pelo inverso desse número. Mas essa noção pode ser perigosa: enquanto a multiplicação entre um número e uma matriz pode ser dita "comutativa", o mesmo não vale para a divisão, pois não se pode dividir um número por uma matriz.
É impossível somar ou subtrair escalares de matrizes.
A multiplicação por escalar possui as seguintes propriedades:
- Associativa em relação ao Escalar:

- Distributiva em relação ao Escalar:

- Distributiva em relação à Matriz:

- Elemento Neutro:

[editar] Adição de Matrizes
A adição de matrizes é outra operação bastante simples.
- Definição
Sempre que uma matriz A é somada à uma matriz B, o resultado será uma matriz C, cujos elementos 
Perceba que a operação de soma para matrizes de diferentes dimensões não é definida.
A adição de matrizes possui as seguintes propriedades:
- Propriedade Associativa:

- Elemento Neutro:
(
é uma Matriz Nula, não um escalar) - Simétrico Aditivo:

- Comutatividade:

[editar] Multiplicação de Matrizes
A multiplicação de duas matrizes é bem definida apenas se o número de colunas da matriz da esquerda é o mesmo número de linhas da matriz da direita.
- Definição
Se
é uma matriz
e
é uma matriz
então seu produto
é a matriz
(m linhas e p colunas) dada por:
para cada par 
A motivação dessa definição é a seguinte: se
denota a
-ésima linha da matriz
podemos criar outra matriz
cujas linhas
sejam combinações lineares das linhas de 
Em cada linha
a entrada na
-ésima coluna será uma combinação linear de todas as entradas de
nessa mesma coluna:
mas
corresponde a
Então, se
for a matriz com as entradas
definidas como acima, obtemos a fórmula acima.
Da mesma maneira, se
denota a
-ésima coluna da matriz
podemos criar uma matriz
cujas colunas
sejam combinações lineares das colunas de 
E, tomando as entradas na
-ésima linha, obtemos
Mas a
a
-ésima entrada à linha
corresponde ao elemento
de modo que também obtemos a fórmula acima.
Portanto,
[editar] Propriedades
A multiplicação de matrizes tem as seguintes propriedades:
- Associativa:
- Distributiva em relação à Adição:
- Elemento Neutro: se
é uma matriz
então
onde
representa a matriz identidade de ordem 
Note que, em geral, a multiplicação de matrizes não é comutativa, ou seja, geralmente tem-se
Em muitos dos casos, a multiplicação
pode não estar sequer definida: quando existe a multiplicação
a multiplicação
só pode existir no caso em que
e
são quadradas; mesmo assim, ainda pode ocorrer a não-comutatividade.
[editar] Transposição
- Definição
A operação de transposição de uma matriz
retorna como resultado sempre um matriz
tal que, para todo elemento de
e
é então dita a matriz transposta de
denotada por 
- O número de linhas da matriz transposta será igual ao número de colunas da matriz original, assim como o número de colunas da transposta será igual ao número de linhas da original. Ou seja, se
era
será 
- Cada coluna de
corresponderá a uma linha de
e vice-versa.
[editar] Notas
[editar] Ver também
- Matemática elementar/Matrizes (livro com conteúdo mais simples)
Determinantes
Transformações elementares sobre linhas
Álgebra linear/Transformações elementares sobre linhas
Eliminação gaussiana
Álgebra linear/Eliminação gaussiana
Matrizes invertíveis
Álgebra linear/Matrizes invertíveis
Aplicações dos sistemas lineares
Álgebra linear/Aplicações dos sistemas lineares
Espaços vetoriais
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[editar] Definição
Um espaço vetorial é formado por:
- Um conjunto
cujos elementos serão chamados de vetores; - Um corpo
cujos elementos serão denominados escalares; - Uma operação
conhecida como adição de vetores; - Uma operação
chamada de multiplicação por escalar.
Neste wikilivro, será escrito simplesmente
para denotar 
Normalmente, o corpo K é o corpo dos números racionais, dos números reais ou dos números complexos.
- Definição
Dizemos que
é um espaço vetorial sobre
quando as operações
e
satisfazem as seguintes propriedades:
- Adição
- Para cada
(comutatividade) - Para cada
(associatividade) - Existe um vetor
tal que para cada
(neutro aditivo) - Para cada
existe
tal que
(inverso aditivo)
- Multiplicação por escalar
- Para cada
e cada
(distributividade) - Para cada
e cada
(distributividade) - Para cada
e cada
(associatividade) - Para cada
(neutro multiplicativo)
[editar] Exemplos
e
são espaços vetoriais reais (ou seja, sobre o corpo
).- O conjunto formado pelo único número real 0, ou seja, {0}, é um espaço vetorial sobre

é um espaço vetorial sobre 
- Os exemplos acima são aplicáveis para qualquer corpo K, ou seja, são espaços vetoriais sobre K: {0}, K e Kn.
- Seja
o conjunto dos números inteiros positivos, e S o conjunto de todas as funções de domínio
e contradomínio
Dadas f e g funções e λ um número real, podemos definir
- (f + g) como a função que leva o número inteiro positivo n no número real f(n) + g(n)
- (λ f) como a função que leva o número inteiro positivo n no número real λ f(n).
Ou seja, foram definidas as operações de soma de vetores e produto de um escalar por um vetor em S. Como exercício, podem-se provar os axiomas, mostrando que S é um espaço vetorial. Este espaço vetorial é tão importante que tem um nome: ele é o espaço vetorial das sequências de números reais.
- O exemplo acima pode ser generalizado. Seja K um corpo qualquer, e I um conjunto qualquer (a letra I é porque este conjunto será chamado de conjunto de índices). Então o conjunto KI, das funções de domínio I e contra-domínio K, torna-se naturalmente um espaço vetorial definindo-se para

[editar] Subespaços vetoriais
[editar] Definição
Seja
um espaço vetorial sobre o corpo
Um subespaço vetorial de
é um subconjunto
que também é um espaço vetorial sobre
com as mesmas operações (adição e multiplicação por escalar) de 
Equivalentemente, um subespaço vetorial de
é um subconjunto não-vazio
fechado em relação às operações de adição e multiplicação por escalar, ou seja, um subconjunto tal que
- Para todos
tem-se 
- Para qualquer escalar
e para todo
tem-se 
[editar] Combinação linear
[editar] Definições
- Definição
Seja
um espaço vetorial sobre um corpo
Um vetor
é dito combinação linear dos vetores
se existem escalares
tais que
Note-se que, pela definição, nem os λ nem os v precisam ser distintos.
- Definição
Seja S um subconjunto do espaço vetorial V. Um vetor
é dito uma combinação linear de elementos de S quando
ou existem:
- um número inteiro positivo n,

- vetores
e - escalares

Deve-se notar que a condição u = 0 é importante para o caso em que S seja o conjunto vazio. Equivalentemente, seria possível definir a soma de zero vetores como o vetor nulo (isto é semelhante à definição do fatorial de 0, igual ao produto de zero fatores, ou seja, é o elemento neutro multiplicativo, 1).
[editar] Propriedades
- Todo elemento x de S é uma combinação linear de elementos de S. Basta escolher n = 1, v1 = x e λ = 1, de forma que x = λ v1
- Se x é uma combinação linear de elementos de S, e λ é um escalar, então λ x também é uma combinação linear de elementos de S. Prova: x = 0 (neste caso, λ x = 0) ou
Então 
- Se x e y são combinações lineares de elementos de S, então x + y também é. A prova é um pouco mais complicada, e será feita com cuidado
- Caso x ou y sejam 0, é imediato que x + y, sendo igual a x ou y, é uma combinação linear de elementos de S.
- No caso geral,
e
Então definindo
e
temos que

- Os últimos resultados mostram que o conjunto formado por todas as combinações lineares de elementos de S é um espaço vetorial - o capítulo seguinte estudará este espaço
[editar] Dependência e Independência linear
- Definição
Seja
um subconjunto de
Dizemos que
é linearmente dependente se existem vetores distintos
e escalares
não todos nulos, tais que
é linearmente dependente se alguma combinação linear não-trivial de alguns de seus vetores resulta no vetor nulo. Quando
não é linearmente dependente, ou seja, quando a única combinação linear de vetores de
que resulta no vetor nulo é a trivial (com todos os coeficientes nulos), dizemos que
é linearmente independente.
Quando temos um número finito de vetores
é comum dizer que os vetores
são linearmente dependentes (ou independentes), em vez de dizer que o conjunto
é linearmente dependente (ou independente).
[editar] Propriedades
- Pela definição, o conjunto vazio é linearmente independente.
- Todo conjunto que contém o vetor nulo é linearmente dependente.
- Todo conjunto que tem um subconjunto linearmente dependente é linearmente dependente.
- Todo subconjunto de um conjunto linearmente independente é linearmente independente.
- Se um vetor de um conjunto é combinação linear de outros vetores desse conjunto, então o conjunto é linearmente dependente.
- A interseção de dois conjuntos linearmente independentes é linearmente independente - podendo ser o conjunto vazio.
- A interseção de um número qualquer de conjuntos linearmente independentes é linearmente independente.
- A união de conjuntos linearmente independentes, normalmente, não será linearmente independente. Porém quando um conjunto é subconjunto de outro, a sua união (sendo igual ao maior conjunto) é linearmente independente. Uma extensão não-trivial desta propriedade é a seguinte: seja K um conjunto formado por conjuntos linearmente independentes, de modo que dados quaisquer dois elementos de K, um deles é subconjunto do outro. Então a união de todos os elementos de K também é linearmente independente.
[editar] Espaço gerado
[editar] Definição
- Definição
Seja
um subconjunto de um espaço vetorial
O conjunto de todas as combinações lineares finitas de elementos de
é um subespaço
de
e é dito o subespaço gerado por
Quando
é um conjunto finito
dizemos que
é o subespaço gerado pelos vetores 
[editar] Exemplos
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- Em qualquer espaço vetorial V, o espaço vetorial gerado pelo conjunto vazio é o subespaço vetorial { 0 }. Analogamente, o espaço vetorial gerado pelo conjunto V é o próprio V
- Em
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo é uma reta que passa pela origem - Em
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo também é uma reta que passa pela origem - Em
o espaço vetorial gerado por dois vetores não-nulos, em que um deles não é múltiplo do outro, é todo o 
- Em
o espaço vetorial gerado por dois vetores não-nulos, em que um deles não é múltiplo do outro, é um plano que passa pela origem
[editar] Definição através de conjuntos
Seja S um conjunto de vetores de V. Pode-se perguntar qual é o menor subespaço vetorial de V que contém S. Para ser mais preciso, temos o seguinte:
- V é um subespaço vetorial de V que contém S
- A interseção de subespaços vetoriais de V que contém S também é um subespaço vetorial de V
Ou seja, seja K o conjunto (não vazio, porque
) definido por:
e seja
definido por:
[editar] Teorema
Nas condições definidas acima,
é o subespaço vetorial gerado por S.
[editar] Bases
- Definição
Seja
um subconjunto de um espaço vetorial
é uma base do espaço vetorial
quando o subespaço de
gerado por
é o próprio
e
é um conjunto linearmente independente. Quando uma base
é um conjunto finito
de
elementos, dizemos que
tem dimensão
.
Seja V um espaço vetorial e B uma base de V. Suponha que um vetor
seja escrito como combinação linear de vetores de B de duas formas diferentes:
O que pode ser dito a respeito dos λ e μ? O que pode ser dito a respeito dos ui e wj? A resposta é que, de certa maneira, eles são únicos.
[editar] Coordenadas
- Definição
Seja B uma base de um espaço vetorial V. Se existe
então para todo vetor
se expressarmos v como uma combinação linear de elementos de B que inclua b, o coeficiente do termo b será constante. Em outras palavras, para toda base B do espaço vetorial V existe uma função que associa a cada par
um escalar. Esta função é chamada de a coordenada de v na base B
[editar] Ver também
[editar] Wikipédia
Transformações lineares
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|
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[editar] Transformações Lineares
[editar] Definição
- Definição
Uma função
onde
e
são espaços vetoriais sobre um corpo
é dita uma transformação linear se, para todos
e para todo
tem-se
[editar] Existência de uma transformação
Sejam V e W espaços vetoriais sobre um corpo K, onde a
. Seja
uma base de V e
vetores quaisquer de W. Então existe uma transformação linear
.
| Prova |
|---|
|
[editar] Imagem de uma transformação linear
A seguir será discutido um exemplo de como achar a imagem de uma transformação linear. Considere
, definida por
. O valor de
em um ponto
pode ser reescrito da seguinte forma:
.
Consequentemente, todo ponto da imagem é uma combinação linear dos vetores
e
, isto é, tais vetores formam um conjunto de geradores para a imagem de
. Como poderá ser verificado pelo leitor[1], estes vetores também são linearmente independentes, constituindo portanto uma base para a imagem de
.
[editar] Núcleo
- Definição
Seja
uma transformação linear entre os espaços vetoriais V e W. O núcleo da transformação linear, Ker(T), é a imagem inversa do vetor nulo em W:
[editar] Teorema do núcleo
O núcleo de uma transformação linear é um subespaço vetorial do seu domínio
A demonstração é simples:
- Ker(T) não é vazio, pois 0V é um elemento de Ker(T), já que T(0V) = 0W
- Se
então T(v) = T(w) = 0, logo, pela linearidade de T, T(v + w) = 0 e 
- Se
e
temos
logo
ou seja, 
[editar] Posto e nulidade
Se
, e 
- O posto(T) = dim Im(T),isto é, a dimensão da imagem de T(V), isto é, a quantidade de vetores L.I. que geram toda a imagem de T(V).
e
- A Nulidade(T) = dim Ker(T), isto é, é a dimensão do núcleo de T(V), isto é, a quantidade de vetores L.I. que geram todo o núcleo de T(V).
[editar] Teorema do posto e da nulidade
Sejam V e W espaço vetoriais sobre o corpo K e
. Se
, então posto(T) + Nulidade(T) = dim V
Prova
- Definindo a base do núcleo e a base do espaço:
Seja
uma base do Ker(T). Existem vetores
com j=k+1,...,n onde
é uma base de V.
- Definindo a base da imagem:
Como
é a base de V, T aplicada nessa base gera um conjunto que gera a imagem de T por V. Aplicando T sobre os vetores da base de V, temos
, mas
, pela definição de núcleo. Assim os vetores
geram a imagem de T(V).
- Provando que os vetores são independentes:
Como queremos uma base, eles devem ser independentes, isto é, devem
tal que
.
Tomemos
. Logo
. Como
.
Portanto
. Como
são L.I., então
.
- Definindo posto e nulidade:
O Posto(T) = dim Im(T). Como
geram a imagem de T(V), logo o posto(T)= n - (k+1) +1 = n-k.
A nulidade (T) = dim Ker(T). Como
é uma base do Ker(T), logo a Nulidade (T)= k - 1 + 1 = k
Como n = dim V, Nulidade(T)=k e Posto(T)=n-k, portanto Posto(T) + Nulidade(T) = dim(V).
[editar] Funcionais lineares
[editar] Definição
- Definição
Uma função
onde V é um espaço vetorial sobre K, é chamada de funcional linear se,
e 
- Teorema (existência e unicidade)
Se V é um espaço vetorial de dimensão n e
é uma base de V, então existe um único funcional f, tal que
e 
- Teorema (base dual)
Se V é um espaço vetorial,
e
é uma base de V, então existe uma única base
de
tal que 
- Definição
é chamada de base dual de 
é chamado de espaço dual de V
Corolários:
[editar] Teoremas
- Teorema (representação dos funcionais lineares)
Sejam V um espaço vetorial sobre K,
com produto interno, e
um funcional linear. Então existe um único vetor
tal que

Demonstra-se ainda que 
[editar] Operador linear
Dizemos que T uma tranformação linear,
é chamada operador linear de T sobre V.
[editar] Adjunto de um operador linear
[editar] Definição
- Definição
Seja V um espaço vetorial. O operador adjunto,
de um determinado operador linear
é definido pela igualdade:
Demonstra-se que todo operador linear possui um e apenas um operador adjunto correspondente.
A partir da definição, podemos obter as seguintes conseqüências (prove!):
- Proposição
Seja V um espaço vetorial sobre K,
com produto interno. Seja
uma base ortonormal de V. Então
onde 
- Corolário
Seja V um espaço vetorial sobre K,
com produto interno. Então, para qualquer base
ortonormal de V, temos que a matriz ![[T^*]_\alpha = (\overline{[T]_\alpha})^t.](http://upload.wikimedia.org/wikibooks/pt/math/6/9/7/69717352c5fef0d2be7036aa27520223.png)
[editar] Operadores especiais
- Auto-adjunto (
) - Unitário (
) - Normal (
)
[editar] Operador auto-adjunto
- Definição
é chamado de auto-adjunto se 
Uma matriz A é auto-adjunta se 
- Se
é chamada simétrica. - Se
é chamada hermitiana.
Os seguintes enunciados são úteis na prova de teoremas do operador auto-adjunto:
- Se
então 
- Se V é complexo e
então 
Prove:
- Se
e
então 
- Seja
com V complexo. Então 
[editar] Operador unitário
- Definição
é chamado de unitário se 
Uma matriz A é unitária se 
Prove:
- T é unitário
(T preserva o produto interno) - T é unitário
(T preserva a norma) - T é unitário
é unitário
[editar] Operador normal
- Definição
é chamado de normal se 
Uma matriz A é normal se 
Prove:
- Todo operador auto-adjunto é normal
- Todo operador unitário é normal
É importante ressaltar, ainda, que existem operadores normais que não são unitários nem auto-adjuntos.
[editar] Subespaço invariante
[editar] Definição
- Definição
W, subespaço vetorial de V, é dito invariante sob o operador
se 
Dizemos também que W é T-invariante.
[editar] Exercícios
Prove:
- Se W é T-invariante, então
é
-invariante. - Se W é T-invariante e T é auto-adjunto, então W é
-invariante. - Se W é T-invariante e T é inversível, então

- Se W é T-invariante e T é inversível, então W é
-invariante e 
- Se W é T-invariante e T é unitário, então W é
-invariante (ou
-invariante). - Se W é T-invariante e T é unitário, então
é T-invariante.
[editar] Notas
- ↑ Ver por exemplo no Wolfram Alpha
[editar] Ver também
[editar] Wikipédia
Polinômios
[editar] Álgebra linear
Seja A, uma álgebra linear sobre o corpo K, então A é um espaço vetorial com uma operação extra, que é multiplicação de vetores, que onde dois vetores u, v de A são levados ao vetor uv de A, que é o produto dos vetores u e v. As propriedades desse produto são:
- multiplicação é associativa: u(vw) = (uv)w.
- multiplicação é distributiva em relação à adição: u(v + w) = uv + uw(à esquerda) e (u + v)w = uw + vw(à direita).
- multiplicação por escalar: k(uv) = (ku)v = u(kv).
[editar] Extensões de uma álgebra linear
- com elemento unidade: se existir um elemento i em A, tal que iu = ui = u, para todo u em A
- comutativa: se uv = vu para todo u,v em A
[editar] Álgebra dos polinômios
Seja P[x] o espaço dos polinômios finitos, gerados pelos vetores
, pata algum n inteiro qualquer. P[x] é um polinômio sobre o corpo K.
- Definição da elemento de P[x].
onde
.
- grau de p(x) em P[x]:
, usando o p definido acima.
- coeficientes de p(x):
são chamados os coeficientes do polinômio p(x).
- polinômio nulo:
.
- polinômio não-nulo:
.
- polinômio unitário:
- Se
, então p(x) é unitário.
- Se
[editar] Teoremas
[editar] Propriedade do Grau do produto de polinômios
Sejam p, q em P[x]-{0} sobre K. Então:
- pq é um polinômio não-nulo.
- gr(pq)=gr(p)+gr(q).
- se p,q são unitários, então pq é unitário.
- pq é polinômio constante
pq são polinômios constantes.
[editar] Ideais de polinômios
== Lema Sejam p,q em P[x]-{0} sobre K, onde
. Logo existe r em P[x] tal que p-qr=0 ou gr(p-qr)<gr(p).
Raízes
Formas canônicas elementares
[editar] Autovetores e autovalores
- Definição
Seja V um espaço vetorial sobre K, e seja T um operador linear sobre V. Um vetor não nulo
de V é dito um autovetor (ou vector próprio) de T se existir um
tal que
. Neste caso,
é dito autovalor (ou valor próprio) de T.
Um significado prático:
- Os autovetores são vetores que, sob a ação de um operador linear, resultam num vetor de mesma direção. Os autovetores estão sempre ligados ao operador linear, ou seja, cada operador linear admite um conjunto específico de autovetores.
- Para cada autovalor
, podem existir vários autovetores
tais que
. Dizemos que esses são autovetores associados ao autovalor
. Haverá infinitos autovetores associados a cada autovalor, exceto no caso do corpo K ser um corpo finito.
Prove:
- Se v é um autovetor de T associado ao autovalor
, e
é um escalar não-nulo, então
também é um autovetor associado a
. - O conjunto
é um subespaço vetorial de V (ele é chamado de autoespaço). Note que
é o conjunto de todos os autovetores associados a
unido ao vetor nulo.
[editar]
: um operador importante
O operador
, leva os autovetores no vetor nulo
Como
. Logo
é o núcleo da transformação de
.
[editar] Teorema do operador 
Seja
um operador linear sobre V de dimensão finita e
um valor característico do operador T sobre V. O operador
é singular, se e somente se, det(
)=0.
Prova:
- Definindo uma matriz associada ao operador
O operador
é singular, ou seja, não é injetor. Existe uma matriz
é a base do operador T sobre V. Assim tome
, ou seja,
.
- calculando a determinante sobre o polinômio
[editar] Autovetores de uma matriz quadrada
- Definição
Um autovalor de uma matriz
é um escalar
tal que existe um vetor não nulo v, com
, onde v é chamado de autovetor de A associado a
.

[editar] Polinômio característico
- Definição
Seja A uma matriz quadrada de ordem n. O polinômio
é chamado de polinômio característico de A.
Prove:
- Seja
uma base de V, e v um autovetor de T associado ao autovalor
. Então
é um autovetor da matriz
associado ao autovalor
de ![[T]_\alpha \;](//upload.wikimedia.org/wikibooks/pt/math/4/e/0/4e03cea992849bc05d3bfc941ecf4180.png)
- Se
e
são duas bases quaisquer de V, então o polinômio característico de
é igual ao polinômio característico de
.
Exemplo:
[editar] Operador diagonalizável
- Definição
Um operador T é dito diagonalizável se existir uma base
de V tal que
é uma matriz diagonal.
- Definição
Duas matrizes quadradas de mesma ordem, A e B, são ditas semelhantes se existir uma matriz P, de mesma ordem, inversível, tal que
.
- Definição
Uma matriz
é dita diagonalizável se
for semelhante a uma matriz diagonal D (ou seja, existe uma matriz P, inversível, tal que
).
Prove:
- Se
são autovetores de T associados, respectivamente, aos autovetores
tais que
se
, então
é LI. - Seja
uma base de V. A matriz
é diagonal
é uma base de V formada por autovetores de T - Se T é auto-adjunto e
é um autovalor de T, então
. - Se T é auto-adjunto e
são autovetores de T associados aos autovalores
(distintos), respectivamente, então
, se
. - Se T é unitário e
é um autovalor de T, então
. - Se
é um autovalor de T e T é normal, então
é autovalor de
.
é T-invariante.
é
-invariante.- Se T é normal e
é autovalor de T, então
é
-invariante. - Se T é normal, então
é T-invariante.
A forma racional e a forma de Jordan
Álgebra linear/A forma racional e a forma de Jordan
Produto interno
Em Álgebra linear, chamamos de produto interno uma função de dois vetores que satisfaz determinados axiomas. O produto escalar, comumente usado na geometria euclidiana, é um caso especial de produto interno.
[editar] Definição
Seja V um espaço vetorial sobre um corpo K. Em V, pode-se definir a função binária
(denominada produto interno), que satisfaz os seguintes axiomas:



- Se
, então
> 
em que u, v e w são vetores de V, e λ é um elemento de K.
A partir desses axiomas, é possível provar as seguintes consequências:


- Se
, então 
- Se
, então 
[editar] Exemplos
O produto escalar sobre o espaço vetorial
satisfaz os axiomas do produto interno e é definido por:
Se f e g são duas funções contínuas em um intervalo fechado, é possível definir o produto interno:
[editar] Vetores ortogonais
Diz-se que dois vetores
são ortogonais se
.
Consequências (prove!):
- Se
, então 
- Se
, então 
[editar] Complemento ortogonal
Seja 
Define-se o complemento ortogonal de v,
, como:
Consequências (prove!):
é um subespaço vetorial de V- Seja
um subespaço vetorial de V, e
uma base de
. 
, W é subespaço de V.
[editar] Norma
Seja V um espaço vetorial sobre o corpo K, com produto interno. Define-se a norma ou comprimento de um vetor
como sendo o número
, que indicamos por
.
Consequências (prove!):

- Se
, então 

- Se
, então
(Teorema de Pitágoras)
[editar] Projeção ortogonal
[editar] Projeção de um vetor v na direção de um vetor u, em que u ≠ 0
Define-se essa projeção como sendo o vetor

[editar] Projeção de um vetor v sobre um subespaço vetorial W de V
Seja
, em que
é uma base ortogonal de W.

[editar] Desigualdade de Cauchy-Schwarz
Dados
, então 
[editar] Desigualdade triangular

[editar] Base ortogonal e ortonormal
Uma base
de V é dita ortonormal se
, em que
, se i = j
, se i ≠ j
A base é ortogonal se os vetores são ortogonais dois a dois.
v1.v2=0
Propriedade: n vetores não-nulos e ortogonais dois a dois, em um espaço de dimensão n, são linearmente independentes.
[editar] Processo de ortogonalização de Gram-Schmidt
Dada uma base
de V, podemos encontrar, a partir desta base, uma base ortogonal
de V.

[editar] Distância entre dois vetores
Define-se a distância entre dois vetores quaisquer, u e v, como sendo 
Uma função distância tem as seguintes propriedades:
Tais propriedades podem ser facilmente verificadas pela definição de norma.
[editar] Melhor aproximação de um vetor v de V por um vetor de W, subespaço vetorial de V
Se
, então u é o vetor de W que dá a aproximação mais adequada de v por um vetor de W.
Demonstra-se que 
[editar] Ver também
Operadores sobre espaços com produto interno
Álgebra linear/Operadores sobre espaços com produto interno
Formas bilineares e quadráticas
[editar] Formas bilineares
- Definição
Uma função g do produto cartesiano
(onde V é um espaço vetorial de dimensão finita sobre o corpo K) é dita bilinear se,
:
[editar] Matriz associada a uma forma bilinear
Sejam
uma forma bilinear, e
uma base de V. Sejam X e Y dois vetores de V, sob a forma de matriz coluna:

Então:
,
onde A é a matriz associada à forma bilinear g.
A matriz A é dada por:

onde 
[editar] Formas bilineares simétricas
- Definição
Uma forma bilinear
é dita simétrica se 
Proposição:
é uma forma bilinear simétrica se, e somente se, a matriz associada à forma bilinear é simétrica em qualquer base de V.
[editar] Formas quadráticas
- Definição
Dada uma forma bilinear simétrica
, dizemos que a função
, definida por
, é a forma quadrática associada à forma bilinear g.
Note que:
[editar] Fórmulas de polarização
As fórmulas de polarização permitem que, dada a forma quadrática f, se descubra a forma bilinear g que a originou. Eis duas dessas fórmulas:
Autovetores
[editar] Autovetores e autovalores
- Definição
Seja V um espaço vetorial sobre K, e seja T um operador linear sobre V. Um vetor não nulo
de V é dito um autovetor (ou vector próprio) de T se existir um
tal que
. Neste caso,
é dito autovalor (ou valor próprio) de T.
Um significado prático:
- Os autovetores são vetores que, sob a ação de um operador linear, resultam num vetor de mesma direção. Os autovetores estão sempre ligados ao operador linear, ou seja, cada operador linear admite um conjunto específico de autovetores.
- Para cada autovalor
, podem existir vários autovetores
tais que
. Dizemos que esses são autovetores associados ao autovalor
. Haverá infinitos autovetores associados a cada autovalor, exceto no caso do corpo K ser um corpo finito.
Prove:
- Se v é um autovetor de T associado ao autovalor
, e
é um escalar não-nulo, então
também é um autovetor associado a
. - O conjunto
é um subespaço vetorial de V (ele é chamado de autoespaço). Note que
é o conjunto de todos os autovetores associados a
unido ao vetor nulo.
[editar] Autovetores de uma matriz quadrada
- Definição
Um autovalor de uma matriz
é um escalar
tal que existe um vetor X, com
, onde X é chamado de autovetor de A associado a
.

[editar] Polinômio característico
- Definição
Seja A uma matriz quadrada de ordem n. O polinômio
é chamado de polinômio característico de A.
Prove:
- Seja
uma base de V, e v um autovetor de T associado ao autovalor
. Então
é um autovetor da matriz
associado ao autovalor
de ![[T]_\alpha](//upload.wikimedia.org/wikibooks/pt/math/3/c/7/3c73a975035ab0083339730f64dfaa9e.png)
- Se
e
são duas bases quaisquer de V, então o polinômio característico de
é igual ao polinômio característico de
.
[editar] Operador diagonalizável
- Definição
Um operador T é dito diagonalizável se existir uma base
de V tal que
é uma matriz diagonal.
- Definição
Duas matrizes quadradas de mesma ordem, A e B, são ditas semelhantes se existir uma matriz P, de mesma ordem, inversível, tal que
.
- Definição
Uma matriz
é dita diagonalizável se
for semelhante a uma matriz diagonal D (ou seja, existe uma matriz P, inversível, tal que
).
Prove:
- Se
são autovetores de T associados, respectivamente, aos autovetores
tais que
se
, então
é LI. - Seja
uma base de V. A matriz
é diagonal
é uma base de V formada por autovetores de T - Se T é auto-adjunto e
é um autovalor de T, então
. - Se T é auto-adjunto e
são autovetores de T associados aos autovalores
(distintos), respectivamente, então
, se
. - Se T é unitário e
é um autovalor de T, então
. - Se
é um autovalor de T e T é normal, então
é autovalor de
.
é T-invariante.
é
-invariante.- Se T é normal e
é autovalor de T, então
é
-invariante. - Se T é normal, então
é T-invariante.
Teoremas espectrais
|
Esta página é um esboço de matemática. Ampliando-a você ajudará a melhorar o Wikilivros. |
Os teoremas espectrais são muito importantes na álgebra Linear, pois garantem a existência de uma base ortonormal de autovetores para alguns tipos de operadores. Como visto, isto implica que o operador é diagonalizável, o que facilita bastante os cálculos.
[editar] Teorema espectral para operadores auto-adjuntos
Seja
um operador auto-adjunto e V um espaço vetorial complexo ou real de dimensão n. Então existe uma base ortonormal de V formada por autovetores de T.
[editar] Teorema espectral para operadores unitários
Seja
um operador unitário e V um espaço vetorial complexo de dimensão n. Então existe uma base ortonormal de V formada por autovetores de T.
Estilo
Nesta página estarão indicadas as convenções adotadas neste wikilivro, no que diz respeito a sua formatação. Recomenda-se a leitura do mesmo, por todos que pretendem contribuir com a melhoria desde texto.
[editar] Dicas
- Observações
- Sempre que for dar uma dica ao leitor, utiliza a faixa acima. Isso oferece um destaque à sugestão que estiver sendo dada.
- Esta faixa é criada usando a predefinição {{CaixaMsg}}.
[editar] Definições
- Definição
Uma definição pode ser entendida como o texto que explica de forma precisa o significado de um conceito.
- Observações
- Geralmente um termo importante aparece pela primeira vez em uma definição.
- Devido à sua importância, é bom destacar a definição do restante do texto.
- No momento, a forma de destacar uma definição neste wikilivro é a inclusão da mesma dentro de uma região com bordas duplas, como no exemplo acima. Para isso, utiliza-se a predefinição {{Definição}}.
- O conceito que está sendo definido tem sido colocado em negrito, sendo que o texto da explicação tem sido alinhado a esquerda.
[editar] Exemplos
- Observações
- Novamente, utiliza-se a predefinição {{CaixaMsg}} para posicionar uma faixa azul e uma imagem no lado esquerdo do exemplo.
- Note que não há bordas em torno dos exemplos.
[editar] Propriedades
- Teorema
Sempre que uma propriedade importante dos objetos tratados no texto precisa ser destacada, isto deve ser feito em uma caixa como essa.
- Observações
- Os principais tipos de propriedades a ser destacados são: teoremas, corolários e pequenos lemas.
- Para conseguir a formatação acima, utiliza-se a predefinição {{Teorema}}.
Lista de símbolos
Álgebra linear/Lista de símbolos
Índice remissivo
Nesta página estão listados os conceitos abordados neste livro em ordem alfabética.
O nome de cada conceito possui um link para a página onde o mesmo é definido. Outras ocorrências importantes do conceito são indicadas pelos links numerados, logo após o link principal.
[editar] A
- Adição
- Adjunta
- Auto-subespaço
- Autovalores
- cálculo
- complexos
- de matrizes reais
- definição
- de matrizes auto-adjuntas
- de matrizes simétricas positivas
- e determinantes
- generalizados
- produto
- sensibilidade
- soma
[editar] B
- Base
[editar] C
- Caminho em um grafo
- Circuitos elétricos
- Codificação de mensagens
- Coeficiêntes de Fourier
- Cofatores
- Combinação
- Comutatividade
- Condições de Penrose
- Cone
- Cônica
- Conjunto
- convexo linearmente
[editar] D
- Distributividade
- Decomposição
- em valores singulares
- Deflação
- Descomplexificada
- Desenvolvimento de um determinante
- Desigualdade
- Deslocamentos da origem (no método das potências)
- Determinante
- do operador descomplexificado
- definição
- e autovalores
- e independência linear
- expansão em cofatores
- menor
- propriedades
- Diagonalização
- Dimensão
- Distância
- Distribuição
[editar] E
[editar] F
[editar] G
[editar] H
[editar] I
[editar] J
[editar] K
[editar] L
[editar] M
- Multiplicação
- Matriz(es)
- coluna
- definição
- diagonal
- escalar
- identidade
- linha
- nula
- quadrada
- triangular superior
- triangular inferior
[editar] N
[editar] O
[editar] P
[editar] Q
[editar] R
[editar] S
- Sistema de equações lineares
- Subespaços
[editar] T
[editar] U
[editar] V
- nulo
[editar] W
[editar] X
[editar] Y
[editar] Z
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Esta página é um esboço de matemática. Ampliando-a você ajudará a melhorar o Wikilivros. |
|
Faltam capítulos neste índice. |
Bibliografia
[editar] Livros
- Artin, Michael. Algebra. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1991. 672 p. ISBN 0130047635
- Halmos, Paul Richard. Finite-Dimensional Vector Spaces. Berlin: Springer, 1974. ISBN 0387900934
- Hoffman, Kenneth, Kunze, Ray. Linear Algebra. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1971. 407 p. ISBN 0135367972
- Hogben, Leslie. Handbook of Linear Algebra. Boca Raton: CRC Press, 2007. 1400 p. ISBN 1584885106
- Jacobson, Nathan. Lectures in Abstract Algebra. Berlin: Springer, 1976. 217 p. v. 1. ISBN 0387901817
- Lang, Serge. Algebra. Berlin: Springer, 2002. 914 p. ISBN 038795385X
- Leon, Steven J.. Álgebra Linear com Aplicações. 4ª.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. 390 p. ISBN 8521611501
- Lima, Elon Lages. Álgebra Linear. 7ª.ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2006. 357 p. ISBN 8524400897
[editar] Ligações externas
- Linear Algebra Livro de Álgebra linear no wikilivros em inglês.
- A First Course in Linear Algebra - livro sobre álgebra linear, em língua inglesa, licenciado sob a GNU Free Documentation License.
- Linear Algebra - outra opção de livro em língua inglesa, licenciado sob a GNU Free Documentation License.
- Página do professor Reginaldo (UFMG) - contém diversos livros sobre o assunto.
Existem
e
, e o termo constante é
.
.
, com coeficiente
. O termo constante é
.
pode ser representada pela reta que passa pelos pontos
e
.
corresponde a reta que contém os pontos
e
.
que são soluções da equação linear
estão todos sobre o
,
e
.
é um sistema de três equações, nas variáveis
e
é um sistema de três equações e duas variáveis
e
.
é um sistema linear formado por uma única equação e três variáveis
e
.
.
.
. Sendo este o caso, é possível explicitar um conjunto
.
, pode-se concluir que as soluções do sistema acima são as mesmas do sistema
, por tanto (somando membro a membro), tem-se
.

e usando essa expressão na segunda e terceira equações, segue:
, que substituído na última equação fornece:
na segunda equação, tem-se
e usando esses valores na primeira equação segue que
.
.
para as entradas de uma matriz 




Isto é, ela possui o mesmo número de linhas e de colunas.
Isto é, ela possui apenas uma linha.
Isto é, ela possui apenas uma coluna.
e cujo elemento
se
Isto é, possui todos os valores iguais à zero, exceto os elementos da diagonal principal.
e
Isto é, todos os valores são nulos, exceto os valores da diagonal principal que possuem sempre o mesmo valor.
Isto é, se todos os seus elementos forem nulos.
se
Isto é, possui todos os valores nulos, exceto os valores da diagonal principal que valem sempre 1.






(
é uma Matriz Nula, não um escalar)

para cada par 










então
onde
representa a matriz identidade de ordem 

será 
e vice-versa.
conhecida como adição de vetores;
chamada de multiplicação por escalar.
(
(
tal que para cada
(
tal que
(
e cada
(
e cada
(
(
(
e
são espaços vetoriais reais (ou seja, sobre o corpo
).
o conjunto dos números inteiros positivos, e S o conjunto de todas as funções de domínio



tem-se 
tem-se 
é subespaço de
e
são subespaços vetoriais do espaço vetorial
é um espaço vetorial de 

e
Então 
e
Então definindo
e
temos que

o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo é uma reta que passa pela origem
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo também é uma reta que passa pela origem



tal que
. Podemos definir T em v como
. Sendo
e, consequentemente, T está bem definida por meio da regra que associa o vetor
. Vemos através da definição que
.
. Assim
. Pela definição
. De outro modo
. Portanto
.
, então se
.
.
então T(v) = T(w) = 0, logo, pela linearidade de T, T(v + w) = 0 e 
e
temos
logo
ou seja, 


é chamada de base dual de 






)
)
)
então 
então 
(T preserva o produto interno)
(T preserva a norma)
é unitário
é
-invariante.
-invariante e 
onde
.
, usando o p definido acima.
são chamados os coeficientes do polinômio p(x).
.
.
, então p(x) é unitário.
pq são polinômios constantes.
tais que
é um escalar não-nulo, então
também é um autovetor associado a
é um subespaço vetorial de V (ele é chamado de autoespaço). Note que
é o conjunto de todos os autovetores associados a
é um autovetor da matriz
associado ao autovalor
e
são duas bases quaisquer de V, então o polinômio característico de
.
tais que
se
é LI.
é uma base de V formada por autovetores de T
.
, se
.
é autovalor de
é
é 


, então
> 

, então 


, então
, então 


, W é subespaço de V.


(Teorema de Pitágoras)
, se i = j
, se i ≠ j







, tal que
.
;



é um autovetor da matriz
.